Eu Preciso De Você.

3443 Words
Dizer que eu estava ansiosa para ver Pandora essa manhã não seria o suficiente para definir como estou, eu estou tão nervosa que troquei de roupa umas mil vezes e quando finalmente decidi com qual queria ir, eu acabei me sujando toda ao espremer a pasta de dente com uma força que eu nem sabia que tinha. Tudo tá meio maluco desde a madrugada quando acordei quase pulando da cama após sonhar com Pandora, pareceu tão real que eu a procurei em meu quarto e depois ainda olhei pela janela pensando que ela estaria indo embora, mas então me dei conta de que havia sido apenas um sonho e que a garota não teria um motivo para invadir meu quarto na madrugada e dizer todas as coisas que me disse em sonho. Seria loucura demais. " Eu vou carregar todos os seus fardos lobinha e não precisa se preocupar, pode dormir tranquila porque eu estarei aqui amanhã para te fazer lembrar do mar de Tenerife, mas tenha cuidado para não se afogar. " Isso soa muito engraçado e bizarro, porque eu sinto que é algo que ela realmente falaria, com toda certeza Pandora diría algo assim e em seguida me alertaria em tom de brincadeira. Suspiro guardando minhas coisas no armário e quando fecho a porta dou de cara com Petra parada ao meu lado com um sorriso de canto. - Bom dia Lunita, soube que seu dia ontem foi animado e que teve uma boa companhia. - diz Petra com um tom sugestivo e eu reviro os olhos. - O que eu faço ou deixo de fazer e com quem eu ando não é da sua conta. - digo me sentando no banco para amarrar meu tênis e ela se senta ao meu. - Aposto que e da conta do seu pai. - diz sarcástica e eu respiro fundo. - Eu tô pouco ligando para o que ele acha que é da conta dele, também tô nem aí para o que você pensa. - digo olhando em seus olhos castanhos. - Sua existência e o que você faz e pensa deixou de ser importante pra mim a partir do dia em que você acordou me odiando por nada. - completo a encarando e ela não esboça nenhuma reação. - Então não vai se importar se eu contar para ele ? - questiona e eu respiro fundo. - Faz o que você quiser. - respondo sincera e ela franze levemente o cenho. - Só saiba que você era muito melhor antes, não porque era minha melhor amiga, mas sim porque antes você era alguém decente, alguém por quem valia apena se importar. - digo amarrando meu tênis de qualquer jeito e em seguida a olho. - Agora você não é nada além de uma pessoa vazia. - completo e por um momento penso ter visto uma expressão afetada em seu rosto por alguns segundos, mas então ela se levanta sorrindo e em seguida vai embora. Merda. Se ela contar ao meu pai sobre eu ter matado aula para ir até a casa de James, meus planos de investigar a morte da minha vó já eram. Seria demais rezar para que ainda haja bondade nela. Pelo menos um fio de esperança. Respiro fundo me levantando para ir para a quadra, educação física não é a minha aula preferida, mas e melhor do que ficar trancada em uma sala escrevendo até sua mão quase cair. Sigo para fora do vestiário e quando passo pela porta sou surpreendida por alguém me puxando e cobrindo meus olhos com as mãos. - Vou ter que adivinhar quem é ? - pergunto sentindo um perfume forte, porém bom. - Unhum. - responde com um som nasal e eu automaticamente sorrio sabendo exatamente quem é. - Bom, deixa eu pensar um pouco. - digo levando a mão ao queixo fazendo uma pose pensativa. - Tem o cabelo loiro e grande ? - pergunto e ouço uma risada nasal em resposta. - Tem o mar de Tenerife em seus olhos ? - pergunto novamente e então ela retira suas mãos e antes que eu me vire ela agarra minha mão e me faz rodopiar parando de frente para ela. - Bom dia, lobinha. - diz sorrindo abertamente com uma expressão de diversão. Então por puro impulso eu a abraço, não sei porque o fiz, mas sinto que foi uma boa escolha quando ela retribui envolvendo minha cintura com seus braços me apertando contra ela. Suspiro sentindo melhor seu cheiro muito bom e só me afasto quando ouço sua voz. - Ouvi seu áudio. - diz e eu a olho nos olhos vendo suas esferas azuis em uma cor mais clara e intensa essa manhã. - Eu estou aqui lobinha, divida todos os seus fardos comigo. - continua e eu sorrio enquanto ela faz uma careta parecendo lembrar de algo. - Ah, eu já ia pedir seu número, então James ter te dado só adiantou o processo. - completa divertida e em seguida coloca a mão em minhas costas me fazendo andar ao seu lado. - Podemos conversar sobre isso em outro lugar ? - pergunto e ela assente. - Acho que seremos liberadas