Fragmentos Do Passado.

2734 Words
Respiro fundo pela milésima vez enquanto Mikhaela entra na mente de Calvin para conseguir detalhes sobre o homem que falou com ele, enquanto eu estou impaciente com o nosso mais novo problema, como se já não bastasse os que já temos, ainda aparece mais um. Suspiro tentando conter a irritação e fecho os olhos sentindo um pouco de cansaço, aconteceu tanta coisa que ainda não pude dormir um pouco, sinto uma presença conhecida e respiro fundo balançando a perna sentindo minha irritação e impaciência aumentar ainda mais. - Vejo que você ainda não entendeu que eu posso arrancar todos os seus órgãos a qualquer momento. - digo ainda com os olhos fechados e ouço sua risada. - A Pandora tá delirando de cansaço. - diz Calvin confuso. - Não é isso. - diz Mikhaela também sentindo a presença da mulher. - Pode ficar visível para eles também, eu estou com preguiça demais para explicar ao novato o que tá rolando, então faça as honras bruxa. - digo e ouço sua risada novamente. - Peço desculpas por vim sem avisar a casa de vocês, mas acho que precisam da minha ajuda. - diz a mulher e eu abro os olhos a vendo parada no meio da sala. - Ajuda para benzer a casa e tirar todas as impurezas ? - questiono sarcástica e ela sorrir voltando sua atenção para mim. - Eu gosto desse seu humor, mas eu realmente estou aqui porque precisam de mim para localizar o m****o da tríade que está em Mount Holly atrás de você. - responde e eu arqueio uma sobrancelha desconfiada. - Como sabe disso ? - pergunta Calvin curioso. - Antes de qualquer coisa, se apresente bruxa, se eu gostar do seu nome, aí talvez eu te escute. - digo chamando a atenção dela que franze o cenho confusa. - Não acho que isso seja relevante. - diz me fazendo rir. - Claro que é, afinal você não veio aqui somente porque é caridosa, você está aqui porque tem algo haver com isso e também quer algo de mim, não é mesmo ? - questiono e ela sorrir. - Eu sou Kimora Vasiliev. - responde e eu arqueio uma sobrancelha. - Uma variação da Kikimora da mitologia eslava ? - questiona Mikhaela e a bruxa assente. - Sim, eu sou uma aprendiz de bruxa branca, eu fiz contato com o demônio de Jersey a pedido da minha senhora. - responde e Mikhaela franze o cenho enquanto eu me sinto entediada. - E o que a sua bruxa velha quer ? - pergunto vendo Calvin conter o riso. - O homem que procuram é um híbrido. - responde e eu sorrio de canto me animando. - Um híbrido da tríade de sangue ? - pergunto animada e ela assente. - Sim, na minha primeira aparição não pude dar muitos detalhes sobre o favor que queriamos, mas se permitir que eu ajude posso dar mais detalhes. - responde e eu assinto. - Claro, siga em frente, estamos te ouvindo. - digo me sentando direito. Um híbrido atrás de mim. Isso tá muito interessante. - A minha senhora vem tentando te localizar desde que a sua existência se tornou algo do interesse da tríade de sangue. - diz e eu reviro os olhos. - Ela começou a procurar por você e durante todos esses anos ela descobriu algumas coisas a seu respeito, incluindo sobre a marca de nascença acima de seu peito esquerdo, a marca do demônio. - completa e eu sorrio assentindo. - Claro, a marca polêmica. - digo divertida afastando a blusa mostrando para Calvin a marca. - Você nasceu com uma marca que representa o demônio de Jersey ? - questiona o loiro e eu assinto. - Agora faz sentido o apelido. - diz pensativo. - Não é só uma marca qualquer. - diz Mikhaela chamando a atenção de todos. - Você se deu ao trabalho de aparecer aqui para contar a minha filha que acha que ela faz parte daquele clã maluco que adorava a lenda do demônio de Jersey. - completa e eu a encaro notando sua expressão irritada. - Se você não conta o que deveria, então somos obrigados a fazer o seu papel. - diz a mulher séria encarando Mikhaela. - Que clã maluco é esse ? - pergunto entediada com uma possível discussão entre elas. - Há mil anos atrás, o primeiro clã de bruxas brancas tinha a responsabilidade de proteger um ítem mágico poderoso que tinha selado nele algo que eu não sei do que se trata, mas segundo a minha senhora se tratava de algo relacionado ao demônio, o demônio do conto de como surgiram os primeiros de cada espécie. - responde e eu só consigo pensar que isso é mais uma história contada para boi dormir. - Esse ítem foi roubado em meio a caça as bruxas em Mount Holly há mil anos. - diz e eu olho para Mikhaela. - Mil anos, provavelmente isso tem haver com você. - digo para ela que suspira. - Eu não faço idéia, na noite em que Kasper Blackwood caçou e matou o meu clã, algumas bruxas conseguiriam fugir, mas eu nunca ouvi falar de nada desse tipo, então não pode ser o meu clã. - diz Mikhaela e eu olho para a bruxa. - Ou talvez você não tenha tido tempo de receber a marca e descobrir sobre esse tal ítem que o clã protegia. - sugere Calvin