O sábado chegou, e com ele o encontro com Ingrid. Fernando não havia acordado muito bem, mas já sabia que tudo era parte de estar morrendo, e lutando contra isso.
Também sabia que estava ficando sem tempo, sentia que os remédios começavam a perder o efeito contra as dores.
De frente para o espelho percebeu que as olheiras estavam maiores, mais escuras, logo o cabelo começaria a cair, talvez perdesse peso primeiro.
- Que merda. - Ele se encarou. - Gosta tanto de viver e vai morrer.
Nando voltou para o quarto e com o celular na mão enviou uma mensagem.
"Bom dia"
Viu que havia algumas de Ingrid e até chegou a entrar na conversa, contudo Luiza respondeu. Fernando já não tinha mais concentração em outros assuntos.
"Bom dia Nando."
Ele escreveu algo, apagou e voltou a escrever.
"Hoje tem sorvete?" - Sorriu ao lembrar dela atrapalhada.
"Hoje tem cinema. Topa?"
Queria desesperadamente enviar um sim, acabou desconversando, mentindo sobre um jantar importante.
A conversa se estendeu pela tarde. Fernando almoçou rindo das palhaçada de Luiza. E quando deu por si, já estava em cima da hora de sair.
Era um encontro com Ingrid, então resolveu testa-la. Escolheu uma roupa casual, o carro também nao foi um dos luxuosos.
Mesmo assim, pensou ele. Se fosse a Lu, poderiam ir a pé.
- Seu amigo disse que vem dormir aqui hoje. - Nice ajeitou o colarinho da camisa dele.
- Prepara o quarto dele Nice, por favor. E diga que não pretendo demorar.
Nice, bem a contragosto se dirigiu ao andar de cima.
Era hora de ir. Ingrid mandou a localização, e de fato não era tão longe assim.
Vinte minutos depois Fernando estava frente a casa dela.
- Bela casa. - Ele pensou alto.
Ingrid apareceu no portão dois minutos depois, usava um belo.vestido preto colado ao corpo bonito. Saltos agulha, o cabelo loiro soltou. Ela estaba cheirosa.
Nando notou que ela vacilou o andar quando viu o carro, contudo manteve o sorriso largo e se aproximou.
Entrou calada, com as duas mãos na bolsa.
- Está muito bonita. - Fernando beijou-lhe a mão.
- Obrigada Doutor.
- Aqui somos Nando e Ingrid, por favor.
- Claro. - Ela o respondeu com cautela.
Fernando dirigiu por um tempo até encontrar uma sorveteria, parou o carro sem olhar para a companheira da noite e como uma cavaleiro foi até ela.
- Aqui? - Ingrid indagou.
- Aqui. Algum problema?
- Não. É que se eu soubesse, viria mais a vontade.
Não era bem isso, e Nando sabia. Entraram e pediram cada um uma taça de sorvete.
- Quanto tempo trabalha no hospital? - Ele se acomodou na cadeira.
- Quatro anos, desde que acabei a faculdade. - Ingrid respondeu.
- Gosta de lá?
- Claro. É um bom lugar.
Ela estaba escolhendo as palavras, queria outro assunto, em outro lugar.
- Está desimpedida?
Ela sorriu, olhou para os lados e voltou a encara-lo.
- Solteira, sim. Sozinha não. Não gosto muito dessa coisa de ter um alguém mandando em mim. Acho que curto essa coisa de liberdade entende?
- Sim. - Nando recebeu a taça de sorvete e aguardou Ingrid receber a dela.
Ingrid era uma bela mulher, mas era rasa, nao entrava nos assuntos de fato.
Nando já tinha acabado o sorvete e notou que ela não havia tocado no seu.
- Não gosta? - Perguntou, apontando.
- Muitas calorias.
Ela começava a se soltar, o jeito doce, se transformava em algo sínico. Tinha também aquela leve insatisfação com o lugar. Parecia que Ingrid não era a mãe perfeita.
A noite já ser longa...
Luiza acabou por escolher um filme de Heróis, e não se arrependeu. Faltava pouco para o shopping fechar, então ela aproveitou um lanche enquanto pensava na vida.
