FLASHBACK ON
Entrei com tudo no hospital, eu nunca havia dirigido tão de pressa na minha vida antes, devo ter ultrapassado uns cinco sinais vermelhos e ganho várias multas, mas eu não me importava eu só queria chegar logo e saber que aquele inferno não passava de uma grande confusão feita em torno dela.
- SOFIA ?!?!! - Cheguei gritando enquanto pelo corredor, mas fui parado por uma mulher loira.
- Se acalme senhor, você não pode entrar aí! – ela tentou me barrar, mas apenas me enfureceu.
- Me acalmar? p***a nenhuma, minha mulher acabou de sofrer um acidente e você me pede calma? - Eu disse entre as lágrimas que caiam dos meus olhos.
- Peter, vamos esperar por notícias... Vamos sentar ali e esperar. - Ally me arrastou para algumas cadeiras que estavam ali e eu preferia a minha morte a ter que ficar sentado e esperando. Haviam várias pessoas e todas elas olhavam com uma certa pena por me ver daquele jeito, algumas com os celulares apontando, sem nem ao menos um esforço para disfarçar o cinismo e foi ai quando eu perdi o controle pela primeira vez. – Será que voces não sentem vergonha por desrespeitar a dor do outro? – Olhei para um cara que me filmava. – Aqui é um lugar de dor e você tem a cara de p*u de filmar em troca de cliques? – Allyson nem tinha notado aquilo, mas não sei como acenou para Julia que surgiu com os seguranças do hospital que logo trataram de retirar aquele homem dali e alguns enfermeiros perceberam o problema que daria continuarmos ali, e nos encaminharam uma sala vazia.
Os pais de Sofia ainda não estavam ali, mas Chris, Julia e Ally estavam... Olhei para Julia e a primeira coisa que eu fiz foi correr para conseguir entender o que havia acontecido.
- Ela estava com você! - Olhei em seus olhos. – Que merda aconteceu?
Julia pareceu tremer um pouco, eu sabia que ela não tinha culpa, ninguém tinha na verdade.. Eu só queria entender como tudo havia terminado ali.
- Ela foi falar com alguns fãs e precisou atravessar a pista principal no sinal vermelho, eu pedi para ela ficar já que estava sozinha e por hora os fãs ainda eram poucos, dava para controlar então um carro veio com tudo e a arremessou à distâncias. Eu sai correndo de onde estava e fui até ela... - Julia deu uma pausa, pois ela havia começado a chorar e se quer havia percebido que eu também já chorava. - Quando eu à encontrei ela estava toda machucada e cheia de sangue, Peter.
Então, ela me abraçou e a dor devastadora começou.
Depois de horas ali esperando, a única notícia que eu tinha era de que Sofia precisou fazer uma cirurgia, os ferimentos em sua cabeça foram graves demais e seu cérebro havia criados problemas e eles precisariam reverter à situação.
Os pais ela haviam chego à umas quatros horas atrás, Ally nem precisou ligar para avisá-los. O acidente dela havia se tornando o principal assunto do mundo todo, Josh mandou meu helicóptero para buscar meus pais e minha irmã Taylor para cá e enquanto lá fora do hospital... Haviam milhares de fãs, paparazzis e jornalistas querendo saber sobre ela, isso fez com que Ally aumentasse à segurança em quase o quíntuplo para que nada saísse do controle.
O que foi impossível já que os fãs gritavam e cantavam trechos de suas músicas, fora as mensagens que eles enviavam nas redes sociais de apoio, agora eu entendia o porque da Sofia sempre os amar incondicionalmente.
Eu estava sentada à quase sete horas sem me mover em uma das cadeiras da sala de espera. Julia, Ally e Josh vinham hora ou outra perguntar se eu queria alguma coisa e eu não conseguia responder, eu não precisava de nada à não ser minha doce Sofi ao meu lado. Meus pais já estavam ali e eles assim como eu, adoravam Sofia. A realidade é que todos em nossa volta conseguem amar Sofia.
