Sonho & Conversa.

3150 Words
Caminho pela trilha observando as placas de perigo enquanto sinto aquela sensação familiar de que a floresta está me chamando, suspiro tentando entender porque diabos vim aqui a noite, eu só posso estar maluca mesmo, digo isso a mim mesma enquanto observo a lua cheia dar um ar ainda mais tenso para a visão da floresta escura, as árvores balançando lentamente enquanto a neblina vai cobrindo-as aos poucos e o barulho de alguns animais ecoam pelo lugar de maneira harmoniosa me dando a sensação de estar em uma cena de filme de terror. Está faltando apenas a trilha sonora aterrorizante que marca o momento dos assassinatos. Com esse pensamento a minha mente brinca com meu emocional repassando repetidamente cenas do filme Pânico na floresta onde aquelas criaturas deformadas surgem do nada prontas para arrancar a cabeça do pobre ser desavisado que ouse ao menos passar por perto do lugar onde habitam. Sorrio sabendo que talvez eu esteja enlouquecendo, afinal eu estou aqui em uma trilha que leva a floresta proibida prestes a quebrar a maior regra da minha alcatéia e indo totalmente contra o meu pai, se eu for pega entrando na floresta sem permissão vou ter que temer até a minha própria vida, esse pensamento me faz querer dá meia volta, mas então eu a ouço, sua voz ecoando na minha cabeça me deixando confusa. " Luna. " " Grite meu nome. " " Grite. " " Luna Blackwood. " Engulo seco sentindo meu coração bater apressado fazendo meu peito subir e descer com a dificuldade repentina para respirar, levo minha mão ao peito e sinto algo estranho, abaixo meu olhar e então vejo o colar de Pandora, fico confusa enquanto analiso o objeto em minha mão pensando em como diabos ele surgiu na minha mão e tudo fica ainda pior quando ouço um barulho estranho e então lá está ela caminhando entre as árvores. O cabelo loiro e longo esvoaçantes com o vento, sua pele em contraste com o brilho da lua que parecia segui-la, o sorriso contido de canto enfeitando seus lábios levemente avermelhados, seus olhos azuis que eu particularmente adoro estavam um pouco escuro e havia um brilho diferente neles, algo um pouco sombrio, ela arqueia uma sobrancelha enquanto se encosta em uma árvore cruzando os braços me olhando de canto, aquele jeito específico que me causa sensações que eu nunca senti antes. - Me chamou ? - pergunta um pouco alto com um tom de diversão. - Eu... - faço uma pausa para respirar fundo tentando conter meu coração que bate tão rápido me fazendo ter a sensação de que a qualquer momento irei infartar. - Eu não, você... Como... O que faz aqui ? - pergunto por fim após me enrolar toda. - Você gritou por mim. - responde como se fosse uma resposta óbvia e eu n**o rapidamente enquanto ela apenas permanece do mesmo jeito me encarando. - Tem certeza ? - questiona sorrindo logo em seguida exibindo seus dente brancos bem alinhados enquanto se desencosta da árvore. - Sabe, eu tenho certeza que na sua mente você grita meu nome constantemente. - completa caminhando em minha direção e eu levanto a mão em um sinal mudo para que ela pare onde está, mas ela não o faz. - Não se aproxime. - peço mais ela ignora totalmente meu pedido continuando seu caminho até mim e então eu dou um passo para trás. - Não fuja, Blackwood. - diz meu sobrenome de maneira arrastada e eu engulo seco sentindo que essa ação sua me causou um arrepio daqueles que te fazem pensar se essa não é uma boa hora para sair correndo. E eu quero sair correndo. Quero muito, mas eu não consigo. Seus olhos azuis focados nos meus me deixam aterrorizada, eu quero correr, eu quero ir para longe dela, mas meu corpo parece estar paralisado diante de sua presença. - Eu não sou uma ameaça para você. - diz parando apenas a centímetros de distância. - Você pode achar que não, mas seu corpo e sua mente gritam por mim. - sussurra tocando meu rosto com a ponta dos dedos enquanto a outra alcança minha mão e então seu olhar desce para nossas mãos juntas pressionando seu colar. - Grite meu nome, grite bem alto e eu virei até você. - completa voltando seu olhar para o meu. - Eu não... - não consigo terminar ao sentir meu coração palpitar tão forte fazendo minha voz sumir por alguns segundos. - A lua de sangue. - diz Pandora olhando para cima e então