Tento terminar de me vestir sem pensar na sensação que senti quando Luna beijou minha bochecha, mas eu simplesmente não consigo tirar isso da minha cabeça, a todo momento fico repassando a imagem dela me beijando e como eu senti vontade de beija-la, não um beijo inocente como o dela, eu queria sentir seus lábios, provar o seu gosto, queria saber como seria beija-la e se ela retribuiria. Suspiro passando a mão em meus cabelos me sentindo irritada por estar perdendo tempo pensando nesse tipo de coisa i****a, essa ligação entre nós está me deixando em uma situação confusa, eu simplesmente não tô sabendo definir o que sinto e não porque eu não sinto nada, mas sim porque estou sentindo demais.
Eu sinto coisas que não entendo e ela sempre está lá no final.
Ela tá na minha cabeça até mesmo quando eu não quero pensar nela, isso é um inferno.
Eu me sinto a beira de um surto, mas um surto seria muito mais simples, porque eu surtaria, faria um monte de m***a e depois tudo voltaria ao normal, mas agora se eu surtar nada vai voltar a ser como era, isso tá fora do meu alcance, eu sinto isso a cada vez que me aproximo mais e mais dela, estou seguindo por um caminho sem volta e por mais que eu queria algo me diz que não dá pra voltar atrás. Respiro fundo tentando relaxar quando ouço passos no corredor e não demora para que Mikhaela abra a porta do quarto.
- Que cara de psicopata em surto é essa ? - pergunta divertida e eu dou de ombros tentando não deixar transparecer toda a minha confusão, mesmo sabendo que não vai funcionar.
- Estou tentando me preparar para uma noite de melhores amigos com James, eu não entendo essas coisas que esses humanos inventam. - respondo a olhando por cima do ombro a vendo franzir o cenho.
- Acho que ter um melhor amigo vai te fazer muito bem, quem sabe você não aprende algo além de m***r e m***r qualquer um que aparece na sua frente. - diz e eu sorrio negando com a cabeça. - Ei, eu tô falando sério. - diz chamando minha atenção e eu a olho. - Dê uma chance a isso, afinal você não tem nada a perder, sabe tudo sobre ele e todos os outros do grupo, eles não são uma ameaça para você, então se deixe viver coisas novas, talvez eles sejam melhores do que eu pra te ensinar sobre amor, amizade, compaixão, entre outras coisas. - completa e eu reviro os olhos.
- Tudo o que eu precisava aprender eu já aprendi com a melhor, m***r, esquartejar, enterrar, incinerar, entre outras coisas macabras. - digo e agora ela é quem revira os olhos.
- Eu não quero que você seja uma máquina de m***r, tudo que eu te ensinei foi pra você se proteger, eu nunca quis que você se tornasse alguém sem sentimentos, então sinto que falhei com você quando vejo o quanto você gosta mais de m***r do que qualquer outra coisa. - diz e eu suspiro indo até ela.
- Você nunca me privou de nada, me ensinou a m***r para nos defender, me criou, cuidou de mim, me amou e me ama. - digo e ela assente. - Se eu não tenho sentimentos ou se me tornei talvez um monstro, não é sua culpa, você sempre me deixou tomar minhas próprias decisões, então tudo que eu sou hoje e por escolha minha. - completo e ela suspira.
- Eu quero que você ao menos tente. - diz e eu arqueio uma sobrancelha.
- Porque isso de repente se tornou tão importante pra você ? - pergunto cruzando os braços e ela respira fundo.
- Porque eu era como você, eu não sentia nada e não me apegava a nada, minha mãe dizia que ter sentimentos te torna fraca e inútil, por um longo tempo eu pensei isso até me apaixonar por alguém. - diz e eu sei exatamente a quem ela se refere. - Eu fui traída e enganada pela pessoa que amei, eu fui queimada viva em uma fogueira enquanto amaldiçoava toda a sua linhagem, depois vaguei pela terra esperando o momento de renascer e me vingar, mas então eu te encontrei na minha porta em uma caixa com esse colar i****a do demônio de Jersey e com a marca do mesmo acima de seu coração, eu pensei em te levar para algum humano, mas quando você me olhou com esses olhos azuis eu soube que seu lugar era comigo. - completa e eu sorrio.
- E estou feliz ao seu lado, eu estou feliz com essa vida. - digo e ela sorrir segurando minha mão.
- Eu quero que você aprenda o que eu aprendi. - diz e eu fico confusa. - m***r e vingança não é tudo, precisamos de amor, de amizade e compaixão. - continua e eu a encaro em silêncio. - Promete que vai tentar deixar essas coisas entrarem em seu coração e na sua vida ? - pede e eu assinto olhando em seus olhos.
- Prometo. - digo e ela sorrir beijando minha mão em seguida.