Meus pensamentos davam inúmeras voltas em torno de tudo o que havia acontecido nas últimas horas, meu corpo tremia à um ponto em que eu não sabia controlar, eu sentia que a qualquer momento minha cabeça fosse explodir ou eu teria um ataque a qualquer momento se eu não tivesse alguma notícia sobre ela.
- Família da Senhora Sofia Gates? - Um médico com uma aparência de uns 50 anos apareceu na sala com uma prancheta em mãos, ele gostava está cansado. Isso não me impediu de correr até ele para saber sobre ela. Senti mais uma tontura, mas ignorei agora não era a hora de mostrar fragilidade. Eu precisava ser forte para levar minha menina de volta para casa.
- Somos nós. – Alejandro, meu sogro, respondeu. Só assim me dei conta de que todos estavam ao meu lado.
- Pois bem, o caso da senhora Gates é bastante delicado, ela teve duas costelas quebradas, uma perna e o braço esquerdo.. Mas com esses membros vocês não tem com o que se preocupar, já tomamos nossos devidos atendimentos, o problema principal no momento foi a forte pancada em sua cabeça... Ela acabou tendo uma forte lesão no crânio e tivemos que tomar decisões drásticas para que seu caso não piorasse e ela não viesse a óbito.
- Mas como ela se encontra agora? - Julia perguntou.
- Como eu disse a situação é bastante delicada e mesmo depois da cirurgia tivemos que esperar duas horas para ver se o cérebro desinchava um pouco, mas infelizmente isso não aconteceu. Ela está inconsciente e ficará na UTI nos próximos dias.
- Sofia está em coma? - foi à primeira vez que eu abri a boca em horas.
Eu não poderia acreditar no que eu estava ouvindo, ele estava mentindo, ele não podia brincar com os sentimentos dos outros desse jeito. Ela estava bem, né?
- Sim. - Ele respondeu olhando nos meus olhos, quando isso aconteceu as lágrimas vieram cada vez mais forte e sem controle algum.
- Quantos dias vocês irão mantê-la desse jeito? - Josh perguntou.
Meu mundo estava em um completo caos, eu ouvia o choro de Susie, mãe de Sofia, com minha mãe e talvez o de Taylor com mais alguém, eu queria fazer alguma coisa, meu corpo estava paralisado e eu não conseguia me mover de forma alguma. Minha respiração parou e meus pulmões tivesse que forçar à entrada do ar manualmente, o que foi bastante complicado pra mim.
- Por tempo indeterminado. - A voz grossa respondeu.
Eu não sabia mais dizer quem era quem ali, meu cérebro precisava de oxigênio com urgência e eu não conseguia dizer a ninguém que eu não estava bem.
Cambaleei um pouco para o lado me apoiando na parede mais próxima com mas mãos no peito tentando a todo custo fazer meus pulmões funcionarem, mas isso não adiantou. Era como ter voltado para minha infância, onde era frequente minhas crises asmáticas. Eu nem conseguia me lembrar qual havia sido a ultima vez que precisei usar uma bombinha de ar para tentar forçar meus pulmões a fazer o seu trabalho.
Não senti muita coisa quando de repente, tudo ficou escuro.
Flashback Off
- Senhor Gates? - Big Rob me chamou. Nos últimos meses havíamos nos tornado quase que inseparável, ele tinha toda a liberdade do mundo para me chamar pelo meu primeiro nome e quase nunca o fazia. - Você está bem?
Sai dos meus devaneios e limpei as lágrimas que ousaram à cair e apenas concordei com a cabeça, era obvio que se tratava de mais uma mentira, eu havia me tornado excelente nelas.
- Ok, então.. Você não quer ir para outro lugar? - Ele perguntou.
- Porque? - me acomodei no banco traseiro do carro, havia meses em que eu não dirigia mais meu bom e velho Mustang.
- Steve me disse que tanto à frente quanto as portas para funcionários estão cheios de pessoas esperando por sua chegada. - Ele parou o carro em um sinal vermelho e me encarou pelo retrovisor.
