Lidando Com A Fera.

2123 Words
Pov. Camila Corto algumas verduras enquanto Chloe e Sofia falavam sem parar sobre a escola, sorrio achando engraçado a forma como elas agiam, parecia que o fim do mundo estava próximo só porque Chloe faltou por uma semana, minha irmã estava fazendo tanto drama que em algum momento eu me vi em um filme antigo, preto e branco do Charlie Chaplin, porque eu só conseguia prestar atenção em suas reações e expressões faciais exageradas. Eu não estou entendendo nada do que elas estão falando. Parece que estão apenas movendo os lábios sem parar. Tipo o carinha que morreu em olhos famintos um e apareceu no dois para alertar a loirinha que o bicho ia comer metade da galera no ônibus. Ainda me pergunto se o carinha que capotou o carro e era chamado de gay pelos esteriótipos de b****a atleta de filme americano sobreviveu. Ele simplesmente não apareceu mais, isso é algo que não entendo em alguns filmes de terror. Alguns personagens simplesmente somem sem nenhuma explicação. - Credo, que cara de assassina de aluguel de filme p***o. - diz Sofia chamando minha atenção e eu a olho incrédula. - Que comparação h******l. - digo e Chloe rir. - Tia Vero ficaria cheia de orgulho ao ouvir isso. - diz e Sofia rir. - Ela disse que viria jantar aqui. - digo me lembrando da conversa com Vero mais cedo. - Ótimo, eu quero muito pedir alguns conselhos a ela. - diz Sofia e eu quase corto meu dedo. - Não vai não. - digo e ela sorrir. - Quem vai me impedir ? - pergunta de forma desafiadora. - Uma ligação pra mama resolve tudo. - respondo e ela arregala os olhos. - Isso, faz essa carinha de cachorrinho colocando o rabinho entre as pernas pra sair de fininho, porque pra brincar com cachorro grande tem que ter pele calejada. - digo e ela faz uma careta. - Esse final foi estranho. - diz Chloe. - Ela precisa de umas aulas de noção, porque ela perdeu a dela em Paris, por isso fala coisas sem sentidos. - diz Vero entrando na cozinha e as meninas correm até ela para abraça-la. - Como você entrou aqui demônio, achei que essa casa tivesse uma p******o contra aparições demoníacas. - digo e ela me olha debochada. - Olha, se eu fosse um demônio, eu seria o demônio da alegria, beleza é curtição, enquanto você seria o demônio menosprezado da traição. - diz e eu sorrio. - Pisa mais que tá pouco, se quiser pode passar com um caminhão de pincher por cima. - digo e ela sorrir e em seguida vem até mim e me abraça. - Sua p**a burra, porque escolheu ser xingada por mim a vida toda ? - questiona suspirando. - Eu me pergunto isso todo dia. - respondo séria vendo as meninas focadas em nós duas. - Eu adoro essas interações entre os adultos dessa família. - diz Chloe para Sofia que rir. Pirralhas ! Tenho que ficar de olho. - Ela já acordou ? - pergunta e eu assinto. - Entendi, ela não quer olhar pra sua cara, talvez pra não quebrar mais um jarro atoa, afinal ela só te acertou uma vez por sorte. - brinca e eu dou de ombros. - Deve ter se tornado o esporte favorito dela, " arremesso de jarros contra a traidora ". - digo fazendo aspas com os dedos e Vero rir. - Essa foi boa Kaki. - diz Sofia sorrindo. - Foi ótima, agora minha aprendiz de farofeira vá chamar aquela aprendiz de psicótica, diga a ela que a visita mais esperada do ano chegou. - diz Vero e Chloe assente. Ela chama Sofia e em seguida as duas saem correndo da cozinha, Vero lava suas mãos e em seguida me ajuda com as verduras. - Como anda a vaca da Dinah, nunca mais a vi ou falei com ela, estou com saudade de destruir boates com ela. - diz sorrindo parecendo se lembrar de algo. - Ela está em Londres há um mês resolvendo algumas questões da empresa, nossa marca está sendo bem avaliada por lá, estamos pensando em abrir uma filial é algumas fábricas. - digo