Lendas Urbanas.

3158 Words
Me sento no braço do sofá ao lado de Petra que sorrir de canto negando com a cabeça indicando ter ouvido a conversa, acho que vou ter que colocar um feitiço nos cômodos da casa para evitar esses ouvidos curiosos. Piso em seu pé discretamente e ela me mostra o dedo do meio em resposta e eu sorrio. - Enfia ele aonde o sol não bate noiva cadáver. - sussurro e ela prende o riso e em seguida me olha. - Seu pai te mandou lembranças, ele disse que o inferno não é o mesmo sem a sua herdeira desalmada. - sussurra de volta e eu reviro os olhos. - c***l, sádica e psicótica. - falamos juntas e em seguida rimos chamando a atenção de todos. - A conversa aí tá boa em. - diz Kai e eu o olho vendo Luna se sentar ao seu lado enquanto Calvin espalha os papéis pela mesinha de centro. - Onde está Mikhaela ? - pergunta o loiro olhando em volta. - Está com Kimora tratando de alguns assuntos que não podem esperar. - respondo tranquila e sinto o olhar de Luna sobre mim, mas ignoro. - Tudo bem, depois eu mostro isso a ela. - diz Calvin e em seguida pega alguns papéis e entrega a cada um presente, incluindo a mim. - Você me deixou encarregado de pesquisar sobre a caixa que você e Luna trouxeram. - continua e eu assinto concordando. - Eu fiz algumas pesquisas e como podem ver nesses folhetos que eu entreguei para vocês. - faz uma pausa esperando que todos analisem os papéis, mas eu apenas me contento em o observar adorando o fato dele ser eficiente. - Nele fala sobre a lenda do triângulo do demônio. - completa e eu faço uma careta. - Não me diga que isso tem haver com a lenda do demônio de Jersey. - digo entediada e ele assente sorrindo enquanto sinto todos os pares de olhos se voltarem para mim. - Do que se trata essa lenda do triângulo do chifre queimado esfumaçante ? - pergunta Petra chamando a atenção de Calvin para ela e fazendo com que todos voltem a focar no papel, exceto ela, posso sentir seu olhar sobre mim e então a olho de canto. Sua expressão é um misto de curiosidade e receio, ela parece estar debatendo mentalmente sobre algo e por alguma razão eu sinto que tem haver comigo. Seu olhar permanece fixo no meu por alguns segundos até que ela desfaça o contato visual e em seguida se remexa de maneira desconfortável no sofá ao lado de Kai que a olha curioso enquanto eu decido focar em Calvin. - A lenda do triângulo do demônio se trata de nada mais, nada menos que partes que compõem o demônio que deu origem a todos os seres sobrenaturais. - diz o loiro animado. - Segundo oitenta por cento das versões sobre essa lenda, o demônio do pacto que nos originou sofreu uma espécie de motim vinda dos três primeiros seres sobrenaturais que após serem enganados decidiram se unir em busca de vingança e assim passaram séculos a procura de uma maneira de acabar com o demônio, porém nunca encontraram um jeito de máta-lo, mas em meio a desesperança eles encontram uma maneira de selar partes cruciais do demônio e as colocar em três caixas que ficariam sobre os cuidados dos clãs mais fortes de cada espécie. - completa e isso me parece mais conto da carochinha. - Que bizarro. - diz Kai fazendo uma careta. - Mais não é só isso, a lenda diz que selar parte cruciais do demônio não foi o suficiente para máta-lo, mas o deixou em uma espécie de hibernação eterna. - diz Calvin e em seguida pega uma folha encima da mesa. - E aí que entra a relação dessa lenda com a do demônio de Jersey, pois segundo entusiastas, o demônio de Jersey que aterrorizou boa parte do no nosso Estado seria na verdade o demônio da lenda que ao invés de hibernar para sempre, teria sido meio que obrigado a renascer a cada cem anos com diversas aparências até que finalmente pudesse renascer em sua forma original acabando com essa " maldição " e então poderia recuperar parte de sua alma, coração e poder. - completa eufórico parecendo acreditar fielmente nisso. - Isso tá parecendo ficção de fã, um fã bem maluco. - diz Petra rindo. - Sem contar que a lenda do demônio de Jersey não tem nada haver com essa história de triângulo do demônio. - diz Luna e eu a olho. - Segundo a lenda e os relatos de pessoas que disseram ter visto o demônio de Jersey, ele se tratava de uma criatura surreal, um ser com cabeça de cavalo, bípede, com uma altura de mais ou menos um e oitenta coberta de pelos, com asas de morcego, patas de cangurus e caudas tridentes. - continua e todos parecem surpresos por ela falar do assunto com tanta propiedade. - E também toda essa história de demônio de Jersey começou em mil setecentos e trinta e cinco, as lendas indígenas sugerem que uma bruxa chamada Leeds de Estelville, estava dando a luz ao seu décimo terceiro filho, quando proferiu as seguintes palavras "que este seja amaldiçoado", diante disso, a criança teria nascido com várias deformidades e teria matado seus pais e depois fugido para Pine Barrens, assombrando as redondezas da floresta até os dias de hoje. - completa e eu sinto vontade de rir, mas me contenho. Isso é tão i****a. Não consigo levar a sério a imaginação humana. - Também há pessoas que relataram terem cruzado com o demônio e que ele teria olhos vermelhos tão penetrantes a ponto de paralisarem um ser humano. - diz Calvin empolgado e em seguida se senta ao lado de Petra. - Há também aqueles que relatam um grito muito alto parecido com o de uma mulher. - diz Luna e eu reviro os olhos negando com a cabeça. - Algum problema ? - pergunta ao notar meu gesto e eu a encaro com uma sobrancelha arqueada. - Eu dei uma tarefa simples sobre descobrir do que poderia se tratar aquela caixa e acabei de receber um monte de lendas urbanas, então sim meu amor, eu tenho um problema agora. - respondo e ela arqueia levemente uma sobrancelha. - É impressão minha ou você está incomodada com essas lendas urbanas ? - questiona sarcástica cruzando os braços. - Gente, foquem aqui no loirinho fofo tá, depois vocês se comem e se matam. - diz Petra chamando nossa atenção. - Bom, mesmo que sejam só lendas, eu acho que não custa nada verificar se realmente há mais duas caixas. - diz Calvin enquanto eu troco olhares com Luna. - Eu tenho o endereço de onde pode estar uma delas, eu fiz um mapeamento básico com base em algunas informações e... - ele é interrompido por Luna. - Não importa, a gente vai checar essa história, afinal é só uma lenda urbana i****a. - diz em tom provocativo sem desviar o olhar do meu e eu sorrio de canto achando bem sexy o fato dela estar tentando me irritar. - Não tem " a gente " nessa história, afinal você não tem o treinamento básico para ir em busca de algo que se existisse seria perigoso, sem contar o alvo enorme que você tem no meio das suas costas, então fica aqui tomando um cházinho me esperando voltar com seus biscoitinhos favoritos amor. - digo sarcástica e ela morde o lábio inferior respirando fundo de olhos fechados por alguns segundos antes de abrir seus olhos agora na cor vermelha. Hum... Acho que despertei a lobinha interior dentro dela. O meu charme realmente não tem limites. - Eu vou com você não importa o que você diga. - diz e eu noto seu tom de voz mais agressivo e isso me faz sorrir ainda mais. - Eu não sou sua cadelinha particular, então esse seu tom e olhos vermelhos não vão funcionar comigo lobinha. - digo a provocando para ver até onde ela vai. - Eu - Vou - Com - Você ! - diz pausadamente e eu posso jurar que seus olhos por um instante mudaram de vermelho para uma cor alaranjada, quase como chamas brilhantes com bordas avermelhadas. Como se as cores estivessem se fundindo. Isso é interessante. Acho que devo provoca-la mais vezes. - Vou pensar no seu caso. - digo me levantando e ela se levanta também ainda me encarando. - Pandora, eu vou com você. - diz séria e eu suspiro sorrindo em seguida. - Eu não vou pedir a caixa emprestada para dar uma olhadinha rápida e depois devolver super numa boa, paz e amor total. - digo sabendo que o que eu diria a seguir a faria voltar ao normal e esquecer a ideia de ir comigo. - Corações e cabeças serão arrancados, está pronta para fazer parte disso ? - questiono e então sua expressão séria se torna incrédula de certa forma. - Foi o que eu pensei. - digo ao vê-la recuar silenciosamente e então olho para Petra e Calvin. - Os dois estejam prontos em meia hora. - digo e eles assentem. Com isso saio dali me perguntando se iria mesmo seguir adiante com isso, confirmar a veracidade de lendas urbanas é trabalho para quem não tem o que fazer e eu tenho muita coisa a fazer, mas acho que não tenho escolha agora. ____________________________________________ Idiota ! Eu não sei quem é mais idiota... Ela ou eu. - Você é mais i****a. - diz Kai chamando minha atenção e eu o olho incrédula. - O que ? - questiono confusa por ele saber exatamente o que estou pensando. - Eu não li seu pensamento só pra deixar claro tá, eu apenas te conheço bem o suficiente para saber dizer o que está pensando ou sentindo. - responde tranquilo e eu me levanto do sofá cansada de andar de um lado para o outro. - E você é mais i****a por achar que poderia ganhar uma discussão daquela garota ou fazê-la aceitar fazer a sua vontade fácilmente. - completa e eu o olho. - Eu só queria ir junto com ela. - digo e ele respira fundo ajeitando sua postura e em seguida me olha sério. - Aquela garota é quase o d***o em pessoa, ganhar dela é quase impossível, porque deve haver uma maneira de ganhar dela, a gente só não sabe ainda. - diz e eu faço uma careta. - E ela estava certa, você não tem nenhum treinamento e nem teve a sua primeira transformação, seus hormônios e genes de lobo estão em conflito e vão te deixar instável até a primeira transformação, então você ir junto iria mais atrapalhar do que ajudar. - diz sincero e eu reviro os olhos sabendo que ele tá certo e que ela também está certa. - É pra finalizar, aquela garota te adora, então você só pode ter m***a na cabeça se acha que ela te deixaria ir junto colocando a sua vida em risco, ainda mais depois daquele imprevisto na cidade de Blackwood. - completa e eu sorrio. - Eu estou apaixonada por ela, Kai. - digo e ele sorrir assentindo. - Eu sei, tá mais do que na cara. - diz divertido e eu n**o com a cabeça ainda sorrindo. - Eu tô assustada com isso tudo. - digo sincera o olhando de canto. - Meu pai é um desgraçado, a minha mãe não é minha mãe, mas sim minha tia, eu estou em guerra com meu próprio pai e ele me quer morta, e a garota por quem me apaixonei não é totalmente como eu pensei e ainda tem essa m***a de primeira transformação se aproximando e a medida em que os dias passam eu me sinto estranha. - completo e ele coloca sua mão sobre a minha. - Você está sobre pressão, descobriu tanta coisa maluca em pouco tempo e está próximo de passar por um momento que vai mudar a sua vida para sempre, porque eu te garanto que após a primeira transformação a sua maneira de ver as coisas a sua volta irá mudar. - diz e em seguida se aproxima mais de mim. - Inclusive eu gostaria de ressaltar uma coisa, mas não fica pensando muito nisso tá. - faz uma pausa olhando em volta. - Eu acho que seus instintos conflituosos estão atrapalhando o seu julgamento sobre certas questões. - completa e eu fico confusa. - Você acha que não estou avaliando bem as situações e estou julgando tudo de maneira precipitada ? - pergunto e ele balança a cabeça de um lado para o outro lentamente indicando haver uma possibilidade de que isso seja verdade. - Como eu disse antes, você está em um conflito interno, seu lobo interior quer tomar conta, quer ser liberto e isso pode estar afetando as suas emoções, então tenha cuidado na hora de tomar decisões ou as adie o máximo que puder, você é uma alfa e alguns alfas tendem a ser mais intensos quando se trata de emoções. - responde e eu suspiro. Merda ! E se eu estiver fora do meu próprio controle ? E se meus instintos já me dominaram e eu nem sequer notei ? Inferno ! Eu realmente não tô sabendo lidar com isso. - Ele tem razão, por isso Pandora me deixou encarregada de te preparar para essa nova etapa da sua vida. - diz Mikhaela entrando na sala acompanhada da bruxa de cabelo branco. - Olá. - diz a bruxa sorrindo simpática. - Oi. - diz Kai e eu apenas aceno para ela. - Kai, vou precisar de você, então você vem com a gente. - diz Mikhaela e meu primo comemora. - Graças a Deus, vou sair do tédio. - diz animado e eu n**o com a cabeça ouvindo passos apressados no corredor. - Kimora ? - a voz de Pandora me faz olhar para a entrada a vendo parada um pouco mais atrás da bruxa que se vira sorrindo abertamente para ela. - Sim ? - pergunta animada e Pandora sorrir de maneira contida para ela e isso me incomoda de uma maneira que me faz morder o lábio inferior enquanto tento entender