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Doce Perseguição

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Blurb

Para o mundo, ele é um estranho. Para ela, um fantasma que parece estar em todos os lugares. Ela sente o peso do olhar dele na nuca, o arrepio na pele quando caminha sozinha, mas nunca consegue vê-lo. Ele conhece cada segredo dela, cada rotina, o som da sua respiração quando dorme. E ele não vai deixar ninguém estragar sua obra de arte. Aqueles que tentam se aproximar dela desaparecem misteriosamente, um por um. Quando ela finalmente decide buscar refúgio nos braços do homem que promete protegê-la de todo esse m*l, ela comete o maior erro da sua vida. Porque o monstro que ela tanto teme... é o mesmo que agora a segura no colo.

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Capítulo 1: O Peso dos Olhos Invisíveis
Sienna Brooks sempre acreditou que as luzes da cidade grande eram a melhor camuflagem para quem queria desaparecer. Nova York engolia histórias, rotinas e pessoas todos os dias nos seus labirintos de concreto e vidro. Era o lugar perfeito para recomeçar, para se misturar à multidão barulhenta e esquecer o passado. No entanto, nas últimas três semanas, aquela sensação reconfortante de anonimato e segurança havia evaporado completamente, dando lugar a um sobressalto constante. Havia um peso sufocante no ar. Um arrepio persistente e gélido na nuca que a acompanhava como uma segunda sombra, desde o momento em que saía do escritório de design gráfico onde trabalhava até o segundo exato em que cruzava a soleira de seu apartamento. Não importava quantas pessoas estivessem ao seu redor no metrô ou nas calçadas barulhentas; a sensação de isolamento e de estar sendo caçada era a mesma. — Você está aérea hoje, Sie — comentou Thomas, seu colega de mesa, tirando-a abruptamente de seus pensamentos enquanto organizava alguns relatórios e pastas sobre a mesa de madeira clara. — O prazo da nova campanha da semana que vem está te deixando maluca ou você finalmente cedeu ao cansaço crônico? Sienna piscou repetidamente, tentando afastar a névoa de paranoia que parecia nublar sua visão. Ela forçou um sorriso leve e amigável nos lábios, embora seus dedos estivessem cravados na borda da mesa, e desviou os olhos da imensa janela de vidro que dava para a avenida movimentada lá embaixo. — Só um pouco de cansaço acumulado, Tom. Às vezes, sinto que os dias estão passando rápido demais e eu não estou conseguindo acompanhar o ritmo — ela mentiu, soltando um suspiro baixo e abraçando o próprio corpo por cima do blazer preto bem cortado. — Impressão minha ou a temperatura caiu drasticamente nas últimas horas? Thomas soltou uma risada baixa, balançando a cabeça enquanto guardava o restante de suas coisas na mochila de lona. — É outono em Nova York, Sie. O vento no fim da tarde não perdoa ninguém, principalmente quem insiste em sair sem um cachecol de verdade. Você devia ir direto para casa, tomar um banho quente e esquecer os layouts por hoje. Nos vemos amanhã? Thomas era genuinamente gentil, o tipo de amigo de trabalho que sempre se importava e tentava tornar os dias exaustivos mais leves. Mas, quando ele deu um passo à frente e estendeu a mão para tocar de leve o ombro dela em um gesto simples de despedida, o corpo de Sienna reagiu antes de sua mente. Uma súbita e violenta descarga de adrenalina percorreu sua espinha. Não era por causa de Thomas, a quem ela conhecia há mais de um ano. Foi porque, naquele exato milésimo de segundo, a sensação de estar sendo vigiada atingiu o ápice absoluto, tornando-se quase física. Foi como se uma presença invisível, possessiva e perigosa tivesse congelado o oxigênio ao redor deles dentro daquela sala climatizada, repudiando com uma fúria silenciosa aquele toque inocente. Um calafrio violento subiu pelos braços de Sienna, fazendo os pelos de seu corpo se arrepiarem. — Tudo bem? — Thomas perguntou, recolhendo a mão rapidamente ao notar a rigidez repentina dela. — Sim! Tudo bem... Só me assustei com o reflexo no vidro — ela