Helena narrando Por muito tempo eu me privei. Não foi uma decisão simples nem algo que eu controlasse conscientemente. Era medo. Era trauma. Era dor. Era aquela lembrança que ficou como cicatriz dentro de mim, que queimava cada vez que eu pensava em me aproximar de alguém. A única recordação que me restou do que aconteceu no passado foi uma dor insuportável e, um mês depois, uma filha. Melissa. O maior presente e, ao mesmo tempo, a maior prova do que eu tinha passado. Ouvi tantas colegas na época da faculdade comentarem que sexo era maravilhoso, que era libertador, que trazia paz. Mas eu, no meu canto, não conseguia entender. Achava que nunca sentiria isso. Não sabia se todo mundo sentia da mesma forma, mas eu só lembrava da dor. Para mim, até ontem, era sinônimo de medo, de sufoco. Só