e ela parece surpresa. - Quando eu penso que você estava contente em dominar o Estados Unidos, você decide dominar a Europa, começando por Londres. - diz e eu sorrio. - Me fala aí, pretende invadir o castelo pra pegar nos p****s da rainha ? - questiona e eu faço uma careta. - Qual é, esse seria o primeiro ítem da minha lista de coisas para se fazer em uma viagem a Londres. - completa e eu n**o com a cabeça rindo. - Isso é bem a sua cara. - digo e ela assente. Ouço passos se aproximando e não demora para que Lauren apareça na porta da cozinha com um vestido soltinho e os cabelos soltos, ela olha para Vero e sorrir, isso faz meu coração acelerar. Vê-la de perto sorrindo mesmo que não seja pra mim me deixa feliz, afinal foram três meses tentando me aproximar, tentando conversar, três meses levando jarradas, ouvindo ela dizer o quanto me odeia. Tudo isso me quebrou, mas eu mereço, eu não devia ter atendido aquela ligação da Taylor, mas essa nem e a pior parte, o pior e não me lembrar daquela noite, não me lembrar do que aquele vídeo mostrou que eu fiz e ninguém acreditar que eu não me lembro. Mais eu entendo, afinal quem acreditaria na pessoa que traiu ? É eu me odeio tanto por isso. Talvez Lauren não me odeie tanto quanto eu me odeio. Ela não tem tanto nojo de mim quanto eu mesma tenho. Durante esses três meses eu tenho tentado amenizar todos esses sentimentos que tem me sufocado, toda essa raiva e tristeza bebendo, trabalhando, bebendo, trabalhando mais ainda e bebendo mais ainda, tenho feito algumas merdas, levado alguns pontos, entrado em algumas brigas. Tenho tentado lidar com tudo isso de um jeito que me faça sentir dor, a dor física tem amenizado tudo, mas quando recebi a ligação de Vero uma semana atrás, eu não pensei duas vezes, apenas segui para o hospital é quando soube que teria um filho com Lauren foi como se a vida me desse uma segunda chance pra recomeçar com ela, pra tentar no mínimo ter sua amizade algum dia. No início eu me perguntei se dá pra ser amiga de alguém que eu tanto amo. É a resposta foi " quando se ama alguém de verdade você só quer está perto dela, não importa de qual maneira seja. " - Achei que não fosse descer para apreciar a minha beleza. - diz Vero a abraçando. - Falando assim nem parece que eu te vi algumas horas atrás. - diz Lauren e eu tento focar nas verduras. - Não foi o suficiente, eu preciso olhar por muito mais tempo para essa amiga gostosa que eu tenho. - diz Vero mexendo as sobrancelhas freneticamente e Lauren ri. Aquela risada. A risada que faz meu coração parecer um carro de corrida com defeito no freio derrapando na pista e depois capotando. - Para de ser b***a e me diz o que veio fazer aqui além de comer. - diz Lauren evitando olhar na minha direção. Respiro fundo colocando as verduras na panela para cozinhar junto com a carne enquanto elas conversam é quando termino me retiro sem dizer nada, sigo até a sala e pego meu notebook, checo algumas planilhas e cópias de documentos digitalizados que minha secretária enviou para mim. Depois de um tempo ouvi Vero chamar a mim e as meninas para comer, falei que comeria depois, ela reclamou de início mais depois deixou pra lá, continuei focada no que estava fazendo é algum tempo depois as meninas vinheram me dar boa noite, aproveitei o momento para pegar no bolso do meu blazer um cantil com whisky, tomo um gole e tento relaxar enquanto respondo alguns e-mails. - Então agora você bebe ? - me engasgo com a bebida ao ouvir sua voz rouca. - p***a, você me assustou. - digo tentando me recompor enquanto olho para ela. - Decidiu falar comigo agora ? - questiono e ela revira os olhos. - Não, apenas Vero que me obrigou a vim aqui pra lembrar a você que comida foi feita pra comer, mas eu sei na verdade ela