Regras & Perguntas.

3342 Words
Regras. Malditas regras. Eu estou disposta a quebra-las. Uma por uma se necessário for. Suspiro enquanto caminho pelo cemitério em direção a ala de túmulos reservados para membros da alcatéia, observo com atenção os nomes estranhos e alguns até são engraçados, mas tento não rir em respeito aos mortos, porém tem nomes que não colaboram. Enquanto caminho entre os túmulos algo me chama a atenção, algo não, sendo mais específica alguém familiar, caminho em direção a loira que olhava atenta um túmulo sem nome, sem absolutamente nada, apenas a lápide em branco. - Você não devia estar indo para a escola ? - pergunto sem aviso prévio da minha aproximação, mas ela não se assusta e diante de sua postura tão calma e relaxada eu poderia até dizer que ela esperava minha aproximação, porém não seria possível ela ter me notado. - E você não deveria ? - responde minha pergunta com outra pergunta e eu sorrio parando ao seu lado recebendo seu olhar e sorriso de canto com uma sobrancelha arqueada. Eu gosto disso. Eu não entendo, mas quando ela faz isso é diferente, não sei explicar ou definir o que se passa comigo. É uma d***a, mas ela tem algo e essa maneira específica de olhar parece algo convidativo. Como se de maneira involuntária com está ação ela me fizesse automaticamente ficar mesmo que essa não seja minha intenção. - Okay, acho que vou reformular minha pergunta. - digo e ela se vira me olhando atenta com uma expressão de diversão. - O que faz em um cemitério as sete da manhã ? - pergunto e ela leva a mão ao queixo fingindo pensar. - Estava te esperando pra gente sair por aí em um tapete mágico a voar cantando " um mundo ideal. " - responde debochada, mas não é um deboche rude, tá mais para uma zoação em tom de deboche. - O que você faz em um cemitério as sete da manhã ? - devolve minha pergunta outra vez e eu reviro os olhos sabendo que ela não vai falar até que eu fale primeiro, pelo menos eu quero acreditar nisso. - Estou tentando achar o túmulo de um parente. - respondo e ela arqueia uma sobrancelha. - Vejo que voltou a ser a minha lobinha solitária e curiosa. - brinca e eu sorrio. - Desde quando eu sou sua ? - questiono e ela sorrir. - Onde está aquela parte do encontro, conhecer os pais e todas aquelas cantadas que nunca dão certo ? - questiono divertida e ela revira os olhos. - Tá legal. - responde ainda sorrindo e antes que eu diga algo ela torna a falar. - Gata, eu não sou Aladdin, mas eu quero te mostrar como é belo esse mundo. - completa me fazendo rir e ao mesmo tempo me deixando incrédula. - Eu não sei o que me deixa mais incrédula se é você está praticamente deixando claro que gosta muito de Aladdin ao ponto de fazer piadas com referências ao desenho. - digo e ela cruza os braços me olhando com uma expressão de diversão. - Ou se fico incrédula por você me dar uma cantada dessa, eu esperava mais para alguém do seu nível. - completo divertida e ela arqueia uma sobrancelha me encarando séria. - Alguém do meu nível ? - questiona e eu suspiro. - Sim, alguém do seu nível. - respondo e ela morde o lábio inferior e em seguida assente franzindo o cenho. - Acho que estou incrédula com a sua falta de palavras para descrever a minha pessoa, mas eu te entendo, não é sempre que se encontra alguém como eu. - diz divertida e eu reviro os olhos negando com a cabeça desviando minha atenção dela para o túmulo em branco. Ela também volta sua atenção para o túmulo, mas vez ou outra sinto que ela está me observando e então a olho, contenho a vontade de sorrir ao ver que sua calça jeans azul escura apertada dando contraste as suas curvas, coxas e bumbum avantajado, coturno preto de salto não muito alto e a blusa de manga comprida com uma gola estilo f***a me faz sorrir diante de seu estilo nada repetitivo e diferente. - Dizem que esse túmulo é de uma bruxa. - diz e então eu saio da minha análise pessoal sobre ela e olho para o túmulo. - Os túmulos que supostamente eram de bruxas estão marcados, então não tem como esse ser de uma bruxa. - digo e sinto seu olhar sobre mim. - Talvez esse seja de alguém que não queriam que as pessoas lembrassem já que está em branco. - diz e eu a olho só agora notando o quanto seus olhos azuis estão ainda mais belos e me lembrando ainda mais o mar de Tenerife. - No entanto exageraram na ilustração do túmulo de um cara ali na frente, você devia dá uma olhada. - completa apontando para um ponto