05 - AUTOESTIMA

521 Words
Sara saiu correndo do quarto se sentindo humilhada, usada e principalmente ingênua por acreditar que um homem como Ivan um dia olharia para ela como mulher. Ela nunca teve uma boa autoestima, aos 17 anos descobriu que ela era, na verdade filha de uma adolescente que após o parto havia abandonado o bebê no hospital. O Dr. Lakesi trabalhava como cirurgião chefe naquela época e a sua esposa não podia engravidar, então ele acolheu aquele pequeno milagre como sendo seu, no entanto, mais tarde quando a menina começou a se distanciar das tradições da família Lakesi sua avó durante um jantar anunciou. – Isso que dá trazer qualquer um e dar o sobrenome, o sangue é mais denso do que a água meu filho e nem sabemos de onde essa daí veio. Alexandre reagiu mandando a sogra calar-se, mas o estrago já havia sido feito e mais tarde ele precisou revelar a verdadeira origem de Sara. Isso nunca importou para o Sr. Lakesi ou para sua esposa Helena, mas o restante da família era tradicional e sempre trataram Sara como uma serva com privilégios, mas jamais como uma igual. Então a menina cresceu sem crer em si, e mais tarde, renunciou a todos os benefícios do seu sobrenome para tentar a vida como advogada criminalista. Sara era obstinada e nunca faltou um dia sequer na faculdade ou no estágio. Jamais perdeu tempo com rapazes e os seus poucos momentos de lazer eram com trilhas, montanhismo ou mesmo fazendo pequenas viagens aos litorais mais próximos para praticar mergulho. No quarto 409 Stela havia reatado o noivado com Ivan e eles tratavam sobre como ela deveria se posicionar diante do senhor Joaquim Mison e sobre a importância de manter a boa relação com os Bianchi ou os investimentos seriam interrompidos e as fraudes de Alex Mison, irmão mais velho de Stela seriam expostas. Alheia ao que acontecia no quarto de hospital, Sara só pensava em se livrar das memórias que o último mês havia deixado em sua mente, talvez nem todas, quem sabe ela poderia lembrar eventualmente do que sentiu quando os seus lábios tocaram os de Ivan. Apenas de pensar sobre isso o seu coração disparou, houve uma ligeira sensação de falta de ar, inconscientemente ela fechou os olhos e passou os dedos longos nos lábios revivendo cada detalhe daquele beijo. Neste momento ela sentiu uma mão no seu ombro e com o susto acabou gritando atraindo a atenção de todos que estava na área externa do hospital. - Carlos!!! O que você faz aqui? Com um sorriso o cirurgião respondeu. - Eu trabalho aqui, Sara. A garota se desculpou e tentou fugir daquela situação constrangedora, mas era tarde demais. - Sara, em que você estava pensando? - Nada, eu não estava pensando em absolutamente nada, aliás, você pode me dar uma carona, quero ir embora desse hospital imediatamente! Carlos viu a oportunidade que estava esperando há muito tempo e não recusou. Tirou o jaleco e disse: Vamos! Está esperando o quê? Sara ainda olhou para trás, mas se convenceu de que Ivan estava bem e junto da mulher que ele amava.
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