Ponto de Vista de Alaia
Chegar à escola foi, ao mesmo tempo, empolgante e irritante. Eu estava empolgada porque era a última semana em que eu teria que ver os prédios de tijolos feios e a tinta desbotada, mas também, irritada. Afinal, por mais uma semana, eu teria que olhar para os prédios de tijolos feios e para a tinta desbotada. Eu sabia que conseguiria aguentar, porém, eu tinha minha melhor amiga, Jordyn, desde que me lembrava, para me ajudar a passar por isso. Aquela garota conhecia todos os meus segredos mais profundos e sombrios e nunca julgou ou criticou. Não poderíamos ser mais próximas; éramos como irmãs.
Quando Aaron estacionou no estacionamento dos alunos, avistei imediatamente seu grupo de amigos perto da entrada principal. Aaron era um dos populares, com todos se reunindo em torno dele como mariposas atraídas pela luz. Ele era uma pessoa incrível, não me entenda errado, mas sendo o nosso futuro Alfa da matilha, eu me perguntava se todas as intenções de seus chamados "amigos" eram puras. Eu conhecia uma pessoa que era, e esse alguém era Alexi.
Alexi e Aaron eram melhores amigos desde o nascimento, e ele estava destinado a assumir o posto de nosso segundo no comando, ou seja, o beta. Ele também era o homem mais bonito que eu já tinha visto, o que era o motivo de eu sonhar com ele sempre. Alexi era um deus entre os homens, e eu o queria muito. Mas ele era um galinha e trocava de mulheres como trocava de meias. Toda semana, ele estava com uma garota nova, e por mais que meu corpo ansiasse pelo toque dele, eu me recusava a ser apenas mais uma de suas fãs.
— Se você correr, dá tempo de pegar um lanche antes do primeiro sino. Você vai ficar bem? — Aaron perguntou enquanto pegava sua mochila no banco de trás.
— Estou bem. Nos vemos mais tarde! — Eu respondi. Peguei minha mochila e saí correndo em direção à cafeteria. Eu podia sentir um par de olhos em mim, e quando olhei para minha esquerda, eram aqueles olhos cinzas-tempestades do meu sonho. Vê-lo me observando quase me fez cair de cara no chão, mas de alguma forma, eu consegui chegar ao prédio sem fazer papel de boba.
— Você estava olhando para Alexi de novo? Acho que vejo um pouquinho de baba em seu queixo. — Jordyn apareceu diante de mim e anunciou.
— De onde diabos você veio? E para sua informação, eu estava olhando, mas só porque ele estava olhando primeiro.
— Então, ele sabe que você existe, isso é um progresso. Talvez, um dia vocês realmente tenham uma conversa de verdade.
— Ah, cale a boca. — Eu agarrei o braço dela e a puxei em direção às máquinas de venda. — Preciso. Comer. Agora! — Eu declarei dramaticamente, fazendo-a revirar os olhos.
— Você poderia comer uma vaca inteira e, dez minutos depois, estaria com fome de novo. Eu não sei como você consegue.
— O Aaron já me deu esse sermão logo cedo. Mas eu tenho algumas outras informações suculentas para compartilhar, se você estiver curiosa.
— Não são nem 8 horas, além de ter desejos por Alexi, o que já poderia ter acontecido?
— Shh! Não fala tão alto, uma das meninas com quem ele fica pode ouvir você. E como você sabia sobre o sonho? É tão óbvio assim? — Eu sussurrei.
— Que sonho, Alaia? Eu estava falando sobre o flerte de vocês alguns minutos atrás. Desembucha agora!
Eu contei a ela tudo sobre o sonho e a revelação da minha mãe sobre a festa de aniversário neste sábado. — Além disso, meu pai convidou quatro alfas de matilhas vizinhas para a festa. O Aaron está animado para conhecer sua companheira, talvez, mas eu não sei como me sentir. E se meu companheiro sentir que não sou boa o suficiente? E se ele for um alfa? Terei que me tornar a Luna de sua matilha? E se ele não me quiser e me rejeitar. E se...
Antes de eu terminar de desabafar, Jordyn beliscou meu nariz para me calar. —Garota, relaxa e respira, todos esses "e se" estão apenas te deixando e me deixando louca. Apenas relaxa. Não há garantias de que você encontrará seu companheiro no sábado, mas se encontrar, ele te amará e te tratará como a deusa que você é, caso contrário, terá que lidar comigo, e ele não vai querer isso. — Ela disse, piscando o olho.