- Quantas mais ou menos? - Isso já havia acontecido várias vezes, todos os dias os fãs da Sofi vinham à porta do hospital por notícias, eu não me incomodava com isso.. Eles eram gentis e sempre me ajudavam com o que eu precisasse, o problema mesmo era os paparazzis que sempre atrapalhavam tudo.
- Quase três mil pessoas... - Ele respondeu.
-Wow, isso são muitas pessoas. - Eu estava assustado, não imaginei que várias pessoas estariam ali.
- Eles sabem que o nascimento do Vítor está próximo, Ally encarregou Travor e eu para treinar os novos seguranças para à saída de vocês dois do hospital... Então, você decide o que faremos.. Você tem outro lugar para ir ou vamos enfrentar essa multidão?
Eu olhei apreensiva para ele, eu também não sabia o que dizer, desde o acidente minha vida virou uma bagunça e eu dependia de várias pessoas todos os dias para eu sair até mesmo da cama.
- Acho que devemos ligar para Ally. - Disse pegando meu celular dentro do bolso iniciando a chama, tanto ela quanto os outros sempre estavam por perto caso eu voltasse a ter outra das crises que eu havia adquirido nesses meses.
-Alô?
-Estou com problemas, eu não consigo entrar no hospital.
- Imaginei que isso aconteceria, enfim... Vá para seu antigo apartamento, Julia está à sua espera e faça tudo o que ela pedir, Peter. Sem protestar. - ela disse e eu revirei os olhos, odiava quando elas me davam ordens que sabiam que eram difíceis de cumprir. - Assim que terminar volte ao hospital, até lá eu darei um jeito de fazer com que você entre sem chamar muita atenção.
- Tudo bem. - Respondi e ouvi quando ela disse um "preciso ir" e desligar o telefone na minha cara, essa baixinha estava andando bastante com Julia. - Acho que devemos ir para meu apartamento, Julia nos espera lá...
- Você não quer comer algo antes? Ouvi dizer que você não se alimentou essa manhã e ainda não almoçou.
- Não creio que até você está cobrando isso de mim, Rob? - fingi indignação e ele sorriu. - Vamos passar em uma cafeteria, você compra algumas rosquinhas e um pouco de café para nós dois, acho que Leah deve ter feito o almoço e com certeza Ally irá nos cobrar isso. - Respondi olhando meu celular.
Eu tentava entrar no twitter, mas minha timeline estava congelada devida às menções que eu recebia, eu teria que esperar um tempo até voltar ao normal. O twitter foi uma forma que encontramos de ficar mais presente com nossos fãs (Sim, nossos.. Eles estavam aqui por nós dois e em alguns dias eram a única coisa que me fazia pensar em outras coisas) e sempre ficavam felizes quando eu interagia com eles nas noites em que eu não conseguia dormir.
Ultimamente eu estava tão perdido nos meus pensamentos que eu m*l havia notado que Big Rob havia parado na cafeteria e eu estava sozinho dentro do carro, agradeci por ele ter os espelhos negros o suficiente para ninguém de fora notar que eu estava ali, não me sentia bem o suficiente para encarar qualquer pessoa de fora. As vezes elas podem ser bastante maldosas.
Depois de muito esperar, Big Rob me entrega as rosquinhas e o café e eu dou mais uma olhada no meu celular (twitter para ser claro, agora destravado) e fico sem entender algumas coisas.
- Porque todos estão me desejando parabéns? - perguntei confuso olhando para aqueles vários Tweets.
- Talvez seja alguma data comemorativa e você acabou esquecendo. - Big ligou a ignição e saiu apressado, dei de ombros.
- Não esqueceria nada relacionado à Sofi, talvez pode ser pela entrevista que terei de dar essa semana. - Larguei meu celular e comi as rosquinhas, elas estavam excelentes. – Ainda não acredito que mesmo nessa situação, sou obrigada a cumprir essa maldita agenda. – resmunguei.
- Talvez, agora vamos.. A voz de Ally no meu ponto as vezes é bastante aterrorizante!
