Família em Expansão

935 Words
Malu. Mesmo com os olhos fechados senti algo apertar o meu braço cada vez mais e mais. Abrindo os olhos lentamente percebi que se tratava de um médico que estava aferindo a minha pressão. — Está um pouco baixa, o que explica o desmaio. — Disse olhando para o Tom que estava com uma cara preocupada. — Eu to bem... — Sussurrei me sentindo sonolenta. — Me assustou, você estava muito pálida! — Disse Tom. — Você parede bem mocinha, mas com a placenta deslocada, mesmo que de leve não se brinca, precisa ficar de repouso esse mês se não quiser perder seu bebê. — Só de ouvi "perder seu bebê" um nó se formou na minha garganta. — Fora a pressão você me parece bem, teve algum sangramento? — Não... — Ótimo, caso tenha mesmo que apenas um pouco sugiro que vá direto ao hospital. Mas mantendo repouso vai ficar tudo bem. — Ele sorriu amigavelmente. Já estava prevendo que não me deixariam sair dessa cama para nada enquanto observava Tom levar o médico até a porta. — Que baita susto nos deu meu pequeno... — Sussurrei acariciando meu baixo ventre. Apertando suavemente eu podia sentir que uma bolinha rígida começava a se formar. — Maria Lúcia! — Nathy entrou praticamente gritando no quarto. — Você tá ficando maluca? Onde estava com a cabeça? Não sabe o que é o c*****o de um repouso? Mas que fogo no cu é esse? Por um momento eu realmente achei que ela fosse voar no meu pescoço até que Tom chegou. — Calma, não vamos deixá-la nervosa, o médico disse para ela descansar. — Disse tentando acalmá-la. — Não se mete não se não sobra pra você! — Mas o furacão Nathy só aquietava depois de botar tudo pra fora. — A partir de hoje você só se levanta daí para ir ao banheiro e eu vou pensar se não te acompanho até lá! Se eu vir você em pé eu prego você nessa cama entendeu Maria Lúcia? — Apenas assenti com a cabeça lentamente. — É bom mesmo! Nathy saiu do quarto batendo a porta com tanta força que não sei como o teto não cedeu e a vizinha de cima caiu na cama comigo. Eu e Tom nos entreolhamos, ambos com os olhos saltados. — Ela é sempre assim? — Perguntou rindo puramente de nervoso e subindo na cama. — Não, as vezes é pior. — Respondi rindo. — Sabe Amor... Já que as nossas famílias já sabem mesmo, o que acha de falarmos sobre o casamento? — É uma boa ideia. — Disse deitando nas minhas coxas praticamente implorando carinho. — Quando você quer marcar a data? — Logo... Não quero casar de barrigão. — A barriga começa a crescer com quanto tempo? — Perguntou levantando o olhar para me olhar. — Não sei... Acho que com uns 4 meses. — O médico disse que você estava com 1... Então temos 3 meses para planejar tudo. — Eu quero algo simples, nada tão extravagante, só nossa família e amigos sabe?! — Sei... Podemos nos casar no jardim da casa dos meus pais o que acha? Tem muito espaço. Podemos comprar muitas flores e coisas do tipo. — Eu me divertia com seu entusiasmo todo, até que ele parou. — Droga... Em um mês terei de viajar e ficarei provavelmente dois meses fora. — Bom... Então a gente tem menos de um mês agora. — Sorri acariciando seu rosto. — Um juiz de paz na sala de estar dizendo marido e esposa pra mim já estaria ótimo. Tom sorriu todo bobo, pude ver seus olhinhos até brilharem como de um filhote. Ficamos boa parte do dia falando sobre os detalhes do casamento, vendo a compra das flores, o juiz de paz, passagens para os meus pais etc. Muita coisa a se fazer em tão pouco tempo, mas sei que conseguiríamos até porque não seria O evento do ano, e ambos sabíamos que o momento mais especial seria apenas o nosso aceito. — Darling, quero te mostrar uma coisa. — Tom se esticou até a mesa de cabeceira pegando seu celular e logo voltando para o meu lado. — O que acha disso aqui... Meu queixo foi no chão com as fotos que ele me mostrava daquela casa gigante e totalmente incrível. — Tom... Essa casa, ela é linda! — Que bom que gostou... Porque é nossa. — Disse na maior naturalidade como se estivesse falando de um copo d'água. — Está brincando não está? — Olhei para ele instantaneamente em choque. — Não estou. Eu já havia comprado essa casa a um tempo porque fica próximo aos meus pais, mas acabei optando pelo apartamento porque é mais prático, mas agora com uma família em expansão. — Sorriu ao tocar a minha barriga. — Precisaremos de uma casa maior, ela está passando por algumas reformas, mas está pronta antes do casamento, pode mudar o que quiser nela. Eu ainda não conseguia dizer uma única palavra tamanho o meu choque! Nunca pensei que moraria em uma casa tão grande quanto aquela, se bem que eu nunca pensei que tudo que aconteceu e está acontecendo aconteceria comigo em algum momento da minha vida. — É perfeito... — Respondi o olhando com meus olhos marejados. — Oh darling não chore. — Tom rindo me abraçou, ultimamente eu estava um poço de sensibilidade. — Eu te amo tanto! — Disse aos prantos o que só o fez rir mais. — Eu também te amo, passou passou. — Dizia acariciando meu cabelo. — Droga de hormônios! — Esbravejei secando minhas lágrimas.
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