Pov. Lauren
Mais um dia nessa rotina de olhar para Camila e ter que segurar a vontade de m***r ela, mas tudo bem, hoje eu não vou reclamar muito, eu já reclamei o bastante nesses quatro dias que se passaram, só quero tentar não pensar em nada hoje, sem contar que agora tenho duas adolescentes casa, tenho que dar um pouco de atenção a elas, já me tranquei demais em meu quarto.
Hoje eu irei encarar essa situação de frente.
Eu sou uma adulta mãe de uma adolescente e carrego um bebê que vai precisar de mim por anos, não posso cometer assassinato.
Lembre-se do que Vero disse " se você não aprender a conviver com a Camila e a m***r, eu vou vender o seu bebê quando ele nascer pra pessoas ricas na Suécia. "
Sei que ela não faria isso, mas não quero testar a paciência da minha amiga que anda bem curta devido ao trabalho em excesso.
Então vamos lá Lauren, seja superior.
Desço as escadas me espreguiçando, olho a hora no relógio na parede e vejo que já são quase sete horas, as meninas já devem estar acordadas se arrumando para ir a escola. Sinto um cheiro bom de panqueca de chocolate e sigo para a cozinha faminta e a primeira coisa que vejo e Camila preparando algo concentrada enquanto as meninas estavam sentadas a mesa comendo bacon, me aproximo delas e pego um pedaço de bacon pra mim.
- Bom dia. - digo me sentando a mesa e bocejo antes de colocar o pedaço de bacon na minha boca.
- Bom dia mamãe, sabia que quem rouba não vai para o céu ? - questiona Chloe e Sofia rir.
- Bom dia, Laur. - diz Sofia sorrindo. - Como se sente hoje ? - pergunta me analisando.
- Um pouco cansada, mas sem dor de cabeça. - respondo sorrindo para tranquilizar a Cabello mais nova. - E mi amor, mulher grávida não rouba, ela pega o que e seu por direito, afinal tem um serzinho aqui dentro que me faz comer por até três pessoas dependendo do dia e da culinária. - digo e minha filha rir.
- Bom dia Lauren. - diz Camila se aproximando. - Panqueca ou bacon ? - pergunta colocando um prato na mesa pra mim e eu olho para as opções na mesa. - Acho que um pouco dos dois. - diz sorrindo e coloca a panqueca no prato e em seguida pega outro e coloca bacon pra mim. - Quer mais alguma coisa ? - pergunta colocando um pouco de suco pra mim.
- Não. - digo e Chloe olha pra mim e mexe as sobrancelhas. - Obrigada. - digo olhando para minha filha que sorrir assentindo.
- Vocês Jauregui me assustam as vezes. - diz Sofia e Camila que estava distraída olha para mim e em seguida para Chloe.
- Perdi alguma coisa ? - pergunta baixinho para Sofia que n**a. - Ótimo, agora eu vou me vestir, preciso passar na empresa para pegar alguns documentos e papéis para assinar. - diz coçando a cabeça. - Você vai ter que ir comigo Lauren. - diz e eu olho para ela.
- Eu posso ficar em casa sozinha sabia ? - questiono séria e ela suspira.
- Não pode não, Vero foi bem clara comigo, se eu te deixar sozinha, ela vai me dopar, cortar o que eu tenho aqui embaixo e depois costurar ao contrário. - responde e eu não consigo segurar o riso e nem as meninas. - Isso, ri mesmo da possível desgraça alheia, mas saiba que você vai comigo, não tem outra opção. - completa e eu reviro os olhos enquanto ela segue para fora da cozinha.
- Acho que vou pedir umas dicas de corte e costura humana a Vero e talvez algumas anestesias ou eu posso fazer no cru mesmo. - digo alto para que ela ouça e Sofia rir ainda mais.
- Você é muito malvada mamãe. - diz Chloe sorrindo.
- Se eu vou ter que conviver com ela, então tenho o direito de ser malvada quando eu quiser. - digo e ela n**a com a cabeça.
- Tudo bem, só não seja b****a mamãe, não é porque ela foi uma i****a que você também tenha que ser. - diz minha filha.
- As vezes eu tenho a leve impressão de que você tá do lado dela. - digo achando engraçado minha filha me dando conselhos.
- Eu tô do lado dessa criança mamãe, porque não existe mais a senhora ou a mama, o que importa agora é só o bebê, não tô dizendo que você tem que perdoar ela, afinal o que ela fez não tem perdão, mas e importante que você aprenda a conviver com ela, pelo bebê. - diz e eu sorrio segurando sua mão.
