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Códice de Gael

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Blurb

Gael foi moldado para ser perfeito.

Herdeiro de um império construído com disciplina, poder e tradição, ele cresceu cercado por regras que transformaram cada passo de sua vida em uma obrigação. Frio, calculista e inalcançável, Gael aprendeu a controlar emoções, sufocar desejos e nunca permitir que ninguém enxergasse além da máscara impecável que carrega.

Até ela aparecer.

Indomável, intensa e completamente diferente de tudo o que ele conhece, ela não se curva ao seu sobrenome, não se impressiona com sua fortuna e muito menos aceita suas ordens. Enquanto Gael tenta mantê-la à distância, ela invade suas certezas, desafia seus limites e desperta sentimentos que ele foi treinado a ignorar.

O que começa como um choque de personalidades logo se transforma em uma batalha de vontades, onde cada provocação deixa marcas mais profundas do que qualquer ferida. Pela primeira vez, Gael se vê diante de uma escolha impossível: continuar protegendo seus segredos ou se permitir ser humano ao lado da única mulher capaz de fazê-lo sentir.

Entre orgulho, paixão e segredos que ameaçam destruir tudo, Códice de Gael é uma história arrebatadora sobre um homem que passou a vida inteira aprendendo a se esconder, mas precisou de uma mulher para descobrir o que realmente significa viver.

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PRÓLOGO
PRÓLOGO Arquivo Reservado da Santa Sé Vaticano Outubro de 1897 A chama vacilava dentro do candelabro de bronze, lançando sombras inquietas pelas paredes de pedra. O sacerdote passou os dedos sobre o pergaminho estendido diante de si e sentiu o mesmo arrepio que o acompanhava sempre que seus olhos encontravam aquelas linhas proibidas. O texto era antigo até mesmo para os padrões da Igreja. Tão antigo que não possuía autor conhecido. Tão antigo que sua existência jamais deveria ter ultrapassado os cofres subterrâneos onde permanecera escondido durante séculos. O silêncio da câmara era absoluto. Nem o vento alcançava aquele lugar. O sacerdote leu mais uma vez os símbolos desbotados pela passagem dos anos. A tinta havia perdido a intensidade original, embora as palavras conservassem uma força estranha, quase perturbadora. — O senhor acredita que isso seja autêntico? — perguntou o monsenhor que permanecia ao seu lado. O sacerdote demorou a responder. — Não sei dizer se é autêntico. — Então por que insistiu para vê-lo?– o monsenhor estava curioso por saber. A ruga e a expressão em sua face demonstrava isso. — Porque as cópias divergem entre si. Este é o original. O monsenhor observou o pergaminho. — E o que ele diz?– mais uma vez a curiosidade se apossou de sua carne, um pecado mortal para todo o mortal. Os olhos do sacerdote percorreram as linhas. — Diz que houve um tempo em que os homens caminhavam mais próximos daquilo que chamavam de divino. — Isso é alegoria. – o monsenhor falou com desprezo total. Na sua concepção ninguém jamais vai ficar próximo ao divino porque desde que fomos gerados e nascemos já estamos em pecado. — Talvez. — E o restante? – mesmo assim, não pode deter sua necessidade por escutar qual mais "ideias" estava contida naquelas escritura antiga. O sacerdote continuou a leitura. Sua expressão perdeu qualquer traço de serenidade. O monsenhor percebeu. — O que foi? — Aqui não fala sobre o passado. — Então fala sobre o quê? O sacerdote ergueu lentamente a cabeça. — Sobre um retorno. O monsenhor soltou uma breve risada. — Uma profecia? — Um aviso. As sombras dançaram sobre as paredes. Durante alguns instantes ninguém falou. O sacerdote voltou os olhos para o trecho final. Havia uma rachadura atravessando parte do texto, porém certas frases permaneciam legíveis. "Quando os que foram expulsos cruzarem novamente os céus da Terra, os homens buscarão neles aquilo que perderam." O monsenhor franziu a testa. — Perderam o quê? — O pergaminho não especifica. A leitura prosseguia. "Tomarão o que não lhes pertence. Moldarão a carne. Alterarão o sangue. Chamarão de progresso aquilo que nasceu da soberba." O ar pareceu mais pesado. Irrespiravel. — Isso não passa de simbolismo — afirmou o monsenhor. O sacerdote permaneceu imóvel. Seu olhar havia encontrado a última linha preservada. Uma linha que não aparecia em nenhuma das cópias conhecidas. Seu rosto empalideceu. — O que está escrito? — insistiu o monsenhor. O sacerdote fechou o pergaminho. Com cuidado. Como se temesse que aquelas palavras continuassem existindo apenas pelo fato de serem lidas. — Algumas coisas — respondeu — não foram escritas para serem compreendidas antes da hora. --- Cinquenta e Quatro Anos Depois Projeto Quimera Complexo Militar de Nevada Março de 1951 O gravador girava lentamente sobre a mesa. A luz vermelha indicava que o registro estava em andamento. Do outro lado do vidro reforçado, o espécime permanecia contido. Nenhum dos observadores presentes conseguia permanecer muito tempo encarando a figura. Havia algo profundamente desconfortável nela. Algo que escapava à razão. O diretor do projeto cruzou os braços. — Continue. O cientista ajustou os papéis diante de si. A voz saiu cansada. Nos últimos meses ele dormira menos do que deveria. — Relatório cento e dezenove. Divisão de Biologia Experimental. Folheou algumas páginas. — Os testes realizados com o material recuperado confirmam resultados incompatíveis com qualquer forma de vida catalogada. Um oficial apoiado na parede soltou um suspiro impaciente. O cientista ignorou. — A estrutura celular apresenta comportamento adaptativo espontâneo. Lesões induzidas artificialmente desaparecem em questão de minutos. O processo não depende de divisão celular convencional. O diretor permaneceu em silêncio. Já conhecia aqueles dados. Ainda assim, ouvir a descrição em voz alta produzia uma sensação desagradável. — Prosseguindo — disse o cientista. Sua mão hesitou por um instante. — As amostras inseridas em tecidos humanos continuam gerando alterações imprevisíveis. Alguns organismos rejeitam completamente o material. Outros desenvolvem modificações fisiológicas aceleradas. — Modificações de que tipo? — perguntou um coronel. O cientista consultou os registros. — Fortalecimento muscular. Regeneração incomum. Alterações neurológicas. Ampliação de determinadas capacidades sensoriais. O coronel trocou um olhar rápido com o diretor. Era exatamente aquilo que desejavam ouvir. O cientista percebeu. E aquilo o perturbava. Muito mais do que qualquer resultado obtido nos laboratórios. — Existe outro problema — continuou. — Qual? — Estamos observando mudanças que não deveriam ocorrer. — Seja específico. O cientista respirou fundo. — O material não parece apenas modificar o indivíduo exposto. A sala ficou imóvel. — Explique. — As alterações estão sendo transmitidas. O silêncio tornou-se absoluto. — Hereditariedade? — perguntou o diretor. — Sim. Ninguém falou durante vários segundos. O cientista fechou lentamente a pasta. — Há algo mais. — Continue. Ele encarou o vidro. A figura do outro lado permaneceu imóvel. Talvez adormecida, talvez observando. Era impossível saber. — Durante muito tempo acreditamos estar estudando um organismo desconhecido. O diretor estreitou os olhos. — E agora? — Agora acredito que estamos estudando algo que jamais deveria ter sido encontrado. O coronel soltou uma risada seca. — Medo não faz parte da ciência, doutor. — Isto não é medo. — Então o que é? O cientista demorou a responder. A pergunta permaneceu suspensa entre eles. Quando finalmente falou, sua voz saiu mais baixa do que pretendia. — A sensação de que não fomos nós que iniciamos este experimento. O gravador continuou registrando. Ninguém percebeu que, do outro lado do vidro, os olhos do espécime já estavam abertos.

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