mais cedo hoje, ouvi dizer que o professor de álgebra sofreu um acidente mais cedo. - responde e eu fico surpresa. - Mais foi algo sério ? - pergunto preocupada com o professor e ela sorrir de canto. - Não, apenas uma perna quebrada e alguns hematomas, logo será liberado, parece que ele foi atropelado quando atravessava a rua. - responde e eu respiro fundo. Coitado. Não merecia isso. Ninguém merece na verdade. - Enfim, teremos dois tempos livres, então estarei a sua disposição lobinha. - diz com uma expressão divertida e em seguida pega um prendendor e junta o cabelo fazendo um r**o de cavalo me permitindo ver sua tatuagem na nuca. - Bela tatuagem. - digo e ela me olha de canto e sorrir em seguida. - Pode olhar melhor. - diz parando de andar e em seguida se vira de costas para mim afastando o cabelo me permitindo ver totalmente a tatuagem. - Uma espiral com todas as fases da lua ? - pergunto e ouço sua risada anasalada. - Quase isso, lobinha. - responde com um tom de diversão e eu sorrio enquanto ela se vira para me olhar. - Eu nasci durante uma lua de sangue segundo a minha mãe. - diz e isso me faz lembrar de algo. " Lua de sangue. " " A primeira alfa. " - Também tenho uma espécie de marca de nascença perto do ombro que se você ver não vai acreditar. - diz com uma expressão de diversão e eu fico curiosa. - Você tem que me deixar ver. - digo e ela arqueia uma sobrancelha. - Eu teria que tirar meu moletom, eu claramente não me importo, mas você eu já não sei. - diz divertida com um olhar malicioso e eu abro a boca incrédula e em seguida sorrio voltando a andar e ela me acompanha. - Que interessante, você ficou toda vermelhinha. - completa sorrindo e eu reviro os olhos. - Cala a boca. - digo empurrando seu ombro e ela ri. - Olha, eu tenho outras tatuagens, adoraria tirar a roupa e te mostrar todas. - diz e eu paro de andar e a olho incrédula enquanto ela sorrir, tento falar alguma coisa, porém não sai nada. - Te deixei sem palavras ? - pergunta cruzando os braços com uma expressão de diversão e eu respiro fundo tentando conter as imagens criadas pela minha mente. Imagens impuras. Puta m***a. - Relaxa lobinha, tô só brincando, mas confesso que adorei te ver toda vermelhinha. - diz e eu suspiro sentindo meu coração palpitar tão forte que penso que a qualquer momento ele vai sair pela boca. - Você é má. - digo e ela passa um braço em volta do meu pescoço e em seguida volta a andar me fazendo fazer o mesmo. - Eu nunca disse que era boa, lobinha. - sussurra me olhando com um sorriso contido e eu n**o com a cabeça. - Também nunca me disse que era tão diabólica. - brinco e ela faz uma careta. - Você nunca me perguntou, então. - diz como se fosse obvio e eu sorrio negando com a cabeça. Claro. Faz todo sentido isso. ____________________________________________ Acho que peguei leve com o professor de álgebra, eu deveria ter quebrado um braço também assim ele demoraria a voltar a dar aulas e eu teria mais um tempo livre para cuidar de mais alguns assuntos inacabados. Mal posso esperar pela chegada da família Collymore. Eles passarão por momentos inesquecíveis em Mount Holly. Esse negócio de estudar é um porre as vezes, mas em certos momentos não fica tão r**m. Talvez o fato de eu sempre ter estudado em casa me faça ter um pouco de repulsa a lugares lotados de adolescentes cheio de hormônios com alguns costumes irritantes, m*l posso quanta vezes eu quis arrancar a cabeça de alguém por comer de boca aberta ou fazer um barulho irritante enquanto mastiga. Suspiro enquanto caminho em direção a uma das mesas onde o grupo está, noto James conversando amigavelmente com Luna, parece que estão se dando bem após passarem o dia juntos revirando papéis inúteis. - Olha só, lá vem a nossa caixinha do m*l. - diz Kai esticando o punho para mim e eu o cumprimento batendo em seu punho e ele sorrir. - Pandorinha. - diz James animado e em seguida se levanta e vem até mim. - Não me mata, por favor. - pede me abraçando e eu faço uma careta. - Porque eu te mataria ? - pergunto e ele suspira. - Passei seu número sem te perguntar se podia, mas eu senti que você não ia achar nem um pouco r**m, eu estava certo ? - pergunta e eu sorrio. - Depende, se me pagar um hambúrguer mais tarde após eu te colocar pra suar que nem um condenado, talvez eu até te agradeça. - respondo divertida e ele se afasta e sorrir. - Fechado. - diz animado e eu n**o com a cabeça pensando que ele é realmente um bobão. As vezes chega a ser um pouco irritante o quanto ele é