Prólogo

5000 Words
O casamento é a formalização de duas almas que se amam e se tornam uma, a escolha mais perfeita entre um casal, que decidem que o casamento é a certeza de que a vida será melhor a dois, a concretização de que pertencem um ao outro. No entanto, o casamento de Melissa e Patrick não foi baseado em nada disso, mas sim numa amizade, mas não a amizade deles, mas sim a amizade entre seus pais. Com a idade avançada e viúvo, Rubens desejava partir e deixar seu filho casado. Casado com uma mulher que vinhesse a ser uma esposa perfeita, que definitivamente fizesse seu filho largar a vida de playboy que não combina com o homem de 32 anos que ele era e o transformasse em um homem de família. Quando Melissa, a pedido de seu pai, Augusto, vai passar uma temporada na casa de Rubens, ele vê nela a chance de fazer seu filho casar-se com ela e ter a família que ele sempre desejou. Patrick não desejava de forma nenhuma ter qualquer relacionamento com Melissa, pois o homem já tinha alguém, a ambiciosa e astuta Raquel, com quem ele tinha um relacionamento às escondidas, já que ela nunca seria aceita por seu pai, mas o que ele não sabia era que Rubens tinha conhecimento de tudo que acontecia na vida de seu filho. Nem mesmo uma amizade foi capaz de existir entre os dois, Melissa era tudo que ele mais odiava em uma mulher. Ela era doce demais, romântica demais, submissa demais e isso ele odiava. Porém, o que ele não sabia era que ela se apaixonou por ele assim que chegou em sua casa e o viu dormindo no sofá. Inocente ela foi vítima de Patrick. Entretanto, como um bom homem nos negócios e com muita lábia, Rubens não desistiu fácil e conseguiu o que mais queria: O casamento de Melissa e Patrick. E em menos de dois meses os dois estavam casados, e apesar de Augusto e Olivia, pais de Melissa serem contra um casamento tão repentino, Melissa não os ouviu e casou com Patrick, estava cega de amor e não voltaria atrás ao sim que já tinha dito ao homem. Ela estava cega de amor e essa foi a sua pior escolha. [...] Patrick gemeu, finalizando o ato, tinha chegado ao seu limite, no entanto a mulher embaixo de si não estava satisfeita, pelo contrário, ela se sentia horrível. — Espero que o herdeiro que o meu pai tanto deseja venha dessa vez, pois é a última vez que eu te toco. — Patrick disse, em seguida saindo de cima dela. O ato que tinha começado de forma selvagem, terminou da pior forma, de uma forma muito humilhante. Era a sua primeira vez e tudo que sonhou para aquele dia tinha ficado apenas em seus pensamentos. O homem que tinha lhe jurado amor eterno e que dizia que a amava, agiu como um monstro. — Ele estava fingindo esse tempo todo? — Melissa se perguntou, puxando o lençol para cobrir seu corpo e permitiu que as lágrimas lavassem seu rosto. — Por isso que ele não quis lua de mel. O Patrick nunca me amou. — Falou em sussurro. Melissa se permitiu chorar o tempo suficiente, até que se arrastando até o banheiro ela se lavou e vestiu um pijama, catou as roupas do chão, inclusive o vestido de noiva com alguns botões estourados por Patrick, o qual ela colocaria fogo mais tarde. De joelhos no chão do quarto, ela pegou a camisa dele. Melissa estava furiosa. — Eu não sei qual foi o motivo que levou você a querer casar comigo, mas um filho, um herdeiro vindo de um casamento sem amor, para dar continuidade à uma geração de miseráveis como você, ah, isso nunca vai acontecer. — Pegou aquelas roupas, embolou e jogou num canto do quarto. Quando Patrick voltou para o quarto, já era madrugada, cheirava a álcool e possivelmente estava bêbado, já que nem seus sapatos ele tinha tirado. Melissa levantou cedo e foi até a casa de Clara, prima de Patrick e sua melhor amiga na cidade. — Melissa, você aqui, a essa hora? Garota você é uma recém casada, devia estar em casa nos braços do seu marido, aproveitando cada minuto com ele. — Clara