a agitação em meu peito. - Terminou seu trabalho aqui ? - pergunta e a bruxa assente. - Ótimo, porque você vem com a gente. - diz e isso me irrita tanto que preciso cravar minhas unhas no estofado do sofá para conter a vontade de socar alguém. - Oh, claro. - diz a bruxa caminhando até Pandora que volta sua atenção para mim. - Boa sorte no seu treinamento lobinha. - diz sorrindo de canto, mas não é um sorriso aberto como de costume, e sua expressão um pouco fechada me deixa desconcertada. - Obrigada. - digo e ela suspira sorrindo sem mostrar os dentes balançando a cabeça em um aceno antes de se virar e sair com a bruxa indo logo atrás. A observo seguir para fora na companhia da bruxa e segundos depois Petra e Calvin passam pelo entrada da sala, minha melhor amiga n**a com a cabeça sorrindo e em seguida leva dois dedos próximos aos olhos e depois aponta para a saída da casa indicando que irá ficar de olho nas duas e eu sorrio negando com a cabeça enquanto ela segue para fora acompanhada de Calvin. - Okay, agora vão se trocar e depois me encontrem lá fora. - diz Mikhaela e eu me levanto ao lado de Kai. Ótimo. Vou ter alguns segundos para surtar sem que ninguém perceba. ____________________________________________ Suspiro ao ver a mensagem de James, ele foi bem claro ao dizer que necessita falar comigo com urgência, segundo ele tem algo importante para me contar e que não pode esperar, mas eu já sei do que se trata. A sua mudança. Como não poderia saber se eu planejei e induzi ele e sua mãe á isso. Então não há pressa para encontra-lo, pois agora tenho questões mais sérias para serem resolvidas. Isso incluí a preparação de Luna para a sua primeira transformação, então deixei Mikhaela encarregada disso. Aquela situação mais cedo deixou bem claro que a garota está próximo de perder totalmente o controle de seus instintos, agindo por impulso no calor do momento e isso não é nada bom para ela. Nem um pouco bom. Afinal do que adianta ter bastante poder, se você não tem controle sobre ele ? Uma pessoa poderosa que não tem controle sobre seus instintos mais básicos se torna um candidato em potencial a grande vilão. - Para onde estamos indo ? - pergunta Kimora e eu a olho pelo retrovisor interno a vendo olhar pela janela do carro ao lado de Calvin no banco de trás. - Cidade de Camden, mas específicamente no Adventure Aquarium. - responde Calvin empolgado. - Interessante, ainda não entendi bem porque estou aqui, mas parece que vamos nos divertir. - diz Kimora e Petra se vira para a olhar. - Isso não é uma colônia de férias e eu não vou com a tua cara. - diz me fazendo rir enquanto Kimora retribui o olhar. - Eu até imagino o motivo. - diz a bruxa com um tom debochado e Petra mostra seus olhos de beta para a mulher que sorrir de canto. - Acho que já encontrei o meu lanchinho da próxima lua cheia. - diz e eu n**o com a cabeça. - Temos quase uma hora de viagem daqui até nosso destino, e eu trouxe vocês para aprenderem a serem úteis e lidar com os obstáculos que possam surgir durante uma batalha, mas a partir do momento em que começarem com idiotices desse tipo, eu terei o prazer de fazer cada um de vocês atravessar o parabrisa. - digo tranquila sorrindo de canto vendo Petra voltar a se sentar corretamente na cadeira. - Você é bizarra. - diz Calvin e eu o olho pelo retrovisor interno. - Você nem imagina do que eu sou capaz. - digo piscando um olho para ele que sorrir negando com a cabeça. Ele realmente não pode nem imaginar do que eu sou capaz. Ainda mais quando eu quero muito algo. E nesse momento eu quero muito saber do que a minha lobinha é capaz, então não vou conter esforços para tirá-la de sua zona de conforto até que ela seja obrigada a agir e entender que as coisas não são tão simples quanto parecem e que vai chegar o momento onde ela precisa agir de uma maneira que detesta se quiser vencer Cerberus Blackwood, porque ele não vai nem pensar duas vezes antes de buscar seu ponto fraco e então destruí-la. Então se eu precisar ser má com ela, eu serei. Afinal alguém tem que fazer o trabalho sujo aqui. E ainda bem que sou eu, assim posso me divertir muito. _________________ Continua ________________
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