Como uma das guerreiras mais fortes da matilha Lua de Opala, Jordyn era uma força a ser reconhecida, e todos sabíamos disso.
— Não, com certeza ele não vai querer isso. — Respondi. Um pouco mais calma, finalmente cheguei às máquinas de venda e examinei as opções. Eu realmente teria preferido um croissant de bacon, ovo e queijo, mas tive que me contentar com um pacote de minibolinhos de mirtilo e uma garrafa de suco de laranja.
Conversamos por mais alguns minutos e depois voltamos para o corredor principal, antes de nos separarmos e irmos para nossas turmas.
***
Peguei meu lugar habitual no fundo da sala da senhora Miller e ataquei meu triste café da manhã. Mordendo um bolinho, tudo o que conseguia pensar era como a nossa chefe-ômega, senhora Dyson, fazia bolinhos que derretiam, literalmente, na boca. Esses bolinhos eram como pequenas pedras azuis. Mas eu ainda ia comer todos esses pequenos bastardos duros como pedra.
— Com fome?
Não sabia que alguém tinha se sentado ao meu lado, então quando ouvi a voz de Alexi, quase me engasguei com aquele maldito bolinho e precisei tomar metade da minha garrafa de suco para desobstruir minha garganta. — Ah, oi, Alexi. Desculpe, minha mãe e o Aaron me fizeram perder o café da manhã, então é, estou morrendo de fome. — Respondi.
— Isso não tem nada a ver com você dormir demais, então? — Ele perguntou. Minha boca caiu, como ele sabia sobre minha afinidade com o botão soneca?
— Nós moramos na mesma casa há quase dezoito anos, Alaia. Você achou que eu não ia notar pelo menos alguma coisa sobre você? — Ele perguntou. Vendo o pequeno sorriso se formando nos cantos de seus lábios deliciosos, senti meu rosto ficar vermelho.
Ah, se eu pudesse lamber esses lábios, eu poderia fazer várias coisas indecentes.
Fui tirada da minha fantasia de garota malvada quando Victoria, o caso do momento de Alexi, passou por nós e, propositalmente, esbarrou em mim.
O perfume doce enjoativo dela me fez querer vomitar, e quando ela abriu a boca para falar, parecia o lamento de uma alma penada morrendo. — Amor, por que você está sentado aqui com essa ninguém ao invés de estar na frente, comigo?
Para provar seu ponto, ela cruzou os braços sob seu sutiã m*l preenchido, erguendo seus s***s falsos e fazendo sua melhor expressão de birra para Alexi.
— Eu sou filha do Alfa, provavelmente a pessoa mais distante de ser uma ninguém, mas, por favor, continue o que estava dizendo. — Murmurei. Eu não tinha tempo ou energia para ela, então me virei para a frente da sala de aula.
Vi Alexi sorrir de canto de olho, e quando ele olhou para Victoria, uma rápida expressão de exasperação cruzou seu rosto, antes de ser substituída por um de seus sorrisos arrasadores. — Já estou indo, Valerie, eu só precisava falar com a Alaia rapidinho.
O rosto dela caiu quando ouviu Alexi chamá-la pelo nome errado, mas antes de ela questionar, Alexi a girou e a empurrou gentilmente de volta para a frente.
Uma risadinha de sua irritação escapou dos meus lábios, que Victoria escutou e devolveu com um sorriso malvado sobre o ombro. Ah, se olhares matassem...
— Eu soube da festa no sábado, que a Luna está organizando; parece que vai ser muito legal. Boa sorte em encontrar o seu companheiro. Espero que ele seja tudo o que você merece.
Ele então, se levantou e caminhou em direção aos braços de uma Victoria orgulhosamente se gabando.
— O que diabos foi isso?! — Peguei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem furiosamente para Jordyn. Essa foi a primeira conversa de verdade que eu tive com Alexi, e eu estava muito confusa. Talvez, ele realmente visse a mulher que eu estava me tornando, e talvez, ele me quisesse tanto quanto eu o queria. A resposta de Jordyn veio no exato momento em que vi Alexi e Victoria tentando enfiar a língua um no outro até seus cérebros. — Ele provavelmente estava sendo legal, nada mais. Não deixe ele te afetar e não interprete demais. — Jordyn aconselhou sabiamente.
Ele provavelmente estava sendo legal; fazia sentido na minha cabeça, agora eu só precisava convencer meu coração.