POV Aurora O amanhecer tinha gosto de ferro e presságio. As nuvens pesadas, o vento cortante — até o ar parecia avisar que alguma coisa estava para mudar. Leo bateu na porta do meu quarto antes do sol nascer. Três vezes. Nem mais, nem menos. O som preciso de quem está acostumado a ser obedecido. — Arrume as malas. — disse apenas. — Saímos em uma hora. Não perguntou se eu queria ir. E eu não perguntei pra onde. Entre nós, as vontades já eram silenciosas. Vesti o casaco preto, prendi o cabelo e desci as escadas. O hall estava vazio, mas a tensão era densa como fumaça. Chiara me entregou uma pasta e um olhar apreensivo. — Nero mandou que acompanhasse o senhor Leo. — explicou. — “Aprendizado de campo”, foram as palavras dele. Aprendizado. Nada nessa casa vinha com esse nome sem