na ala reservada para a minha família e eu noto a estátua de lobo em destaque. - Acho que você deveria ir comigo, porque eu não quero sair do nosso tapete mágico, ainda não cantei minha canção da revolta, mas eu tô louca pra gritar para o mundo que ninguém me cala. - digo divertida e ela sorrir. - Acho que a canção certa para você é " se as ondas abrirem pra mim de verdade, um dia eu vou saber quem sou. " - diz citando a música tema do desenho de Moana. - Mais sinto que em algum momento você vai sair por aí cantando " livre estou, livre estou não vão me segurar. " - brinca e eu sorrio. - Tá legal senhorita das cantadas e piadas com músicas de desenho da Disney, eu entendi que você é a expert nisso, prometo que não vou mais tentar roubar sua patente de fã número um. - brinco e ela me olha com uma expressão acusativa enquanto sorrir. - Acho bom lobinha. - diz semicerrando os olhos e eu sorrio outra vez. - Anda logo vigia de cemitério. - zombo e ela solta uma risada anasalada. - Tá legal porteira de cemitério, mas não tente roubar a vaga de coveiro do pobre John, ele precisa desse emprego tá bom. - debocha e eu mostro o dedo do meio pra ela enquanto sorrio e ela retribue enquanto caminhamos na direção que ela apontou. Caminhamos em silêncio enquanto eu olho em volta atenta aos diversos nomes e sobrenomes nas lápides, inclusive o dos meus avós, sigo até a lápide desviando do caminho indicado pela loira que me acompanha ainda em silêncio, paro em frente ao túmulo vendo a marca do conselho e fico confusa me perguntando porque essa marca estaria no túmulo da minha avó. Afinal até onde eu sei ela morreu em um acidente de carro e essa marca do conselho costuma ser usada em situações desagradáveis, como quando meu pai marcou a pele de duas garotas com um ferro quente gravando a marca do conselho para que elas sempre fossem lembradas como " traidoras da ordem natural. " - Cassandra Blackwood. - diz Pandora parando ao meu lado. - É a minha vó. - digo olhando a data de sua morte justamente um ano após meu nascimento. - Ela morreu um ano após meu nascimento. - completo tocando a marca do conselho. - Você já tinha vindo aqui antes ? - pergunta e eu n**o. - Eu não gosto muito dessas coisas, então sempre fico de fora. - respondo a olhando enquanto penso que talvez meu erro possa ser nunca ter vindo aqui antes. - Um pentagrama com uma lua invertida, interessante. - diz analisando o símbolo do conselho. - Tem algum significado especial ? - pergunta me olhando. - Não, apenas coisa de família do tipo que eu costumo ignorar. - respondo e ela assente dando de ombros se inclinando um pouco para baixo para tocar o símbolo. - Não me diga que está tentando fazer uma chamada com os mortos. - brinco e ela me olha por cima do ombro. - Eu prefiro falar com os vivos, mas não me importo nenhum um pouco de incomodar os mortos quando é necessário. - diz divertida e eu sorrio enquanto ela olha em volta atenta. - Ali tem outro símbolo como esse. - diz apontando para um túmulo mais a frente e eu vou até lá. Assim que estou diante do túmulo vejo que se trata do túmulo de uma garota da alcatéia que recebeu a pena de morte há alguns anos. " Hanna Zucchini. " Morreu por espalhar a semente do m*l por aí como meu pai costuma dizer, ela fazia parte de um grupo de garotas que acreditavam no conto da bruxa que amaldiçoou nosso clã há mil anos, eu tinha treze anos quando a vi ser multilada viva por membros do conselho e seus gritos ecoaram em meus sonhos por meses, foi h******l. - Tem o mesmo símbolo no túmulo dela. - diz Pandora se aproximando. - Acho que isso deve ter algum significado específico e que você deveria saber disso. - completa e eu suspiro. - Eu não sei se quero saber. - digo divertida tentando conter a sensação r**m que a avalanche de pensamentos e suposições em minha mente está causando. - Bom, não dá pra fugir de tudo nessa vida, as vezes você tem que simplesmente parar e encarar as coisas de frente com coragem mesmo que esteja com medo ou receio. - diz tranquila dando de ombros. - Saber nem sempre é o problema, o problema e decidir o que fazer com tudo isso depois, porque depois que entrar na sua mente não tem volta. - completa me olhando e por um momento eu penso que ela sabe sobre tudo, que ela sabe quem eu sou de verdade e porque estou aqui e que está aqui para me ajudar de alguma maneira. É loucura pensar isso. Mais eu adoraria ter alguém que me compreendesse totalmente sem que eu precise falar. - Vem, vamos olhar o túmulo do cara da estátua de lobo. - diz agarrando minha mão para me guiar até o local. Esse contato me causa aquela sensação estranha de sempre da qual eu estou quase me acostumando, nada faz sentido sobre meus sonhos com ela ou sua voz na minha cabeça e o fato dela estar aqui agora justamente quando estou talvez perto de quebrar regras da alcatéia me faz pensar que existe alguma conexão entre nós duas, mas não seria possível, seria loucura. Se bem que Kai costuma dizer que eu sou a loucura em pessoa. Talvez ele esteja certo de alguma maneira. - Kasper Blackwood, o " herói " de Mount Holly, nascido no ano mil e vinte e três no dia dezessete de outubro, ele foi reconhecido por fazer justiça pelas famílias que perderam suas crianças mortas por mulheres satanistas consideradas " bruxas. " - diz Pandora lendo a placa sobre os pés da estátua de lobo. - Ele foi ovacionado pelo povo daquela época é apelido como o lobo n***o da justiça. - continua e faz uma careta. - Mais que apelido brega. - completa rindo enquanto eu tento assimilar as informações. Mil anos atrás, crianças, bruxas e Kasper Blackwood. A maldição não me parece mais tão i****a quanto antes. E se houver um por cento de chance dela ser real ? E se eu estiver tendo visões sobre uma possível concretização da maldição ? Não. Não. Isso é loucura ! - Acho melhor a gente ir embora, esse lugar tá me dando arrepios. - digo tentando conter meu nervosismo e Pandora sorrir. - Tá, vamos embora descendente do " lobo n***o da justiça. " - diz rindo e eu reviro os olhos. - Esquece isso. - digo e ela n**a com a cabeça. - i****a. - digo e ela assente sorrindo. - Posso afirmar ainda mais que sou i****a fazendo a dança dos idiotas. - debocha e eu sinto vontade de soca-lá. - Nossa, não sabia que os idiotas estavam tão avançados assim. - debocho e ela ri enquanto caminhamos lado a lado. - Quer uma carona até a escola ? - pergunta olhando as horas em seu relógio de pulso, mas específicamente em applewatch preto. - Vamos chegar atrasadas, mas não perderemos a aula entediante de álgebra, infelizmente. - diz e eu suspiro me lembrando que vou ter que explicar minha ausência ao meu primo, ele deve estar louco plantado na porta da escola me esperando aparecer. - Quero, mas não posso te pedir um favor ? - pergunto e ela assente. - Pode dizer ao Kai que eu estava com você o tempo todo ? - pergunto e ela faz uma careta. - E não estava ? - questiona divertida parando de andar e cruza os braços me olhando nos olhos. - Eu estava. - respondo e em seguida faço uma careta. - Na verdade eu estou com você ainda, m***a, eu me enrolei toda. - digo e ela ri. - Relaxa, você quer que eu minta pra ele por você, eu entendi. - diz voltando a andar e eu a acompanho preocupada por talvez estar pedindo demais. - Não se preocupe, vou dizer que te convidei para ir até a biblioteca comigo e que entre um assunto e outro a gente acabou perdendo a hora. - completa e em seguida para de andar e olha em volta. - Algum problema ? - pergunto olhando em volta também tentando entender o porquê ela parou do nada. - Sim, estou ouvindo o espírito da mentira me convidar a ser seu melhor amigo e representante aqui na terra. - responde divertida agarrando minha mão e em seguida volta a andar me guiando para a direção oposta da qual estávamos indo. - Porque mudamos de caminho ? - pergunto confusa. - Eu me lembrei de um atalho para chegar mais rápido ao portão de saída que a minha mãe me ensinou. - responde tranquila. - Então essa não é a primeira vez que você vem aqui. - digo e ela assente. - Já vim aqui mais vezes do que gostaria. - diz enquanto eu vejo o enorme portão mais a frente. - Estou sentindo um cheiro de medo. - digo divertida e ela me olha por cima do ombro enquanto nós aproximamos do portão. - Porque eu teria medo de carne apodrecendo e um monte de ossos debaixo da terra, se o que deveria ser temido anda entre nós de maneira tão silenciosa e discreta que talvez ao fecharmos os olhos podemos não estar mais aqui diante uma da outra. - diz e eu fico sem palavras com essa observação e suspiro tentando encontrar palavras para respondê-la. - Nossa, você sabe como cortar o clima. - digo ao passarmos pelo portão. - Então estava rolando um clima entre nós e você nem me avisou ? - questiona divertida e eu reviro os olhos enquanto atravessamos a rua após ela checar se não vinha nenhum