Margareth narrando
Eu estava muito nervosa, não estava acreditando naquilo. Criamos Luna tão bem, com todo conforto preciso, nunca lhe faltou nada pelo contrário, sempre lhe demos tudo do bom e do melhor.
Eu e o pai dela nunca aprovamos essa história dela ter se tornado professora, mas, tivemos que aceitar.
Mas agora subir um morro para dar aula, já é demais pra mim... Eu não aceito e não quero isso para a vida dela. E o morro o qual ela subiu, é o Vidigal onde o chefe de lá é o mais perigoso e temido. Meu Deus, onde é que está garota está com a cabeça???
Meu celular tocou, e quando atendi fiquei ainda mais nervosa. Além desse problema, eu tinha outro para resolver.
Margareth: Já fechamos negócio, agora o senhor não pode voltar atrás da sua decisão!!! - disse rude.
****: Eu fechei negócio com o seu marido, não foi com você. Só liguei para te avisar, que não tem mais negócio entre a gente. - desligou.
Arrumei minha bolsa e saí às pressas chamando meu motorista. Ia na minha empresa, precisava falar com Carlos, já que não atendia a merda do celular.
Assim que cheguei ele estava com uma péssima cara e já até sabia o porque.
Margareth: Eu disse que ele não seria o cara pro nosso negócio.
Eduardo: Margareth! Por favor, se cale. - disse nervoso.
Margareth: Se cale coisa nenhuma!!! Estamos falando dos nossos negócios, nossa empresa, nosso dinheiro e nossa família. - disse seriamente.
Eduardo: Eu preciso pensar...
Margareth: Então pensa. E resolva antes que eu tenha que tomar minhas próprias decisão, e você sabe como é que eu tomo minhas decisões, não é Carlos?
Eduardo: Vamos com calma, Margareth... está tudo sob controle, ele só foi um dos que deu pra trás agora. Mas já foi agendado uma reunião amanhã com outro fornecedor, esse... tenho certeza que vai ser bem melhor pra gente.
Margareth: Ótimo! - disse rude. - Sabe onde sua filha esteve hoje? - ele me encarou. - No morro do vidigal!!!
Eduardo: Como assim no Vidigal? Oque Luna está pensando? - Contei a ele o que houve.
Margareth: Nossa filha e esse coração puro que ela tem... Nem parece que tem a raça da Família Gutierrez.
Eduardo: É... realmente, ela não tem a nossa raça. Luna é diferente de nós, tem uma ótima essência... - disse pensativo. - Mas irei conversar a sós com ela hoje a noite depois do jantar, ela não pode continuar a frequentar esse morro.
Eduardo: Faça isso! Não quero perder mais uma filha, Luna é tudo o que nós restou Carlos... - parei de frente ao enorme vidro do escritório de meu marido e fiquei pensativa.
Ele se levanta de sua cadeira e caminha até meu encontro e me chama.
Eduardo: Margareth? - me virei e o encarei. - Nossa família vai ficar bem, confia em mim... - me puxou pro seu abraço e logo após selou nossos e me deu um beijo.
Margareth: Eu amo vocês! Vocês são tudo o que eu tenho.
Eduardo foi meu primeiro homem, meu primeiro amor. Os pais dele era uma família milionária, e minha família também.
Porém, sempre foram rivais! A família dele não aceitava nós dois juntos, e nem a minha. Mas acabei engravidando e nos obrigaram a casar.
Mas logo que fui ganhar neném, a enfermeira disse que meu filho nasceu morto...
Aquele momento foi a morte pra mim, eu sofri muito pois também não pude vê-lo, nem segura-lo em meus braços para me despedir.
Mas ao longo de nossas vidas, construimos uma vida, uma história, um grande império juntos! E hoje temos Luna que é nossa filha querida e muito amada.
Ficamos ali por mais dois minutos abraçados e logo fomos para casa. Chegando lá já fui direto para o banho, perdi a noção de quanto tempo fiquei ali na banheira relaxando meu corpo e minha mente...
Já estava atrasada para o jantar, me saí às pressas. Vesti um vestido apropriado pra ocasião, passei meu óleo corporal e borrifei um perfume importado que sou apaixonada.
Fiz um penteado e logo desci, e na mesa já estava Carlos e Luna me aguardando. Me sentei, e logo o jantar foi servido.
Eduardo: Minha filha, sua mãe me contou sobre hoje! - tocou no assunto após terminarmos o jantar.
Luna: Não quero conversar sobre isso...
Eduardo: Aquele morro é perigoso, o dono dele mais ainda. Você tem noção onde você pisou hoje?
Luna: Tenho sim! Eu não sou mais uma criança, pai, sou adulta, eu sei muito bem o que eu faço.
Eduardo: Mas é nossa filha, e se preocupamos com você.
Luna: Eu sei me cuidar pai. E antes que me peça.. Não vou deixar de dar aula aquelas crianças, quero poder ajudá-las, e espero que vocês compreendam... - disse e se retirou da mesa indo para seu quarto.
Margareth: É assim que iria resolver as coisas?
Eduardo: Eu não disse que iria? Irei! Só dê um tempo a ela... não a perturbe mais sobre esse assunto. - assenti.