Capítulo cinco
OLIVER ÁLVARO
Fiquei o dia todo preocupado com a minha mãe. É difícil acreditar que ela está com essa doença.
Hoje, ao contrário dos outros dias, tentei ocupar minha mente o máximo que consegui. Passei o período da manhã na minha sala resolvendo algumas pendências e, à tarde, participei de algumas reuniões.
Na ida para casa, tentamos evitar a nossa mãe. Não queremos que ela nos veja nesse estado. Como o nosso pai disse, ela não quer que nós saibamos do diagnóstico dela. Entendo o motivo de ela querer esconder isso da gente.
Confesso que, às vezes, quando não estou bem, encho a cara. Às vezes tomo os remédios de dormir da Benedithi. Desde que minha avó faleceu, nunca mais fui o mesmo. Hoje preferi tomar os remédios.
Acordei com o despertador tocando. Fui direto para o banheiro, fiz minha higiene, me arrumei e desci. Dessa vez o Allan não veio encher meu saco para que eu andasse logo.
Como ontem não comi nada, acordei com muita fome. Assim que fui chegando à mesa, onde meus pais estavam, vi a nova funcionária. Ela estava com os olhos presos aos meus. Eu não sei por quê, mas não consegui desviar o olhar.
Elena — Bom dia, filhão!
— Bom dia!
Fernando — Cadê o Allan?
— Não vi. Talvez ele tenha saído cedo.
Benedithi — O Allan ainda não desceu.
— Será que está tudo bem?
Elena — Por que não estaria?
— Ele nunca acorda depois de mim.
Fernando — Talvez não esteja tudo bem com você.
Allan — Bom dia!
— Ahh, a bela adormecida acordou?
Allan — Desde as 4:30.
Ele disse se sentando.
Elena — Não vai trabalhar hoje, meu amor?
Fernando — Não. Vou resolver algumas coisas aqui mesmo.
Elena — Que maravilha!
Fernando — Me esqueci de dizer: sábado vamos nos encontrar com o Dom Santiago. Vamos apresentar os nossos filhos.
Elena — Hum… isso é ótimo.
Fernando — Sim, é. Ele propôs uma aliança. Vamos casar o Allan com a filha dele.
Elena — Mas, amor, isso não é possível.
— Por que não?
Elena — O Allan não tem nada a ver com a filha deles.
Fernando — Meu amor, não seja preconceituosa.
Elena — Você sabe que eu não sou preconceituosa. Eu só acho que o Allan não combina com ela.
Allan — Quem é ela?
Elena — Viu só? Ele não sabe nada sobre a moça.
Fernando — Você sabe que os casamentos em nosso meio são assim. Você só me conheceu no dia do nosso noivado.
Elena — Eu sei, mas é diferente.
Fernando — Não precisa se estressar.
Elena — Como não?
Allan — Calma, mãe.
Ele disse nervoso.
Elena — Prometa que não vai forçar ele a casar com ela se ele não quiser.
Fernando — Prometo.
Ele disse pegando na mão dela.
Allan — Vamos, Oliver.
Elena — Filho, você nem comeu.
Allan — Eu tenho muito o que fazer.
Oliver — Vou só pegar o meu celular que esqueci lá em cima.
Peguei a cesta de pão de queijo e subi.
A porta do meu quarto estava aberta. Alguém estava lavando o meu banheiro. Procurei meu celular em cima da cama e não encontrei. Revirei tudo e nada.
— Cadê essa merda?
Funcionária — Dá licença, está procurando isso?
Ela disse, estendendo o celular para mim.
Me aproximei dela e peguei. Não acredito que ela estava pensando em roubar o meu celular.
— O que você estava fazendo com o meu celular?
Funcionária — Estava na pia.
— Estranho. Não lembro de ter levado para o banheiro.
Funcionária — Estava tocando.
— Tá.
Disse, desbloqueando o aparelho e dando as costas.
Em nenhum momento ela olhou para mim. Mas, quando virei, senti os olhos dela nas minhas costas. Só para ter certeza, parei na porta e olhei para ela. Ela olhou para baixo e voltou para o banheiro.
Essa garota é estranha. Tem algo de errado com ela. Acho que temos que ficar de olho.
Dentro do carro, vi o Allan estressado.
— Foi difícil achar meu celular.
Disse para justificar meu atraso.
Allan — Quem será essa garota?
— Quem?
Allan — A filha do Dom Santiago.
— Eu não sei nem quem é Santiago, imagina a filha dele.
Allan — Engraçado que eu já ouvi falar dele, mas não sei quem é.
— Qualquer coisa, se não gostar dela, você não aceita. Você tem escolha.
Allan — Não tenho escolha.
Ele disse engolindo em seco.
Allan — Nossa família precisa da gente. Quando eu me casar, poderei assumir as responsabilidades e teremos o apoio do Dom Santiago.
— Mas você não pode só pensar na organização.
Allan — Estou pensando na nossa família. E você se esqueceu do juramento? A organização está acima das nossas vontades.
— Eu vou descobrir quem é ela.
Allan — Prefiro descobrir na hora.
— Você que sabe. Mas, se ela for feia, eu não deixo você casar com ela. Deus me livre de ter sobrinhos feios.
Allan — Para de falar merda.
ele disse estacionando o carro.
Allan- Assim que eu assumir, vou arrumar um casamento para você também.
Ele disse descendo do carro. Eu fiz o mesmo.
- Nem fudende que eu vou me casar, com tantas mulheres no mundo, ser apenas de uma é um verdadeiro cartigo.
entramos no elevador, em seguida cada um foi para a suas salas.