Descer atrasada e causar uma má impressão foi uma ótima idéia, porém assim que chego a sala de jantar algo me diz para sair correndo daqui, tem algo estranho pairando no ar, uma vibe que não está me agradando e aquele homem alto, musculoso, dono de um maxilar bem alinhado, barba bem feita, corte de cabelo no estilo militar e olhos castanhos me encarando de uma maneira intensa e avaliativa faz eu me sentir um pedaço de carne, porém devolvo o olhar na mesma intensidade e ainda arqueio uma sobrancelha enquanto faço a minha melhor expressão de deboche e isso o faz sorrir de canto abaixando o olhar. Noto uma mulher próximo a ele com feições semelhantes ao homem, porém ela tem olhos azuis, um azul não muito claro, os cabelos escuros e ondulados caindo por seus ombros e parecia um pouco alheia a tudo ao seu redor.
- Finalmente chegou, não é nada educado deixar os convidados esperando após viajarem de carro para estar aqui conosco. - diz meu pai com um tom suave e eu o encaro com uma sobrancelha arqueada.
- Onde estão as suas ferraduras querido papai, por acaso as tirou para polir e esqueceu de as colocar de volta ? - questiono sarcástica e meu tio prende a risada junto a Kai enquanto minha mãe sorria abertamente para mim negando com a cabeça, os dois convidados me olhavam com uma expressão surpresa enquanto meu pai me encara sério tentando claramente conter a irritação explícita em seu olhar.
- Que piadinha i****a, vou a ignorar como sempre faço. - diz meu pai sorrindo falsamente.
- Ignorar com as mãos no meu pescoço você quis dizer. - digo me sentando a mesa.
- Acho que você já fez piadas o suficiente, então que o jantar seja servido. - diz meu pai e então os empregados começam a servir a comida.
- Claro, obediência ou morte. - digo piscando um olho para ele e vejo pelo canto de olho os convidados sorrirem e trocarem olhares o que claramente deixa meu pai desconfortável.
- Vamos ignorar as piadinhas dela e falar sobre negócios, vamos deixar a melhor parte para o fim do jantar. - diz meu pai e eu reviro os olhos.
Porque diabos eu tô aqui mesmo ?
Aaah, porque eu tô com fome.
Suspiro e olho para Kai que sorrir pra mim e em seguida faz uma careta engraçada enquanto a comida está sendo servida, sinto meu celular vibrar em meu bolso, aproveito que as atenções estão voltadas para os convidados e pego o celular para saber do que se trata a mensagem. Fico confusa ao receber uma mensagem de um número desconhecido, desbloqueio meu celular para ver do que se trata e fico ainda mais confusa ao ler.
Desconhecido : Não coma a comida. ;)
Desconhecido : Mais deseje um bom apetite à todos por mim, meu amor. ;)
Luna : Porque não devo comer a comida ?
Luna : Quem é você ?
Luna : E eu não sou seu amor.
Desconhecido : A curiosidade matou o gato à pauladas, então cuidado miau, miau. :D
Faço uma careta confusa enquanto guardo o aparelho e então olho para Kai, ele tem uma expressão confusa assim como a minha, volto a pegar meu celular e então mando uma mensagem para ele.
Luna : Você também recebeu uma mensagem estranha de um número desconhecido ?
Kai : Sim, e não tô entendendo nada.
Kai : O que vamos fazer, comer ou não comer ?
Luna : Obviamente não comer, mas e se a comida tiver envenenada ?
Luna : Vamos deixar eles comerem ?
Kai : Eles tem resistência a veneno, nossos convidados também, mas talvez a gente deva avisar sobre essas mensagens que recebemos.
Luna : Pode ser apenas um trote de alguém ou uma mensagem enviada errada.
Kai : Verdade, pode ser, mas de qualquer forma estou com receio de comer.
Luna : Também estou, na verdade tudo isso tá estranho.
Luna : Acho que não vai adiantar de mais nada falar sobre as mensagens, todos já comeram da comida.
Olho para Kai que me olha e em seguida olha envolta vendo que todos já começaram a comer, observo minha mãe apenas brincando com a comida enquanto o restante comia tranquilamente e vez ou outra faziam expressões interesantes.
- Que carne com sabor interessante. - diz a convidada e eu vejo o homem ao seu lado assentir.
- É boa apesar de ter um gosto diferente do habitual, acho que Caleb perdeu um grande jantar minha irmã. - diz o homem e em seguida me olha. - Não está do seu agrado Luna ? - pergunta e eu faço uma careta arqueando uma sobrancelha.
- Estou sem fome estranho. - respondo o encarando e ele retribui o olhar.
- Bom, acho que chegou a hora de me apresentar então, assim não serei mais um estranho. - diz e eu respiro fundo.
- Não acho que seja importante, pelo menos não para mim. - digo e ele sorrir e em seguida olha para sua irmã que também sorrir e por último para olha para o meu pai. - Ela é ainda melhor do que imaginei. - diz e meu pai me olha de canto com uma expressão que não me agrada.
Tem alguma coisa rolando aqui e eu não tô gostando nada disso.
Meu sexto sentido está gritando que não há somente alguma coisa errada com aquela mensagem e a comida.
Tem mais alguma coisa e eu sinto que não vou gostar nada disso.
- Claro, vamos fazer a apresentação oficial. - diz meu pai me olhando com uma expressão de deboche que me faz entender tudo então quando ele torna a falar e eu ouço exatamente as palavras que vinheram a minha mente, eu não digo nada, apenas escuto em silêncio. - Esses são os irmãos Collymore, Alice a irmã mais nova de Adler, seu noivo. - completa e eu não consigo esboçar nenhuma reação, apenas os encaro.
- É um prazer finalmente te conhecer, eu estava ansioso para poder apreciar a sua beleza e humor interessante de perto. - diz o tal Adler e eu olho para meu pai que sorrir largo enquanto o restante na mesa permanece em silêncio.
Alterno meu olhar entre os dois irmãos e meu pai enquanto penso no quão ingênua eu fui ao me dar o desprazer de descer para jantar, eu devia ter imaginado que esse jantar não seria um simples jantar e eu deveria ter seguido meus instintos quando eles me avisaram que era melhor permanecer no meu quarto e aguentar as consequências depois, porque agora eu só quero fazer uma coisa e talvez não seja a melhor opção, mas que se dane. A crise de risos me atinge de uma maneira que meus olhos começam a lacrimejar e puxar o ar fica um pouco difícil, talvez eu tenha enlouquecido de vez, mas o que seria do mundo sem um pouco de loucura e eu já passei tempo demais me contendo, talvez esse tenha sido meu erro.
Me conter.
Conter toda essa loucura que é a minha vida.
Reprimir tudo não vai mudar nada, eu tenho que falar em voz alta.
Sim, eu tenho !
- Esse deveria ser o seu noivo já que você anda ansioso para realizar um casamento nessa família papai. - digo sarcástica ainda rindo vendo meu pai suspirar. - Você achou mesmo que marcar um jantar de seja lá o que isso aqui significa, ia ser o suficiente para que eu aceite a sua loucura, hipocrisia, fragilidade masculina grave e ego do tamanho do maior arranha-céu do mundo ? - questiono irritada me levantando. - Adler Collymore, eu sinto muito, mas eu não vou me casar com você, não importa se você é um cara legal ou não, não importa nada, eu simplesmente me recuso a casar com alguém que eu não conheço e não sinto nada só porque meu pai b****a quer, então querido papai sugiro que se quiser que haja um casamento nessa família, então se divorcie da mamãe e case você com ele. - completo vendo meu pai se levantar irritado.
- Você não tem escolha, então não me faça tomar medidas drásticas. - diz batendo na mesa e eu sorrio.
- Como essa daqui ? - questiono sarcástica tirando o lenço de meu pescoço exibindo as marcas roxas. - Acontece que isso aqui não me assusta, afinal eu prefiro a morte do que viver para realizar todas as suas vontades, então que se dane o que você quer. - digo me aproximando dele olhando em seus olhos. - E se for me m***r, me mata agora, porque depois não terá outra chance tão boa. - completo sentindo como se meu sangue estivesse fervendo e minhas véias latejassem.
- Se seguir adiante com essa teimosia você irá se arrepender amargamente. - diz entre dentes mostrando seus olhos de alfa.
- Não papai, você que vai se arrepender se seguir adiante com isso. - digo me lembrando daquele mantra irritante sobre a primeira alfa enquanto o encaro.
Ficamos em silêncio em uma troca de olhares assassinos, eu deveria estar me sentindo com medo, mas este é um sentimento que eu nunca senti, eu nunca tive medo de cair e me machucar apesar de saber que iria me quebrar toda, nunca tive medo de dizer o que penso quando se trata de questões como essa, eu nunca senti medo de coisas que deveria sentir.
Eu posso ser talvez um pouco fraca no momento, mas não eu não sou inútil.
Estou longe de ser alguém que espera sentada, se eu quero algo eu vou em busca disso.
E nesse momento eu quero quebrar todas as regras dessa alcatéia, eu quero saber o que aconteceu de verdade com a minha avó.
Eu quero me rebelar ainda mais.
Se eu já sou a vergonha da família sem motivos plausíveis, então agora serei por grandes motivos.
Meu pai dá um passo a frente e meu tio se levanta da cadeira alarmado enquanto eu permaneço parada encarando meu pai que olha em meus olhos de uma maneira inexpressiva, porém sua sobrancelha levemente inclinada me faz entender que algo está o fazendo recuar.