ingênuo. Porém não o suficiente para mim máta-lo. Na verdade eu estou achando interessante essa nossa amizade, nunca tive um amigo, então estou bem curiosa para saber do que realmente se trata a amizade e até onde as pessoas vão por ela. - Boa tarde, Pandorita. - diz Calvin e eu aceno para ele. - Vai comer com a gente ? - pergunta e eu n**o olhando para Petra que comia em silêncio parecendo distraída. - Boa tarde. - digo e em seguida olho para Luna que sorrir. - Na verdade, eu só vim roubar a Luna de vocês, preciso me atualizar sobre as aulas que perdi ontem. - completo vendo Petra olhar de canto para Luna que estava distraída trocando olhares com seu primo. - Opa, vamos com calma aí, pra sair com a minha princesinha, primeiro tem que me pedir permissão. - brinca Kai e eu o olho. - Eu não costumo pedir permissão para nada, então se eu quero levá-la, eu simplesmente vou fazer isso. - digo me aproximando da garota e em seguida a pego no colo e começo a andar para longe dali ouvindo as risadas de Calvin e James. - Você vai entrar para a minha listra do m*l. - grita Kai e eu dou de ombros enquanto coloco Luna no chão. Ela me olha e n**a com a cabeça rindo e eu pisco um olho para ela oferecendo meu braço e ela aceita, caminho com ela até o estacionamento parando somente quando chegamos ao meu carro e eu abro a porta para ela, o que a deixa confusa. - Você disse que não poderiamos conversar aqui, então vamos dá uma volta. - digo e ela olha em volta com um pouco de receio. - Temos que voltar antes de três e meia. - diz e eu assinto. - Como quiser senhorita Blackwood. - digo e ela sorrir entrando no carro. Faço o mesmo ao dar a volta no veículo e em seguida saio dali sabendo exatamente para onde levaria a lobinha, pensei nisso mais cedo enquanto quebrava a perna do nosso professor de álgebra, eu sabia que ela gostaria de conversar em um lugar longe da presença de sua ex melhor amiga, então tive que tomar certas providências. - Essa é a rota do Long Bridge Park. - diz Luna chamando minha atenção e eu assinto. - Eu adoro esse lugar é o mais perto que eu já cheguei da... - faz uma pausa e eu sorrio sabendo exatamente que ela iria falar sobre a floresta proibida para a sua alcatéia. - Deixa pra lá. - completa e eu a olho de canto. - Então eu acho que você deveria me apresentar o lugar. - digo e sinto sua atenção sobre mim. - Vou adorar. - diz e eu a olho rapidamente a vendo sorrir. Seguimos em silêncio durante o restante do caminho e somente quando eu estaciono o carro em uma das vagas disponíveis e que o silêncio finalmente é interrompido. - Vamos primeiro até o lago ? - pergunta animada e eu assinto a vendo abrir a porta do carro e sair quase correndo. Nego com a cabeça enquanto saio do carro a vendo olhar em volta, ligo o alarme do carro e em seguida vou até ela e antes que eu possa dizer qualquer coisa ela agarra minha mão e me puxa me guiando pelo local. - Você tá animada demais. - digo divertida e ouço ela ri. - Eu adoro esse lugar de verdade. - diz enquanto caminhamos. - Eu costumava vim muito aqui com meu tio e Kai quando era criança. - completa e eu olho em volta notando que o lugar é bem bonito. - Eu vi que tem uma ponte meio pier aqui que fica entre as árvores. - digo tentando me lembrar das imagens que vi no google. - Sim, podemos ir lá também. - diz me guiando por uma trilha. - Aonde você for eu vou. - digo e ela me olha por cima do ombro com uma expressão de diversão. - Isso incluí quebrar regras ? - pergunta divertida e eu sorrio avistando o lago mais a frente. - Regras foram feitas para serem seguidas por alguns e quebradas por outros, eu faço parte da segunda opção, então sim, eu quebraria todas as regras existentes com você. - respondo e não preciso a olhar para saber que ela está sorrindo, acho que a observei o suficiente para saber como ela reage a certas coisas. Continuo me deixando ser guiada por ela até que cheguemos ao local desejado por ela, então quando ela para em uma das tendas com banco próximo do lago se sentando e olhando tudo com uma expressão adorável, eu sorrio me sentando ao seu lado e então ela me olha. - E lindo né ? - questiona e eu assinto a encarando admirando sua beleza. - Muito. - respondo e ela sorrir desviando sua atenção de mim para o lago outra vez. - Obrigada por me trazer aqui. - diz e eu continuo a observando em silêncio. - É incrível como você sempre parece saber o que dizer e agora soube exatamente onde me levar, mesmo sem saber nada relevante sobre mim. - completa e eu