- Eu sei meu amor, por isso estou aqui agora, eu sei que você gosta dela e que a tem como sua mãe, Camila foi importante pra você, ela estava aqui quando você mais precisou e fez o papel que o seu pai não estava presente para fazer, então eu entendo o amor que você tem por ela acima de qualquer coisa. - digo e ela assente com os olhos marejados. - Eu sou grata a ela pelo que ela fez, por como ela cuidou de você, por como ainda cuida e por ser sua mãe de coração, agora ela também e mãe desse bebê e eu prometo que vou tentar lidar com essa situação da melhor maneira que eu puder. - continuo e respiro fundo. - Não tô dizendo que serei a melhor amiga dela, eu apenas vou tentar ter uma boa convivência porque meus dois bens mais preciosos estão ligados a ela. - completo e ela sorrir.
- Mais não precisa ser rápido, afinal ela tem que sofrer um pouquinho. - brinca e eu sorrio.
- Não se preocupe, eu vou cuidar disso. - digo e ela ri.
- Vocês são estranhas, amam mais ao mesmo tempo querem judiar, por isso que eu tenho medo das mulheres Jauregui. - diz Sofia nos fazendo rir.
- Então é por isso que você foge quando fica sozinha com a tia Tay ? - questiona Chloe olhando para Sofia.
- Hum, ela tem uma quedinha pela minha irmãzinha. - digo pegando a faca encima da mesa para cortar a panqueca ao meio e Sofia se levanta rapidamente.
- Kaki, socorro ! - grita e em seguida sai correndo.
- A tia Tay é a crush suprema dela. - diz Chloe olhando para a porta.
- As irmãs Cabello tem bom gosto, mas espero que Sofia não seja como a irmã no quesito fidelidade. - digo e Chloe me olha e em seguida ri.
- Vou subir pra pegar minhas coisas e trazer a bobona de volta. - diz e eu assinto, ela beija minha bochecha e em seguida sai da cozinha me deixando sozinha com meus pensamentos.
Pensamentos sobre ela.
Sempre ela.
Sempre as lembranças dela.
De nós.
De como nos conhecemos.
* Flashback On
Desço as escadas correndo ao ouvir a campanhia sabendo que provavelmente Chloe esqueceu a chave de casa outra vez, assim que abro a porta sou abraçada por Chloe que chora quando eu a abraço de volta.
- Eu não queria mamãe, eu não queria, eu juro. - diz soluçando e eu fico confusa.
- O que aconteceu meu bebê ? - pergunto beijando sua cabeça tentando afasta-la para poder olhar pra ela, mas ela não deixa.
- Senhora Jauregui ? - ouço uma voz desconhecida e olho para frente vendo uma mulher latina de provavelmente vinte anos com uma roupa social e uma garota da mesma idade que Chloe ao seu lado. - Eu sou Camila Cabello, essa é a minha irmã Sofia, sua filha estuda junto com a minha irmã e eu dei uma carona pra ela. - continua. - Posso entrar pra gente conversar ? - pergunta e eu olho para Chloe que soluçava e em seguida para as duas parada a minha frente e assinto.
- Entrem. - digo andando com Chloe agarrada a mim.
Elas entram e fecham a porta e em seguida me seguem até a sala.
- Chloe, pode me deixar conversar com a sua mãe a sós ? - pergunta Camila e Chloe se desgruda de mim.
- Desculpa mamãe. - pede e em seguida sai andando em direção as escadas.
- Posso ficar com ela ? - pergunta a irmã de Camila. - Eu não quero deixar ela sozinha. - diz e eu assinto me sentindo angustiada com toda essa situação confusa onde o meu coração grita que aconteceu algo grave com o meu bebê.
- O que aconteceu ? - pergunto direta assim que vejo sua irmã subir com Chloe.
- Não e algo fácil de dizer, mas vou tentar ser breve. - responde sem jeito. - Eu fui buscar a minha irmã na escola, eu estava atrasada e bem, quando estávamos passando por frente a uma propriedade abondonada minha irmã viu sua filha. - continua e eu sinto meu coração bater tão rápido ao ponto de fazer meu peito doer. - Tinha um homem com ela e ele tentou... - sua voz falha e eu entendo.
- Meu Deus. - digo sentindo minhas mãos trêmulas e ela se levanta e se senta ao meu lado.
- Ele não conseguiu concluir o ato, eu o impedi. - diz séria e eu não consigo conter as lágrimas. - Mais eu não consegui evitar a fuga dele, eu priozirei cuidar da garota e levá-la pra casa em segurança, eu sinto muito por ter deixado ele fugir, mas eu quero me redimir oferecendo todo o meu apoio e os advogados da minha empresa. - completa e eu abraço.