falou e então percebeu a tristeza nos olhos da amiga. — Meu Deus, o que aconteceu? — Sua pergunta foi suficiente para fazê-la desabar em lágrimas. — Ele nunca me amou, Clara. — Disse e nesse momento, o noivo de sua amiga apareceu na sala. — Amor, quem… Melissa? O que aconteceu? — o homem assustou-se. — Dani, pega um copo de água para ela. — Clara pediu. Logo o homem voltou e entregou o copo a ela que tomou um pouco de água, em seguida encarou o casal. — Eu vim até aqui porque eu preciso da sua ajuda, Daniel. Você é ginecologista e eu não posso engravidar. — Melissa disse em pânico. — Espera, porque está me pedindo isso? O que aconteceu? Você se casou ontem e tanto o Patrick como você sempre falaram em ter filhos. — O homem disse confuso. — Sim, falamos mesmo em ter filhos. Quando eu acreditava no amor dele, e quando ele estava apenas interpretando um personagem. Ontem foi o pior dia da minha vida. — Voltou a chorar. — Ele te machucou, Mel? — Clara perguntou acariciando os ombros da amiga. — Se a noite de núpcias de vocês foi marcada por um abuso, Mel, não tenha medo de falar, eu sou médico e posso te examinar além de fazermos a denúncia. — Daniel mesmo sem entender nada ficou preocupado com a mulher. — Não, ele não abusou de mim, mas não foi nada como eu esperava. — Desculpa a pergunta, mas leve para o lado profissional, já que está me pedindo para ajudá-la a não engravidar, mas ontem foi a sua primeira vez? — Perguntou um pouco sem jeito. — Sim. — Melissa confirmou. — Não é muito comum uma mulher engravidar assim de primeira, mas temos uma pílula que você pode tomar agora e para evitar uma gravidez futura, você precisa tomar anticoncepcional. — Informou Daniel. Ela assentiu. — Mas antes, explica para nós o que aconteceu após aquele belíssimo casamento? — Laura indagou. — Bom, quando a gente subiu pro quarto, depois dele ter feito mil juras de amor, naquele maldito quarto, entre aquelas quatro paredes, ele se transformou. Não foi carinhoso comigo e pensou apenas no prazer dele, assim que ele tinha terminado ele falou que esperava que eu engravidasse daquela vez, pois não iria me tocar mais. Mesmo assim eu não confio e quero as pílulas. — Ela respondeu. — Maldito seja! — Exclamou Clara. — Mas você sabe o que levou ele a fazer isso? — Perguntou o noivo de Clara. — Eu acho que está relacionado ao senhor Rubens e sua intenção de ser avô antes de morrer, pois ele falou em herdeiro. — Melissa deu de ombros. — Que estranho, o tio Rubens é tão jovem ainda. — Falou Clara. — Não é pelo seu tio, amor. É pelo próprio Patrick. Entendam, ele sempre foi um playboy, é filho único, já passou dos trinta anos e ainda não tinha uma namorada. Então ele encontrou alguma forma de fazê-lo casar e encontrou em você a pessoa certa. — O que Daniel falou fazia sentido. — Você vai pedir o divórcio? — Clara perguntou. — Não sei, não por enquanto. Eu preciso pensar e você me arrume os remédios, Daniel. Agora eu vou voltar para casa. — Daniel e Clara assentiram. Mas antes, o noivo de Clara lhe deu a pílula e ela tomou em sua casa mesmo. Ao chegar na casa que dividiria com Patrick, ela ouviu vozes. Era Patrick e um amigo que conversavam distraídos, eles não perceberam sua presença. — Então você consumou o casamento? — Perguntou o homem. — Sim, apesar de não ter nenhum sentimento por ela além de ódio, a minha esposa é bonita e tem um belo corpo. Sem falar que era virgem, então eu fiz as vontades do meu pai. — Se gabou por ser o primeiro de Melissa. — Que cara de sorte, nunca consegui ficar com uma virgem. — Reclamou Otávio. — Ela foi a minha primeira, nunca tinha ficado com uma virgem, elas indicam problemas, Otávio. Mas o melhor desse casamento é que agora os meus cartões estão desbloqueados, meu pai cumpriu com sua palavra. — Sorriu largo. — E quanto a Raquel? — Perguntou Otávio. — Você sabe muito bem que ela é a única mulher que eu amo, então, eu passarei dois anos com a chata da Melissa, que foi uma das exigências do acordo com meu pai e depois eu pedirei o divórcio. Em seguida, casarei com o amor da minha vida. — Patrick tinha todo um plano já arquitetado. — Que jogada de mestre, meu amigo. — Otávio disse, tomando um pouco do seu drink. — Mas você não disse que seu pai deseja um neto? — Sim, mas eu avisei a ele que só ficaria com ela uma única vez e que se ele desse sorte, que o seu neto viesse dessa única vez. Eu não quero ter um filho com ela, jamais criarei um laço com aquela mulher. — Respondeu. — Isso é quase impossível, cara. Mas porque tanta repulsa da mulher? Ela é linda, tem um corpo espetacular, qualquer homem adoraria ter uma mulher como ela do lado, ou melhor na cama dele. — Disse com um sorriso malicioso. — Você sabe das origens dela, Otávio. Ela até pode carregar o sobrenome do maior exportador de café do país, mas sempre vai ser a filha dos funcionários desse homem, os pais dela não tinham onde cair mortos, meu amigo. A mãe da Melissa a pariu embaixo de um pé de café, se não fosse pelos seus patrões, talvez tivesse sido criada em um orfanato. — Riu e o amigo o acompanhou. Aquilo terminou de quebrar a mulher por dentro de uma avassaladora, ela o amava e ouvir aquilo dele era como ter sua alma tirada de seu ser. Melissa passou pelos homens sem cumprimentá-los, seu coração estava quebrado. Como ela não percebeu que aquele homem era tão c***l? Patrick era um desgraçado. Ao chegar no seu quarto ela não chorou, pegou o seu vestido de noiva e jogou dentro de uma espécie de baú que tinha no quarto onde dividiria com Patrick. No entanto, ela estava furiosa, ela foi humilhada na sua noite de núpcias, era a sua primeira vez e ele sequer respeitou aquele momento e acabava de ouvir coisas horríveis sobre ela. Naquele quarto ela não ficaria mais, não ia dividir a mesma cama com o homem que a odiava, juntou suas coisa e as levou para o quarto de hóspedes, jurou para ela mesma que não iria lhe dirigir a palavra a não ser que ele falasse com ela e na frente das pessoas, que tinham que fingir ser o casal perfeito. No entanto, dentro daquela casa viveriam como estranhos, até que ele lhe pedisse o divórcio ou ela o fizesse primeiro. Melissa queria se vingar de Patrick e iria lhe mostrar a mulher que ele não conheceu. Ela poderia até ter crescido em uma fazenda, ser filha de trabalhadores, mas ela e Vinícius, seu irmão, tiveram a melhor educação, e entendiam muito bem sobre vários negócios diferentes e até mesmo dos negócios da família dele, ela conhecia muito bem, talvez melhor do que ele. Ela sempre foi a responsável pela administração e contabilidade da empresa de seu pai e dirigia tudo isso da fazenda mesmo, antes de ir estudar comunicação fora do país, onde foi morar na casa de Rubens e para sua desgraça conheceu Patrick. Ela usaria seu tempo livre para estudar e se aprimorar no que já era excelente. Um ano e seis meses já tinham se passado e Patrick e Melissa m*l se falavam, apenas durante as poucas vezes que se reuniram com seus familiares e quando compareciam a algum evento relacionado ao trabalho dele, o que foram poucos, apenas os que ele não conseguia rejeitar. Melissa já estava decidida, não iria esperar que o pedido de divórcio viesse dele. Ela mesma iria procurá-lo e a mesma daria o primeiro passo. Ela sabia onde seu marido se encontrava com Raquel e ela iria até lá. Rubens esbanjava saúde e ainda esperava pelo neto que nunca teria, não um neto gerado por ela. — Apenas seis meses! Seis meses e eu me vejo livre daquela mulher, cumpro a minha promessa ao meu pai e finalmente podemos ser um do outro de verdade. — Raquel sorriu, com as pernas entrelaçadas na cintura dele, enquanto ele ainda estava enterrado dentro dela. — Eu não vejo a hora disso acontecer. — Disse ainda se recuperando das suas forças. — Não suporto dividir