suspiro. - Eu sei o bastante pra te entender sem que você precise falar. - digo e ela me olha curiosa. - Basta te olhar e tudo fica diferente. - continuo fazendo uma careta tentando entender porque diabos não consegui dizer algo melhor que isso. - Sua presença deixa tudo mais bonito e colorido. - completo e ela sorrir. - Isso foi inesperado. - diz e eu sorrio assentindo. - Talvez eu tenha me perdido um pouco nas palavras. - digo sincera e vejo seu rosto ganhar uma expressão de diversão. - Posso te ajudar a se encontrar. - diz sorrindo e eu retribuo. - Não é tão fácil quanto parece, eu sou nem mais complicado do que pareço. - digo divertida e ela n**a. - Eu não acho, na verdade se você fosse um enigma eu te desvendaria com apenas duas dicas. - diz no mesmo tom e eu respiro fundo. - Tá legal, vou te dar duas dicas e então você tem que tentar me desvendar tá bom ? - pergunto e ela assente. - Certo, eu sou ótima com enigmas. - responde se sentando em forma de índio e eu me viro para ficar de frente para ela. O que eu posso dizer a essa lobinha curiosa ? O que eu posso dizer a ela que não seja tão relevante ? - Eu poderia dizer que não sou tão boazinha quanto você pensa, mas você não acreditaria. - digo e ela revira os olhos e em seguida sorrir enquanto eu respiro fundo. - Tá legal, vou dizer algo verdadeiro sobre mim. - digo e ela assente. - Eu agradeço. - diz e eu faço uma careta achando ela um pouco atrevida nesse momento, mas não em um sentido r**m. - Bom, eu não sei lidar muito bem com sentimentos, na verdade eu não sei corresponde-los, porque eu não entendo. - digo pensando em como explicar essa confusa sobre mim de uma maneira simples. - Eu acho que eu não sinto como todo mundo e isso me faz observar bastante as pessoas, porque elas tem algo que eu não tenho e isso parece tão importante para todos enquanto pra mim não significa nada, isso é um pouco confuso. - completo sincera e ela sorrir colocando sua mão sobre a minha. - Eu entendo, mas só porque não sente nada agora, não significa que você nunca vá sentir. - diz e em seguida se aproxima. - Você sente isso ? - pergunta entrelaçando nossos dedos e eu assinto. - E isso ? - questiona e em seguida beija minha bochecha e eu a olho de canto enquanto ela o faz sentido uma sensação estranha que me faz sentir como se eu tivesse corrido por horas sem pausa para descansar. - Você sentiu uma sensação entranha em seu peito ? - pergunta e eu assinto. - Aonde você quer chegar com isso ? - pergunto nervosa com uma vontade repentina de me aproximar mais e fazer uma grande besteira. - Se você sentiu isso, então você já encontrou algo que te faça sentir. - diz sorrindo e eu prendo a respiração tentando conter a bagunça na minha cabeça. Sim, eu encontrei. Você me faz sentir coisas que me deixam confusa lobinha. Você me bagunça. - Eu preciso de você. - diz chamando minha atenção. - Preciso que me ajude a descobrir o que aconteceu com a minha avó, sei que provavelmente estou pedindo demais, mas eu não posso contar com o Kai, isso é algo que não posso envolver ele entende ? - pergunta e eu assinto. - Também não queria te envolver ou o James, mas eu preciso de ajuda e sinto que eu posso contar com você pra qualquer coisa. - completa e eu sorrio. - Você não está errada, inclusive se precisar de mim para dar fim a cadáveres. - digo divertida brincando com a verdade e ela sorrir inocente. - Claro, isso seria bem a sua cara mesmo. - diz no mesmo tom e então eu noto que ela ainda não desfez o contato entre nossas mãos e o engraçado é que isso não está me incomodando. Coisa da ligação entre nós. Só pode ser isso. - Já achou alguma coisa sobre a morte dela ? - pergunto e ela n**a. - Ainda faltam muitos papéis e mesmo assim não sei se terá algo importante lá, é quase um tiro no escuro. - responde e eu faço uma careta. - Talvez você esteja procurando no lugar errado ou se limitando há apenas uma possibilidade. - digo e ela me olha curiosa. - Se são papéis importantes, quem os tem não os deixaria de bandeja por aí, teria que estar sobre sua supervisão, não acha ? - questiono e ela parece pensar em algo. - Você tem razão, talvez eu não deva me apegar apenas as possibilidades mais fáceis de executar. - responde e eu sorrio sabendo exatamente que ela entendeu que só vai conseguir algo tirando diretamente da fonte. E a fonte é simplesmente o cara mais escroto do mundo. Seu pai b****a. Cerberus Blackwood. ________________ Continua _________________
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