Adeus, Patrick!

2413 Words
[...] Patrick parecia que sabia onde aquela conversa ia dar, talvez ele tivesse aprendido a ler pensamentos e já sabia de tudo que seu pai ia conversar com ele. Mesmo sendo um homem com mais de trinta anos, ele ainda fazia praticamente tudo que seu pai lhe pedia, por ser filho único e sua mãe já ser falecida, Patrick não gostava de decepcionar seu pai, aquilo já era hábito que ele tinha desde criança, porém com Melissa ele não conseguiu manter a promessa que fez a sua mãe e além de decepcionar Rubens ele não só decepcionou como humilhou e destruiu Melissa completamente. O olhar de seu pai estava carregado de dor e mágoa. Rubens estava partindo e sentiu um grande aperto em seu coração, nem conseguiu lhe dar o que ele sempre sonhou ter: um neto. Um neto era o maior sonho de seu pai, no entanto, com Melissa ele dormiu apenas uma vez, nunca sentiu desejo por ela, não podia ficar com uma mulher que ele tinha repulsa. A única mulher que ele sentia desejo era Raquel, porém, a mesma não queria ter filhos, prezava por um corpo bonito e escultural e engravidar iria lhe tirar tudo aquilo, filhos era algo que Raquel nunca quis dar a Patrick, mas isso já fazia parte dos seus planos, ela não o amava e não queria nada que a prendesse a Patrick, apenas o seu dinheiro. — Então o senhor já deve saber que não fui eu quem pediu o divórcio, não sabe? — Patrick perguntou, quando se jogou no sofá, frustrado. — Sei sim, mas foi você o culpado para isso acontecer, Patrick. Você levou a Melissa a fazer isso. Ela poderia muito bem ter pedido o divórcio no dia seguinte do casamento, no entanto, ela continuou com você por um ano e meio, ela queria viver com você e tentar fazer você se apaixonar por ela, ela te amava, Patrick e ainda te ama, disso eu tenho certeza. Porque foi tão difícil para você gostar dela e viver feliz ao lado dela, meu filho? — Patrick o encarou inquieto. — Papai, o senhor não pode dizer por quem eu devo me apaixonar, nem eu mesmo posso dizer isso. Não sei se o senhor sabe, mas no coração não se manda. Também não tenho culpa se a Melissa é uma romântica e acreditou que poderia me fazer mudar de ideia e deixar de amar a Raquel e me apaixonar por ela. — Foi irônico. — Eu preciso ir, tenho um divórcio para assinar. — Levantou-se. —Você não vai! — Rubens disse. — Pai, a Melissa pediu o divórcio, não fui eu, a essa hora ela já assinou e eu preciso assinar também para finalmente ficar livre desse casamento que você inventou. — Colocou as mãos nos quadris e encarou Rubens. — Ela até pode ter assinado o divórcio e ter sido ideia dela a separação, mas você não pode, se fizer isso eu o deixo sem nada, mudo todo o testamento e não deixo um centavo para você. — Patrick olhou furioso para o pai. — Você não pode fazer isso, sou seu filho. — Retrucou. — Posso e faço, não me desafie. Não deixarei nada para você, caso assine esse divórcio agora. — Respondeu. — E o que quer que eu faça? Que me humilhe nos pés dela e peça para que fique comigo e desista do divórcio? — Perguntou de forma sarcástica. — Eu deveria fazer exatamente isso, mas não vou mais submeter a Mel a mais esse sofrimento, isso você ainda vai fazer um dia, quando descobri quais são seus verdadeiros sentimentos por ela e eu espero que seja de forma bastante dolorosa, para você saber tudo que ela passou esse tempo todo sendo humilhada e desprezada por você. — Rubens disse, fazendo o filho travar a mandíbula com raiva. — Então porque está me dizendo que eu não vou assinar o divórcio? — Indagou revoltado. — Porque você tem que cumprir o prazo de dois anos que era o nosso acordo. Mesmo que ela assine e você não, vocês ainda continuam casados. Seis meses, é tudo que eu preciso para finalizar o nosso acordo e para te mostrar que você está sendo enganado de todas as formas. — Disse o homem, que tinha uma aparência abatida e cansada. — Não, pai. Eu quero me casar com a Raquel, esse tempo que o senhor está me pedindo é muito. — Respondeu, irritado. — Quem esperou um ano e meio, espera mais seis meses. — Rubens tinha muitos planos e antes de chegar os seis meses ele revelaria quem era Raquel. — Você não vai ceder, não é mesmo? — Patrick estava chateado demais, no entanto ele não queria perder a herança, muito menos brigar sério com seu pai quando sua saúde estava tão sensível. — Não mesmo, você me deu sua palavra, cumpra-a. — Patrick se deu