- Ótimo, agora vai encontrar seu melhor amigo humano bobão. - diz e eu sorrio assentindo.
Beijo sua bochecha e em seguida caminho em direção a escada, mas paro no topo pensando em seu pedido, então me viro para ela que me observava em silêncio.
- Sabe, talvez eu não seja tão sem sentimentos quanto eu pensava. - digo e ela junta as sobrancelhas enquanto faz uma expressão curiosa. - Eu sinto coisas quando estou com ela e isso é confuso pra mim. - continuo e faço uma pausa vendo ela sorrir. - E eu não acho eles ruins, talvez eu até goste um pouco de passar um tempo com todos eles. - completo sorrindo fraco para ela que sorrir largo.
- Então se abra ainda mais para essa mudança, lembre-se do que eu sempre te disse. - diz e eu assinto.
- Não tenha medo da mudança, nem sempre elas são ruins. - digo e ela assente sorrindo.
- Divirta-se e não quebre nenhum pescoço, ou arranque algum coração, seja uma boa menina má. - diz divertida e eu sorrio negando com a cabeça e então desço as escadas.
Vai ser algo bem difícil de se fazer, mas eu vou tentar.
Pelo menos até a meia noite.
Serei a Pandora zen.
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Assim que estaciono o carro em frente a casa de James vejo pelo retrovisor o carro de sua mãe estacionar atrás do meu e em seguida a mulher sai do carro ajeitando seu vestido, saio do carro e então a vejo ir até o porta malas pegar algumas sacolas, ativo o alarme do meu carro e então me aproximo dela.
- Precisa de ajuda ? - pergunto e ela me olha surpresa.
- Pandora, não sabia que vinha aqui essa noite, vai jantar conosco ? - pergunta enquanto eu me aproximo ainda mais pegando a maioria das sacolas. - Obrigada, você é um amor. - diz e eu sorrio de canto.
- Eu já ouvi isso antes. - brinco e ela rir. - Sobre o jantar, eu acho que não, James está me devendo um hambúrguer e creio que hoje ele irá pagar. - digo divertida e ela sorrir fechando o porta malas após pegar mais algumas sacolas.
- Fico feliz por ele finalmente ter alguém com quem conversar, uma amiga de verdade era tudo o que ele precisava. - diz e eu fico confusa.
- Como assim ? - pergunto e ela suspira enquanto caminhamos em direção a porta.
- Ele ficou muito triste com o divórcio apesar de não dizer e me apoiar em tudo. - diz e eu sorrio sabendo que isso é típico do garoto. - James é muito sensível, isso era uma das coisas que irritava o pai dele, também foi o motivo de várias das nossas brigas, ele julgava muito o James por ser um bom garoto, ele queria que James fosse um b****a como ele, mas graças a Deus meu filho não herdou nada do pai além de um pouco da aparência. - completa e eu assinto entendendo tudo.
- James é um cara legal, você tem mesmo do que se orgulhar. - digo e ela sorrir.
- Não sabe o quanto ouvir isso me deixa feliz. - diz com uma expressão que me lembra Mikhaela e então eu entendo que o que a minha mãe quer para mim e o mesmo que a mãe de James quer para ele.
Temos vidas diferentes.
Somos seres diferentes.
Mais mesmo assim de certa forma a gente meio que tem algo em comum.
Isso é um pouco estranho.
- Não precisa mais se preocupar com ele, pode viver um pouco pra você. - digo chamando a atenção dela e ela para de colocar o código na porta e me olha confusa. - Eu vou cuidar dele a partir de agora, não precisa mais se preocupar tanto e se privar de viver, ele tem a mim agora e outras pessoas também que vão estar aqui por ele, eu prometo. - completo estendendo minha mão para ela que sorrir com os olhos marejados e em seguida assente apertando minha mão.
- Obrigada, muito obrigada. - agradece e eu apenas sorrio.
Ela abre a porta e assim que entramos vejo James descer as escadas correndo, ele vai até sua mãe e beija sua bochecha, em seguida pega as sacolas da mão dela e vem até mim.
- Boa noite Pandorinha do meu coração. - diz divertido e em seguida beija minha bochecha e eu faço uma careta para irrita-lo.
- Estou sentindo que um bebê melequento deixou as bactérias nojentas da sua saliva na minha bochecha. - digo divertida e ele revira os olhos.
- Para, eu sei que no fundo você gostou vovozinha presa no corpo de uma adolescente. - diz e eu sorrio.
- Senhora White, posso socar seu filho ? - pergunto e a mulher rir.
- Katherine, apenas Katherine, Pandora. - diz e em seguida olha para James. - Pode ser depois que ele guardar as sacolas ? - questiona divertida e eu não consigo conter o riso ao ver a cara de indignado do garoto.
- Isso não se faz com seu único filho. - diz James fazendo drama e eu reviro os olhos pisando em seu pé antes de seguir para a cozinha ouvindo ele resmungar.
E nisso que dar ser bobão demais.
Talvez eu deva ensina-lo a ser pelo menos um pouco malvado.
É isso !
- Ei bobão, o que acha de sairmos depois do treino para você me pagar aquele hambúrguer. - digo e ele fica surpreso com minha sugestão.
- Uma noite de melhores amigos ? - pergunta e eu assinto.
- Uma noite onde eu vou te ensinar o que é diversão de verdade. - respondo e ele arqueia uma sobrancelha sorrindo.
- Quer saber, eu vou me trocar, fiquei curioso para saber o que é uma diversão no estilo Pandora McCracken. - diz divertido e eu sorrio vendo ele correr em direção as escadas.
Foi mais fácil do que pensei.
Será que esse é um benefício de ter um melhor amigo ?
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Entro no bar com James ao meu lado após usar a coerção com um dos seguranças, óbvio que não fiz na presença do garoto e apesar de vim aqui para fazê-lo se divertir ao meu estilo, eu tenho um plano bem simples para executar a meia noite após o fim da minha promessa de não m***r ninguém para a minha mãe.
Afinal diversão e morte são algo que muitas vezes cruzam a mesma linha.
Então porque não dá uma ajudinha ?
- Isso aqui tá cheio de cara forte, barbado e careca com jaqueta e calça de couro decorada. - diz James e eu sorrio assentindo.
- E um bar de beira de estrada, então é comum encontrar grupos de motoqueiros aqui. - digo e ele me olha de maneira acusativa.
- Algo me diz que não é a primeira vez que você vem a um lugar como esse. - diz divertido e eu assinto.
- Realmente não é a primeira vez. - digo divertida e ele faz uma careta.
- Por favor, me diz que você nunca transou com um cara desses. - diz com uma expressão engraçada me fazendo rir.
- Não se preocupe, eu não gosto de caras, mas eu dormi com uma mulher que tinha s***s enormes e uma tatuagem de cobra descendo até aquele lugar. - digo e ele faz uma careta, mas em seguida ri.
- Você é maluca. - diz rindo e eu dou de ombros olhando em volta em busca do meu alvo e o vejo fazer o mesmo. - Ei, aquela ali não é a Petra ? - pergunta apontando para o bar onde vejo a garota servindo algumas bebidas.
- Parece que sim, vamos até lá. - respondo e ele assente.
Seguimos para o bar vendo a garota servir alguns caras babacas que dão encima dela me fazendo revirar os olhos.
- Meus amigos e eu podemos te levar para casa gata, eu tenho uma moto maneira. - diz um cara um pouco alto, porém com uma barriga tão grande que parece que sua camisa vai estourar a qualquer momento, a barba enorme e suja de salgadinho, sem contar as tatuagens de péssimo gosto.
- Desculpa amigo, mas essa gata já tem escolta para ir pra casa em segurança longe de babacas como você. - digo chamando a atenção do homem e de Petra que me olha incrédula e confusa. - Oi meu amor, vinhemos te buscar, a gente ficou com saudade da nossa princesinha. - completo olhando para ela sentindo o olhar do homem sobre mim.
- O que acha de me incluir nessa gatinha de olhos lindos ? - pergunta tocando meu braço e James segura o pulso dele o olhando f**o.
- Não encosta na minha gata número um e nem flerte mais com a minha gata número dois. - diz James sério e eu contenho a vontade de rir vendo Petra colocar a mão sobre a boca para tentar fazer o mesmo.
Esse meu garoto de ouro precisa melhorar as ameaças.
Acho que vou ter que dá umas aulas particulares a ele.
- Eu te esmago feito uma pipoca garoto, vai mesmo querer arranjar problema comigo ? - pergunta o barbudo e eu reviro os olhos o colocando na minha lista de próximas vítimas.
- Deixa que eu resolvo isso meu garoto de ouro. - digo tocando o ombro do homem que se levanta se permitindo ser guiado por mim para um canto mais afastado. - Presta atenção que eu só vou falar uma vez, se chegar perto daquela garota outra vez nessa noite eu vou cortar a sua garganta, te esquartejar, moer tudo feito carne e em seguida vou dar para os abutres comer. - sussurro em seu ouvido e ele arregala os olhos. - E se me obedecer bonitinho eu te deixo viver até a meia noite, porque eu estou em um projeto paz e amor. - completo sorrindo sarcástica e ele faz uma careta.
- Você é maluca. - diz pronto para se afastar, mas eu seguro seu braço.
- Você vai lembrar de cada palavra que eu falei e irá beber como nunca, porque no fim da noite eu vou voltar aqui para te m***r da mesma maneira que matam os porcos. - digo usando a coerção com ele. - Agora vai e se divirta b****a. - completo e ele assente.
Vejo ele sair levantando o copo para cima e em seguida grita animado, sorrio entediada e então volto para onde estava vendo James e Petra conversando.
- Então Pandora te arrastou até aqui para uma noite de melhores amigos ? - pergunta Petra fazendo uma careta e James assente passando um braço em volta do meu pescoço.
- Sim, ela vai me dá uma noite de diversão no estilo Pandora. - responde sorrindo e ela me olha esperando uma confirmação minha, então assinto.
- Ele não está mentindo. - digo e ela n**a com a cabeça rindo.
- Se eu pudesse descrever vocês dois aqui essa noite com base em títulos de filmes eu descreveria como " o m*l exemplo de Pandora McCracken e a possessão de James White. " - diz a garota nos fazendo rir.
- Adorei o título, mas poderia acrescentar " o exorcismo de Petra Wheeler. " - digo divertida e ela sorrir negando com a cabeça. - O que acha de se juntar a gente após encerrar o seu expediente ? - pergunto mexendo as sobrancelhas freneticamente e vejo James juntar as mãos e fazer um bico.
- Por favorzinho, nos mostre que você é tão legal e divertida quanto parece. - pede James e ela suspira fazendo uma careta.
- Tudo bem, eu estarei livre em meia hora, até lá servirei um bom whisky e tequila para vocês. - diz sorrindo e eu levanto a mão para que ela bata e ela o faz.
Em seguida faço o mesmo com James e em seguida ele o faz mesmo com Petra que sorrir negando com a cabeça indo pegar uma garrafa de whisky.
- O que você disse aquele cara ? - pergunta James curioso.
- Disse que ia denuncia-lo por assediar uma garota de menor e ameaçar agredir um garoto de menor também. - minto e ele sorrir.
- E porque você não está incluída nessa lista de menores ? - pergunta e eu sorrio.
- Porque eu fiz dezoito em julho. - respondo simples e ele faz uma careta.
- Você é mais velha do que eu ? - pergunta e eu assinto. - Não tão mais velha, eu faço dezoito no próximo mês. - diz pensativo. - Você repetiu um ano ? - pergunta e eu n**o.
- Não, apenas fiquei um ano sem estudar por questões pessoais. - responde me lembrando do ano anterior onde eu fiquei um pouco fora de controle. - Mais é você ? - pergunto e ele suspira.
- Também fiquei um ano sem estudar, mas especificamente no ano em que meu pai foi embora. - responde e Petra se aproxima com a garrafa de whisky e dois copos.
- Deixo a garrafa ? - pergunta após encher os copos e eu assinto. - Vou limpar algumas mesas, mas daqui a pouco volto. - diz e nos assentimos a vendo pegar uma flanela e se afastar.
- Quer falar sobre isso ? - pergunto e ele n**a olhando para o copo com whisky. - Ei, melhores amigos contam tudo lembra ? - questiono e ele sorrir revirando os olhos.
- E só que meu pai não é um cara legal, ele não merece ser lembrado entende ? - pergunta e eu assinto. - Ele agredia a minha mãe, na maioria das vezes por minha culpa, por ela sempre me incentivar a ser como eu sou e não como ele queria. - continua me olhando. - Quando eu fiz doze anos, eu o vi a empurrar da escada e então eu o empurrei o fazendo cair também e depois subi encima dele e comecei a descontar toda a minha raiva guardada com socos. - completa e respira fundo.
- Ele mereceu. - digo e ele sorrir.
- Eu sei, mas eu não me senti melhor depois, eu sei que se não o tivesse feito ele poderia ter matado a minha mãe, mas eu me senti m*l porque apesar de tudo ele ainda era meu pai e isso me causava nojo, nojo de mim mesmo. - diz engolindo seco e em seguida toma um gole de whisky fazendo uma careta.
- Você fez o que tinha que fazer, você foi corajoso e cuidou da sua mãe da mesma maneira que ela cuidou de você. - digo e ele me olha. - Nem sempre é fácil fazer o que deve ser feito, ainda mais quando se trata de alguém da família, mas você foi um bom filho e continua sendo até hoje, sua mãe tem orgulho de você e se quer saber, eu também estou me sentindo orgulhosa por ter um garoto de ouro como melhor amigo, então um brinde a você. - completo levantando meu copo e ele sorrir.
- Um brinde aos melhores amigos que vão se divertir muito essa noite com a companhia da belíssima Petra Wheeler. - diz encostando seu copo no meu e eu assinto sorrindo.
Claro.
E um brinde as mortes que vão rolar essa noite também.
________________ Continua _________________