só quer garantir que eu não vá cometer um assassinato durante sua estadia aqui. - responde olhando para um ponto qualquer na sala. - Estou sem fome. - digo e ela nada diz. - Amanhã depois que eu levar as meninas para a escola, eu vou passar em casa pra pegar algumas coisas, então vou levar a sua chave. - digo e ela dá de ombros. - É sobre o assassinato, você já tentou fazer algo parecido, afinal você conseguiu acertar um jarro na minha cabeça e me fez levar cinco pontos, os cabelos ainda estão crescendo ao redor do local sabia ? - questiono e ela parece feliz com isso apesar de não sorrir. - Okay, mas suas coisas ainda estão aqui. - diz e em seguida me olha pela primeira vez, um olhar frio e sem emoção aparentemente. - Que foi ? - questiona cruzando os braços. - Achei que você tivesse feito uma fogueira e queimado tudo enquanto me xingava. - respondo e ela faz uma careta. - Talvez eu devesse ter queimado tudo mesmo e depois te mandado as cinzas pelo correio, mas eu não tive tempo, estava ocupada demais odiando você, desejando que você se ferrasse e acertando jarros em você quando decidia aparecer na minha frente. - diz sincera e eu sorrio fraco. - Um brinde a isso então. - digo levantando o cantil e em seguida tomo outro gole. - Larga isso. - diz e eu olho para ela que parecia ainda mais séria que antes. - Porque ? - questiono e ela se aproxima me deixando tensa. - Você não vai beber aqui todos os dias. - responde pegando o cantil da minha mão e em seguida me olha. - Minha casa, minhas regras, você sabe que eu odeio que bebam todo dia ou até isso você esqueceu quando estava na cama com aquela p**a em Paris ? - questiona e eu suspiro. Okay. Doeu, mas eu mereço toda essa raiva e rancor. - O que te faz pensar que eu bebo todo dia ? - questiono e ela revira os olhos. - Ver você carregando isso me faz ter pensar que você bebe no mínimo um desse todos os dias, sem contar que você nunca foi de beber fora de ocasiões especiais. - responde andando em direção ao corredor. - Então você ainda se lembra de alguma coisa sobre mim. - digo a acompanhando e ela para de andar e se vira para me olhar. - Infelizmente não dá pra apagar tudo da minha memória de uma vez, eu não sou um computador que pode ser resetado, eu até queria ser um só pra não me lembrar que um dia eu dei uma chance pra alguém que prometeu ser diferente de todas as outras pessoas que eu já conheci, mas no final foi bem pior que elas. - diz e eu fico em silêncio. Não consigo dizer nada, não me sinto capaz de rebater, afinal ela está certa, eu prometi que era diferente, prometi que nunca ia machuca-la e tudo o que fiz foi isso, machucar e decepcionar a pessoa mais importante pra mim. Sinto meus olhos arderem, mas não respiro fundo pra tentar conter a vontade de chegar e aliviar a dor que o nó em minha garganta causava. - Você criou é depois provocou essa fera, agora tem que lidar com ela. - ouço a voz de Vero e a vejo encostada na porta da cozinha. - Eu sei, mas dói tanto é eu só queria poder mudar o que fiz, mas eu sei que não e possível, sei que esse e o preço que tenho que pagar pelas minhas ações estúpidas. - digo e ela assente. - Você realmente não se lembra do que aconteceu ? - pergunta com os braços cruzados. - Acho que isso não importa mais, o que tá feito, tá feito. - respondo suspirando. - Eu vou voltar pra sala, tenho que trabalhar, você já vai embora agora ? - pergunto e ela n**a. - Ótimo, ela precisa de você, deve está sendo insuportável me ter aqui. - continuo e ela não diz nada. - Boa noite Vero. - digo e em seguida me saio dali. Ela está certa. Eu causei tudo isso. Agora tenho que lidar com isso. Tenho que lidar com a fera. ______________ Continua ______________
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