Faltavam menos de dois dias para Edson voltar a procurá-la. Só esperava ter tempo disso.
Depois de comer pediu um carro por aplicativo e sozinha em frente ao shopping, esperou.
Quando o carro chegou, não era o esperado.
- Entra.
- p**a merda Edson. Não. Não vou entrar. - ela lhe respondeu. - Você não tem vida ?
- Claro que tenho. - ele disse, impaciente. - Vim resolver umas coisas aqui e te vi.
- Ah sim. - Ela virou o rosto. - Boa noite Edson.
- Eu te levo em casa. - Ele continuou.
- Eu fiz Proerd. E mesmo que não tivesse feito, te conheço muito bem. Aliás, ainda estou tem tempo de pagar.
Edson desceu do carro, estava sem os dois seguranças. Pegou Luiza pelo braço e praticamente a enfiou no banco do passageiro.
Pelo retrovisor ela viu que o motorista acabara de chegar e flagrou tudo. O homem desceu do carro e se aproximou.
- Luiza? - Perguntou.
- Sim. - Edson quem respondeu.
- Ela pediu uma corrida amigo.
- Sim, mas minha namorada vai comigo.
O homem levou a mão a cintura, analisou o carro, e voltou a olhar para ele.
- Namorada de um homem casado... Bom, ou ela vem comigo, ou posso passar um rádio agora mesmo. O que acha?
Sem dizer nada, Luiza destravou a porta e desceu do carro. Acompanhou o motorista e deixou Edson parado.
Quando o carro ganhou movimento ela notou que o homem fazia outro caminho.
- Você é amante dele?
- Não. - Luiza se encolheu mais ainda. - Mas ele pensa que sou. Como sabe que ele ia me fazer m*l?
- Já fui chamado para muitas ocorrências assim. Algumas delas não acabam bem.
Ele era policial.
- Me chamo Thomaz.
- Obrigada Thomaz.
Ele parou na frente da casa escura, deu uma olhada para os lados e soltou o cinto.
- Me dá seu celular.
Ela estendeu a mão, derrotada e com vergonha.
Thomaz anotou o próprio número ali, fez uma chamada e a devolveu.
- Em situação de extrema urgência, me liga.
- Mais uma vez, obrigada.
Ele deu partida e saiu com o carro. Luiza fechou o portão e atravessou, ou tentou atravessar o pátio, contudo sentiu um puxão forte, que a fez desequilibrar e cair.
Edson havia deixado a porta do carro dela aberta. Estava ali a espreita como um bicho r**m.
O celular na queda, ficou onde estava.
- Fica calada. Sabe que te quero, não?
Ele a jogou para dentro do carro e entrou em seguida.
Luiza estava só, não queria que a mãe visse aquilo, ou soubesse da safadeza dela para manter o irmão a salvo.
Sentou indefesa no banco e com lágrimas nos olhos viu Edson fechar a porta com cuidado.
Quando ele voltou a devorou em um beijo dolorido. Enfiou a mão entre as pernas dela.
Luiza naquele momento sentiu-se molhada. Edson era charmoso, e mesmo que ela não quisesse, se sentia atraída por ele.
Fechou os olhos e mordeu os lábios quando sentiu prazer. Ele sabia disso e gostava. Gostava de tê-la em seus braços.
Edson tirou a calça com dificuldade, já Luiza de vestido sentiu os dedos ágeis dele afastar sua calcinha para o lado.
- Coloca camisinha. - Ela tentou se afastar.
- Qual é Luiza, já fizemos sem.
- Coloca camisinha ou eu saio daqui. - Luiza segurou a mão dele, que se movia entre suas pernas.
Nervoso, Edson pegou uma camisinha da carteira e a colocou.
- Pronta agora?
- Sim..
Ele pegou Luiza no colo e a sentou de frente.
Não tinha prazer na penetração, para ela era como uma forma de pagamento. Se pelo menos Walter ficasse em segurança, aguentaria t*****r com Edson.
Ele gemeu um pouco alto e logo a sentou de lado. Vestiu a calça e lhe entregou a camisinha suja.
- Não te obriguei a nada. - Edson respirava rápido.
- Eu sei. - Ela ajeitou a calcinha.
- Falo isso, porque depois sai por aí dizendo que eu abusei de você.
- Edson, fica tranquilo. Eu sei o que faço.
Ainda se lembrava quando tudo começou, ele a chamou na sala da diretoria, estavam devendo. E então, Edson fez a proposta, dizia que sentia algo por ela.
Depois de alguns encontros e mensalidades abonadas, ele se casou com a dona do lugar. Quase trinta anos mais velha.
- No próximo final de semana tem visita. - Ele disse quando saiu do carro. - O garoto sente falta de vocês.
- Claro.
Já nem aguentava responder, e quando Edson finalmente se esquivou para a rua ela rumou diretamente para dentro de casa com lágrimas pesadas correndo pelo rosto.
Ao entrar deu de cara com a mãe. Dona Marli tremia até o queixo, furiosa.
- Que pouca vergonha... - Ela cuspiu no rosto da filha. - Sua vagabunda! Pega as suas coisas e some daqui..
- Mãe.. - Luiza tentou se defender.
- Faz da minha casa uma zona, transando feito um bicho no carro. - Ela disparou contra a filha. - Criei uma vagabunda...
- Mãe, por favor. Eu precisei fazer aquilo pelo Walter. - Luiza se defendia dos tapas.
- Fez isso porque é safada. - A mãe, esbaforida falou. - Você deveria ter morrido junto do safado do seu pai!
Luiza apanhava e já não se defendia. No fundo era verdade. Era uma safada como o pai, que morreu em um acidente com a amante.
- Pega as tuas coisas Luiza. - Dona Marli agarrou-lhe pelos cabelos e a levou até o quarto. - Pega as tuas coisas e some. Prefiro passar fome mais a tua avó, do que olhar na sua cara outra vez.
De canto de olho, Luiza viu a avó chorando, os olhos assustados, tremendo.
- Deixa ela Marli. - Dona Amelita falava. - Deixa a menina em casa..
- Não mãe! - Ela gritou. - Vai embora Luiza. Se depender de mim. Não tenho mais filha ..
Luiza pegou um punhado de roupas, enfiou em uma bolsa velha e sem dizer uma palavra sequer, deixou a casa.
Entrou no carro e só parou quando viu os letreiros do hospital.
****
Fernando estacionou o carro em frente a casa de Ingrid. O assunto acabou na mesa, então a volta foi em completo silêncio.
- Boa noite Ingrid. - Ele disse.
Ingrid soltou o cinto e de surpresa o beijou. Nando retribuiu, de longe um beijo caloroso.
Ingrid que já estava sem cinto rapidamente sentou no colo dele.
- Aqui na rua? - Ele se afastou.
- Quer entrar?
Nando a seguiu para dentro. A casa era bonita, bem organizada. Ela tinha uma gatinha, que chamava de Pandora.
No andar de cima ficavam os quartos.
O de Ingrid era uma completa bagunça.
Mas ele estava ali para uma coisa. E pegou pela cintura e a beijou, Ingrid rápida tirou o vestido.
Ela era uma bela mulher, e sabia disso.
Naquele momento, enquanto tirava a roupa. Fernando pensou que poderia entrar nela sem preservativo, mas havia o fato das doenças sexuais.
E pensando bem, Ingrid não seria a mãe do seu filho, mas eles podiam aproveitar a noite.
Ela era quente, gostosa. m*l colocou a camisinha quando Ingrid o jogou na cama.
O que seria bom, se tornou um verdadeiro inferno.
Ao jogar Nando na cama, Ingrid não calculou direito. Ele caiu de m*l jeito, batendo a coluna na mesinha ao lado da cama.
A dor foi tanta que ele desmaiou.
- Nando. Nando! - Ela se abaixou. - Por favor. Nando!
Apressada, Ingrid pegou o vestido do chão e ligou para a única pessoa que poderia ajuda-la.
- Ingrid, pra me ligar uma hora dessas, imagino que seja algo importante.
- Doutor José Carlos, o Nando está desmaiado.
- Onde ele está?
Ela escutou a correria do outro lado da linha.
- Na minha casa... ele bateu a coluna...
- Daqui a pouco chego aí...