eu vejo uma luz vermelha refletir sobre sua pele. Levanto meu olhar seguindo a trilha vermelha brilhante refletida em sua pele enquanto a pele exposta de seu pescoço me parece atraente, vou erguendo meu olhar lentamente até seu queixo e em seguida seus lábios, nariz e por último seus olhos que refletem a lua de sangue, ao notar meu olhar sobre ela, ela desvia sua atenção da lua e então me olha sorrindo da mesma maneira que sorriu no banheiro do Starbucks, um sorriso aberto e verdadeiro. - Não tenha medo lobinha. - diz e ao notar algo diferente em meu reflexo eu entendo seu pedido. Olhos dourados. Isso não é possível. Não existem mulheres alfas. Isso é uma alucinação. Acordo assustada puxando o ar com tudo e em seguida olho em volta em busca de Pandora ou da floresta, mas tudo o que vejo é o meu quarto e então me dou conta de que foi apenas um sonho maluco, suspiro aliviada me jogando para trás voltando a deitar, olho para o relógio na cabeceira ao lado e não me surpreendo ao ver que ainda são quatro horas da madrugada. Ouço batidas na porta e em seguida a voz de meu tio com um tom cuidadoso e preocupado. - Luna, está tudo bem ? - pergunta do outro lado da porta. - Pode entrar. - respondo e então o vejo abrir a porta lentamente e em seguida coloca a cabeça para dentro do quarto com os olhos fechados. - Posso mesmo, não corro o risco de sair daqui traumatizado ? - pergunta divertido me fazendo rir e então ele abre os olhos e em seguida entra totalmente no quarto. - Traumatizado eu não sei, mas que bom que seus instintos aguçados de lobo te trouxeram até aqui, porque eu preciso mesmo conversar com você. - respondo e ele sorrir com uma expressão confusa enquanto se senta na ponta da cama. - Mais antes me diga o que faz acordado a essa hora ? - pergunto curiosa. - Sempre curiosa. - diz sorrindo e em seguida suspira. - Estou com insônia e estou aproveitando para adiantar alguns assuntos da alcatéia. - completa parecendo preocupado. - Tem algum problema com a alcatéia ? - pergunto e ele me olha com uma expressão de quem parece pensar se deve ou não me contar. - Tio, se tem algo acontecendo eu preciso saber, afinal gostando ou não eu ainda faço parte dessa alcatéia. - completo e ele sorrir. - Tem razão. - diz colocando sua mão sobre a minha e em seguida respira fundo. - Aconteceram alguns ataques suspeitos em uma cidade perto daqui e pela falta de sangue nos corpos das vítimas apesar de todas terem sido praticamente estraçalhadas, sabemos bem que não se trata de um lobo ou algum animal. - completa e eu fico surpresa. - Acha mesmo que pode ter vampiros se aproximando da nossa cidade ? - pergunto e ele assente. - Mais tarde eu irei verificar isso pessoalmente e levarei alguns rapazes comigo por segurança, mas peço que tome cuidado querida, pode ser que tenham vindo para cá, então ande sempre acompanhada de Kai ou de um m****o da alcatéia. - responde e eu assinto, afinal sei bem do que vampiros são capazes, sem contar que é raro, mas alguns tem certas habilidades além da habilidade natural de hipnotizar suas vítimas. E geralmente esses vampiros com habilidades fazem parte da " tríade de sangue. " A tríade de sangue é tipo o governo dos seres sobrenaturais Alguns dizem que foi formada originalmente por humanos desesperados de mais ao ponto fazerem um pacto com um demônio poderoso em busca de poder e ofereceram sua lealdade em troca, porém quando se invoca um demônio você deve saber que no final ele não cumprirá com seu acordo da maneira que você espera. - Você acha que a tríade de sangue pode intervir ? - pergunto para meu tio que n**a. - Eles se envolvem apenas em casos específicos como o m******e das bruxas há mil anos atrás onde nosso antepassado Kasper Blackwood caçou todas as bruxas da cidade e as matou como punição por matarem e usarem ossos de crianças em rituais. - responde e esse nome me faz lembrar de algo. " Kasper Blackwood. " " Eu amaldiçoou o seu clã. " " A primeira alfa. " Por um momento aquela voz volta a ecoar em minha mente me fazendo lembrar do meu momento de alucinação naquela festa. - Kasper Blackwood, eu já ouvi esse nome antes. - digo e meu tio faz uma careta arqueando as sobrancelhas com seus olhos verdes claros um pouco arregalados. - Você não deveria saber disso, se