POV Aurora A mansão dos Corleone tinha o tipo de silêncio que não era calmo. Era o tipo que observava. O tipo que pesava sobre a pele como uma ameaça. O sol m*l tinha nascido, mas o calor já invadia as janelas altas. A claridade filtrava-se pelas cortinas pesadas, pintando as paredes de mármore em tons dourados e sombrios ao mesmo tempo. Tudo ali exalava riqueza e perigo. Cada quadro, cada tapete, cada passo ecoando no chão frio parecia sussurrar que eu não pertencia àquele lugar — ainda. Chiara, a assistente, me guiava pelos corredores como quem conduz um animal que ainda não sabe se vai atacar ou fugir. — O senhor Nero pediu que descesse para o café. — disse, sem olhar para mim. Assenti e a segui. O salão era imenso. O cheiro de café forte e pão fresco misturava-se ao de fumo e

