Desvio dos golpes de Mikhaela da maneira que posso sentindo o cansaço começar a falar mais alto depois de passar horas com a mulher me fazendo sentir como é todo o processo da transformação, eu pensei que sentir uma só vez era o suficiente, mas ela fez com que meu primo e eu tivéssemos que repetir o processo várias vezes e por fim decidiu que eu deveria treinar meus reflexos e começar aprender a me defender. Eu não achei r**m aprender a me defender, mas essa mulher é incansável e a maneira que ela se move as vezes me faz lembrar de Pandora, a maneira ágil e feroz com que ela matou aqueles dois caras sem pensar duas vezes para me defender.
Ela não exitou em momento nenhum.
E acho que exitar é algo que não existe para ela.
Pensar em Pandora me faz perder totalmente o foco do treinamento e então o esperado acontece, um soco no nariz e uma rasteira que me faz bater as costas no chão com tudo.
- m***a ! - exclamo sentindo o líquido quente escorrer por meu nariz.
- Lição número dez, nunca, mas nunca mesmo permita que suas emoções e pensamentos controlem você e te façam perder o foco do seu objetivo. - diz Mikhaela séria e em seguida estende sua mão para me ajudar a levantar.
- Me acertou só pra ensinar isso ? - pergunto aceitando sua ajuda e ela assente. - Fala sério. - digo revirando os olhos e sinto meu olho latejar e então me lembro de que ela também me acertou no olho. - Um dia eu vou te devolver tudo isso com juros. - digo divertida porém determinada e ela sorrir.
- Estarei aguardando esse momento. - diz no mesmo tom. - Bom, por hoje chega, já está anoitecendo, então vamos voltar e colocar gelo nessas obras de arte que irão te instigar a melhorar. - completa e eu assinto vendo Kai se levantar do tronco onde estava sentado nos observando.
- Ótimo, estou com fome e foi bem chato ver a minha alfa levar uma surra, mas tudo bem, afinal você tá aprendendo. - diz Kai rindo e se eu não estivesse tentando conter o sangramento do meu nariz eu pegaria uma pedra e jogaria nele sem pensar duas vezes mesmo ele estando certo.
- Eu achei que ela foi até bem para a primeira vez. - diz Mikhaela e eu a olho.
- Sério ? - pergunto e ela assente.
- Sim, mas não esperaria menos da primeira alfa. - responde e em seguida pisca um olho para mim.
Sorrio sabendo que de certa forma foi um elogio, então acho que não sou uma causa perdida e talvez esse realmente seja meu destino, ser a primeira alfa e lutar pelo que acredito.
Mesmo que inclua iniciar uma guerra contra a minha própria família.
Isso me faz pensar que com o destino não se discute, você apenas tem que aceitar o que ele preparar para você.
Acho que o que eu queria para a minha vida não importa mais, tudo aquilo ficou no passado.
Está na hora de olhar para a frente, viver o presente e pensar no futuro.
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Tiro o excesso de água do meu cabelo com a toalha e em seguida começo a desembaraçar os fios enquanto penso que Pandora e os outros estão demorando demais, já anoiteceu e nada deles chegarem, estou começando a ficar preocupada de que tenha acontecido algo. Suspiro colocando a escova encima da bancada ao lado da pia do banheiro e em seguida me olho no espelho vendo que fiquei com uma mancha roxa abaixo do olho e meu nariz está um pouco inchado, fora os outros hematomas pelo corpo e minhas costas que estão doloridas, sorrio achando graça da situação em que estou, mas paro ao ouvir a porta do quarto de Petra ser aberta e então corro para fora do banheiro, ao passar pela porta a vejo com a roupa suja de sangue e uma aparência totalmente acabada.
- Foi atropelada por um caminhão ? - pergunto divertida e ela me olha.
- Um caminhão híbrido miserável que tentou sugar todo o sangue do meu corpo. - responde no mesmo tom e eu sorrio enquanto ela se joga na cama me olhando em seguida. - Foi feita de saco de pancadas pela Cruela mãe ? - pergunta e eu assinto.
- Digamos que ela me usou como meio de terapia pessoal para liberar toda a raiva dela. - brinco e ela faz uma careta. - E você lutou com um híbrido ? - pergunto incrédula e ela assente. - Ganhou ? - pergunto agora curiosa e ela sorrir.
- Adivinha. - responde divertida e eu sorrio já imaginando o que pode ter acontecido.
- Você começou ganhando, mas depois a Pandora teve que te salvar. - digo e ela faz uma careta arqueando uma sobrancelha.
- Por acaso você estava lá escondida vendo tudo ? - questiona e eu n**o com a cabeça.
- Não, apenas te conheço bem o suficiente para saber que se você tivesse ganhado você chegaria gritando para os quatro cantos do mundo que derrotou um híbrido. - respondo e ela ri assentindo.
