Sara saiu do carro assim que percebeu o que havia feito, sabia as intenções de Carlos e não queria alimentar falsas ilusões no amigo.
Caminhou pelas ruas sem nenhum norte, tendo como companhia apenas as lágrimas que brotavam em seus olhos azuis, a imagem do sorriso sarcástico de Ivan voltavam a sua mente incessantemente, mas por vezes dava espaço para as doces lembranças da reação de seu corpo ao beijo daquele homem desconhecido, mas que já tinha tanto poder sobre ela.
Cada passo era mais perdido do que o anterior, até que suas lembranças e pensamentos foram interrompidos por uma voz aparentemente embriagada.
- Hoje vou me divertir! A franguinha está chorosa, vem com o papai, vem.
Sara tentou apressar os passos quando se deu conta do perigo, estava em uma rua escura, com diversos galpões que pareciam fábricas abandonadas e diversas pessoas em situação de rua. Notou que provavelmente, mesmo que gritasse, não receberia nenhuma ajuda, alí.
Foi agarrada pelos braços e erguida do chão. Sara era uma mulher pequena e seu agressor um homem alto e muito forte, não haveria nenhuma dificuldade para dominá-la.
O homem passou a lamber a boca de Sara e repetia:
- Hoje vou me divertir.
Sara sentiu o cheiro de urina e hálito podre, o nervosismo, medo e fome, juntados a situação e ao cheiro do homem, fez com que Sara vomitasse na boca do agressor.
Recebeu um soco como retaliação, foi arremessada na calçada e a dor foi aplacada pela inconsciência, teve alternâncias entre estado de consciência e desmaios, mas sentiu seus s***s serem esmagados pelas mãos ásperas do agressor e seu vestido ser erguido e sua calcinha retirada.
Sara havia se guardado para o homem que ela amaria, sonhava com a noite de núpcias, o momento em que entregaria sua pureza por amor, mas agora estava exposta, deitada em uma calçada cheia de lixo, sendo observada pelos cães de rua, sentia em sua boca o gosto do próprio sangue e sentia o cabelo molhado pelo sangue que escorria de sua cabeça.
Um desconhecido iria usufruir daquilo que desejava entregar por amor, se entregou a inconsciência, fechou os olhos e automaticamente relembrou o beijo, Ivan, e as sensações que aquele homem havia lhe causado.