aquela casa com aquela mulher, quero dividi-la com você. — m*l sabia Patrick que a mulher para quem ele declarava amor eterno, já tinha outro homem e era alguém que ele conhecia muito bem. Raquel nunca amou, Patrick e o seu maior desejo era tirar um bom dinheiro dele e viver com o homem que ela realmente amava. Patrick era só uma conta bancária gorda que ela poderia aproveitar o quanto quisesse. Há cinco anos ela já tinha o suficiente e que ia muito além do que ela queria e pensou conseguir desde o começo de seu relacionamento com o Patrick. Melissa passou na casa de Clara e a pegou, ela iria até o apartamento em que ele se encontrava com Raquel, ela seria sua testemunha. A prima de Patrick o odiava pela pessoa que se tornou e por menosprezar sua amiga quando o que ela tinha para ele era o seu amor. Melissa ainda tentou por um ano e meio fazê-lo enxergar nela a mulher que ela era e que o amava, mesmo sabendo que ele era um cafajeste e que ele nunca a amou de verdade, pelo contrário, sentia apenas ódio e repulsa. A jovem sempre deixava pela casa algo que o fizesse lembrar dela, inclusive todos os dias o seu café da manhã e o jantar eram deixados e da forma que ele gostava. Apesar de sempre mentir para ela sobre o que gostava e o que não gostava, ele nunca mentiu sobre dizer que adorava tudo que ela cozinhava, porém só aquilo não era o suficiente para fazer ele vê ela como uma mulher digna de todo seu amor e carinho. Melissa conseguiu fazer uma cópia da chave de Patrick e foi fácil entrar naquele apartamento, dinheiro sempre podia comprar algumas pessoas e não foi difícil comprar o porteiro. Foi duro ver os dois juntos, ela não esperava que ainda o amasse daquela forma, não iria suportar ter que viver mais seis meses ao lado dele, sabendo que o seu coração, seu corpo, seu tempo tinham dona e não era ela. Clara fotografou os dois juntos, precisaria de provas para o divórcio e até mesmo para Rubens que seria contra aquela separação. — Patrick Silva Tavares ! — Gritou acordando o casal, que de princípio ficaram assustados ao ver as duas mulheres ali. Porém, o rosto de ambos suavizou quando perceberam que eram Melissa e Clara que estavam de pé na frente deles. — Melissa, o que está fazendo aqui? — O homem esfregou os olhos e a encarou, como se aquela situação fosse a coisa mais comum de se acontecer. Patrick não se preocupava se estava sendo descoberto por sua mulher. — Como você tem coragem de fazer isso comigo? — Ela tentou se manter firme e não demonstrar o quanto estava quebrada por dentro. — Isso acontece quando o homem não ama a mulher que tem em casa. — Raquel que estava ao lado de Patrick disse, pegando o robe de seda que estava ao lado da cama. — Você nunca foi esposa dele de verdade, então porque está tão magoada com essa situação? — Perguntou com tom sarcástico. — Eu não perguntei a você. — Melissa gritou em direção à mulher. — Mas ela não está mentindo, Melissa. Eu não te amo e nunca te amei. — Sem nenhuma emoção e pouco se importando para o que a mulher estava sentindo naquele momento, Patrick confessou. — Você nunca percebeu que o nosso casamento foi um acordo? Acordo esse que só me fez m*l. Eu fui forçado a casar com você e fingir ser o melhor marido e o homem mais apaixonado do mundo. Em um ano e meio eu só te toquei uma vez, e me arrependo de ter feito isso, você é uma seca que não serve nem para gerar um filho. — As palavras de Patrick eram afiadas, feito lâminas de um punhal. — Onde você escondia essa pessoa desprezível que você é? — A fala de Melissa saiu trêmula, assim como suas mãos, ela estava nervosa. — Eu sempre fui assim, mas o seu amor te deixou cega. Eu nunca te suportei, nunca quis nada com você e só fiz tudo isso para agradar meu pai. Ele bloqueou meus cartões e usou o nosso casamento contra mim. Melissa, eu tinha vergonha de sair com você, mesmo tendo o sobrenome Albuquerque, você