Festa Maluca.

4030 Words
Observo a garota sentada no fundo da sala focada em escrever algo em seu caderno, o cabelo loiro longo cobrindo metade de seu rosto devido a sua cabeça estar levemente inclinada para baixo, a mandíbula bem alinhada e as bochechas um pouco rosadas, seus olhos ainda cobertos pelo óculos de sol, o queixo com uma leve divisão fofa e ao mesmo tempo charmosa, lábios levemente avermelhados e sobrancelhas aparentemente bem feitas e um pouco grossas. Eu não deveria estar prestando atenção na garota, mas ela despertou minha curiosidade depois daquele breve contato visual pela manhã que eu nem sei se realmente era pra mim ou se ela sorriu sarcástica por me pegar a encarando daquela forma enquanto eu claramente achei que ela estivesse focada em mim. Eu odeio Kai. Ele consegue entrar na minha mente e bagunçar tudo as vezes de uma maneira tão irritante. Suspiro voltando a focar na minha atividade já terminada e então junto minhas coisas pronta para levar o caderno para o professor e ser liberada mais cedo, mas o barulho de algo caindo chama minha atenção e eu me viro dando de cara com a garota nova se abaixando para pegar seu livro, porém para minha surpresa ela estava sem óculos e me encarando com uma expressão neutra enquanto suas esferas azuis clara pareciam sugar minha alma e eu não deveria retribuir esse contato visual, mas não consegui me conter. Seus olhos azuis parecem ter me hipnotizado ou me colocando em uma espécie de transe, porque eu só consegui despertar quando seu sorriso de canto e uma sobrancelha arqueada para mim antes dela se afastar me trouxeram de volta a realidade e então o surto veio logo em seguida. Putz. Agora foi para mim. Ela deixou bem claro que me notou a encarando mais cedo. Será que isso significa que ela está brava ? Ou que estou em sua lista do m*l ? Espero que não. Meu Deus. Kai. Eu preciso falar com ele. Me levanto rapidamente e praticamente jogo o caderno encima da mesa do professor antes de sair correndo da sala vendo a garota andando mais a frente e então me viro e sigo na direção oposta a qual ela está indo. Sigo para o pátio e vejo Kai conversando com James e sua turma, normalmente eu evitaria ir até lá e esperaria ele se afastar do grupo para ir até ele, mas eu estou em uma situação de emergência, então quando puxo meu primo para longe do grupo sem aviso prévio ou qualquer explicação deixando todos confusos enquanto Kai segura minha mão me fazendo parar. - Meu Deus, o que deu em você ? - pergunta ajeitando a gola de sua camisa, mas ao notar minha expressão ele faz uma careta. - Você tá tendo um infarto ? - pergunta preocupado e eu assinto. - Eu vou ser assassinada Kai, ela vai me m***r. - digo e ele faz uma careta. - Ela notou que eu a olhei e ela meio que disse " eu te vi " com um olhar que pareceu sugar a minha alma. - completo e ele sorrir. - Ela te olhou de maneira bem explícita ? - pergunta e eu respiro fundo. - Eu tava guardado minhas coisas distraída e eu ouvi o barulho de algo caindo e quando eu olhei para o lado bam, lá estava ela me encarando com aquela imensidão azul enquanto se abaixava para pegar o livro. - respondo e ele parece surpreso. - Ela não recuou o olhar, ela continuou me encarando e depois sorriu de canto sarcásticamente com uma sobrancelha arqueada antes de se afastar. - completo respirando fundo e ele ri. - Acho que ela gostou de você. - diz e eu n**o com a cabeça. - Ela deve estar querendo e me m***r. - digo e ele ri ainda mais me abraçando. - Tão lerdinha, tem muito a aprender sobre a vida ainda. - brinca e eu n**o socando sua costela. - Isso não fez nem cócegas. - debocha e eu o soco outra vez. - Não tenho culpa se você passou na fábrica dos bombados quando nasceu. - digo sarcástica e ele ri. - Esse é meu genes de lobo contribuindo para que eu tenha um porte físico acima da média mesmo sem fazer academia ou qualquer esporte físico com frequência que me deixaria entediado em segundos. - diz e eu reviro os olhos me afastando. - Cala a boca e vamos embora. - digo e ele sorrir assentindo. - Como quiser minha doce criança, você precisa tomar seu leitinho e dormir antes das dez para depois desabrochar e se tornar o demônio que pula janelas e foge no meio da noite. - diz divertido e eu sorrio. Claro que ele não vai esquecer da festa e está sutilmente me lembrando que eu concordei