Anne desenhava em silêncio. Japa estava ao lado, deitado de barriga pra cima, com os braços atrás da cabeça e os olhos fechados. A laje estava quente, mas o vento do mar subia com força, espalhando o cheiro de sal e sabão. Era fim de tarde, e o céu do Rio parecia uma aquarela em tons de laranja e violeta. — Você sempre foi assim? — ela perguntou de repente. — Assim como? — Calmo. Gentil. Tranquilo. Ele riu, com os olhos ainda fechados. — Gentil eu tento. Calmo… nem sempre. Mas aqui na laje eu respiro melhor. O mundo lá embaixo grita demais, né? Ela assentiu, voltando pro desenho. Estava rabiscando ele agora. O rosto relaxado, o boné jogado de lado, a camisa amassada. Era bonito de desenhar. Bonito de olhar. — Você fica diferente quando desenha — ele disse, abrindo os olhos devagar