carro. - Não foi nesse sentido. - respondo e ela me olha. - Claro que não minha lobinha solitária. - diz divertida desligando o alarme do carro sorrindo de canto ainda me olhando com uma expressão que eu não consigo decifrar. Acho que é melhor nem tentar entender essa expressão, eu já tenho perguntas demais para buscar respostas, não preciso de mais uma que pode vim carregada de confusão. ____________________________________________ Suspiro pela milésima vez tentando achar paciência para não socar meu primo enquanto ouço seu milésimo sermão durante nosso trajeto até o auditório onde haveria uma apresentação da turma de teatro e quase todos são obrigados a comparecer. - Você não pode fazer essas coisas sem me avisar, meu pai disse que pode ser que tenha vampiros a caminho da cidade e você do nada sai com a Pandora sem avisar se colocando em risco e colocando a garota também. - diz Kai negando com a cabeça. - Não é pra tanto. - digo e ele me olha incrédulo. - Se você não fosse minha prima favorita, melhor amiga e mulher eu juro que tô sacaria agora, mas eu prometo que quando você tiver seus genes de lobo ativos eu vou te dá um belo de um beliscão. - diz e eu sorrio. - Claro que vai, vou até esperar sentada. - digo divertida e ela esbarra seu ombro no meu levemente. - i****a. - diz e em seguida me olha de canto. - Como foi ficar sozinha com sua crush ? - pergunta e eu faço uma careta. - Ela não é minha crush, mas acho que estamos nos tornando boas amigas e ficar com ela foi legal. - respondo e ele arqueia uma sobrancelha. - Ela é engraçada, sarcástica, também parece ser atenciosa e ela de alguma maneira sempre sabe o que falar, tipo é impossível argumentar com ela sobre algumas coisas. - completo pensativa me lembrando de como ela fez piada usando músicas de desenhos e sorrio. - Então ela te deixa sem palavras ? - questiona e em seguida me olha. - Ei, que sorriso é esse ? - questiona divertido e eu reviro os olhos. - É um sorriso normal como qualquer outro que você dá quando lembra de algo engraçado. - respondo e agora ele é quem revira os olhos. - Então me conta qual é o motivo da graça pra mim rir também. - diz cruzando os braços e eu n**o. - Eu não sou obrigada a nada. - digo divertida e ele revira os olhos. - Olha, você é meu primo favorito e melhor amigo, mas você tem uma mania irritante de me jogar pra cima de qualquer pessoa que você acha digna de ficar comigo. - digo olhando para ele que fica atento as minhas palavras. - Mais eu realmente não quero nada com ninguém e mesmo se chegasse ao ponto de sei lá, mas tipo eu ter um crush repentino em alguém eu teria que esquecer isso no mesmo instante, porque você e eu sabemos que meu pai me trancaria em uma torre se possível e ainda acabaria com a vida da pessoa que eu estivesse afim. - completo e ele assente. - Sabemos muito bem disso mesmo, porém a gente também sabe que você não segue as regras e que de certa forma você está isenta delas por não ter seus genes de lobo ativos ainda. - diz e eu o olho de canto. - Então aproveita bastante a sua liberdade provisória com esse péssimo guardião que invés de te tirar do caminho do perigo faz e te colocar ainda mais nele. - Como assim caminho do perigo ? - pergunto e ele suspira. - Pandora. - responde e dessa vez ele não está fazendo sugestões ou insinuações, ele está sério. - Ela é ótima, linda, educada, muito legal e tem um charme que afeta até a mim que sou gay. - diz divertido a última parte e eu sorrio. - Porém ela tem algo a mais, algo que eu não consigo decifrar, não estou querendo dizer que ela passa uma vibe de pessoa malvada, mas eu acho que ela tem uma certa escuridão atrativa e isso pode ser bom para você, mas também pode ser r**m. - completa e eu fico confusa. - Isso é algum instinto de lobo falando por você ? - pergunto divertida e ele dá de ombros. - Talvez, ou talvez eu só esteja me preocupando demais com o meu bebê. - responde fazendo uma imitação r**m de voz de bebê e me abraçando de lado e em seguida beija o topo da minha. - Pessoal, finalmente achei vocês. - a voz de James chama nossa atenção e quando ergo a cabeça para olhar para ele sinto meu coração bater tão rápido ao ver uma figura conhecida ao seu lado. - Putz, agora fodeu tudo. - diz Kai e eu olho para ele que me olha também. Não pode ser. O que essa criatura faz aqui ? ________________ Continua _________________
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