01
Luna narrando...
Quando cheguei na entrada daquele lugar, me arrepiei dos pés a cabeça. Comecei a suar frio, além do frio na barriga que já havia se instalado em mim...
Assim que cheguei dois homens já me pararam logo, estavam armados e um deles falavam em algo que especificamente me parecia ser um rádio.
Fulano1: Coé? Abaixa esse vidro porr*!!! - disse apontando aquela arma enorme diretamente pra mim.
Fulano2: Tá pensando que tá indo pra onde princesa?
Luna: E..e..eu, eu..- não conseguia sair nada da minha boca, comecei a suar frio, gaguejar, e isso deixava eles mais nervosos.
Fulano1: Qual foi caral**? O gato comeu sua língua? Aê Bigode, bate o rádio pro chefe!
Luna: Eu, eu, sou a professora... professora de inglês - respirei fundo - Vanessa que pediu para mim vim. Irei dar aula de inglês para as crianças. Ela disse que estava tudo bem, tudo resolvido.
Fulano1: Coé chefe, tem uma princesinha aqui metida a riquinha querendo subir! - bateu no rádio. - Tá dizendo que é a professora de inglês, mandada pela Vanessa, a professora dos menor lá
Rádio: Pode liberar. - Ouvi sua voz grossa e fria ao responder pelo "radinho" deles.
Luna: Obrigada..- agradeci depois que me liberaram e um deles me encarava com a cara fechada, de mau mesmo.
Fui subindo com meu carro aquele morro, e logo avistei a Vanessa me esperando na esquina um pouco depois da entrada onde quase me mataram.
Luna: Essa é a primeira e última vez que piso meus pés nesse lugar. Onde é que tu tava com a cabeça, Vanessa? - Disse rude.
Vanessa: Se acalma! Aqui é assim mesmo, você é uma estranha pra eles. Eles não iriam fazer nada com você até procurar saber quem é, e por que está aqui. - ri nervosa.
Luna: Se tivesse me dito antes, pode ter certeza que não tinha aceitado fazer essa loucura.
Vanessa: Me desculpa! Você tem razão. - assenti. - Mas já está aqui, sã e salva. Agora vamos? - assenti e fui seguindo ela até o destino.
Andamos um pouco mais de três minutos, e chegamos em um lugar aparentemente me passava a impressão de ser um lugar abandonado. Uma "escola" só para crianças, mas que precisava de uma boa reforma.
Vanessa: Bom, chegamos...
Luna: Tá legal, o que é que vim fazer aqui mesmo?
Vanessa: Fazer o que sabe de melhor.. ensinar seu inglês para aquelas crianças. - me apontou a sala.
Luna: Ótimo! - sorri de canto.
Assim que entrei dava pra se observar que as crianças que estavam ali, umas eram bem arrumadinhas e outras se notavam que era bem pobres, se notava pelas vestes. Com olhares bem tristinhos e apartir dali meu coração começou a ser tomado por todos.
Vanessa: Crianças, está é a Luna! Professora de inglês. Ela veio ensinar vocês... - disse me apresentando
Luna: Olá, crianças... - sorri.
Crianças: Oi professora, Luna! - todos disseram.
Comecei a me interagir com todos eles perguntando nome, idade, o que eles mais gostavam de fazer ali e o sonho de cada um deles. O melhor foi ouvir a profissão que cada um queria seguir um dia. Meu coração ficou tocado por tanta inocência, pureza daquelas crianças que tinham belos sonhos e que eu estava aqui pra ensinar algo bom a eles.
Luna: Repitam comigo. "My name is" - todos repitiam comigo. - E aí, cada um de vocês vão dizer o nome de vocês. Irei apontar para vocês e vocês me respondem, ok? - assentiram e assim cada um dizia seu nome.
Fiquei dando aula para eles durante uma hora e meia e logo que deu meu horário me despedi deles. Todos vieram me abraçar, eu estava morrendo de felicidade por dentro. Eu amo crianças, amo o que faço que é poder ensinar e principalmente poder ajudar essas crianças carentes que não tem boas condições e não pode ir para uma escola tão boa quanto. Mas prometi a mim mesma que apartir dali, iria ensinar todos eles.