por vencido, era inútil ir contra seu pai. — Está bem, pai. Eu espero os seis meses, mas é só isso e nem um dia a mais. — Disse o encarando. — Já pensou que hoje é o primeiro dia que você vai chegar em casa e não vai encontrar o seu jantar pronto? Que vai encontrar aquela casa escura? Que não vai mais sentir o perfume doce e enjoativo dela? Nem ouvir ela cantarolar com sua voz irritante pela casa? — Patrick sempre reclamava disso para Rubens, por isso ele jogou tudo isso em sua cara. — Eu só consigo pensar em uma coisa, pai: hoje é o primeiro dia da minha liberdade e não vou ouvir suas insinuações. — Disse bravo. — É uma pena que eu não esteja mais aqui para ver você feito um bobo apaixonado pela Melissa. Você vai ver a mulher incrível que você não soube amar, seu tonto. — O homem xingou o t**o de seu filho. — Eu não vou ficar aqui ouvindo essas coisas, tenho que ir trabalhar, amanhã eu passo aqui para ver o senhor. — Patrick era um playboy cafajeste, mas era uma pessoa bastante atencioso com seu pai, sabia que em breve ele não ia mais poder visitá-lo, seu pai não estaria mais entre eles. Rubens assentiu e o seu filho saiu de sua casa, deixando-o com uma única certeza: seu filho ainda ia quebrar a cara e dar o devido valor a Melissa, pagando caríssimo por tudo que fez com ela. Patrick ligou para Raquel quando saiu da casa de seu pai, queria comemorar com ela a sua liberdade, entretanto, ela não pôde, estava bastante ocupada com algo que ela não quis lhe dizer o que era, nem onde estava e nem o que estava fazendo. Patrick estranhou, porém não fez nada, apenas dirigiu em direção à empresa. Patrick entrou no estacionamento da empresa e viu quando uma mulher entrou em um carro preto, aquela mulher era uma das mais lindas que os seus olhos já tinham vistos, mas quem era ela? Ele nunca a viu na empresa. — Boa tarde, Carlos! — Ele cumprimentou o seu advogado. — A Melissa já veio assinar o divórcio? — Indagou. — Sim, ela ficou bastante chateada pelo senhor não ter aparecido no horário marcado para assinar o divórcio. — Carlos informou. — E nem vou, Carlos, o meu pai me colocou contra a parede novamente, só posso assinar o divórcio daqui a seis meses, tenho que cumprir o combinado com ele. — Respondeu. — Aliás, você conhece aquela mulher que acabou de sair daqui, ela estava em um carro preto? — Patrick ficou encantado com a beleza da mulher. Carlos riu fraco e um tanto surpreso. — Mas senhor, Patrick, aquela era a sua ex-esposa, a senhora Melissa, não a reconheceu? — Aquela informação o fez ficar sem palavras, quando ela tinha se tornado aquela mulher tão linda? Talvez Patrick tenha sido pego de surpresa ou se durante o tempo que passou casado com Melissa ele prestasse atenção nela, ele a reconheceria, mesmo ela com aquele visual diferente. No entanto, ele nunca prestou atenção na beleza de sua esposa, nunca fez questão de observá-la, assim não a reconheceu, mas ela não tinha mudado muito. Melissa tinha apenas cortado seus cabelos e mudado seu jeito de se vestir. — Eu não a tinha visto depois dessa mudança de visual, ela está diferente, só isso. — Deu de ombros, tentando mostrar desinteresse, mas na verdade ele estava bastante surpreso com a beleza de Melissa e como ela combinava muito mais com aquele estilo. — Desculpa senhor e com todo o respeito, mas o senhor deixou escapar uma mulher lindíssima, a senhora Melissa é sem dúvida nenhuma a mulher mais linda que eu já conheci. — Patrick não gostou daquele comentário de seu funcionário, mas disfarçou. — Não exagere, Carlos. Você conhece a Raquel, ela também é muito linda. — Falou de sua amante, mas Carlos riu com aquele comentário. — Mais uma vez eu vou me desculpar pelo que eu vou falar, senhor Patrick. Mas a senhorita Raquel não chega nem aos pés da senhora Melissa, ela é arrogante e fútil demais, e isso a deixa feia. A sua ex-esposa não, ela é gentil, educada e simpática. Isso a faz parecer ainda mais bela. — Confessou. — Já chega Carlos, vamos trabalhar, você já falou bobagens demais. — Aquilo era o primeiro sinal de um sentimento que Patrick tinha adormecido em seu coração por Melissa e camuflado pelo desejo por Raquel. E o que ele não percebeu foi que a sua raiva foi apenas pelos elogios que seu advogado falou para Melissa e não pelas críticas ditas a Raquel. — Está bem, não está mais aqui quem falou. — Carlos ergueu as mãos em redenção. Patrick até