ainda exala pobreza, isso está no seu sangue, é a única herança que seus pais deixaram para você. — As palavras dele não podiam doer menos do que ser jogada em um poço de lava, talvez ter a vida ceifada daquela forma doesse menos do que ouvir o que ele tinha lhe dito com tanto nojo. Melissa tinha noção de que ele não gostava dela, no entanto tinha esperança de que um dia pudesse amá-la como ele sempre a disse que amava, mesmo sabendo disso, ouvir aquelas palavras era doloroso demais, era como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu corpo, sentiu sua respiração falhar, enquanto encarava os olhos azuis dele, cobertos por uma escuridão que ela nunca tinha visto neles antes. — Você é mesmo um desgraçado, Patrick. A Melissa fez tudo e largou tudo por você, foi a mulher perfeita, uma mulher que qualquer homem desejaria ter e é assim que você retribui? — Clara, que era prima de Patrick e havia se tornado amiga de Melissa, esbravejou para o homem. — Isso não é da sua conta, Clara. Por favor, não se intrometa, não me faça ter raiva de você também. — Patrick encarou a prima com raiva. Aquela frase também invadiu os ouvidos de Melissa com agulhas, porque ele sempre tinha que lembrá-la que a odiava? Era isso, o único sentimento que ele tinha por ela, era ódio? Nunca teve um sentimento bom que ele tivesse sentido por ela, mesmo que por poucos minutos? — Eu quero o divórcio! — Se segurando para não chorar e desabar ali na frente daquele que estava a humilhando daquela forma, ela pediu. — Ótimo! Vamos fazer isso o mais rápido possível, te espero na empresa, amanhã depois do almoço é o tempo de preparar toda a documentação do divórcio, vou falar com meus advogados. — O homem não demonstrou nenhuma objeção, não esboçou nenhuma reação e era como se ele estivesse apenas esperando por aquilo. — Sairei da sua casa ainda hoje, quando voltar eu não estarei mais naquela casa. — Avisou, desviando o olhar para a amante de Patrick. Clara olhou para a amiga que encarou a amante de seu primo, que tinha nos lábios um sorriso zombeteiro, um sorriso de quem conseguiu o que queria. Em seguida deu as costas ao homem e se retirou daquele quarto, que estava lhe causando náuseas, a deixando enojada. Melissa caminhou sem saber que rumo tomar, as suas pernas se moviam por conta própria e fora daquele maldito apartamento, que estava localizado em um condomínio de luxo, ela se permitiu chorar, e chorou tudo que podia. Pois em seu íntimo ela fazia uma promessa, que só choraria por aquele homem naquele momento, ele não merecia seu sofrimento, não merecia suas lágrimas e principalmente, não merecia o seu amor. Então colocaria toda sua raiva, dor e decepção para fora de uma vez só. — Melissa, o Patrick é meu primo, mas aquele cafajeste não merece o seu amor, não merece essas suas lágrimas. Você ainda é jovem, é uma mulher linda, cheia de qualidades, herdeira de um império, inteligente, você não pode ficar se lamentando por ele. — Clara aconselhou a amiga, colocando seu braço entrelaçado ao dela. — Eu sei, eu não pretendo ficar chorando pelo Patrick, eu só preciso pôr para fora tudo que eu estou sentindo, senão eu não sei o que pode acontecer comigo. — Clara assentiu e a levou até uma pracinha e a fez sentar-se em um dos bancos de mármore que tinha no local. Melissa o amava, tinha aprendido a amar Patrick durante os anos, apesar de nunca tê-lo por perto. E esse sentimento que nutria pelo o homem tornava as coisas ainda mais difíceis. Mas ela iria matar aquele sentimento dentro do seu coração, da mesma forma que um dia ela já tinha feito aquilo uma vez no passado. — Tem algo que eu possa fazer por você? — Clara perguntou mostrando que estaria ao lado dela naquele momento tão difícil. — Você já fez tudo que podia fazer, eu não sei se teria tido coragem de entrar naquele apartamento se você não estivesse comigo. Agora eu vou tirar as