- Obrigada, obrigada por não ter fingido não ver nada como algumas pessoas fariam, obrigada por colocar a sua vida em risco pra impedir que... - não consigo terminar.
- Eu faria isso por qualquer outra pessoa, não importa se tem meu sangue ou não, mulheres merecem respeito e p******o, por isso eu prometo pra você que vou fazer ele pagar. - diz me afastando para olhar me meus olhos.
Flashback Off *
Eu ainda consigo me lembrar da sensação h******l que senti, de como foi difícil olhar pra minha filha e pedir desculpas por não está lá para protegê-la, Zack deveria ter a buscado aquele dia, mas não pôde ir, teve que viajar de última hora por causa do trabalho, Chloe me disse que iria pra casa de uma amiga e que me ligaria para ir buscá-la depois, mas a amiga lhe deu um cano e então ele decidiu ir andando até um ponto de ônibus onde foi arrastada a força por um monstro que gostava de abusar de crianças, se não fosse por Camila arriscar sua vida e se Sofia não a tivesse visto, talvez a minha filha estivesse morta ou ainda mais traumatizada para o resto da vida, foi tão difícil tirar da cabeça dela que ela não era culpada, foram tantas seções de terapia e Camila esteve em todas, ela veio a minha casa todas as noites com sua irmã para ver como Chloe estava e conversar com ela, ela cuidou de todo o processo contra aquele monstro, ela garantiu que ele pagasse, ela cumpriu sua promessa.
Ela foi um anjo para a minha filha, então como pedir para que Chloe a odeie ou sinta raiva de alguém que salvou a sua vida ?
Eu ouvi tantos falsos amigos dizerem " porque sua filha não odeia sua ex traidora ? "
Ela foi julgada por não odiar Camila, julgada por pessoas idiotas que não sabem nada sobre nós, mas eu nunca achei errado ela gostar de Camila mesmo depois do que aconteceu entre nós duas, afinal minha história com Camila foi só de nós duas, ninguém tem nada haver, eu sou a única que tenho que ter raiva de Camila, ela machucou a mim, eu fui a pessoa que saiu ferida na história.
Ela ficou três meses sem ter contato com Camila por minha causa, mesmo não a odiando, ela ficou do meu lado.
Como uma boa filha faria, mas eu sei que toda essa situação estava a deixando triste.
Então posso me esforçar um pouco para aliviar toda essa tensão e raiva, afinal eu tenho dívida de gratidão enorme com Camila que nunca vou poder pagar, carrego um bebê dela, ela poderia ter virado as costas para mim, poderia nem ligar para essa criança, mas ela está aqui aguentando toda a minha fúria em silêncio, sem reclamar, se esforçando para cuidar de nós mesmo eu me negando a aceitar seus cuidados, então talvez eu deva abaixar um pouco a guarda, mas só um pouquinho.
Suspiro me levantando da mesa sentindo minha cabeça latejar e em seguida lavo a louça, depois sigo para meu quarto, tomo um banho e me arrumo para ir com Camila. Assim que estou pronta desço as escadas e a vejo olhando algo em seu celular, ela me olha e em seguida desvia o olhar.
- Desculpa por isso, mas são documentos importantes que só podem ser assinados por mim. - diz sem me olhar. - Sei que deve ser h******l pra você toda essa situação de me ter na sua casa, de ter que aguentar a minha presença e ainda ter que sair comigo para o meu trabalho. - faz uma pausa. - Eu sinto muito Lauren. - diz e me olha nos olhos. - Sinto de verdade e eu não queria te deixar assim tão desconfortável, mas eu não vou deixar nada acontecer a vocês três, não vou deixar vocês só mesmo que isso faça você me odiar ainda mais por ter que me suportar. - completa e eu noto a sinceridade em seu tom de voz e em seus olhos castanhos.
- Estamos prontas mama. - diz Chloe descendo as escadas com Sofia. - Aconteceu alguma coisa ? - pergunta minha filha alternando seu olhar de mim para Camila.
- Não, eu apenas estava dizendo pra sua mãe que ela pode ir me estapeando durante todo o caminho pra compensar o fato de ter que me aguentar. - diz Camila sorrindo divertida e Chloe me olha.
- Você está bem mamãe ? - sussurra ao ver Camila abrir a porta e eu apenas assinto.
Eu até poderia dizer algo, mas as palavras de Camila e a sua sinceridade me pegaram de surpresa, eu achava que ela estava adorando forçar sua presença na minha vida quando na verdade ela estava se sentindo m*l por me deixar desconfortável, ela estava respeitando o que eu havia dito para ela no hospital enquanto tentava cuidar de mim. Suspiro e fecho os olhos durante todo o caminho para a escola das meninas e depois para a empresa, eu estou tentando esquecer tudo isso, esquecer que provavelmente meus hormônios estão começando a me deixar sensível.