chamando nossa atenção. - É uma possibilidade, afinal você está aqui sobre a p******o dela de certa forma. - diz Kimora alternando seu olhar de mim para Mikhaela. - Se realmente for isso, então não foi coincidência a garota ter sido deixada em sua porta. - completa olhando para Mikhaela. - Foi destino. - diz Mikhaela suspirando. - Mais qual e o papel da Pandora nisso tudo, o que ela é afinal de contas ? - pergunta e a mulher suspira me olhando. - Não temos muitas informações, mas ouvimos alguns boatos sobre nascer uma bruxa protetora a cada geração, então talvez ela seja a protetora escolhida ou algo que ainda vamos ter que descobrir. - responde e por alguma razão isso me faz lembrar do vampiro que matei. Aquelas coisas sem sentido que ele disse, as repasso em minha mente tentando ligar uma coisa a outra. " Você, tudo isso foi por você, eu precisava te fazer vim até mim e aquela garota era a única maneira de conseguir isso. - diz e eu fico confusa. " " Para te conhecer e ver com os meus próprios olhos que você realmente existe, você realmente está aqui. " " Sua postura, jeito de falar, de se portar, esse brilho assassino em seus olhos, a sede de m***r, causar sofrimento e dor, tudo isso faz parte de quem você é, faz parte do que tem dentro de você e eu aprecio isso. " Merda ! Merda ! - O vampiro que hipnotiza vampiros disse que havia feito tudo aquilo somente para conhecer. - digo chamando a atenção das duas e de Calvin. - Ele faliu um monte de coisas sem sentido como se me conhecesse há muito tempo ou como se eu fosse algum conto da carochinha que se tornou realidade. - completo repassando as falas daquele maluco em minha mente. - Como você o conheceu ? - pergunta Kimora curiosa. - Eu fui até Chicago máta-lo por tentar machucar o que é meu e antes de morrer ele falou essas coisas sem sentindo. - respondo dando de ombros. - Ele também disse que a Luna é meio que minha fraqueza e que a ligação entre nós já fez estragos antes e que a história irá se repetir se ela não morrer, também disse que por isso ele não é o único atrás dela. - continuo tentando achar um sentido específico para as palavras do vampiro. - Ele também comentou sobre " eles " não terem um propósito para viver se eu não me libertar da garota para alcançar todo o meu potencial e blá, blá, blá. - completo entediada. - Você matou um vampiro que hipnotiza vampiros, isso é demais. - diz Calvin sorrindo e eu retribuo. - m***r idiotas é a minha especialidade, ainda mais quando pedem para morrer. - digo então me lembro de como ele queria ser morto por mim. Porra ! E se eu m***r ele tinha algum significado por trás ? E se com isso ele iria ganhar algo de alguma maneira ? - Ele queria ser morto por mim. - digo pensando melhor nas feições do vampiro durante nossa conversa. - Ele estava calmo e sorridente, parecia estar feliz com a minha presença e ninguém em sã consciência ficaria feliz com a minha presença, porque eu geralmente só faço visitas assassinas. - completo irritada com toda essa m***a. - Então isso significa que nenhuma suposição pode ser descartada, inclusive o fato de ter um híbrido da tríade de sangue aqui atrás de você só reforça que não podemos tirar conclusões precipitadas, mas sim seguir com uma pesquisa mais a fundo. - diz Kimora e eu me levanto. - Acho que tá na hora de você me dar a localização desse o****o para que eu possa o trazer aqui para uma noite de tortura na minha humilde residência. - digo alongando meus braços. - Claro, eu só tenho que te dizer duas coisas. - diz Kimera e eu a olho. - A primeira, após obter respostas ele tem que ser morto. - diz e eu reviro os olhos. - Até parece que eu iria deixá-lo sair por aquela porta pulando amarelinha e cantando uma canção infantil. - digo sarcástica. - Tá legal. - diz Kimera e em seguida suspira. - Durante nossas buscas descobrimos algo sobre a noite em que você foi deixada na porta de Mikhaela, a mulher que te deixou na porta dela é uma bruxa da noite, mas não uma qualquer, mais sim uma muito poderosa e talvez ela esteja atrás de você também. - completa me olhando. - Me diga o nome e logo ela estará à caminho do cemitério. - digo incapaz de sentir qualquer coisa ao saber disso. - Não quer conhecê-la para descobrir sobre seu passado ? - pergunta Kimora e eu n**o. - Não, afinal bruxa da noite boa é uma bruxa morta. - respondo e olho para Mikhaela. - Exceto você, afinal não é totalmente corrompida e é minha mãe, não importa se não tem meu sangue. - digo e ela sorrir. - Não tenho interesse em conhecer alguém que me abandona e depois me caça feito um animal. - completo negando com a cabeça. - Sangue, é isso ! - exclama Calvin chamando nossa atenção. - Você sabe qual é o seu verdadeiro sobrenome e se seu clã residiu somente nessa cidade ? - pergunta olhando para Mikhaela que assente. - Então acho que você deveria ir comigo até visitar a seção proibida da biblioteca de Blackwood. - completa e Mikhaela me olha. - Leva o James, mas antes ele tem que entregar algo que está no porta luvas do meu carro para a Luna, enquanto isso eu irei resolver o problema com o híbrido e aquele outro probleminha pode esperar até a noite. - digo para os dois que assentem e em seguida olho para a bruxa intrusa. - Localize o híbrido, eu vou vestir a minha roupa especial de m***r. - completo divertida. Hoje o dia vai ser longo. Minha mãe de sangue provavelmente é uma bruxa da noite que tá me caçando. Tem um híbrido atrás de mim querendo ir de encontro ao abraço da morte. E o nome da bruxa intrusa é esquisito. ____________________________________________ Caminhar sozinha pela estrada até o centro da cidade não foi nada legal ou produtivo, eu deveria ter aprendido a dirigir, assim não teria andado por tanto tempo. Suspiro pedindo um café a garçonete para tentar me manter acordada quando ouço meu celular tocar, pego o aparelho e engulo seco ao ver o nome de Pandora. Merda ! O que eu vou dizer se ela tocar no assunto do quase beijo ? Respiro fundo sem saber como lidar com mais essa agora e em seguida atendo a ligação. Pandora : - Lobinha. - diz do outro lado da linha e ouvir sua voz me faz sorrir. Luna : - Pandora. - digo e ouço ela suspirar. Pandora : - Está tudo bem, conseguiu descansar um pouco ? - pergunta e eu respiro fundo. Luna : Não consegui dormir e não está tudo bem, mas vai ficar. - respondo sincera. Pandora : Posso fazer algo por você ? - pergunta preocupada e eu sorrio. Luna : - Você me ligou, então já fez algo bom por mim, porque só de ouvir a sua voz eu já me sinto bem. - respondo e ouço sua risada nasal. Pandora : - Vou entender isso como um flerte fofo, lobinha. - diz em tom de diversão. Luna : - Entenda como quiser, com tanto que seja no bom sentindo. - digo no mesmo tom. Pandora : - Okay, agora vamos falar sobre a minha viagem com James a Chicago. - diz e eu fico confusa. Luna : - Eu não sabia que tinha viajado com ele para Chicago e porque temos que falar sobre isso ? - pergunto confusa e curiosa. Pandora : - Fomos até a casa do pai dele em Chicago para conseguirmos os papéis sobre a morte da sua avó e adivinha só lobinho. - responde e eu engulo seco. Luna : - Não me diga que conseguiram ? - pergunto incrédula e ouço sua risada breve. Pandora : Sim, conseguimos. - responde e eu fico na dúvida entre comemorar ou ficar aflita. - O James vai levar pra você, porque eu vou ter que sair agora, mas a noite a gente se vê, se você quiser. - completa. Luna : - Sim, a noite nos vemos, mas eu não quero esperar para saber, você pode digitalizar os papéis e me mandar ? - pergunto ansiosa. Pandora : - Claro, como quiser lobinha. - responde e eu sorrio. - Eu tenho que ir agora, mas te mando tudo em cinco minutos, até a noite lobinha. - completa e eu respiro fundo. Luna : - Até a noite, Pandora. - digo e em seguida ouço o bipe indicando que a ligação foi encerrada. Okay. Agora vou saber o que realmente aconteceu com a minha avó. Tento esperar de maneira paciente enquanto tomo café pensando em como posso ajudar Petra, afinal eu declarei guerra e não posso voltar atrás, também não sei se voltaria atrás mesmo que pudesse, meu pai foi longe demais dessa vez, tratar a Petra e a Petrova daquela maneira é algo imperdoável para mim, eu não posso esquecer isso. Suspiro ansiosa olhando em volta e então ouço vários barulhos de notificação, mensagens de Kai, meu tio e minha mãe querendo saber aonde estou, ignoro os três limpando a barra de notificações e então vejo a qual estava esperando. Abro a nossa conversa no app e então vejo as fotos da autopsia da minha avó, eu não estava preparada para ver seu corpo todo mordido e rasgado, marcas que eu conheço muito bem o animal que é capaz de fazer isso, leio uma nota no canto da folha escrita a mão e suspiro ao ler a primeira linha. * Morta por um animal violento de grande porte. Na autopsia foi detectado sinais de fraturas em vários ossos do corpo, órgãos destroçados, a pele estava rasgada em certos pontos de maneira que só um urso ou um animal desse porte faria em um ataque de raiva. Ps : Também foi detectado um tipo de anomalia desconhecida no sangue, algum tipo de veneno também desconhecido. * Largo o celular encima da mesa juntando as peças desse quebra cabeça, eu sabia que isso ia mudar tudo de alguma maneira, mas não pensei que fosse ser dessa maneira tão drástica, aquela marca do conselho em seu túmulo faz todo o sentido agora. Minha vó foi morta por um lobo. Nunca foi acidente. Ela foi julgada pelo conselho por alguma razão e meus instintos estão gritando que tem algo haver com o conto da bruxa. Espera aí... Meu pai já era o Alfa quando ela morreu. Merda ! E se foi ele ? _________________ Continua ________________
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