coisas que me pertencem daquela casa e vou para um hotel. — Respondeu, ficando um pouco mais calma. — E depois disso tudo, para onde vai? — Clara sabia que a família de Melissa tinha muitas poses e lugar para onde ela iria, não iria lhe faltar. — Assim que eu assinar o divórcio eu vou para a fazenda dos meus pais, faz tempo que não os vejo e sinto tanta saudades deles e do meu irmão, quero ver o meu sobrinho também. — Melissa já tinha em mente o que fazer quando assinasse o divórcio. — Eu acho que você está certa, depois desse divórcio vai precisar do colo e do carinho de seus pais. — Clara disse e a abraçou. — Obrigada, Clara! Por tudo. — Agradeceu. — Estarei sempre aqui para o que precisar. — Clara era uma boa amiga e a única pessoa que Melissa tinha contato. Depois de um tempo e mais calma, ela pediu para que sua amiga a deixasse em sua casa, ou melhor, ex casa, pois até aquele lugar, o qual ela sonhou ter cheia de crianças, filhos dela com Patrick, ela já não via mais como lar. Melissa se arrastou para o interior da casa, seu corpo já não obedecia os seus comandos que nem mesmo ela sabia quais eram, o silêncio no interior do imóvel era assustador e ela queria sair dali imediatamente. Lembrou do quanto desejou que seu marido a possuísse em cada cantinho daquela casa, em como desejaria que a casa fosse muito barulhenta, que esse barulho fosse causado pelo seu marido e pelos seus filhos. Também lembrou das vezes que ficou apenas na vontade de ele chegar e dizer que a amava. Mas não seria fácil fazê-lo mudar de ideia e enxergar em Melissa a mulher que ele precisava para amá-lo. E que aquela mulher que ele desejava amor eterno, não passava de uma falsa, uma golpista que só queria seu dinheiro e nome. Ela permitiu-se lembrar de tudo aquilo, porém não ficaria remoendo algo que ficou no seu passado, aquilo não voltaria e mesmo que seu ex-marido a dissesse que a amava e queria recomeçar com ela, Melissa não o aceitaria, pois ela não perdoaria tanta humilhação. Melissa balançou a cabeça, espantando aquelas lembranças que estavam lhe causando dor e subiu em direção ao quarto dele, o qual ela deveria dividir com Patrick, mas nunca o fez. Ela que sempre entrou naquele quarto sonhando com o dia em que Patrick falasse que a amava, onde por muitas noites esperou ele voltar para casa e ele passou as noite nas ruas, melhor entre os lençóis de suas amantes. Decidiu que não levaria nada dali, além de seus documentos e algumas peças de roupas que iria precisar para o dia seguinte. Melissa tinha dinheiro, tanto quanto a família de seu esposo, que logo seria ex. O casamento dos dois aconteceu por um simples motivo: A amizade entre seus pais. Ela era uma jovem sonhadora, se iludiu com as palavras de Augusto e de Rubens, pai de Patrick, que somente aceitou o casamento por causa de seu pai, que estava doente e pediu que o filho realizasse seu sonho, se casando com Melissa e lhe dando um neto. Porém, o filho ela nunca pôde lhe dar, ela não cumpriria a segunda exigência de seu sogro em gerar um filho, onde não existia amor, não iria permitir que a criança nascesse em um lar onde o pai não amava a mãe. Por Patrick ser um homem muito conhecido e por sempre aparecer na mídia, Melissa teve que criar outra personalidade, além de outro estilo totalmente diferente do dela, por isso não levaria nada dali, voltaria a ser a Aurora que aquele casamento tinha lhe roubado. Ela prometeu a si mesma que dali pra frente, ninguém jamais iria lhe dizer como ela deveria se vestir e se comportar. No dia seguinte, após ter feito algumas compras e renovar seu guarda roupa com o seu estilo, Melissa também comprou um automóvel para ela, iria dirigir até a fazenda de seus pais, ela amava dirigir, sentir a liberdade e não via a hora de poder fazer aquilo. Ela deixaria a cidade assim que acabasse com aquela farsa de casamento. Melissa adentrou a empresa acompanhada de um advogado, quando chegou no andar presidencial somente o advogado dele estava lá e nada de seu ex marido. — Onde está o Patrick, Carlos? — Ela perguntou impaciente. — Ele ainda não chegou, senhora Melissa? — Irresponsável! Você está com todos os papéis do divórcio? — Ele assentiu. — Ótimo, me dê, quero vê-los e assiná-los imediatamente. — Pediu. — Mas, senhora… — Sem arrodeios, Carlos, me dê logo esses papéis, eu quero acabar com isso imediatamente. — Carlos não podia negar aquele pedido da mulher de seu chefe e assim fez, entregou os papéis do divórcio à seu advogado. — Está tudo certo, Fred? — Ele estava concentrado e após algum tempo lendo, ele lhe entregou. — Pode assinar, senhora Melissa, o acordo é ótimo. — Ela assentiu e assinou imediatamente. — Carlos, avise ao seu patrão que ele honre as suas palavras de homem e não falte aos seus compromissos quando os marcar com as pessoas e o dinheiro que eu tenho direito, peça que ele deposite nesta conta, é uma instituição de crianças órfãs e desabrigadas, eu não preciso do dinheiro do Patrick. — Melissa disse, entregando-lhe um papel com as informações da conta. A mulher com toda certeza e sem esperar mais um minuto sequer, ela assinou o documento que lhe dava de volta a sua liberdade, era um laço que seria cortado e ela poderia seguir sua vida em frente, sem precisar olhar para trás, deixando Patrick no seu passado, o homem pelo qual seu coração ainda pulsava loucamente. Patrick caminhava de um lado para o outro, ele estava atrasado para um dos acontecimentos mais aguardados por ele, um acontecimento que ele não precisou fazer muito esforço para que acontecesse: O seu divórcio com Melissa. Patrick estava à espera de Rubens, seu pai, que solicitou a sua presença em sua casa urgentemente. O filho de Rubens, apesar de sua ansiedade, estava bastante feliz, estava se livrando de um fardo que o seu próprio pai tinha jogado em suas costas. E esse fardo tinha nome, sobrenome e endereço. Mas em breve ele não tinha que se preocupar mais com isso, Melissa deixaria de ser um estorvo para ele. — Vejo que está muito feliz, Patrick! — Rubens chamou a atenção de seu filho quando entrou na sala. O homem usava uma bengala e caminhava devagar, a doença não estava sendo generosa com ele. — Oi, pai! — Ele respondeu. — É claro que estou feliz, finalmente estou me livrando de algo que o senhor me forçou a fazer. — Eu fiz isso para o seu próprio bem, mas infelizmente você não foi capaz de enxergar isso e deixou a chance da sua vida escapar pelos seus dedos. — Patrick riu. — Me ajude aqui. — Rubens pediu a ajuda do filho para poder sentar-se. Patrick o ajudou com cuidado apesar de ser um homem c***l e cafajeste, ele amava seu pai, era sua única família, além de Clara e acima de tudo ainda era o seu pai e ele o respeitava como tal. Rubens sempre foi um pai presente e atencioso, que sempre procurou dar a melhor educação ao filho e sempre se perguntou onde tinha errado para que o filho tivesse se tornado aquele tipo de homem. Talvez o seu erro foi ter lhe dado tudo que ele sempre quis. — Eu não amo a Melissa, pai, nunca a amei, como ela poderia ser a chance da minha vida? Como eu poderia ser feliz ao lado de quem eu não suporto? — Explicou os seus motivos a Rubens. — Mesmo que não a amasse, isso não te dava o direito de tratá-la da forma que sempre tratou. Você a humilhou durante todo esse tempo, quando a trocou por uma mulher desprezível como a Raquel. — Patrick ficou surpreso. — Como você sabe da Raquel? — Rubens riu, não tinha nada a respeito de seu filho que ele não soubesse. — Você é meu único filho, Patrick, eu tenho que saber tudo sobre você. Eu só quero o seu bem e se eu o fiz casar com a Melissa é porque eu sei que ela é a pessoa certa. Tudo indicava que aquela conversa não seria nada boa para Patrick.
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