Anos depois...
Dapheny ainda era uma adolescente quando o irmão mais novo iniciou seu treinamento um pouco tardio... Ela tinha 17 e o irmão 14 anos, Scott deixava Dapheny ler seus livros de escola, ela não frequentava a escola desde os 8 anos, mas sabia ler e escrever, gostava dos livros de ciências e de pesquisar sobre assuntos relacionados ao corpo humano, se tivesse estudado seria médica ou enfermeira, sempre que aparecia machucada eram essas pessoas que lhe ofertavam carinho e cuidado.
O pai levava Scott após as aulas e ele treinava com Dave ou com ele mesmo, Alex sempre acompanhou o filho nos treinos, Peter com agora 19 anos ajudava o irmão Noah de apenas 11 anos, Peter esperava o próximo aniversário de Dapheny para marcar o casamento.
— Olá Peter como está?
— Estou muito bem, vejo que agora é a vez de Scott treinar, demorou para trazê-lo. Ele tem muito a aprender e sinto dizer, mas ele precisa melhorar muito para sobreviver no nosso meio.
— Eu sei... Mas nem todos tem habilidades.
— E como está Dapheny, sabe que falta apenas um ano para o casamento e vi sua filha apenas uma vez ou por fotos.
— Eu tentei cria-la bem, espero que crie juízo depois de se casar...
Peter ficou intrigado, o pai falava que além de bonita Dapheny era discreta e recatada.
— Senhor Jhonson, tenho que perguntar... Que tipo de mulher é a sua filha? Meu pai me prometeu uma moça que além de bonita era respeitável, me disse que eu não terias problemas com ela.
— Darei um jeito nela antes do casamento, a mudei de escola por causa dos garotos com quem se envolvia, mas não adiantou muito, deixo Dave de olho nela, mas ele está aprendendo as funções e sobre os negócios da família, não posso deixa-lo o tempo todo a cargo da irmã.
Peter se sentiu enganado, se o próprio pai diz isso da filha, ela deve ser pior ainda.
— Vou investigar sua filha Drake, quero saber exatamente que tipo de mulher ela é, tenho um nome a zelar e não posso ter do meu lado uma qualquer.
Drake havia conseguido o que queria, plantou em Peter a dúvida sobre o caráter da filha. Chegando em casa Drake encontrou Dapheny lendo na sala, ela estava com um livro surrado que Scott pegou na biblioteca da escola. Era um livro que falava de plantas e do seu poder de cura.
— O que está fazendo?
— Estou lendo. — Dapheny respondeu levantando uma sobrancelha.
— Pra que?
— Eu só gosto de ler, estou passando o tempo...
— Não tem trabalho pra fazer?
— Pai, já cuidei de tudo, a casa está limpa e arrumada, a comida está pronta e a cozinha organizada.
— Ótimo! Vista isso, vai sair com uma pessoa hoje, apenas aproveite a noite e volte para casa, me entendeu?
Dapheny olhou a sacola e ali tinha uma roupa que com certeza era nova, estava ainda com a etiqueta. Era uma calça jeans preta e uma blusa vermelha, era com mangas longas, Dapheny tinha o corpo marcado com queimaduras e alguns ferimentos das surras que levava. Ela viu o conjunto e adorou, o pai nunca lhe comprava nada, e ganhar assim um look completo, para ela foi uma demonstração de afeto. Ela se levantou e abraçou o pai.
— Pai, eu amei! Obrigada pelo presente.
Drake a empurrou. — Não me abrace! Apenas me obedeça.
Dapheny não discutiu, ela subiu, tomou um banho e se trocou. A roupa nova realmente ficou muito bem nela, ela colocou um tênis, não tinha saltos ou sapatos femininos.
Ela desceu e lá estava um rapaz, ele a viu descer as escadas e sorriu, Dapheny naquele momento sentiu-se desconfortável, naquele sorriso tinha malícia, mesmo trancada em casa ela sabia que alguns homens não respeitavam as mulheres.
— Minha filha esse é o Ralph ele estudava com o Dave, vai sair com você.
