Capítulo 2
Cinco anos atrás...
Júlia Bailey
- O que o seu pai falou sobre a nossa ideia? - Ana me pergunta quando nos sentamos para almoçar no clube. - Finalmente você teve coragem de falar para ele, não é mesmo? - Acabei rindo de nervoso.
Estávamos animadas para começar o nosso negócio, eu e Ana Clara queríamos tirado o papel da nossa ideia, éramos melhores amigas e inseparáveis.
Na faculdade sempre estávamos juntas e queríamos abrir o nosso próprio negócio. Fazer nossos sonhos realidade sem a interferência dos nossos pais.
Ana Clara é uma mulher forte e decidida, já falou para o seu pai que vai trabalhar e ponto final, já eu, bom, eu vivo em uma bolha feita pelo meu pai e meus irmãos.
Não consigo tomar uma decisão sozinha, sair para baladas sem ter um dos meus irmãos por perto, ter um encontro, namorar...
Eu somente não sou boca virgem porque o meu grande amor me beijou sem querer, mas ainda assim eu consigo considerar aquele beijo como o melhor beijo da minha vida.
Ele estava bêbado, era uma festa de calouros, a única que eu fui que meus irmãos soubessem, foi a minha primeira experiência em festas de jovens, naquela festa de dia tão livre...Bom, até meu caminho encontrar o caminho de um dos homens mais lindos que eu já tinha visto na vida. Ele era tão alegre, animado e cheio de vida, eu nunca pensei que ele me olharia nos olhos e me beijaria...
- Alô Júlia, você ainda está aí? Deus,você vive no mundo da lua...- Estala os dedos na minha frente.
- Perdão, Ana...- Me ajeito na cadeira, estava novamente perdida no mundo da lua. - Não falei com ele, você sabe que meu pai não gosta nem da ideia de ter uma filha trabalhando. Segundo ele, criou uma princesa e a mesma não pode trabalhar, tem que ser amada, cuidada e ter tudo provido por seu rei ou príncipe. - Faço careta com o pensamento da minha casa ser igual a um castelo e sermos comparados a membros da realeza.
Credo! Meu pai seria então um rei amoroso, mas muito tirano também, porque todo o amor que ele me dá, falta para os outros príncipes desse reino.
- Seu pai ainda vai te casar com um grande partido por causa dessas regras bobas que ele segue, sua família parece realmente da realeza, pois somente na era medieval que tinha um casamentos por acordos iguais aos que seu pai prega e deseja fazer. - Ana Clara era totalmente contra a casamentos baseados em contratos.
Seu próprio pai já tentou casar ela várias vezes ao longo desses dois anos, mas a mesma sempre dava um jeito de afastar os pretendentes. Minha amiga conseguiu ser bem irritante quando queria, e ser chata às vezes era um dom. Ana Clara é independente, nunca seguiria as regras dos seus pais.
Eu já não consigo ser assim, eu sempre fui muito apaixonada pelo meu pai, era a sua boneca em meio aos brutamontes dos meus irmãos. A menininha dos suas olhos, meus irmãos também são apaixonados por mim, então fica difícil dizer "não" para eles.
- Acho que ele nunca vai me casar, isso sim, meu pai e muito ciumento, ele nunca confia em ninguém, acredito que não há pessoa que vá estar a altura das suas espectativas...- Suspiro frustrada. - Acho melhor fazer o que eu já tinha programado, vamos montar a empresa nas escondidas, a CEO será oculta, ninguém vai saber seu nome, jamais! - Digo séria e Ana Clara balança a cabeça.
- Sabe que sou sua advogada e isso é algo complicado, se a sua empresa estourar no mundo da tecnologia? Como vai manter o anonimato?
- Eu sou inteligente Ana, quando fiz a faculdade de tecnologia ninguém levava fé em mim, meu pais achavam que era apenas capricho meu, mas eu tenho duas faculdades em vez de uma, sabe o quanto eu ralei para ser a melhor e meu pai nem faz ideia... - Olho para todos que se divertem no clube, eu vou ter a minha empresa, é algo que posso fazer, aliás, sócia, nós podemos fazer...- Ana Clara queria ser advogada de uma grande empresa e eu a CEO.
Vamos montar uma empresa de segurança tecnológica, eu tenho grandes ideias e muitos projetos que sei que venderiam como água, eu somente preciso de uma oportunidade de sair de casa e começar a minha vida.
Amo a minha família, mas se meus pais continuarem me proteger, como eu vou poder realizar meu sonho?
- Então sócia, está na hora de tirar do papel o seu primeiro projeto, vamos vender e vê até onde a nossa empresa vai alcançar... - Ana Clara pede um champanhe para comemorar e logo estamos chamando atenção de todo clube.
Quem toma champanhe às dez da manhã na terça-feira?
Ainda fico no clube resolvendo vários assuntos com Ana Clara, como a mesma disse, temos que vender o nosso primeiro projeto para termos capital de giro e começar a crescer.
Foram horas e mais horas conversando e até fechamos o aluguel de uma sala no centro da cidade, se tudo dependesse de mim, logo estaria montado o nosso primeiro prédio empresarial e fazendo tudo para mostrar que não sou somente uma princesinha...
(...)
- O que está acontecendo? - m*l estacionei o carro na porta da mansão e ouvi os berros dos meus irmãos e do meu pai.
Estacionei e saí correndo para ver o que estava acontecendo, nossa casa nunca tinha brigas por causa da empresa, minha mãe sempre deixava claro que os negócios eram tratados da porta para fora e nunca dentro de sua casa.
Entrei de uma vez na casa e pude presenciar a primeira a briga dos meus irmãos com o meu pai em lados diferentes da moeda.
- Ninguém vai me responder? - Minha mãe é a primeira a vir na minha direção.
- Filha, que bom que chegou...- Ela me abraça. - Vamos deixar os seus irmãos e seu pai discutirem algo da empresa. Nós duas não temos nada haver com essa situação... - Minha mãe tenta me puxar, mas Joseph solta uma gargalhada amarga e brada ao lado de Jonathan que tenta segurar o nosso irmão.
- Agora vão tentar esconder isso também dela? Como pretende casar minha irmã sem que ela saiba, ela tem que saber, certo? - Joseph pergunta irônico. - Ou você vai redigir um contrato e fazer ela assinar? - Meu irmão pergunta para o meu pai está vermelho de raiva.
- Que tipo de pai você pensa que eu sou? Que tipo de monstro você acha que casaria a sua filha sem o seu consentimento? - Meus irmãos param e me olham.
Eu nunca tinha visto meu pai e os meus irmãos brigarem dessa forma, sim eles tinham divergência de opinião, mas nunca foi nada comparado a isso que está acontecendo aqui.
No entanto, a minha cabeça só pensa em uma palavra, uma única palavra que foi dito e que eu tenho certeza que é relacionada a mim.
CASAMENTO
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo? - Eu não era burra, eu meio que já tinha pescado o que estava acontecendo aqui na sua sala, mas eu precisava ouvir com os meus próprios ouvidos o porque do meu pai estava discutindo com os meus irmãos.
- Filha, eu queria falar com você com toda calma do mundo, queria explicar todos os prós e contras do que eu vou te propor. Não é nada obrigado, eu nunca te obrigaria a casar com ninguém! Você é a minha princesinha, se estou querendo te propor isso é porque é assim que os casamentos acontecem em nosso meio. Hoje vai ser você e futuramente eu vou também casar os seus irmãos...
- Você vai me casar? - Perguntei em um fio de voz.
Logo agora que eu estava tomando coragem para montar a minha empresa, realizar os meus sonhos...
Não podia ser...
Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