- Senhor ? - chama um dos empregados.
- Diga rápido. - diz meu pai tentando conter a irritação.
- Acabou de chegar uma carta para você. - diz o garoto um pouco nervoso ao notar a tensão no local.
- Leia, por favor. - pede minha mãe em uma tentativa clara de amenizar a situação e o garoto assente.
- Cerberus Blackwood, o cão de três cabeças da alcatéia de Mount Holly, um cara que eu acho particularmente primitivo, e******o e prepotente, mas não escrevi isso aqui para te elogiar, então vamos a parte que interessa. - diz o garoto arregalando os olhos e isso chama a atenção de meu pai que o olha.
- Isso é uma pegadinha ? - pergunta meu pai sério.
- Não senhor, está escrito aqui. - responde engolindo seco.
- Continue. - ordena e o garoto assente.
- Eu adoro mitologia grega, então devo te contar que tenho bastante interesse em pisar em cada uma das suas cabeças para saber como seria esmagar o verdadeiro cão de três cabeças. - diz o garoto enquanto meu pai o encara de braços cruzados. - Espero que o jantar tenha sido agradável e que a carne esteja saborosa, pois eu preparei tudo com muito carinho e gostaria de contar a receita da vovó que eu usei para preparar esse prato especial, então vamos lá. - o garoto faz uma pausa franzindo o cenho confuso, mas em seguida volta a ler em voz alta. - Órgãos e carne humana, tudo fresquinho e da melhor qualidade, cozinhados, tratados e temperados com todo o amor e carinho que sinto por você, mas acho que o prato principal será o melhor, então não se apresse para terminar sua bela refeição, também não esqueça de deixar um pouco de espaço para o meu belo assado, eu coloquei até uma maçã pra deixar tudo bonitinho igual um prato de um mestre cuca certificado. - completa e então eu entendo o porque Kai e eu não devíamos comer.
Mais porque só nós dois fomos poupados ?
Porque justamente nós dois ?
Vejo as diversas reações de nojo, meu tio tentava conter a ânsia enquanto os convidados vomitavam, minha mãe olhava a comida intacta em seu prato com uma expressão chocada enquanto meu pai olhava em volta feito um louco.
- Onde está o maldito prato principal, tragam aqui agora e você continue a ler. - exclama meu pai enquanto eu olho para Kai que parecia em choque assim como minha mãe.
- Está aqui senhor. - diz um outro empregado entrando na sala de jantar empurrando um carrinho com dois pratos de cloche.
Meu pai se aproxima do carrinho e em seguida levanta os cloches permitindo que todos vejam a imagem assustadora a seguir, a cabeça de meu primo Johnathan e outro homem estava assada com uma maçã enfiada na boca e uma estaca cravada no crânio, também havia tomates, alfaces, cebolas e pimentões envolta da cabeça, essa imagem me deixa enjoada.
- CALEB ! - o grito da irmã Collymore foi tão alto que quase me deixou s***a. - Não, não, não, não, não. - repete desesperada indo até a cabeça.
- O que significa isso ? - questiona Adler com os olhos arregalados e marejados. - Quem fez isso ? - pergunta exibindo seus olhos de alfa.
- Eu não sei, estou tão surpreso quanto você. - responde meu pai e em seguida vai até o garoto que está paralisado olhando as cabeças com os olhos arregalados e toma a carta de suas mãos.
- Johnathan. - diz meu tio incrédulo encarando as cabeças.
- Um belo espetáculo né, creio que talvez eu tenha pegado leve demais ao te permitir se despedir da cabeça do b****a do seu primo, acho até que talvez eu esteja tendo um leve surto de bondade essa noite, mas de qualquer maneira eu espero que todos tenham entendido o recado. - meu pai faz uma pausa e respira fundo. - Principalmente você meu cãozinho desalmado, então mantenha seu rabinho entre as pernas pelo resto da sua vida miserável, porque eu não pretendo parar por aqui, há tantas maneiras de me divertir que m*l posso esperar pelo próximo passo, mas até lá aprecie a comida ou então me detenha se puder, atenciosamente o seu anjo da morte que te guarda à todo momento papai do ano. Ah, não esqueça de colocar molho nos porquinhos assados. - termina de ler e em seguida chuta o carrinho irritado o lançando contra a parede fazendo a cabeça de Johnathan rolar pelo chão até chegar aos seus pés enquanto observa a mulher agarrada a cabeça do tal Caleb com o nariz inflado, seus olhos dourados de alfa brilhando de ódio enquanto respira de maneira desregular e pesada, como se o ar não tivesse entrando em seus pulmões de maneira, enquanto eu me sinto perdida e enjoada em meio a essa cena de filme de terror.
Eu preciso sair daqui ou vou surtar.
Isso tudo é loucura demais.
Quem faria algo tão c***l e sádico ?
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