— Pai, podemos falar na cozinha. — Ela foi apreensiva e Drake a seguiu.
— Pai, não quero sair com ele, eu não me sinto segura.
— Não estou lhe perguntando se quer, estou dizendo pra ir e pronto! Você reclama que não sai, que não se diverte, que não te dou nada e quando preparo um dia para você desdenha? Estou tentando minha filha, tentando ser um bom pai...
Dapheny se sentiu culpada, tratar uma surpresa do pai assim, ela deu um beijo no pai e voltou para sala.
— Podemos ir, estou pronta.
Drake sorriu ao ver Dapheny sair.
Peter estava em casa e recebeu uma mensagem de Dave.
Dave — "Meu amigo, vamos sair hoje? passo aí às 21h, tem um bar novo no centro."
Peter — "Beleza, vou te esperar!"
Peter e Dave passavam muito tempo treinando juntos, Drake aproveitava para envenenar ele contra Dapheny, mas quando novo nunca ligou para os comentários de Drake, nunca havia visto ou ouvido de outra pessoa que ela não era pessoa descente.
Enquanto isso Dapheny chegava a 230Fifth animada com Ralph, o lugar era no topo de um prédio, podia se ver a cidade inteira de lá, as luzes coloridas envolviam algumas mesas dando privacidade as pessoas.
— Dapheny, o que achou do lugar?
— Tem bastante gente, né?
— É que você não está acostumada...
Ralph pegou uma bebida e colocou na frente dela, Dapheny primeiro cheirou o copo, e fez uma careta, Ralph não pode deixar de rir dela.
— É para beber e não para cheirar... — Ele disse ainda rindo.
— Oh, desculpa! É costume meu, gravo as coisas pelo cheiro, as vezes é horrível.
— Tá, o que você bebe?
— Bebidas fortes eu nunca bebi.
— Sério, quando foi a última vez que saiu?
— Essa é a minha primeira vez. — Ela disse um pouco envergonhada.
Ele riu novamente, quando o amigo Dave disse que ele deveria seduzir e levar uma moça para cama, disse que ela era experiente e gostava de sair, não disse que era a própria irmã e nem que ela nunca havia saído, Ralph gostou da inocência dela, achou Dapheny linda, pensou que ela conquistaria qualquer um, que Dave ter pedido que a levasse para cama era desnecessário.
Ralph pediu outra bebida e distraiu Dapheny com um show de música ao vivo que estava acontecendo em um dos cantos, ela estava realmente começando a se divertir, para ela era bom ver as pessoas dançando e conversar com alguém além do irmão, já que só Scott lhe dava atenção.
— Dapheny pedi outra coisa pra você, esse é bem leve, na verdade é um suco quase.
Dapheny cheirou o copo e sentiu o aroma das frutas fresca que estavam cortadas, ela sorriu e bebeu um pouco.
— Dapheny você namora?
— Não, mas meu pai me disse que tenho um noivo apenas esperando eu ter idade para me casar.
Ralph se preocupou, por que Dave pediria para ele seduzir a irmã comprometida? Dapheny parecia tão boa. Ralph começou a pensar que estava sendo usado para algo r**m. — Peraí, quantos anos tem? — Ele perguntou.
— Eu tenho 17...
Ralph xingou mentalmente o amigo Dave, ele havia acabado de levar uma menina de 17 anos comprometida a um bar.
— Dapheny, está tarde, vamos sair daqui.
— Posso pelo menos terminar a bebida?
— Não... Estou sendo gentil é melhor não... — Ralph queria deixar Dapheny em casa antes do sonífero fazer efeito, ele deu uma dose pequena e Dapheny nem havia tomado a bebida toda, ele pensava que ela ficaria mais relaxada e suscetível a aceitar uma noite com ele.
— Tudo bem. Então vamos.
Ralph começou a descer com ela no elevador e Dapheny se sentiu tonta, Ralph a segurou para não cair.
— Calma Dapheny, vou te deixar em casa.
Eles estavam realmente próximos, quando a porta do elevador se abriu no térreo, dois homens esperavam para subir.
— Encerrando a noite Dapheny?