em irmos. Sempre espertinho. ____________________________________________ Quando eu pulei a janela do meu quarto para ir a festa com Kai, eu não imaginava que eu iria me arrepender de ter feito isso assim que pisasse os pés no local da festa. - A gente vai ser linchado se souberem que já pisamos nesse lugar. - digo caminhando ao lado de Kai. - Eu sei disso, mas se eu pegar alguém hoje vai valer apena. - diz divertido e eu sorrio negando com a cabeça olhando em volta. - Olha quem vem ali. - diz Kai chamando minha atenção e eu vejo James se aproximando de nós. - Se me deixar sozinha com ele eu vou fazer da sua vida um inferno. - sussurro e ele rir. - Estou morrendo de medo. - diz baixo e em seguida olha para o garoto parando a nossa frente. - James, que festa maneira. - cumprimenta o garoto que sorrir. - Kai, que bom que veio. - diz abraçando meu primo e em seguida me olha sorrindo largo, até que é um belo sorriso. - Luna, tô surpreso em te ver aqui. - diz me olhando daquela maneira que deixa a maioria das garotas todas derretidas por ele, mas não eu, eu não fico derretida por ninguém, então talvez eu não faça parte nem da minoria que não se derrete por ele. Talvez eu seja um caso indefinido. Alguém que não se interessa por ninguém. isso é possível ou eu sou alguém impossível e sem sentido ? - James, não fique muito animado, eu posso sumir a qualquer momento. - digo estendendo minha mão para ele antes que ele invente de me abraçar ou beijar meu rosto e vejo Kai conter o riso enquanto n**a com a cabeça. - Porque ela é tão difícil ? - questiona James divertido olhando para Kai que dá de ombros. - Acho que é de família. - responde meu primo e eu piso em seu pé discretamente e ele me olha f**o, mas para logo em seguida parecendo notar algo interesante. - Ei, você convidou a garota nova ? - pergunta Kai olhando para um ponto específico atrás de James que olha em volta antes de olhar para onde meu primo está focado. - Ah, sim, a gente faz literatura e educação física juntos e ela meio que me deu algumas dicas sobre o time de Chicago que vamos enfrentar semana que vem, ela também já me ajudou algumas semanas atrás, então eu a convidei, ela é bem legal apesar do nome esquisito. - responde James acenando para a garota que apenas balança a cabeça em resposta com um meio sorriso. - Como ela se chama ? - pergunto e James me olha enquanto Kai arqueia uma sobrancelha. - Você tem várias aulas com ela e não sabe o nome da garota ? - pergunta e eu cruzo os braços dando de ombros. - Que tipo de criatura é você ? - pergunta divertido e eu sorrio. - Alguém que faltou na aula no primeiro dia de aula dela, então perdi as apresentações. - respondo e sinto o olhar de James sobre mim, mas não retribuo. - Bom, acreditem se quiserem, mas o nome dela é Pandora McCracken. - diz James e Kai ri enquanto eu faço uma careta. - Você tá brincando. - digo e ele n**a sério com seus olhos verdes focados nos meus. - Não, eu tô falando sério, eu também ri e perguntei se ela estava me zoando, mas aí ela mostrou a carteira de motorista e então eu acreditei. - diz agora sorrindo de canto e eu olho para a garota pegando uma garrafa de whisky na mesa cheia de bebidas. - Acho que a família dela deve amar o mundo mitológico e sobrenatural. - diz Kai e eu olho para ele que mexe as sobrancelhas freneticamente em resposta. - O que acham de se juntar ao resto do pessoal ? - pergunta James alternando seu olhar de mim para Kai. - Podem ir, eu vou pegar alguma coisa pra beber e depois me junto a vocês. - respondo e então saio andando antes que possam responder qualquer coisa. Pandora McCracken. Pandora eu até acho um pouco normal, mas McCracken ? Esse é o sobrenome mais estranho que já vi. Pego um pouco de ponche e em seguida caminho até um banco próximo do lago e me sento tentando ignorar a música alta e as pessoas gritando por nada, observo as árvores enormes do outro lado do lago e aquela sensação de estar sendo observada e chamada pela floresta me faz tomar um gole da bebida que peguei na tentativa de ignorar essa sensação, mas então logo em seguida cuspo o líquido ao sentir o gosto de álcool. Eu devia ter imaginado que nada aqui estaria livre de álcool. É uma festa de adolescentes humanos. Ter bebida é praticamente uma regra básica, mas prioritária deles. Se toca Luna. - Eu tenho bebida infantil aqui comigo se você quiser. - uma voz levemente rouca me faz pular de susto e ao olhar para o lado fico ainda mais assustada. - Suco ou achocolatado ? - pergunta mostrando a sacola cheia de bebidas de caixinha que podem ser consideradas infantil. - Eu não sei se devo aceitar bebidas de uma estranha. - respondo confusa e nervosa com seus olhos azuis focados em mim e ela sorrir torto enquanto eu a analiso. Cabelo solto e levemente bagunçado, longo também, quase na cintura e muito bem cuidado, suas bochechas levemente rosadas, os lábios avermelhados, mas um vermelho natural, nada forte ou extravagante e a maquiagem destacando seus olhos azuis que nesse momento estão me lembrando a beleza do mar de Tenerife. - Claro que não deve, é bem melhor ficar a encarando a estranha constantemente como se ela fosse uma caixa de Ferrero Rocher de edição única. - diz sarcástica com as sobrancelhas levemente arqueadas e por alguma razão isso me faz sorrir. - Pega logo ou eu vou desistir de compartilhar meu tesouro com você. - completa e eu pego um achocolatado enquanto noto o quão expressiva ela aparenta ser. - Obrigada, eu acho. - digo confusa me sentando novamente e ela dá de ombros olhando para o lago enquanto pega um achocolatado também e eu fico confusa. - Você não bebe ? - pergunto me lembrando de tê-la visto pegando uma garrafa de whisky e ela faz um gesto típico com os olhos que indicam que a resposta não é algo definitivo, talvez um meio termo. - Não com frequência, as vezes um copo ou dois pra ajudar a equilibrar a mente, mas não faço disso um hábito comum, porquê a bebida se torna algo bem destrutivo se você não souber consumir. - responde e eu assinto concordando de maneira silenciosa e ela me olha. - Mais você parece não beber de maneira nenhuma. - diz e eu assinto novamente. - Não mesmo, eu acho bebidas alcoólicas uma espécie de passaporte para os idiotas se afundarem. - digo e ela me olha de canto com uma sobrancelha arqueada e eu acho esse gesto interessante, talvez charmoso por dar ainda mais ênfase a sua expressão de malvada, ela tem tipo um ar diabólico, mas não no sentido r**m. - Não é todo mundo obviamente, várias pessoas estão fora desse pensamento, mas a maioria não, porque geralmente eu vejo pessoas infelizes, sem objetividade e que precisam de um estímulo pra fazer algo usarem a bebida como desculpa para fazer o que não fariam normalmente e serem idiotas, eu também conheço alguém que me disse uma vez que " os sábios não desperdiçam seu precioso tempo mergulhando de cabeça no álcool, porque esse poder ser um caminho sem volta. " - completo e ela sorrir. - Aposto que quem disse isso foi alguém de sessenta ou setenta anos que estava com um copo cheio de whisky na mão. - diz divertida me olhando de canto com um sorriso torto e uma sobrancelha arqueada e eu sorrio assentindo tentando entender a sensação engraçada se formando em meu interior. - Como você sabe ? - pergunto e ela dá de ombros. - Esse é o tipo de coisa que alguém que se afundou na bebida diria a uma garota de provavelmente quase dezessete anos após desabafar todas as suas mágoas. - responde com uma expressão de diversão e eu mordo o lábio inferior enquanto faço uma careta achando engraçado a maneira como seu jeito de falar parece leve apesar da entonação um pouco agressiva. Talvez seja o fato de sua voz e seu jeito de falar ser daquele tipo bem expressivo. Onde mesmo quando você está calmo sua voz faz parecer o contrário para pessoas desconhecidas. O tipo de voz e maneira de falar agressiva, aquela coisa que sempre te faz perguntar se a pessoa está sendo sarcástica ou não ou se está irritada. Seu rosto também é bem expressivo. Tudo que ela fala as suas expressões faciais parecem confirmar o que ela está dizendo ou sentindo antes mesmo dela falar. Eu gosto disso. Também gosto desse jeito de olhar de canto com a sobrancelha arqueada e o sorriso torto, parece ser ações e reações naturais que a tornam talvez... Interessante ? Acho que eu poderia até dizer que ela esbanja charme naturalmente. - Eu te vi pegar uma garrafa de whisky, me pergunto se você engoliu a garrafa. - digo divertida tentando não parecer invasiva ou que estava reparando demais nela, mas a curiosidade é um defeito meu, ela me olha fazendo uma careta enquanto suga a bebida pelo canudinho. - Foi só pra ensinar alguns idiotas como se acender um fogueira rapidamente e com classe. - diz apontando para um ponto mais afastado de onde estávamos onde todos estavam curtindo juntos em volta da fogueira, inclusive Kai. - Seu amigo parece está se divertindo muito com aquele cara que nitidamente tá caidinho por você. - completa seguindo meu olhar que estava focado em Kai conversando com James e seu grupinho enquanto eu fico confusa por ela ter notado isso se aparentemente ignora a existência de todos. Se bem que James disse ter conversado com ela durante a aula que eles tem juntos, então talvez ele possa ter dito algo ou sei lá. - Ele é meu primo e melhor amigo, crescemos juntos. - digo e ela assente desviando sua atenção para o lago. - Enquanto ao James, ele não é meu tipo. - completo e ela me olha com uma sobrancelha arqueada e eu noto que isso é uma mania sua, uma mania até que fofa. - Então qual é o seu tipo ? - pergunta se ajeitando no banco sentando em forma de índio olhando em meus olhos com uma expressão avaliativa que me deixa nervosa. Qual é ? Porque ela ta me deixando nervosa ? Talvez seja o mistério. Seu nome esquisito ou o fato dela estar me olhando dessa maneira com esses belos olhos azuis. Ou... Não sei. Que m***a ! - Na verdade eu não sei. - digo sincera e sua expressão neutra me deixa ainda mais nervosa, mas tento manter o contato visual. - Eu não penso muito sobre isso, eu tenho outras prioridades eu acho, essa coisa de ficar, namoro, romance e qualquer coisa desse nível não estão no topo da minha lista de prioridades. - digo fazendo uma pausa desviando minha atenção dela por alguns segundos e esfrego minhas mãos em meu short para enxugar o suor e quando volto a olhar noto que ela acompanhou cada movimento meu. - Também não é como se eu fosse ter muita escolha nessa questão. - completo e sua expressão neutra muda rapidamente para pura diversão. - Claro que não. - diz e eu vejo um sorriso aparentemente travesso se formando em seus lábios. - Estou te deixando nervosa ? - pergunta com seu tom de voz esbanjando diversão e eu penso em negar, mas tudo o que faço e evitar seu olhar e então ouço sua risada nasal. - Não se preocupe, você não é a única a ficar nervosa com a minha presença, todos aqui estão curiosos, nervosos e alguns com inveja por eu estar falando com você, afinal eu sou a aluna nova misteriosa que caga pra existência deles, a carne nova no pedaço, porém eu tô aqui falando com você, isso bagunça a mente pequena de algumas pessoas. - completa e eu a olho confusa e a expressão dela de quem sabe exatamente o que está falando me deixa curiosa. - Você é alguma bruxa ou algo do tipo para afirmar isso com tanta convicção ? - pergunto e ela se aproxima um pouco. - E se eu for ? - questiona com um tom neutro me olhando nos olhos. - O que você vai fazer Luna Esposito Blackwood ? - questiona em um sussurro usando uma entonação maior ao dizer meu nome completo e eu engulo seco notando um colar em seu pescoço enquanto minha mente grita que eu não fazia ideia de qual era seu nome, mas ela sabe o meu. Então desprovida no momento de qualquer capacidade de respondê-la ou encarada eu dedico minha total atenção em seu colar. - Isso é prata ? - pergunto analisando o colar de prata com um símbolo do que parecia ser um dragão com chifres, mas ao mesmo tempo parecia ter características de outros animais e ela segue meu olhar. - Algum problema com prata lobinha ? - debocha e eu reviro os olhos tocando seu colar para mostrar que não tenho problema nenhum com prata apesar de saber que ela claramente não sabe de nada sobre o mundo sobrenatural, deve ser apenas alguma fã que adora ser sarcástica e fazer piadas quando tem a oportunidade, pelo menos isso explicaria seu nome. - Desculpa, mas eu não morri ou algo do tipo. - devolvo o deboche e ela toca minha mão que segurava o pingente. Esse ato faz meu coração bater tão rápido em questão de segundos me fazendo sufocar de uma maneira muito dolorosa, sinto uma espécie de corrente elétrica correr por todo o meu corpo causando um formigamento estranho em minha pele, sinto minha cabeça latejar e minha visão ficar distorcida aos poucos, tento afastar minha mão de seu toque ao ouvir um uivo, mas tudo fica escuro e então segundos depois eu não estou mais na presença da garota de olhos azuis. Olho em volta vendo as árvores altas, a lua iluminando a trilha a minha frente, ando para frente e sinto que meus pés estão descalços, olho para baixo tendo a certeza de que eles realmente estão e tem algo à mais. Sangue. Olho minhas mãos que também estão cobertas de sangue assim como o meu corpo e dou alguns passos para trás assustada e em seguida caio para trás ao tropeçar em algo e então grito ao ver o corpo ensanguentado e sem vida de meu tio. Espalmo minhas mãos no chão em busca de apoio para me levantar e grito assustada ao sentir algo agarrar meu pulso, olho para o lado vendo meu pai me olhando com ódio enquanto o sangue escorria no canto de sua boca feito baba, as marcas enormes de garra em seu rosto ensanguentado e cheio de terra. - Pai. - digo tentando tocar seu rosto, mas paro ao ver seus olhos de alfa deixando claro que não quer o meu toque. - V-vo-o-cê é-é a-m*l-d-diço-a-a-da. - diz com dificuldade e em seguida parece buscar por fôlego e então eu olho seu corpo vendo seu peito aberto feito o de um animal em um açougue, o coração exposto batendo lentamente, seus órgãos expostos e sua carne toda estraçalhada da maneira que só um animal feroz faria. - m*l-d-d-dita. - sussurra meu pai enquanto sinto as lágrimas molharem o meu rosto ao ver seus olhos perdendo totalmente a vida e em seguida um brilho vermelho vai fazendo uma trilha até mim. Olho para cima vendo a lua ganhar uma coloração avermelhada aos poucos e então meu coração bate tão forte ao ponto de doer enquanto sinto minha pele latejar e esquentar de uma maneira assustadora, tudo fica pior quando sinto meus ossos começarem a se partir lentamente enquanto uma voz um pouco distante assombra minha mente tomando conta de meus pensamentos e sentidos. " Ela vai nascer, a primeira alfa. " " Quando a lua de sangue surgir diante de seus olhos em seu décimo sétimo aniversário, isso marcará o fim do legado Blackwood é o início da minha vingança. " " A primeira mulher alfa. " " Kasper Blackwood. " " Blackwood. " " Eu amaldiçoou o seu clã. " " A primeira alfa. " - Luna ? - ouço a voz de Pandora e abro os olhos vendo que estou de volta a festa. - Onde está a lua de sangue ? - pergunto olhando em volta vendo que tudo o que achei ter visto pode ter sido uma alucinação. - Você me drogou ? - pergunto confusa sentindo minhas mãos trêmulas. - Não, eu nunca faria isso. - responde rindo mais sua expressão demonstrava preocupação. - Ainda mais com você. - diz segurando minhas mãos e eu sinto uma sensação estranha, como se ela estivesse me chamando o que não faz nenhum sentido, pois ela está na minha frente apenas me encarando. - Você está quente, está se sentindo bem ? - pergunta tocando meu rosto e em seguida toca minha testa com as costas de sua mão e eu tenho a impressão de ouvir sua voz na minha cabeça me chamando. - Para ! - exclamo me afastando e ela fica confusa. - Eu só estava checando sua temperatura. - diz se levantando ao me ver levantar. - Eu tenho que ir. - digo confusa me afastando mais dela ainda ouvindo sua voz na minha cabeça. - Claro. - diz com uma expressão neutra que me deixa ainda mais confusa e a beira de um colapso. - Até mais, Luna. - completa pegando sua sacola e em seguida se afasta. Me sinto i****a por agir dessa maneira, afinal que culpa ela tem se eu surtei e alucinei do nada, suspiro e quando olho para o lado vejo Kai me puxar e me abraçar com força, sinto seu corpo tenso e ele parece buscar por algo em volta do lugar enquanto seus braços me apertam contra si de maneira protetora. - Eu senti um odor estranho, coisa de lobo surtando. - diz e eu levanto a cabeça para o olhar e a expressão séria em seu rosto mostra que ele não está brincando. - Pandora ? - pergunto e ele n**a. - Não, quando passei por ela o cheiro dela estava normal, tem alguém da alcatéia aqui ou por perto, talvez até de outra alcatéia que está de passagem pela floresta, acho melhor a gente ir embora. - responde e eu assinto olhando em volta em busca da garota, mas não a vejo, então suspiro sabendo que fui i****a com ela por nada. Que inferno tá acontecendo comigo ? Eu sabia que não devia ter vindo. Essa festa maluca me fez surtar. E eu ainda posso ouvir aqueles sussurros e ela me chamando. Será que tinha d***a no ponche ? Essa é a única explicação plausível para esse surto aleatório. _________________ Continua ________________
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