- Chegamos. - diz Camila e eu abro meus olhos.
- Que bom, eu já estava entediada. - digo e ela sorrir de forma contida enquanto tira meu cinto e em seguida abre a porta do carro. - Eu tenho mão Camila. - digo e ela dá de ombros.
- Isso não me impede de fazer as coisas pra mãe dos meus filhotinhos. - diz e eu sei que ela está incluindo Chloe.
- Por acaso você acha quer eu vou ter uma ninhada de cachorro ? - pergunto e ela ri.
- Não vou responder com o que pensei porque tem jarros no hall do prédio e eu não quero que você pense nem por um segundo em pegar eles pra tentar me m***r. - diz e eu sorrio debochada.
- Eu já estou pensando. - digo e ela arregala os olhos.
- Vou pedir urgentemente para retirarem do prédio qualquer ítem que possa ser arremessado contra mim. - diz e eu sorrio enquanto entramos no prédio.
Assim que entramos nos tornamos o centro das atenções, Camila coloca sua mão em meu ombro e me guia até o balcão para falar com a recepcionista, eu senti vontade de afastar sua mão, mas não o faço, apesar de tudo eu não quero a envergonhar no seu ambiente de trabalho.
- Bom dia senhorita, Vives. - diz para a recepcionista que sorrir pra ela e em seguida olha pra mim.
- Bom dia senhorita, Cabello. - diz educada. - Você é ainda mais bonita do que disseram, imagina o bebê de vocês como vai ser lindo. - diz animada.
- Senhorita Vives. - Camila chama sua atenção e olha para mim.
- Lauren Jauregui. - digo sorrindo estendendo a mão pra ela que sorrir.
- Lucy Vives. - diz apertando minha mão.
- Trabalha aqui há quanto tempo ? - pergunto e sinto os olhos de Camila sobre mim.
- Há dois meses senhorita, Jauregui. - responde e eu faço uma careta.
- Nem senhorita e nem Jauregui, apenas Lauren. - digo e ela assente freneticamente.
- Estou adorando a interação entre as duas, mas pode pegar a minha chave e pegar todos os papéis do departamento de criação que eu preciso assinar e deixar aqui com você, na volta eu pego. - digo e ela me entrega a chave.
- Pode deixar senhorita, Cabello. - diz e olha pra mim.
- Até mais Lucy. - digo e ela assente sorrindo.
- Até mais. - diz e eu aceno para ela.
Sigo com Camila até o elevador, ela tinha um sorriso irritante em seu rosto que eu conheço muito bem.
- Fala logo. - digo revirando os olhos.
- Você gostou da recepcionista, isso é um milagre. - diz e eu dou de ombros.
- Ela e a primeira que não parece uma p**a que corre atrás de você igual as outras. - digo e ela rir.
- Ela não é. - diz e eu fico em silêncio.
Subimos até o último andar onde fica sua sala, assim que o elevador para e as portas se abrem eu sinto vontade de vomitar ao ver Shawn e Ashley conversando, Shawn e o segurança que cuida desse andar e Ashley e a p**a da secretaria de Camila que sempre deu encima dela.
- Parabéns pelo bebê, já sabem o s**o ? - pergunta Shawn se aproximando e eu olho para Camila. - Quando vão se casar ? - pergunta novamente e eu arqueio uma sobrancelha enquanto encaro Camila.
- São muitas perguntas Shawn, você não devia estar trabalhando não ? - questiona cruzando os braços e ele assente.
- Claro, vou indo. - diz e em seguida sai andando.
- Bom dia Camila. - diz Ashley toda cheia de i********e e em seguida olha pra mim. - Bom dia, Jauregui. - diz e eu reviro os olhos.
- Já disse que meu primeiro nome e apenas para amigos e familiares, você deve me chamar pelo meu sobrenome, eu sou sua chefe, não sou sua amiga. - diz Camila seria e eu sorrio.
- Bom dia Ashley. - digo passando por ela mantendo meu sorriso.
Vaca interesseira !
Putinha da mangabeira !
- Desculpa por isso, ninguém aqui sabe sobre o que aconteceu em Paris e Ally fez questão de que todos soubessem do bebê. - diz e eu dou de ombros.
- Tudo bem. - digo e ela suspira.
- Eu vou pegar os documentos, você já conhece tudo, então fique a vontade. - diz e eu assinto olhando para sua mesa.
Como ficar a vontade se eu me lembro muito bem de cada detalhe da gente transando naquela mesa.
Como ficar me paz com isso ?
Com essas lembranças tão íntimas ?
______________ Continua ______________