Capítulo 04
ALLAN ÁLVARO
Eu não posso acreditar. Como assim minha mãe está com uma doença terrível dessas? Como isso pode acontecer?
Quando estávamos entrando na pré-adolescência, a nossa avó materna recebeu esse mesmo diagnóstico. Acompanhamos o tratamento, e foi muito difícil para todos nós vê-la perder os movimentos, a fala e, aos poucos, a vida, sem poder fazer nada. Chegou um momento em que o sofrimento não foi só dela, mas de toda a família. E eu sei que não estou preparado para ver a minha mãe passar pelo mesmo.
Eu estava na minha sala chorando, abraçado com o Oliver, quando meu celular tocou. Era o meu pai.
Ligação on
— Fala, pai. Está precisando de algo?
Disse, colocando o celular no viva-voz.
Fernando — Esqueci de avisar que o Dom Santiago fará um jantar neste sábado. Iremos para a Itália nesse mesmo dia.
— Tá bom, pai.
Fernando — Não fique triste. Pense na mãe de vocês, ela não quer ver vocês assim.
— Pode deixar.
Fernando — Precisarei resolver alguns assuntos do conselho e quero que vocês assumam as rédeas aqui no escritório. À noite nos falamos.
Ligação off
— Vai ficar tudo bem.
Disse para o Oliver, que está inconsolável. Todos nós sofremos quando nossa avó faleceu, mas ele, sem sombra de dúvidas, foi o que mais sofreu.
Oliver — Você nem quer se casar.
— Casamento é o de menos, e é preciso para que possamos ajudar a nossa família.
Allan — Se tornar Dom será uma responsabilidade e tanto.
Ele disse, olhando para o vazio.
— É, mas eu não estou sozinho.
Disse, apoiando as mãos no ombro dele.
Oliver — Verdade. Agora vou lá, tenho algumas coisas para fazer.
— Tá bom.
Ele saiu e eu fiquei imerso nos meus pensamentos. Como poderei me tornar Dom daqui a alguns meses? E me casar sem ao menos conhecer a moça? Mas sei que não deveria me preocupar com isso, na máfia é assim que as coisas funcionam.
ZAYA
O nosso primeiro dia de trabalho foi bastante cansativo. A Lara não para de reclamar do cansaço. Ainda bem que teremos transporte para nos levar e buscar no trabalho, isso é ótimo. Agora estamos dentro da van indo para casa.
Assim que chegamos, passamos na casa da nossa avó para pegar o Arthur. Aproveitamos para jantar antes de subir para nossa casa. Enquanto jantávamos, conversamos sobre o nosso novo emprego. A Lara não me deixava falar, estava muito empolgada contando para a minha avó cada detalhe da casa.
Desde que vi o Oliver, não consegui tirá-lo da cabeça. Eu não sei o que ele tem que me atraiu tanto. Um cara tão irritante, prepotente, ignorante… e lindo. Meu Deus, onde eu estou com a cabeça?
Tentei dormir, mas não consegui. Estava muito ansiosa para o meu segundo dia de trabalho.
Arthur — Zaya.
— Entre.
Arthur — Eu posso dormir com você?
— Claro, vem cá.
Ele se deita ao meu lado e rapidamente pega no sono. Tento fazer o mesmo, mas não consigo.
Desperto com o despertador tocando. Levanto e vou direto para o quarto da Lara. Dessa vez ela já está acordada.
Vou para o banheiro, faço minha higiene. Não costumo tomar café cedo. Pego o Arthur ainda dormindo e o deixo na casa da minha avó. Pouco tempo depois, a van chega para nos pegar.
Lara — Tem alguma coisa te incomodando?
— Não.
Lara — E por que está ansiosa?
— Não é nada.
Assim que chegamos, vestimos os nossos uniformes e fomos ao encontro da dona Benedithi.
Benedithi — Bom dia, meninas.
— Bom dia!
Benedithi — Vocês podem me ajudar a levar essas bandejas para a mesa?
— Claro.
Peguei uma bandeja com bolos e a Lara pegou as bandejas de suco.
Seguimos a Benedithi até a mesa onde estava o seu Fernando, juntamente com a dona Elena.
Eu estava tirando os bolos da bandeja quando ouvi a voz do Oliver.
Oliver — Bom dia!
Automaticamente olhei para trás. Meus olhos foram de encontro aos dele e vi quando ele se aproximava.
Lara — Deixa eu te ajudar?
Ela disse ao meu lado. Só assim eu me dei conta do que estava fazendo.
Abaixei a cabeça e saímos seguindo a dona Benedithi.
Estou morrendo de vergonha. O que ele deve ter pensado sobre mim?
Ficar encarando alguém assim não é legal, eu sei disso… mas, por algum motivo, não consegui me controlar.