Capítulo 9

1025 Words
Fanny Meus olhos doem quando tento abri-los, mas aos poucos consigo. O que causa a dor em meus olhos é a luz forte que entra pela janela do quarto branco demais. Fico confusa com o lugar onde me encontro. Pisco os olhos tentando me lembrar do que aconteceu e como vim parar nesse lugar esquisito que parece hospital. Então, me lembro do acidente e constato que não estou em um lugar que parece um hospital, eu estou em um hospital. Viro a cabeça para o lado e vejo meu pai dormindo de m*l jeito em uma poltrona de acompanhante. — Pai... - chamo-o - Pai! Ele abre os olhos em um susto e se senta. — Acalme-se, está tudo bem - falo e ele olha para mim e vejo que a compreensão finalmente o atinge. — Fanny, você acordou - Ele se levanta e vem até mim. Recebo um beijo em minha testa e ele se afasta dizendo que iria chamar um médico. Antes mesmo que eu pudesse falar com meu pai, dizer que estava bem, ele não me deu tempo para isso. Fico na cama, tentando me lembrar dos detalhes do acidente e aos poucos as cenas voltam e me lembro bem do que aconteceu. Meu pai volta com um médico e uma enfermeira, eles conversam comigo para ver se eu me lembrava do acidente, lembrava das pessoas ao meu redor, e também me examinaram. O médico fala com meu pai algo que não entendo e se vai. Meu pai se aproxima. — Você quase me matou do coração, Fanny - fala. — Não exagere, papai. Já sofri outros acidentes. — Mas nunca ficou desacordada por dois dias - Ele se senta ao falar. — Dois dias? — Exatamente. Fico pensativa e me lembro de minha prima. — E Alessa? — Felizmente sua prima está bem e despertou poucas horas depois do acidente, mas você, o caso foi mais grave. A pancada na cabeça foi forte. Levei a mão na testa e senti uma protuberância. Já sei que nem maquiagem pesada vai disfarçar, ou seja, festa só daqui a uns quinze dias... ou até a maquiagem esconder. — Você chamou muita atenção, filha. Frequentou boate de uma máfia rival; sofreu um acidente que mobilizou a polícia e os hospitais, e nem todos os envolvidos são parte dos nossos homens; E para completar, colocou a sua prima em risco de vida. Suspirei, pois sabia de tudo isso. Mas ele só se sentiria feliz quando me visse me sentindo culpada. — Pai, o acidente, eu posso ter me distraído por causa da música, mas o caminhão passou por nós e nos cegou com o farol alto, eu não vi o que estava na minha frente. Havia um barranco e eu não sabia. Acabei saindo da pista por causa disso e o carro desceu o barranco. — E o tiroteio na boate? Levantei a mão imediatamente. — Eu não tenho nada a ver com isso, eu juro. Estávamos conversando com um rapaz quando tudo começou, ele nos ajudou a esconder atrás de um balcão até o tiroteio acabar. Meu pai balançou a cabeça. — Por acaso, é este rapaz aqui? Ele procura algo no celular e me mostra a foto do rapaz na tela do aparelho. Vejo o rosto de Luigi nela. Sinto um misto de preocupação e alegria. — É, como o senhor o conhece? — Eu não o conheço. Ele insistiu em te ver. - Fico confusa. - Quem é esse cara? — É um cara que encontrei na boate, conversei um pouco; ele nos ajudou a esconder dos tiros e depois me deu o telefone para que eu ligasse para ele quando quisesse. — Ele foi até o local do acidente; te acompanhou até o hospital onde ele trabalha e quando Vicenzo foi busca-las no hospital, ele insistiu em te acompanhar novamente. — E vocês deixaram? — É claro que não, mas ele achou você. Arregalo os olhos em espanto. — Sério? O que vocês fizeram? - Tive medo da resposta de meu pai, pois para ele manter o sigilo é o mais importante, e ao me procurar, Luigi encontrou algo que não deveria: o hospital de confiança da nossa famiglia. — Pensei em eliminá-lo, mas então vi que ele não representava perigo. É só um i****a que está encantado por você. Mas lembre-se, Fanny, você é noiva de Lorenzo. Nem pense em trair seu noivo com esse rapaz ou ele terá sua vida abreviada. Um sentimento r**m percorreu meu corpo e gelou meu estômago. Quando ia falar com meu pai sobre Lorenzo, que eu não o queria como noivo, um som invade o quarto: alguém bate na porta. — Entre - ordene meu pai. Olho para a porta e vejo Luigi atravessar o portal do quarto que eu ocupava. Quando vi aquele homem cuidando dos feridos, não imaginei que ele fosse tão insistente. — Oi, Fanny, como está? Ele se aproxima e vejo que ele usa um jaleco branco, o que confirma que ele deve ser um enfermeiro. — Estou bem - Ainda estou confusa com sua presença. Como ele entrou nesse lugar? Como convenceu meu pai e o Vicenzo? — Você me deu um susto, sabia? - Ele toca os meus cabelos. — Mas só nos conhecemos na boate... — Eu sei, mas quis ajudar... e ... acabei parando aqui. — Eu quero saber como você conseguiu convencer o Vicenzo e o meu pai a te aceitarem aqui. Ele balançou a cabeça. — Eu só disse que era médico e ajudaria a cuidar de você. Eu ri incrédula. — Achei que fosse enfermeiro... mas, também duvido que tenha os convencido só com isso. — Eu sou médico, fiz medicina para ajudar as pessoas e foi com isso que entrei na maior enrascada da minha vida. - Continuo o encarando curiosa e ele conclui - Tive que jurar lealdade a seu pai ou não estaria mais aqui, nem para ajudar você e nem ninguém. Fico chocada com sua declaração e eu quero que ele me conte todos os detalhes, porque não é comum que um estranho se torne um agregado na máfia.
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