tentou trabalhar durante a tarde, porém a imagem de Melissa entrando naquele carro ainda estava em sua mente. Como ele poderia estar tão mexido apenas com aquilo? Ainda continuava sendo a mulher chata e romântica demais, a mesma filha de funcionários da fazenda, a que não tinha nenhuma linhagem decente, apenas um sobrenome de seus pais adotivos, talvez só aquilo para lhe trazer um pouco de prestígio e valor. Também tentou fazer contato com Raquel, mas ela não o atendia, ele começou a se preocupar com aquilo, ela nunca ficava sem falar com ele. Como não ia ser um dia lucrativo para ele, Patrick resolveu ir embora, iria tentar falar com sua amante quando chegasse em casa. Pegou suas coisas e partiu em direção a casa que ele dividiu com Melissa e pela primeira vez em quase dois anos, ele entraria naquela casa e não a encontraria e a primeira em cinco anos que não veria seu sorriso, pois mesmo sem ele ao menos lhe dirigir a palavra, Melissa sempre o recebeu em casa com um sorriso. Patrick adentrou a sua casa e respirou fundo, estava cansado, mas não era um cansaço físico, mas sim mental. Tinha passado todo o dia pensando em tudo que seu pai lhe disse, inclusive sobre o caráter de Raquel, como seu pai sabia de tudo aquilo? Patrick se perguntava aquilo, porém ele sabia que tudo que o seu pai queria, ele conseguia, então ter total noção daquilo, só o deixava ainda mais frustrado, tudo que ele fazia, Rubens tinha conhecimento. Ele subiu diretamente para o seu quarto, já se livrando de algumas peças de roupas, como blazer, gravata e cinto. Passou em frente à porta do quarto de Melissa, estava aberto e totalmente escuro, então ele sentiu que definitivamente ele estava sozinho. Então quando ele entrou em seu quarto a primeira coisa que ele viu foi a aliança dela em cima de uma grande caixa e de um envelope. Ele caminhou até a sua cama, que estava muito bem arrumada e pegou a aliança, observou ela por alguns instantes. Em seguida pegou o envelope e o abriu, era uma carta dela. "Oi, Patrick, Felizmente você conseguiu o que queria, não é? Eu juro que desejava te dizer tudo isso pessoalmente, mas conhecendo um pouco você, eu tenho certeza que você sairia antes que eu pudesse proferir duas frases. Sempre foi assim, não é mesmo? Você nunca ficou no mesmo ambiente que eu por mais de dez minutos, quando eu ficava quieta, mas quando eu abria a boca para falar algo esse tempo diminuía. Eu sempre me perguntei o que eu tinha feito para merecer tanto desprezo seu, sempre quis perguntar o que eu tinha te feito, mas eu nunca tive a oportunidade. Agora eu estou indo embora e você pode festejar, nunca mais verá o meu rosto, o qual você nunca olhou diretamente, nunca mais ouvirá a minha voz irritante, nunca mais eu serei uma vergonha para você. Eu te amei, amei demais e talvez ainda ame, É eu ainda te amo! Mas esse meu amor nunca foi forte o suficiente para fazê-lo me amar também. Você nunca teve um sentimento por mim, além de ódio? Um ano e meio e vivi a mais pura solidão, vivi o pior ano da minha vida. Essa casa se tornou um dos lugares mais horríveis para se viver. O lugar que eu sonhei que seríamos muito felizes, hoje representa a minha maior decepção e infelicidade. Sonhei todos os dias com o dia em que você chegaria e diria que me amava. Sonhei que você me amaria em cada canto dela. Eu tinha sonhos com você, sonhos simples que toda mulher apaixonada tem, como: Assistir um filme em uma noite fria agarradinhos no sofá da sala que nunca foi usado por nós, das vezes que poderíamos preparar nossas refeições na cozinha, enquanto tomávamos um vinho e falávamos do futuro, imaginei a gente brincando com nossos filhos na piscina e no jardim. Você já viu o quanto ele é grande? Ótimo para fazer várias brincadeiras em um domingo de sol. Das vezes que entrei no seu quarto e sonhei com as noites de amor que poderíamos ter, mas infelizmente eu só tenho uma lembrança r**m e dolorosa desse quarto e dessa cama, da nossa noite de núpcias, onde você me fez sentir a pior dor, e a maior humilhação que uma mulher pode sentir. Hoje eu te deixo em liberdade, mesmo com o meu coração sangrando, eu ainda te amo, mas vou matar esse amor dentro de mim. Espero que você seja feliz e que viva com a Raquel tudo aquilo que não viveu comigo. Adeus, Patrick! Da mulher que você sempre odiou, Melissa. "
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