Vanessa: Obrigada, Luna. Você não tem noção do tamanho gesto que acabou de fazer... - disse feliz. - Essas crianças são muito carentes, aqui no morro nem todos tem boa oportunidade, muitos deles são filhos de pais que são usuários de drogas, extremamente pobres, etc.. e hoje você deu a eles uma chance. E eles te adoraram. - sorriu
Luna: Que isso, Vanessa. Não precisa me agradecer, sabe que o que eu puder ajudar estou aqui. Eu também adorei eles, eles tem um coração muito bom! E jurei para mim mesma que não pisaria mais meus pés aqui, mas mudei de ideia. Quero poder ajudar essas crianças, eu sei que não é lá essas grandes coisas, mas um ótimo ensinamento já muda tudo na vida deles. Pode contar comigo. - sorri e a abracei me despedindo. - Tenho que ir, Jajá começa minha aula.
Vanessa: Obrigada. Vá com, Deus! Vamos nos falando. - assenti.
Entrei no carro e segui meu destino. Na hora em que cheguei lá em baixo, me deixaram passar sem causar tumulto. Apenas agradeci mentalmente por isso!
Conheci a Vanessa na escola pública onde eu dava aula. Ela é professora de português e eu de inglês como já sabem. Hoje dou aula em uma particular para crianças e adolescentes. Vanessa é uma ótima pessoa, de coração puro! Ela ainda dá aula na escola pública e para as crianças do morro onde ela mora e o que eu puder fazer para ajudá-las irei fazer.
Dei minhas três aulas de hoje e fui para casa. Moro com meus pais em um bairro luxuoso. Eles tem grandes empresas, então somos bem ricos. Porém todo esse dinheiro não enche meus olhos, eu sou um tipo de pessoa bem simples, não me importo com luxo, e nada disso.
Eles nunca foram a favor de eu ter me tornado uma professora, eles queria bem mais para mim. Nunca quiseram que eu fizesse parte dos negócios deles, mas também jamais faria já que não é do meu interesse. Prefiro dar minhas aulas, eu gosto do que faço e é isso que quero para mim.
Margareth: Você está ficando louca, Luna? - berrou assim que contei sobre a aula que dei no morro. - E se aqueles homens fizessem algo contra você? Nunca mais faça isso, não quero que pise seus pés naquele lugar!!! - esbravejou
Luna: Não me aconteceu nada, Dona Margareth! E sim, voltarei lá mais vezes. Quero ensinar aquelas crianças, não é você que me impedirá!!! disse seriamente.
Margareth: Ah, mais não volta mesmo!!! - gritou. - Quando seu pai souber disso ele vai surtar!!! Não te criamos para fazer caridade a ninguém, não temos culpa que aquelas crianças tem pais tão irresponsáveis que não pode dar uma vida melhor a eles.
Luna: Olha a forma como falou agora.. - disse incrédula
Margareth: Disse a verdade! Sinto muito se qualquer coisa toca esse seu coração tão bom que chega me dá nervos. Luna, minha filha... eu só quero o seu bem, eu sei que aquelas crianças não tem culpa, mas aquele lugar é perigoso! Além do mais que nunca queríamos que você seguisse uma profissão tão... - A cortei.
Luna: Tão o que Margareth? Me fala??? - gritou. - Eu não quero viver essa vida que vocês vivem, só por status, só dizer que tenho o luxo que quero a hora que quero. Eu nasci assim e sempre serei assim, e quero que a senhora entenda de uma vez por todas que nem todo o dinheiro do mundo vai me comprar!!! Não enche meus olhos, eu gosto do que faço e não preciso da aprovação de ninguém, muito menos da senhora que acha que é dono de tudo e todos. Você pode ser dona de muita coisa, mas, não é da minha vida. - disse e saí indo em direção ao meu quarto e a deixando falar só.