Sorri com suas palavras, Rob tinha razão, Ally era como a nossa mãe as vezes, por mais baixinha que fosse ela sempre fazia de tudo para nos manter de pé, até nós piores dias. Eu invejava sua força por isso.
Se não fosse por ela, talvez eu nem estivesse mais aqui...
...
Quando chegamos em frente ao meu prédio, não havia nenhum paparazzis e eu agradeci à Deus por isso, eles sabiam que eu passava o dia fora e durante a noite eu dormia no hospital para ficar ao lado da Sofia, no início foi complicado então eu tive que mandar construir uma ala especializada para ela, dinheiro move o mundo já disse minha mãe que se você tem o dinheiro você tem tudo. Foi nessas palavras que eu me inspirei na hora de subornar o Conselho do hospital para que me deixasse ficar.. E veja só, eu consegui!
Entramos sem nenhum problema nos prédio, eu não estava me sentindo muito bem e por isso Rob achou que era o certo me acompanhar até a cobertura.. Eu dizia que era porque ali eu tinha mais lembranças de Sofia, não que eu sempre evitasse de ter elas, só era difícil pra mim suportar tudo de uma só vez.. Mesmo que passasse uma vida toda eu nunca me acostumaria com a falta que ela faz.
Quando chegamos no meu apartamento, Rob como sempre foi para a cozinha atrás de comida e eu fui para a sala vendo uma Julia de cabelos em pé e provavelmente discutindo com alguém pelo telefone, não dei muita importância eu apenas me joguei no sofá e fiquei ali fazendo muitos nada ou vegetando como sempre fazia.
- Oh.. Sim, claro.. Direi.. Você acha que eu vou conseguir? É claro que não isso é loucura, ele vai querer meu pescoço por isso.. Ele chegou agora... Olha Ally, relaxa... Josh já está aí? Oh, está bom.. Porque eu? - Julia dizia com um certo desespero na voz, não que eu gostasse de escutar a conversa dos outros, mas é que quando você não tem nada pra fazer é um ótimo passatempo. - Não prometo nada, até logo. - E ela desligou. - Onde você estava?
Julia sentou do meu lado no sofá e eu me acomodei com a cabeça nas coxas dela, eu fazia isso sempre que precisava de colo, isso foi o bastante para ela perceber que eu não estava bem.
- Indo para o hospital, tem muitas pessoas lá e Ally me mandou pra cá com você. - Virei ficando de lado com o rosto na sua barriga, Ju vestia um vestido social branco com um cinto pequeno marcando sua cintura, ela sempre estava perfeita. - Paramos em uma cafeteria... - Eu vi ela abrir a boca para dizer algo. - Não se preocupe, Rob foi até lá, eu fiquei esperando no carro...
Ela fez uma massagem no meu cabelo, eu fechei os olhos e desejei mais uma vez que fosse Sofia que estivesse ali. Eu senti as lágrimas descerem mais uma vez naquele dia apenas por lembrar do sorriso mais encantador que eu já vi.
Eu estava ficando sonolento e meus olhos estavam pesados demais devido ao cafuné que eu estava recebendo eu não estava prestando muita atenção na minha volta, até que a voz de Julia soou um pouco mais baixa.
- Pet? - eu fiz um som nasal para que ela prosseguisse. - Vítor vai nascer...
Enrolei minhas pernas e fiquei em posição fetal me acomodando mais um pouco sobre as pernas de Julia, eu já sabia que ele nasceria.
-Eu sei... – Julia bocejando.
- Pet? - Ouvi mais uma vez ela me chamar.
- Hum? - Perguntei sem muito interessante.
- Ele vai nascer agora. - Ela disse um pouco exasperada.
- O QUÊ? - Eu gritei pulando do seu colo e acabando caindo no chão.
Olhei para o rosto de Julia e ela estava tão assustada quanto eu. Nesse meio tempo, percebi que todo o sono que eu sentia segundos atrás havia passado, Vítor estava nascendo e eu precisaria está presente nesse momento.