fosse seu pai aqui ao invés de mim ele te entregaria para o conselho. - diz meu tio nervoso. - Eu sou filha dele, por mais que tenhamos nossas diferenças eu não acho que ele faria isso. - digo e meu tio sorrir negando com a cabeça e eu noto algo em seu olhar que não me agrada nada. - Ele me entregaria ? - questiono e meu tio respira fundo. - Não querida, mas não ouse nem ao menos pensar nesse nome perto dele tá bom. - pede e eu não digo nada. - Porque não posso falar esse nome ? - pergunto querendo arrancar algo dele. - Esqueça que eu te disse esse nome e que você já o ouviu onde quer que seja e não faça perguntas que eu não posso responder, por favor. - responde sério e eu assinto apenas para deixá-lo tranquilo, afinal eu não vou esquecer esse nome de maneira alguma e já que ele não me responde eu terei que buscar respostas sozinha. - Mais o que queria conversar comigo ? - pergunta mudando de assunto e eu suspiro. - Bom, eu gostaria de saber sobre o seu processo de transformação, eu sei que foi diferente dos outros. - respondo e ele parece surpreso com essa pergunta. - Seu pai já te contou a história de como me transformei pela primeira vez. - diz e eu assinto me sentando na cama. - Já, mas eu sei que ele omitiu todos os detalhes importantes e resumiu a história para " meu irmão conheceu uma humana e teve uma paixão crônica que terminou m*l e então teve a sua primeira transformação. " - digo divertida e ele solta uma risada nasal enquanto n**a com a cabeça. - Isso é algo que ficou no passado, eu vou te contar algum dia, eu prometo, mas no momento eu não me sinto capaz de falar sobre isso. - diz com uma expressão triste e eu sorrio de maneira contida. - Mais eu posso te contar uma história parecida. - sugere e eu assinto. - Contanto que não haja bruxas que matam crianças para usar seus ossos em rituais. - digo divertida e ele ri negando com a cabeça. - Não se preocupe, essa é leve. - diz divertido e eu sorrio. - Bom, há alguns séculos atrás quando surgiram os primeiros seres sobrenaturais havia um homem que não se transformava em um lobo, mas sim em lobisomem e ficava bastante descontrolado durante a lua cheia, então ele cometia incontáveis atrocidades, porém um dia apos o efeito da lua cheia passar ele acordou em uma cama desconhecida, estava vestindo um pijama velho e coberto por um lençol que obviamente não era o dele, mas sim de uma bela mulher que o encontrou apagado na floresta todo sujo de terra e sangue. - completa pensativo e eu reviro os olhos sabendo que ele está fazendo uma pausa dramática. - Continua logo. - peço e ele ri assentindo. - Ele se levantou assustado pensando em como diabos havia ido parar ali e que mataria qualquer ser que entrasse naquele quarto e que tentasse impedi-lo de sair dali, porém ao ver uma mulher linda de cabelos brancos e pele alva ele ficou maravilhado com a sua beleza, mas ficou confuso pois aquela era a primeira mulher que ele via com um cabelo daquela cor, então ele pulou a janela e fugiu para o mais longe dali. - diz e eu faço uma careta achando essa história bem i****a. - Porém com o passar dos dias ele se viu preso a imagem daquela mulher se repetindo frequentemente em sua mente e então ele decidiu voltar até aquele lugar para vê-la outra vez e quando a viu de longe tirando água de um poço algo dentro dele mudou, seu coração batia loucamente e aquela sensação desconhecida por ele foi tomando conta de todos os seus sentidos. - faz uma pausa e pigarrea para limpar a voz antes de tornar a falar. - A mulher havia notado a presença dele, mas fingia que não para que ele não fugisse outra vez, então somente quando ele se aproximou dela e lhe ofereceu ajuda foi que ela disse " achei que ia esperar passar mais alguns meses para poder ter coragem de falar comigo. " - completa rindo e eu faço uma careta. - Dá pra resumir ? - pergunto e ele ri mais ainda. - Resumindo, o homem era uma b***a e se apaixonou pela mulher desde o primeiro momento em que a viu, ele não notou que no instante em que ele a viu pela primeira vez sua alma ficou marcada, ele havia encontrado a pessoa que lhe daria o controle de sí mesmo outra vez, a sua ligação de alma. - responde e agora eu fico interessada. - Então na próxima lua cheia quando ele se transformou algo aconteceu, ele não se tornou mais uma b***a incapaz de pensar ou agir por sí próprio, mas sim um belo e enorme lobo consciente de suas ações. - completa sorrindo. - Como isso foi possível ? - pergunto confusa. - A mulher que ele conheceu e se apaixonou era uma bruxa branca, serva da natureza que por também ter apaixonado fez um sacrifício para que o homem não sofresse mais tanto diante da lua cheia. - responde e eu reviro os olhos. - Porque nessas histórias as mulheres sempre se sacrificam por homens ? - questiono indignada. - Por isso o conto da bruxa é mais divertido. - brinco e ele ri. - Eu não sei, mas essa é uma das lendas que explicam a existência dos lobos já que originalmente o primeiro ser sobrenatural de pelos e presas foi um homem que se tornou lobisomem após fazer um pacto i****a com um demônio. - diz e eu assinto. - Então é verdade mesmo ? - questiono e ele me olha. - A tríade era inicialmente três humanos malucos que invocaram um demônio poderoso e fizeram um pacto com ele ? - pergunto e ele assente. - Sim, a mulher que queria salvar a vida do filho que estava morrendo de febre amarela, o homem que se aproveitava dos pobres e temia a morte e por último o rei louco que tinha fobia de animais com pelos e quatro pantas e então mandou m***r todos os animais com essas características. - responde tranquilo e então eu entendo. - O rei louco se tornou algo pior do que os animais ele odiava e com isso perdeu seu reino ao se transformar em lobisomem na lua cheia e m***r a todos pela falta de controle, o homem que se aproveitava dos pobres se tornou um casca morta irracional que precisa sugar o sangue dos seres vivos para que não apodreça e por último a mulher que queria salvar seu filho se tornou maligna após ter conseguido o que queria, porque apesar de ser a única com uma boa intenção ela procurou a maneira errada de curar seu filho e então se tornou a primeira bruxa da noite assim perdendo sua alma. - completa e eu suspiro. - Os fins não justificam os meios. - digo e ele assente sorrindo de canto. - Exatamente querida, por isso quando buscamos justificar nossos erros ao invés de reconhece-los e mudar a gente se coloca automáticamente a mercê da lei do retorno. - diz parecendo pensar em algo. - Enfim, eu não sei porque me perguntou sobre a minha transformação, mas creio que logo você vai encontrar as respostas que precisa, basta não fugir do seu destino. - completa e eu reviro os olhos. - Está falando do destino que meu pai criou pra mim onde eu vou me casar com um pretendente escolhido por ele e dar netos homens que ele vai adorar enquanto as mulheres ele vai tratar como um objeto descartável ? - questiono sarcástica e ele suspira. - Estou falando do destino que foi escrito para você e que só seguir seu coração vai te ajudar a chegar até onde você deve estar no final. - responde e eu fico confusa, porém sorrio. - Eu tenho que me preparar para ir até a outra cidade, mas não esqueça de tudo que te disse hoje, siga sempre seu coração e tente voltar a dormir. - completa e eu assinto. - Obrigada por ser diferente. - digo ao vê-lo se levantar e ele me olha. - Diferente tipo o mais bonito da família ? - pergunta divertido e eu reviro os olhos. - Por ser o adulto com quem eu posso conversar e contar. - respondo e ele sorrir inclinando o corpo para baixo e então beija minha testa. - Tenha bons sonhos. - diz e em seguida aperta minha bochecha. - Minha preciosa. - completa imitando a voz de Gollum do senhor dos anéis me fazendo rir enquanto ele caminha até a porta e manda um beijo antes de sair. Suspiro sabendo que apesar de ser o único com quem posso conversar sobre coisas as quais as mulheres não tem acesso ou liberdade para pesquisar, meu tio não pode me contar certas coisas que me coloquem em risco, infelizmente existem regras que ele não pode quebrar, mas isso não significa que eu não possa. Eu vou descobrir a história completa de Kasper Blackwood e sua caça as bruxas, pode não ser agora, mas eu sei que vou achar as respostas que preciso. Nem que eu tenha que quebrar todas as regras existentes e as que inventarem. Tem algo errado comigo e eu não posso ficar parada esperando que algo r**m aconteça. ________________ Continua ________________
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