Helena narrando Já fazia mais de três horas que eu tava ali, e a cada minuto parecia que o tempo parava só pra me torturar mais um pouco. O som dos passos no corredor, o cheiro forte de álcool e remédio, o vai e vem das enfermeiras, tudo me deixava ainda mais aflita. Eu olhava pro relógio na parede, via os ponteiros se arrastando, e sentia o coração apertar como se alguém tivesse apertando ele com a mão. Três horas. Três horas sem notícia nenhuma do n***o. A cada vez que uma porta se abria, meu corpo reagia. Eu levantava na hora achando que alguém vinha falar comigo, mas sempre era alguém que passava reto. As pernas doíam de tanto andar de um lado pro outro. O frio da madrugada parecia ter entrado dentro de mim, e nem o casaco que eu peguei às pressas antes de sair conseguia me aquecer

