POV Aurora Passei a tarde inteira tentando respirar. Respirar… Como se isso fosse fácil quando o corpo inteiro parece um campo de guerra. Quando cada marca pulsa com memórias que você nunca pediu pra carregar. Eu caminhava pelo quarto como um fantasma sem rumo. Toquei a janela. Toquei o travesseiro. Toquei a parede. Nada me ancorava. Até que parei diante do espelho. E foi como levar um tiro silencioso. Minha pele, exposta. Meus traços, apagados. E as cicatrizes… as malditas cicatrizes… Todas ali. Como se tivessem esperando o momento certo pra me esmagar. Finquei as unhas na própria palma. Ardeu. Mas não tanto quanto olhar pra mim. Sempre fugi disso. Sempre desviei o olhar quando ia tomar banho. Sempre empurrei a dor pra um canto escuro da mente. Mas Helena me encurralo

