POV Leo O hospital não cheirava a limpeza. Sinceramente não estive em um hospital desde a morte da minha mãe. A condição dela praticamente a fazia morar no hospital. Meu pai passou muito tempo aqui ao dela. Sinto falta dela, muito falta. Aquele lugar cheirava a medo e lembranças. Não o medo comum — aquele de quem espera diagnóstico. Era outro. Mais contido. Mais respeitoso. O tipo de medo que surge quando alguém como eu atravessa aquelas portas carregando sangue nos braços e silêncio nos olhos. — Sala de trauma, agora — ordenei antes mesmo de alguém perguntar qualquer coisa. Aurora estava inconsciente. O vestido rasgado. O sangue escuro demais contra a minha camisa. A respiração irregular, rasa, como se o corpo estivesse negociando cada segundo. — Senhor, precisamos de— — Agor

