Um duque em meus caminhos

1343 Words
Se Peter ou Andrew fossem parecidos com esse cara, não sei se conseguiria me impedir de dormir com eles, independentemente das minhas preocupações. Mas eles não eram. Não fizeram os pelos da minha nuca se arrepiarem. Não me fizeram empurrar os ombros para trás e o peito para a frente. Não me fizeram imaginá-los pelados. — Desculpe a demora — disse um homem à minha esquerda. Tentei olhar para o barman, mas Ryder havia me hipnotizado. — Aziza e a amiga dela ali gostariam de uma bebida. Coloque na minha conta — interveio Ryder. — Isso é um tanto arriscado. E se eu pedisse uma garrafa de champanhe? — indaguei. — Eu diria que eles não servem isso aqui, mas o espumante é excelente. E colocaria na minha conta. Eu não sabia o que responder. — Martin, uma garrafa de Krug2 — pediu Ryder ao barman. E disse aquilo de um jeito tão autoritário. Talvez fosse apenas a forma como as palavras saíam de sua boca com todo aquele sotaque inglês. Merda. Não queria que ele pensasse que sou como aquelas garotas que perseguiam as bebidas mais caras. — Ah, não! Você não tem de fazer isso... Eu vim atrás apenas de uns coquetéis. Os mesmos de antes, se não se importa — informei ao barman. Havia esquecido o nome da bebida que Violet indicou. — Você está dispensando um Krug? — questionou Ryder com uma careta. — Sim, dessa forma poderei conversar com você, sem que ache que comprou esse tempo. Ryder ergueu as sobrancelhas. — Agora isso é algo que posso aceitar. Então, por onde começamos? Droga, não fazia a menor ideia do que vinha depois. O mais longe que havia chegado em minha conversa com Violet foi até o momento em que pediria as bebidas. Ele inclinou levemente a cabeça para o lado, e esperei que se decidisse. — Diga-me sobre o que você e sua amiga ali conversavam de maneira tão conspiratória... — sugeriu. — Vocês pareciam duas garotas que não queriam ser interrompidas. Nós não deveríamos ter começado com assuntos básicos? Em que eu trabalhava? Se morava em Nova York? Havia algo na maneira como esse cara olhava para mim que me dizia que ele queria arrancar minha alma para fora. — Você primeiro — falei. — O que está fazendo aqui? Afogando suas mágoas? Término de namoro? Perdeu trilhões de dólares? Ele riu. — Nada parecido — respondeu, tomando um gole de sua bebida. — Tentando me manter acordado de forma que acorde amanhã sem jet lag3. Voei de Londres hoje mais cedo. Londres. Interessante. — Você está aqui a negócios? — perguntei, sentando-me de leve na banqueta e começando a relaxar um pouco. — Estou residindo aqui, assim como a sede da minha empresa. Você mora na cidade? Assenti. — Então você estava apenas de visita em Londres? — Sim. Meu avô teve uma queda e viajei para lá para ver como ele estava. Revirei os olhos. Que cafona. — Você estava visitando seu avô doente? — Fiquei de pé e observei se os coquetéis estavam prontos. — Alguma garota acredita nisso quando você conta? Ele começou a rir. — Você está certa. Isso pareceu uma cantada barata, mas é a verdade. Felizmente ele está bem e você não feriu meus sentimentos. — Eu não sabia dizer se estava brincando comigo. — Bem, se seu avô está doente, então sinto muito. Seus olhos pareceram brilhar enquanto me observavam, dando-me tempo suficiente para finalizar meu pensamento. — Obrigado — disse ele, por fim. — Se estivesse sendo brega, teria pedido que me contasse algo que ninguém mais sabe. — Isso é brega? Acho que é uma espécie de brega-bacana, em vez de brega-nojento. — Então é bom saber a qual grupo pertenço. Aquele brilho no olhar estava de volta. Seus cílios eram tão longos que tive de chegar mais perto para conferir se ele não estava usando rímel. A cidade era cheia de metrossexuais, mas de jeito nenhum dormiria com um cara que usasse maquiagem. Gosto de caras que pensam que sabonete líquido e xampu eram feitos apenas para pessoas com v*****s. No entanto, os cílios de Ryder estavam desprovidos de qualquer produto para realçá-los. — Então, por que você não me diz algo que ninguém mais sabe? Algo verdadeiro — falei. Ele estreitou o olhar, observando-me como se estivesse tentando descobrir se podia ser honesto. — Às vezes não consigo dormir à noite, com medo de não conseguir realizar tudo antes de morrer — admitiu, desviando a face e concentrando-se em sua bebida. Seus olhos perderam o brilho único quando disse aquilo, e estendi a mão em sua direção, mas não o toquei, sem saber se poderia dar margem a outra interpretação; apoiei a palma ao lado de seu copo. — Realizar tudo? — Talvez ele tivesse voltado da visita ao avô contemplando seu lugar no mundo. — Tudo o que vim aqui para fazer. — Olhou para a minha mão, fazendo-me afastá-la. — Você nunca pensa sobre isso? O que resta depois de tudo? A expressão dele era tão triste, e desejei melhorar o clima. — Não em uma terça-feira — respondi de pronto. Ele olhou para mim, sorrindo. — Esse é um bom plano. Vou tentar aderir a ele. Sua vez, agora. — Algo que mais ninguém sabe? — Minha família sabia tudo sobre mim, e Marcus me conhecia por dentro e por fora. — Não tenho certeza se existe alguma coisa que ninguém saiba. — Mentirosa — sussurrou. Eu tinha quase certeza de que esse não era o tipo de conversa que levava um casal para a cama. De jeito nenhum se parecia com preliminares. — Tá, uma coisa que ninguém sabe — disse, endireitando os ombros e pegando os dois coquetéis que o bartender colocou à minha frente. — Eu o acho muito sexy. E antes que pudesse avaliar sua reação, virei-me de costas e segui em direção à Violet. Eu disse aquilo mesmo? Bom, era uma verdade. E ninguém sabia daquilo, a não ser eu. Quer dizer, tenho certeza de que um monte de pessoas já disse a ele que o achava sexy. Mas eu não havia dito a ninguém. Não até que admitisse diretamente para ele. Queria dar um grito. Não podia acreditar que disse aquilo. Violet aprovaria, certamente. — Por que você saiu de lá? Parecia que tudo estava indo bem — reclamou minha irmã assim que me sentei à sua frente. — O que você estava esperando? Que ele me jogasse em cima do balcão e me fodesse na frente de todo mundo? — Talvez... — replicou. Comecei a rir. Eu nem mesmo descobri seu nome completo. E ele também não pediu meu telefone. Mas foi bem divertido. E não tão assustador quanto imaginei. — Bom, pelo menos você descontraiu. Agora pense no tanto que você poderia descontrair mais ainda se ele a fodesse. — Sexo não é a resposta para tudo. — Não poderia salvar minha empresa nem pagar meus empréstimos. — Tudo bem, mas sexo bem-feito torna tudo um pouquinho melhor — comentou Violet. — Eu não poderia estar mais de acordo — disse um homem atrás de nós. Girei a cabeça e me deparei com Ryder de pé, posicionando-se em frente à nossa mesa. Quanto mais ele havia escutado? — Eu acho que você é sexy — declarou, olhando diretamente para mim. — E quero o seu número. — Estou de saída — informou Violet, pegando sua bolsa e dando o fora da cabine. — Espera, vou com você. — A temperatura havia ficado muito quente aqui, e eu precisava de ar puro. — Não, você não vai — interveio Ryder. — Você vai ficar aqui mais um pouco. Comigo. Quero conhecê-la melhor. A boca de Violet se arreganhou em um sorriso. — Você ouviu o homem com o sotaque. Me ligue depois. Amo você. E antes que pudesse contestar, ela sumiu, deixando-me sentada em frente ao britânico mais sexy que já conheci na vida, e que parecia não me achar nem um pouco entediante.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD