UM | É MEU ANIVERSÁRIO?
Ponto de vista de Alaia
Olhos cinzas-tempestades, cabelos loiros-sujos que lembravam a seda mais bonita e o sorriso mais sexy do planeta; Alexi era perfeito de todas as formas imagináveis e, de alguma maneira, ele era todo meu.
Meu corpo tremia conforme seus dedos percorriam meu braço e dançavam em meu pescoço. Isso estava mesmo acontecendo, finalmente?
— Anjo, um dia eu vou marcar bem aqui. m*l posso esperar para afundar meus dentes nessa pele impecável sua. Você é tão doce quanto parece? Tão doce quanto cheira? Espero que sim. — Ele sussurrou contra meus lábios entreabertos.
Então, ele passou a língua de leve, quase tocando o canto da minha boca, fazendo-me gemer e implorar internamente por mais. Tê-lo tão perto era intoxicante e minha mente estava ficando nublada. Ergui as mãos e passei os dedos em seus cabelos, puxando-os levemente, o que fez um rosnado sexy ecoar em seu peito. Esse homem era tudo para mim, como eu tinha tanta sorte?
Seus dedos longos e ágeis começaram a desabotoar os botões do meu vestido, e amaldiçoei-me por estar vestida como uma figurante em "Uma Casa na Pradaria". O que era esse traje, afinal? Nunca tinha visto na minha vida, mas tanto fazia. Eu rasgaria aquela peça em pedaços se isso significasse que o corpo de Alexi estaria mais próximo ao meu.
— Alaia!
Depois de uma eternidade, ele finalmente liberou o último botão e afastou o tecido, deixando meus ombros à mostra. — Você é tão linda, anjo. Obrigado por ser minha. — Ele sussurrou enquanto beijava sedutoramente a pele exposta.
— Alaia Noel Miller! Se eu tiver que chamar seu nome mais uma vez...
Procurei de onde vinha a voz, parecia tão familiar, mas a visão de Alexi tirando a camisa, rapidamente concentrou toda a minha atenção. — Não se preocupe com ela, meu amor, concentre-se em mim. Prometo ser o mais gentil possível. — Ele me deitou na cama e, ao se inclinar sobre o meu corpo para beijar-me, seu rosto deslumbrante foi substituído por uma luz ofuscante. Sua voz, tão suave e profunda, transformou-se no som mais estridente e irritante que eu já ouvi na vida. Como o paraíso pôde se tornar tão rapidamente num inferno?
— Alaia, saia da cama agora! Não me faça subir aí! — Gritou minha mãe lá de baixo. Eu me levantei e olhei ao redor do meu quarto; para onde Alexi tinha ido? Onde estava aquele vestido de estopa horrível? Onde estava meu momento sexy? Tudo não passou de um sonho? Droga!
Eu tinha apertado o botão soneca muitas vezes, lutando para permanecer na terra dos sonhos, e agora estava atrasada para a última semana do meu último ano do ensino médio. Por que a escola tinha que começar tão cedo de manhã? Isso deveria ser um crime ou algo assim. Me arrastei para fora da cama e caminhei lentamente até o banheiro na tentativa de parecer mais humana do que um zumbi ambulante. Três apertos no botão soneca claramente não foram suficientes, pois minha mente ainda estava uma bagunça nebulosa. Liguei o chuveiro, entrei e xinguei em voz alta quando a água gelada atingiu meu corpo. Bem, etapa um, "acordar", concluí sarcasticamente enquanto ajustava a temperatura e passava por minha rotina matinal contrariada.
Assim que estava adequadamente limpa, depilada e perfumada, saí e me envolvi em minha toalha fofa favorita, antes de dar uma olhada no espelho. Todo mundo sempre dizia como eu me parecia com a minha mãe, e naquela manhã, com bolsas enormes sob meus olhos vermelhos, eu via isso cada vez mais a cada dia. Eu tinha os olhos grandes, dourados como mel, e a pele macia e caramelada. Meu cabelo castanho-chocolate ia quase até minha cintura — novamente, como o da minha mãe — mas o meu era cacheado, enquanto o dela, era considerado ondulado. Eu tinha lábios cheios e bem desenhados e um pequeno nariz arrebitado, que eu adorava, mas diria que minha característica favorita seria minhas curvas.
Mamãe me abençoou com uma figura de violão fantástica.
Diria que eu era considerada atraente por muitos, mas estava prestes a me formar no ensino médio sem nunca ter namorado ou tido um namorado sequer. Eu preferia ficar na minha e evitar o drama que parecia seguir os adolescentes lobisomens, cheios de hormônios, então mesmo com minha aparência física e minha posição na alcateia, poucas pessoas se deram ao trabalho de se aproximar e me conhecer.
Despertei de meus devaneios e baguncei meu cabelo em um coque gigante, antes de correr para o meu armário e vestir meu vestido amarelo longo favorito e minhas sandálias gladiadoras marrons. Por causa da minha estatura baixa e intimidadora de 1,57m, eu tinha que amarrar um nó na frente do vestido para evitar tropeçar e cair de cara no chão, mesmo assim, eu adorava. Parei em minha penteadeira, passei um pouco de rímel e gloss labial, peguei minhas coisas e desci as escadas. No caminho, olhei para o meu celular e vi que tinha tempo suficiente para um café da manhã rápido antes de sair. Fiz uma comemoração silenciosa, antes de virar a esquina e entrar na cozinha.
Eu adorava comida e não tinha vergonha de dizer isso.
Disse "bom dia" ao passar por alguns membros da alcateia que já estavam tomando café da manhã na grande ilha e olhei para ver mais pessoas na sala de jantar. Acenei para eles, antes de abrir a geladeira, colocar a cabeça lá dentro e começar a fazer minha dança feliz da comida subconscientemente.
— Oh, que delícias você guarda aí, geladeira querida? — Perguntei enquanto olhava as prateleiras.
Meu irmão, Aaron, estava sentado no balcão, comendo uma tigela enorme de cereal Fruity Pebbles, e riu da minha exibição. — Você é tão esquisita, maninha, nunca vi ninguém ficar tão feliz com o café da manhã.
— Então, você não está comendo as coisas boas. Quando você experimentar um muffin de blueberry recém-saído do forno e cheio de manteiga, você, oficialmente, terá provado o paraíso, acredite em mim. — Eu respondi.
— Como é que você não está do tamanho de uma casa, agora? — Ele perguntou, olhando-me curiosamente.
— Boa genética, suponho; talvez eu seja especial e tenha sido abençoada pela própria Deusa da Lua. — Eu brinquei.
— Abençoada? Duvido muito. Se fosse esse o caso, ela teria te dado esses três centímetros que te faltam, baixinha. — Ele respondeu e pulou do balcão, acariciando o topo da minha cabeça como se eu fosse um cachorrinho.
Eu afastei a mão dele. — E daí? Você é ridiculamente alto, grande coisa. E pare de me fazer carinho, a menos que queira sentir os punhos dessa baixinha.
Sendo gêmeos, Aaron e eu podíamos brigar como cães e gatos num minuto e sermos os melhores amigos no próximo. Eu amava meu irmão mais do que qualquer coisa e sabia que ele sentia o mesmo.
— Tudo bem. Eu te vi treinando com Jordyn ontem e se saindo muito bem. Vejo que finalmente passou a prestar atenção nas aulas de combate. — Ele disse.
Eu costumava detestar treinamento de combate. Sempre parecia mais uma punição do que qualquer outra coisa; além disso, eu me via mais como uma amante do que como uma lutadora.
Sendo filha do Alfa da alcateia Lua de Opala, para mim foi incutido desde cedo que Aaron precisava ser o lutador. Ele era aquele que assumiria a posição de nosso pai um dia, e quando eu encontrasse meu companheiro, daria à luz os seus filhotes e seria uma "boa esposa", o que quer que isso significasse. Mamãe, a Luna da Lua de Opala, achava essa noção insana e insistiu que eu começasse a treinar imediatamente.
E se meu companheiro fosse um alfa de outra alcateia? Ninguém queria uma Luna que só soubesse de arrumação de mesa e arranjos florais. Meu pai hesitou no começo, mas como era quase impossível negar seu companheiro, mesmo se você fosse o alfa. Ele cedeu e eu estive em treinamento nos últimos seis meses.
Já que eu tinha sangue alfa, eu era mais feroz do que outros lobos, e aprendi rapidamente nos treinamentos. Eu conseguia acompanhar os guerreiros da alcateia que estavam em treinamento desde que eram filhotes. Minha força me enchia de orgulho e era incrível saber que eu poderia me defender e defender minha alcateia se um dia fosse necessário.
Olhei para Aaron e sorri.
Apesar de sermos gêmeos, não poderíamos ser mais diferentes. Ele tinha a pele mais clara, do papai, olhos verdes e cabelos castanhos ondulados. Ele também tinha uma personalidade fantástica e amigável e um sorriso que alegrava qualquer dia. Com 1,88m, ele era mais alto do que a maioria dos garotos da nossa escola, e as meninas pareciam não se cansar dele. Com seu bom visual e o futuro status de alfa, se poderia pensar que ele seria um mulherengo, dormindo com todas as fêmeas da população, mas isso não podia estar mais longe da verdade. Aaron acreditava na importância dos companheiros e queria esperar pela dele. Ela compartilharia tudo, desde o primeiro beijo até a primeira vez fazendo sexo. Para Aaron, não havia nada mais especial do que compartilhar todos os primeiros momentos com a pessoa que a Deusa da Lua fez especialmente para você.
Eu também acreditava em companheiros, mas não achava que estava tão animada para encontrar o meu quanto Aaron estava. Ele sabia seu lugar na alcateia e no mundo, mas meu futuro ainda estava incerto. Acho que isso me assustava um pouco.
Enquanto estava perdida em meus próprios pensamentos, minha mãe entrou na cozinha com um sorriso enorme no rosto.
A maneira como ela quase pulava nas pontas dos pés, me dizia que ela estava aprontando algo e não poderia estar mais animada com isso. — Estão prontos, meus bebês?
Aaron e eu nos olhamos, depois voltamos o olhar para a mamãe.
— Hã? — Dissemos ao mesmo tempo.
Ela revirou os olhos, mas rapidamente recuperou a animação. — A festa. Está tudo certo? Eu tenho a alcateia inteira se preparando e seu pai convidou quatro alfas e alguns convidados escolhidos de alcateias vizinhas. Vai ser tão divertido!
Aaron e eu estávamos completamente perdidos, e nossas expressões deviam mostrar isso claramente, porque mamãe levantou as mãos e gritou: — Seu aniversário?! Não me digam que esqueceram que completam 18 anos neste sábado e finalmente podem encontrar seus companheiros! Oh, eu m*l posso esperar para ser avó. Eu terei os netinhos mais fofos de todos!
Com isso, a ficha caiu e meus olhos se arregalaram. Meu décimo oitavo aniversário? Como pude esquecer meu aniversário e logo os dezoito? — Caramba! — Eu exclamei antes de me controlar.
Mamãe me lançou um olhar assassino e disse, com uma voz perigosamente baixa: — Com licença? — E gelou a minha espinha.
— Desculpe, mamãe. — Murmurei, o que pareceu resolver a situação, já que quase imediatamente ela voltou a falar sobre a festa, os companheiros e tudo mais. Eu a ignorei e rapidamente abri a conexão mental com Aaron.
A maioria dos lobisomens não podia se comunicar mentalmente até terem atingido a maioridade e seu lobo estivesse totalmente desperto, ou seja, aos dezoito anos. Mas, como éramos gêmeos, podíamos nos conectar um com o outro e a mais ninguém.
"Você sabia dessa festa? E como eu esqueci nosso aniversário?"
"Não tinha ideia. Papai convidou quatro alcateias diferentes? Você sabe o quanto isso aumenta nossas chances de encontrar nossos companheiros, Alaia? Por mais que detestemos festas e ser o centro das atenções, isso é bom."
"Bom para quem? E se meu companheiro for de outra alcateia ou um i****a abusivo, com fetiche por pés, ou pior, e se ele não gostar de queijo?"
"Sério, Alaia, não gostar de queijo é pior do que ser um i****a abusivo? Recomponha-se, maninha."
"Tanto faz."
Cortei a conexão mental assim que ouvi mamãe falar novamente.
— Ok, meus bebês, vão indo. Vocês não querem se atrasar. Afinal, é a última semana.
Foi então que eu percebi que nem mesmo tive a chance de pegar o café da manhã.
Ela começou a nos empurrar em direção à garagem e meu estômago reclamou. Com seus sentidos aguçados, ela ouviu o som e sorriu. — Isso vai te ensinar a não apertar o botão soneca tantas vezes.
— Por favor, deixe-me pegar uma banana ou algo assim! Eu tinha tempo, eu tinha, mas Aaron me distraiu, e você queria falar sobre a festa. Estou morrendo de fome! — Implorei.
Foi inútil; fomos empurrados para a garagem e mamãe rapidamente fechou a porta atrás de nós.
— Você pode pegar algo em uma máquina de venda se corrermos; vamos lá! — Aaron olhou para mim e disse.
Meu estômago protestou e roncou durante todo o caminho para a escola; aquele dia já estava uma porcaria completa.