De volta para casa!

1865 Words
~°~ Patrick sentiu o seu coração apertar com aquela carta, ele estava sem palavras e sim, se ela tentasse falar pessoalmente aquelas palavras para ele, Patrick não iria ouvir a primeira frase, não imaginava que a sua ex-esposa poderia o conhecer sem ao menos ter vivido com ele. Mas ler aquelas palavras doeu, pois, ele não percebia o quão c***l ele era, pensava que as suas palavras não a machucavam, que ela ainda estava com ele e tinha se casado com ele devido ao seu dinheiro, mesmo ele sabendo que a família dela tinha bem mais que a família dele. No entanto, no seu íntimo ele tinha certeza que jamais poderia ficar com alguém como Melissa, com um passado de pobreza e miséria, vinda de uma família, que antes de chegar na fazenda de Augusto fazia uma única refeição por dia. Ele não podia ter sentimentos por aquela mulher. Melissa ia totalmente contra tudo que ele cresceu vendo e aprendeu com os seus amigos. Patrick era um homem com um nome conhecido em todo o país e fora dele. Mesmo que ela fosse a filha de Augusto Albuquerque de Sá, o maior exportador de café do país, ela não era sua filha legítima, não tinha o seu sangue, fora adotada e era filha dos seus funcionários e toda sociedade sabia. Para ele, que só se relacionava com mulheres de classe e da alta sociedade, aparecer com Melissa e se declarar apaixonado por ela era o fim do seu legado do homem de mulheres da alta sociedade, milionárias e de boa família, não deixaria que a mídia soubesse que a sua esposa era filha de uma família que não tinha nada. E toda a sua repulsa, vergonha e medo eram conhecidos por Melissa, que sabia que não significava nada-lhe e nunca significaria, tudo entre eles estava acabado. Patrick abriu a caixa e tirou de lá tudo que dera de presente a ela, presentes esses que não foram comprados com carinhos e muito menos com amor, então não havia motivos para levar aquilo e dentro da caixa tinha mais um bilhete. "Aqui está tudo que você me deu, não, melhor, tudo que foi forçado a dar-me. Faça o que bem entender deles… Melhor, queime-os, assim como todos os vestidos e sapatos comprados para mim, para eu poder interpretar um personagem, eu nunca gostei de vestir-me daquela forma, aquela mulher não era eu, e nunca vais ser, mas agora eu posso ser a verdadeira Melissa, aquela que nunca quis conhecer, a mulher que tem nojo. Aproveite e queime qualquer resquício de memória que tenha de mim, especialmente o meu nome." Se um dia alguém já lhe tivesse falado algo que doesse tanto quanto aquelas palavras escritas por Melissa, ele não lembrava, na verdade, ninguém nunca tivera coragem para falar daquela forma com ele. No entanto, ele já tinha o divórcio assinado e em seis meses ele não teria mais nenhum vínculo com a mulher que o seu pai jurava ser a mulher certa para ele, Rubens não sabia de coisa alguma e devia parar de ler e assistir romances. Patrick pegou aquela caixa cheia de coisas e colocou em algum seu closet, depois ele se livraria daquilo tudo, assim como se livraria da presença de Melissa na sua mente e a aliança que lhe pertencia, Patrick a colocou no seu dedo mindinho, em breve jogaria em qualquer lata de lixo. Tomou banho e resolveu que não sairia de casa, ainda teve que pedir o seu jantar, Melissa já não estava ali para fazer e daquilo ele já começava a sentir falta. O loiro ligou mais algumas vezes para Raquel, mas ela não o atendeu e logo depois o seu celular só dava caixa de mensagem. Com raiva, ele deixou o celular de lado e subiu para seu quarto. Mas não resistiu ao ver a porta do quarto que fora de Melissa durante um ano e seis meses, o tempo que ficaram juntos, melhor, o tempo que ficaram casados, pois, juntos eles nunca ficaram. Ele caminhou pelo quarto, ainda tinha o seu cheiro. A cama estava feita e tudo no seu devido lugar, ela era organizada. — O que diabos aconteceu comigo? — Suspirou, olhando tudo em volta, notou que na mesa de cabeceira dela tinha um porta-retrato com uma foto deles no dia do seu casamento. — Que tonta! — Disse encarando a foto, onde ele parecia ir para o corredor da morte, esboçando um sorriso falso, sorriso que só enganava a Melissa, que acreditava que aquele casamento acontecia por amor, já Melissa, ela estava esplêndida, linda, como se estivesse a realizar o maior sonho da vida dela e de certa forma ela estava, pois, casava com o homem que ela amava, só não esperava ser sua maior decepção e que descobriria que ele não a amava poucas horas depois daquela foto. Patrick deixou o porta retrato de lado e sentou-se na cama, o quarto tinha o cheiro dela. Ficou a observar tudo, ele nunca entrara naquele lugar. Como aquele cómodo lhe trazia um certo conforto quando ele nunca entrou ali depois que Melissa passou a usar ele como o seu quarto? [...] Melissa amava tudo aquilo. A liberdade enquanto dirige, a estrada de terra batida, o verde das plantações. Tudo aquilo trazia uma grande nostalgia para ela. Era aquilo que ela amava e Patrick odiava. Ela estava se sentindo livre, depois de mais de dois anos sem ir até à fazenda dos seus pais, onde ela nascera e crescido, onde viveu os melhores anos da sua vida. Melissa não saía da cidade, sempre estava ao lado de Patrick, pois ela não sabia quando surgiria algum evento onde ela teria que acompanhar ele e mesmo em dias de folgas, fins de semana e feriado ele nunca a acompanhou ou permitiu que ela visitasse os seus pais. E quando sentia falta deles, se contentava com alguma chamada de vídeo ou quando Augusto ia até à cidade resolver algo da fazenda. Patrick não gostava do campo, não gostava de como as pessoas se comportavam e muito menos a pobreza que algumas exalavam. Agora há poucos quilómetros da fazenda, ela sentia o seu coração palpitar no seu peito, enquanto um largo sorriso se formava no seu rosto. Até a casa de Augusto e Olivia ainda faltava um pouco de estrada para ela dirigir, porém, já observava a imensidão verde dos pés de café e das terras do seu pai, de onde vinha toda a fortuna dos Albuquerque de Sá. Ela abriu o vidro do carro e sentiu o aroma da terra molhada, onde a chuva acabara de molhar. — Eu estou de volta à minha terra. — Disse rindo. Apesar de estar saindo de um relacionamento que ela só sofreu feito uma desgraçada e amando aquele que só a magoou, Melissa estava feliz por rever a sua família e a sua terra. Era quase início do fim da tarde quando ela chegou em casa, o sol ainda estava em todo o seu esplendor. Ao descer do carro, a primeira coisa que ela sentiu foi o cheiro do café que vinha do interior da casa, aquilo era costume: café da tarde. E ao sentir aquele aroma que despertou tantas memórias boas, ela só pensou numa coisa: estão todos em casa. Fechou o carro e correu até a porta principal, que como previa estava aberta. — Será que ainda tem um espaço nessa mesa para uma filha que estava com tantas saudades? — Disse Melissa, com um sorriso largo no rosto. As pessoas à mesa assustaram-se, eles jamais esperavam por ela ali na fazenda no meio da semana, quando não era nenhuma data especial e muito menos sozinha. Olivia, mãe de Melissa, desconfiou. — Mel, o que a traz aqui? — Vinicius perguntou com o pequeno Jackson no colo. — Nossa, maninho. Isso é jeito de receber a sua irmã? — Melissa deu um peteleco na sua testa fazendo ele rir, colocando Jackson rapidamente no bebé conforto e se levantar rápido, lhe dando um abraço apertado-lhe erguendo do chão. — Melissa, minha filha, nós estamos surpresos. — Augusto disse ficando de pé. — Pois saibam que essa é a melhor surpresa que eu poderia receber hoje, eu estava com tanta saudade, minha linda. — Olivia levantou-se e em seguida abraçou a filha de forma bastante carinhosa. Melissa poderia não ter sido gerada no seu ventre, mas ela conhecia-a muito bem e enxergou uma tristeza no fundo dos olhos dela. Augusto abraçou a filha e ele entendeu naquele abraço que Melissa precisava deles mais do que nunca. — É bom que tenha procurado o caminho de casa. — Disse num sussurro ao abraçá-la. — Se a Mel está aqui é porque ela deve ter uma boa notícia para nós dar, quem sabe um priminho para o Jackson. — Nayara também levantou-se e cumprimentou a cunhada com um abraço caloroso. Um nó fez-se na garganta de Melissa, tudo que ela sempre sonhou foi em ser mãe, era um dos seus maiores sonhos. Imaginou que o realizaria com Patrick, um bebé com os olhos e o sorriso dele seria como dar à luz ao ser mais perfeito, no entanto, aquele sonho ela jamais realizaria, não com Patrick, que acabara de se tornar o seu ex-marido. — Infelizmente não, Nay. Penso que a única surpresa boa aqui é a minha presença, mas o motivo de eu estar aqui não é nada bom. — Nay, que era bastante carinhosa, acariciou a bochecha da sua cunhada e como sentisse o que ela passava voltou a abraçá-la. — Independente do que está acontecendo, tudo vai ficar bem, você vai ficar bem, Mel. — Augusto suspirou pesado, passando os dedos entre os cabelos, bagunçando os fios grisalhos, mostrando os resquícios da idade. — Foi o Patrick, não foi? — O pai de Melissa perguntou, ele sabia muito bem quem era o seu genro e do que ele era capaz. — Como o senhor sabe, pai? — Uma lágrima escorreu pela face da mulher, revelando que o motivo de levá-la para a casa de seus pais não era um motivo tão simples como Olivia e Nayara pensaram ser. — Nós temos conhecimento de muitas coisas Mel, inclusive de que você e o Patrick não vive um casamento como todos pensavam viverem. — Vinicius disse, voltando a sentar-se novamente. — Eu pensava que vocês não sabiam de nada do que acontecia entre mim e o meu ex-marido. — Melissa disse sem preocupação, causando mais espanto na sua cunhada e mãe. Melissa não escondeu da sua família o que estava acontecendo, por sua saúde mental e física, ela iria procurar ajuda logo, não deixaria que o sentimento que ela ainda sentia por Patrick impedisse-lhe de viver uma vida normal, Melissa estava disposta a se dar uma nova oportunidade. E logo ela superaria o divórcio e esqueceria Patrick para sempre, tirando do seu coração qualquer resquício que ainda existisse do seu ex-marido. Iria se permitir conhecer novas pessoas e aproveitar o tempo que perdeu ao lado dele, iria em busca da sua felicidade. Patrick não merecia o seu sofrimento, ele odiava-a e nunca iria sentir o mesmo sentimento que ela sentia por ele.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD