Capítulo Seis
Zaya
Estamos chegando para mais um dia de trabalho. Finalmente chegou sexta-feira! Esta semana passou devagar; eu não aguentava mais ouvir a Lara resmungando o tempo todo.
Estava montando a mesa do café da manhã quando o Sr. Fernando me pediu para levar o café da manhã da dona Elena no quarto dela. Eu nunca prestei atenção no que ela costuma comer, mas, com a ajuda da cozinheira, montei a bandeja com o que ela gosta.
Bati na porta e esperei ela autorizar a minha entrada, mas ela não falou nada. O Sr. Fernando abriu a porta, deu-me passagem e disse para eu entrar. Eu não consegui olhar para o rosto dele, mas percebi que ele estava com voz de choro; achei estranho.
— Bom dia, o Sr. Fernando pediu para que eu trouxesse o café da manhã da senhora — eu disse, aproximando-me da cama.
Elena: — Coloque aqui, por favor.
Ela disse isso olhando para o lado dela na cama. Vi que ela estava chorando; ela assoou o nariz e ficou me encarando.
— Tá tudo bem?
Não sei se fiz certo em perguntar, mas não consegui me controlar.
Elena: — Está sim, obrigada!
— Ok, daqui a pouco eu volto para recolher a bandeja.
Elena: — Tá.
Me virei para sair, mas, antes que eu chegasse perto da porta, ela me chamou.
— Senhora?
Elena: — Você pode me ajudar?
— Sim. O que a senhora precisa?
Elena: — Primeiro, quero que feche a porta.
Fechei a porta rapidamente e me voltei para ela.
— Sim.
Elena: — Eu estou com dificuldades para mexer os meus braços. Pode me ajudar a me alimentar?
— C-claro.
Eu não acredito que o Sr. Fernando foi capaz de fazer algo com ela, meu Deus! Os braços dela não estão machucados, mas sei que algo não está certo. Coloquei os pedaços de bolo na boca dela; ela mastigava bem devagar enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto. Eu estava com o coração apertado só de imaginar o quanto ela estava sofrendo.
Elena: — Eu estou morrendo. — ela disse quando tirei o copo de suco da boca dela.
— Não fale isso, dona Elena.
Elena: — Eu estou com uma doença terrível... não tem cura.
Quando eu ia falar, o Sr. Fernando chegou.
Fernando: — Você ainda está chorando, meu amor? — Ele disse isso se sentando ao lado dela na cama. Eu me levantei. — Continue a dar o café da manhã dela.
Elena: — Estou cheia.
Fernando: — Nada disso, você sabe que precisa se alimentar. Olha para mim, meu amor. Me prometa que vai se cuidar, que vai se alimentar bem, por favor.
Elena: — Prometo.
Fernando: — Ótimo. Agora eu vou começar a arrumar minha mala.
Ele deu um beijo na testa dela e se levantou, indo para o closet. Eu continuei.
Eu não estou entendendo nada, é tudo muito confuso. Eu achei que ela estava assim por causa dele, mas parece que eu estava enganada. Depois que terminei de dar o café da manhã, fui cuidar dos meus afazeres.
Eram quase quatro horas da tarde quando o Sr. Fernando mandou que eu fosse até o escritório dele. Fiquei muito nervosa, pensei várias coisas.
Fernando: — Zaya, não é isso?
— Sim.
Fernando: — Sente-se, serei breve.
Eu preferia ficar em pé, mas resolvi me sentar.
Fernando: — Bom, vou direto ao ponto. — Ele engoliu em seco, olhou para o lado como se estivesse procurando as palavras e continuou: — Faz uns dois meses que a Elena recebeu o diagnóstico de uma doença terrível. Não sei se você já ouviu falar, é uma tal de Esclerose. Ela está perdendo os movimentos rápido demais; hoje mesmo, quando ela acordou, estava com os braços rígidos, não conseguia movimentá-los com facilidade. Acho que você deve ter percebido.
— Sim.
Fernando: — Eu estarei indo para uma viagem neste fim de semana e gostaria que você ficasse com ela até eu voltar.
— Sim, claro.
Fernando: — Bom, obrigado. Nem sei como te agradecer. Não se preocupe, você será recompensada.
— Não se preocupe.
Acertamos como seria tudo. Eu só preciso ficar perto da dona Elena e não deixá-la fazer esforços. Agora estamos voltando para casa; vou pegar algumas coisas que vou precisar para este fim de semana.