- É verdade. - diz ainda rindo.
Ela lutou com um híbrido.
Me pergunto como eles são, nunca vi um, nem mesmo o que Pandora mantinha preso aqui.
Pandora.
Pandora.
Pandora.
- E como ela está ? - pergunto e Petra me olha. - Se machucou ? - pergunto preocupada e minha melhor amiga suspira e em seguida se senta na cama.
- Porque não vai lá verificar ? - pergunta e eu me sento ao seu lado.
- Porque eu disse que precisava de um tempo para tentar aprender a lidar com um lado dela que eu não fazia idéia que existia, não foi tão direto assim, mas foi esse o contexto no fim. - respondo e ela n**a com a cabeça sorrindo.
- Você sempre foi péssima nisso de lidar com sentimentos, porque você tende a complicar coisas que podem até não serem simples, mas que tem uma solução. - diz e eu assinto. - Mais tudo bem, ela é sua primeira paixão, então tudo isso é novo para você e você meio que ganha um desconto por isso, porém saiba que não é novo só para você, então o desconto não será eterno. - continua me olhando séria. - Uma hora você terá que decidir o que quer abelhinha rainha. - diz ainda séria. - Eu sei que esse lado dela é bem assustador, eu sei disso porque quando o vi pela primeira vez eu literalmente sai correndo, mas quem ela é não se resume só à isso, aquela garota te quer e fez tanto por você, ainda faz e faria muito mais se necessário, então não leve tempo demais para agir, porque você não imagina a quantidade que tem de pessoas esperando que você abra mão do que vocês tem para poderem ficar com ela. - completa me olhando nos olhos.
- O que eu devo fazer ? - pergunto perdida no meio da batalha entre razão e coração.
- Eu não posso te dizer o que fazer, mas sei que no fim o coração vai falar mais alto, porquê no fim todas as outras coisas se tornam mero detalhes quando os sentimentos que temos são arrebatadores. - responde e eu respiro fundo processando suas palavras. - Eu vou tomar banho agora, mas vou te dar uma dica. - diz fingindo pensar em algo. - Ela foi a primeira a subir, então provavelmente já deve ter tomado banho, e uma das pessoas que a querem está aqui nessa casa, então se apresse se não quiser perder seu lugar naquele coração sádico da Pandora. - completa em tom de brincadeira, porém eu sei que ela está falando sério.
Eu sabia.
Aquela bruxa tá afim da Pandora.
O pior é que Pandora parece gostar dela.
Então ela tem chance com ela ?
Não.
Não pode ter.
Elas não podem ficar juntas, eu tenho que fazer alguma coisa.
Me levanto sob o olhar atento de Petra que sorrir e em seguida levanta o polegar me incentivando mesmo sem saber o que eu ia fazer, então sigo para fora do quarto rápidamente decidida a ir até o quarto e Pandora. Caminho pelo corredor em direção ao seu quarto parando em frente a porta, respiro fundo e em seguida bato na mesma e então espero por uma resposta sua, mas ela não vem, bato outra vez um pouco mais forte e continuo sem uma resposta sua, então decido entrar em seu quarto, porém ouvir a voz de Calvin me faz parar.
- Ela não está aí. - diz e eu o olho notando que ele ainda está com a mesma roupa de mais cedo. - Eu a vi ir para a sala do piano uns cinco minutos depois de Petra subir. - completa sorrindo de canto.
- Obrigada. - agradeço sorrindo para ele que pisca um olho para mim e em seguida entra em seu quarto.
Nego com a cabeça e então sigo para a escada, a desço praticamente correndo chamando a atenção de Mikhaela que desvia sua atenção da xícara de chá para me olhar.
- Ela ainda está lá ? - pergunto e ela faz uma careta, mas em seguida sorrir.
- Sim, e me faz um favor ? - pergunta e eu assinto a vendo pegar um vidro pequeno escuro, bem fechado e em seguida o estende em minha direção. - Entrega para ela. - pede e eu assinto pegando o objeto e então sigo para o local onde a garota está vendo a porta entre aberta ao me aproximar e em seguida risadas que fazem meu coração literalmente errar uma batida.
Ela não está só.
Será que ela está com a bruxa ?
Caminho lentamente tentando não fazer barulho e então olho pela porta entre aberta vendo Pandora sentada no banco do piano olhando para a mulher que segurava uma de suas pinturas.
- Então m***r não é a única coisa que você sabe fazer. - diz a mulher em tom de diversão e Pandora dá de ombros.
- Dizem que nas horas vagas eu toco em botecos e fico nas ruas vendendo minha arte para ganhar um dinheiro a mais no final do mês. - diz divertida sorrindo de canto e mulher rir.
- Você é mesmo surpreendente. - diz olhando para Pandora com uma expressão boba e então eu entendo, ela tá mais que afim de Pandora, ela está apaixonada.
- É o que dizem por aí, quando não estão fofocando o quanto eu sou incrível. - diz Pandora de maneira convencida e a mulher se aproxima dela ainda segurando a pintura.
- Então porque não me mostra o quanto você é incrível tocando uma música pra mim ? - questiona em tom de diversão e então isso me faz lembrar de quando Pandora me trouxe até essa sala e tocou para mim.
Me lembro de suas palavras e de como nos beijamos ali onde ela está agora sentada encarando a mulher, Pandora sorrir de canto para ela e então isso é o suficiente para me fazer querer voltar para o quarto de Petra nem um pouco afim de vê-la tocar para outra e depois sabe-se lá o que poderia acontecer, ficar aqui seria a pior escolha, então com esse pensamento me afasto um pouco da porta e me viro pronta para ir embora dali, mas paraliso ao ouvi-la direcionar sua voz para mim.
- Você não tem que ir embora. - diz Pandora e eu posso sentir que ela está atrás de mim, e eu posso afirmar isso quando seu cheiro bom invade minhas narinas.
- Eu não quero atrapalhar. - digo me virando, mas evito seu olhar.
- Não atrapalha. - diz e então eu a olho, ela sorrir de maneira contida quando nossos olhares se cruzam, mas eu logo desvio notando a aproximação da mulher. - Você se machucou muito no treino ? - pergunta preocupada dando um passo a frente para ver melhor meu rosto.
- Não foi nada demais. - digo e ao notar que ela levantar os braços em direção a mim, eu torno a falar. - Mikhaela pediu pra te entregar isso. - digo tentando desviar sua atenção de mim por um instante pois estou começando a ficar nervosa, então estendo o objeto para ela que o pega lentamente da minha mão e eu sinto as pontas geladas de seus dedos esbarrarem em minha pele e então o nervosismo vem com tudo. - Eu vou indo. - completo dando dois passos para trás me sentindo atordoada e em seguida me viro a ouvindo suspirar.
- Não vai. - diz e então sinto seu toque em minha mão, ela a agarra com a sua me fazendo parar.
- Eu vou indo, boa noite. - diz a mulher se pronunciando e em seguida passa por mim rápidamente.
- Eu preciso falar com você. - diz Pandora e eu me viro para a olhar. - Eu sei que disse que te daria espaço, mas eu preciso mesmo falar com você. - completa e eu assinto.
- Tudo bem. - digo e ela suspira.
- Vamos entrar. - diz me guiando para dentro da sala ainda segurando minha mão.
Ela solta minha mão e em seguida fecha a porta para depois seguir até o banco do piano onde ela bate no espaço vazio ao seu lado, n**o com a cabeça e ela revira os olhos batendo no lugar outra vez e eu respiro fundo seguindo até lá fazendo o que ela pediu. Em seguida a olho esperando que ela diga algo e ela retribui o olhar parecendo analisar cada centímetro do meu rosto em seguida.
- Você tem que colocar gelo no nariz para diminuir o inchaço. - diz e em seguida se inclina para baixo pegando uma bolsa de gelo dentro de um pequena caixa de isopor que eu nem sequer tinha notado e depois coloca o gelo sob meu nariz o pressionando levemente. - Esses são os únicos hematomas do seu primeira dia de treino ? - pergunta e eu n**o.
- Acho que são só os mais visíveis. - respondo a vendo segurar meu braço esquerdo com sua mão livre e em seguida analisa-lo, ela faz o mesmo com o direito e em seguida me olha com uma expressão divertida.
- Acho que você está certa lobinha. - diz olhando em meus olhos e eu não consigo conter o suspiro que escapa de meus lábios, eu nem sequer consigo definir o que ele significa. - Qual é o verdadeiro motivo para você vim até aqui me ver ? - pergunta me olhando de uma maneira que me sinto incapaz de inventar uma desculpa para fugir de sua pergunta.
- Eu queria ver se estava tudo bem com você. - respondo e ela sorrir de maneira contida, porém sua expressão demonstra que escutar isso a deixou bem feliz.
- Eu estou bem, não se preocupe. - diz afastando a bolsa de gelo de meu nariz.
- E essa bolsa de gelo, porque estava com ela se está bem ? - pergunto desconfiada e ela ri brevemente.
- Okay, você me pegou, estou com uma alergia causada por uma bruxa lançadora de estacas. - responde divertida e ao notar que estou preocupada ela suspira. - Eu me curo mais rápido que qualquer outra criatura, apenas em alguns casos o processo de cura é um pouco lento, mas isso se dá ao fato de que tenho que usar isso aqui para me manter longe do alcance da tríade e me conter de certa forma. - diz apontando para o colar em seu pescoço.
- Então vou te socar pra ter certeza de que não está mentindo. - brinco e ela sorrir ficando de pé.
- Vai em frente lobinha, faça como quiser, estou a sua disposição, desconte em mim tudo o que a minha mãe fez com você. - diz divertida e eu sorrio. - Você finalmente sorriu. - diz voltando a se sentar. - Pensei que não fosse mais sorrir diante da minha presença, tava parecendo até que se tornou um ato proibido em relação a mim. - completa divertida.
- Você é muito metida a palhaça, não tem como não sorrir perto de você. - digo debochada e ela sorrir de canto, tinha que ser justo o sorriso que eu mais gosto.
Só falta me olhar de canto também e... Bum !
Estarei morta.
- Você disse que precisava falar comigo, o que era ? - pergunto e então ela o faz, me olha de canto enquanto sorrir da mesma maneira me deixando sem ar, literalmente.
- Pra que tanta pressa, ainda mais agora que estamos conversando normalmente depois de dias agitados. - diz e em seguida seu sorriso vai se desfazendo aos poucos enquanto ela foca seu olhar em um ponto qualquer parecendo pensar em algo.
- Não estou com pressa, apenas curiosa, na verdade muito curiosa. - digo colocando minha mão sobre a sua e então ela volta a me olhar por um instante antes de focar sua atenção em nossas mãos juntas.
- Quando achamos aquela caixa e você a abriu, você viu algo ? - pergunta voltando a me olhar e eu n**o confusa com sua pergunta.
- Não, apenas ouvi vozes, mas está tudo tão distorcido na minha mente que não sei se poderia explicar o que ouvi. - respondo sincera, eu realmente não me lembro de nada além daquelas vozes dizendo coisas estranhas.
- Entendo. - diz e em seguida se inclina para o lado parecendo querer pegar algo, pois desfaz o contato entre nossas mãos. - Achei essa caixa. - diz e então se ajeita em seu lugar estendendo a caixa para mim, a caixa é idêntica a outra. - Você estava certa ao dizer que tínhamos que checar se as lendas urbanas eram mesmo reais. - completa divertida enquanto eu observo a caixa de madeira com detalhes dourados.
Observo bem a caixa antes de abri-la, espero pelas vozes, mas não ouço nada, porém quando olho para Pandora pulo de susto largando a caixa ao ver uma criatura bizarra em seu lugar, uma criatura que eu conheço bem, eu pesquisei diversas vezes sobre ela, olho em volta notando que não estou mais na sala de piano de Pandora e sim em uma floresta escura, ouço um grito estridente e aparentemente feminino machucarem meus tímpanos e em seguida algo passa rápido por mim, tão rápido ao ponto de eu não conseguir sequer ter tempo de tentar decifrar do que se trata. Ouço aquele grito estridente novamente seguido de uma risada horripilante, olho em volta assustada.
- Pandora ? - chamo pela garota, mas não obtenho resposta. - PANDORA ! - grito por ela e então ouço aquela risada horripilante outra vez.
- PANDORA ! - ouço o eco de minha voz voltar tão alto ao ponto de me fazer tapar os ouvidos para tentar abafar o som enquanto sinto meus tímpanos latejarem.
- Que patética ! - exclama uma voz grave e um pouco assustadora. - Chamando por alguém que não pode te ouvir. - continua e então finalmente se mostra novamente e agora que estou vendo a criatura lendária a minha frente tenho noção do quanto é bem pior do que eu imaginei.
- Você é o demônio de Jersey. - digo ouvindo alguns galhos quebrarem enquanto ele se aproxima de mim.
- Sua linhagem maldita está sempre no meu caminho. - diz com seus olhos vermelhos focados nos meus, tento me afastar a medida que vejo que ele está próximo de ficar à um passo de distância de mim, mas não consigo me mover, meu corpo parece paralisado. - Você é uma pedra no meu casco que eu tenho que esmagar. - completa e com sua garra rasga uma parte da minha blusa e em seguida sinto sua garra perfurar minha pele, grito de dor, mas não consigo ouvir o som, até a minhas cordas vocais parecem ter paralisado em sua presença.
- Luna ! - ouço Pandora me chamar e por um segundo posso ver seus olhos azuis assustados, sua expressão preocupada e sentir o toque de suas mãos espalmadas nas laterais do meu rosto.
- Viu como você a torna fraca ? - questiona a criatura perfurando ainda mais fundo com sua garra e por um momento consigo me mover me afastando dele para em seguida cair no chão vendo tudo a minha volta mudar enquanto vejo a sala de piano de maneira distorcida.
Acho que finalmente consegui me m***r de maneira involuntária.
Pandora !
A segunda caixa.
________________ Continua _________________