gaguejou, o coração começando a acelerar o ritmo de forma descompassada. Sienna olhou abruptamente para a rua lá embaixo através do vidro espelhado. Entre a multidão frenética de guarda-chuvas coloridos, táxis amarelos e casacos escuros que se espremiam nas calçadas molhadas, nada parecia fora do comum. Era apenas o fluxo normal do fim de expediente na metrópole. Mas, no fundo de sua alma, ela sabia. Ele estava em algum lugar ali embaixo. O dono daquele olhar invisível que parecia queimar sua pele estava por perto, assistindo a cada movimento seu. Minutos depois, Sienna já caminhava apressada pelas calçadas úmidas da cidade. A chuva fina de outono começava a apertar, transformando as luzes de neon dos outdoors e estabelecimentos comerciais em borrões coloridos refletidos no asfalto molhado e escuro. Ela apertou o passo, segurando a alça de sua bolsa de couro com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. O som de seus saltos estalando contra as pedras da calçada parecia ecoar alto demais na sua cabeça, competindo com o barulho dos trovões distantes e das buzinas dos carros. Passo. Passo. Passo. Atrás dela, misturado ao som do tráfego, havia um eco sutil. Quase imperceptível para qualquer ouvido desatento, mas que, para os sentidos aguçados pelo pânico de Sienna, soava como um alerta de perigo. Ela parou de forma abrupta diante da vitrine iluminada de uma livraria antiga, fingindo interesse em um romance qualquer em exibição apenas para checar o reflexo no vidro. O eco dos passos atrás dela cessou no mesmo instante, perfeitamente sincronizado. Não havia ninguém suspeito imediatamente atrás dela, apenas o vazio da calçada escura. Seu coração martelava freneticamente contra as costelas, implorando por ar. Sienna não tinha como saber, mas a poucos metros dali, parcialmente oculto pela reentrância profunda e escura de um beco esquecido entre dois edifícios, Damian Cole a observava sem sequer piscar. Para Damian, Sienna não era apenas uma mulher bonita caminhando sob a chuva fria de Nova York; ela era sua obra-prima, o centro gravitacional absoluto de sua existência milimetricamente planejada e controlada. Ele conhecia cada faceta da vida dela com uma precisão cirúrgica. Sabia o horário exato em que o despertador dela tocava pela manhã, a marca específica do café que ela comprava na padaria da esquina e, o mais importante, ele conhecia o som exato de sua respiração suave quando ela finalmente pegava no sono — tudo devidamente monitorado pelas câmeras ocultas de alta definição que ele mesmo havia instalado no apartamento dela na semana anterior, aproveitando uma tarde em que ela estava no trabalho. Damian ajustou a gola levantada de seu casaco de grife escuro, os olhos escuros e intensos fixos na silhueta esguia dela que se afastava. Ele havia visto, através de suas lentes de longo alcance, o momento exato em que Thomas ousou tocá-la no escritório. Suas mandíbulas ainda estavam travadas de ódio e seus punhos continuavam cerrados dentro dos bolsos. Ninguém tinha o direito de encostar um único dedo nela. Ninguém além dele. Sienna pertencia a ele, mesmo que ainda não soubesse disso. E Damian já estava traçando planos bem específicos e cruéis em sua mente para garantir que aquele colega de trabalho insignificante desaparecesse do caminho dela para sempre. Sienna apressou ainda mais o passo, quase correndo, e finalmente cruzou a entrada do saguão de seu prédio residencial. Ela destrancou a pesada porta principal com as mãos trêmulas, o som do metal colidindo revelando seu desespero. Ao entrar no elevador e ver as portas de ferro se fecharem, ela finalmente soltou o ar que nem percebeu que prendia nos pulmões, encostando as costas na parede espelhada e sentindo uma onda temporária de alívio. Ela estava em casa. Estava segura. Quando o elevador parou no quinto andar, Sienna caminhou pelo corredor silencioso e abriu a porta de seu apartamento. O ambiente estava escuro e acolhedor, exatamente como ela havia deixado pela manhã. Ela trancou a porta, girando a chave duas vezes e passando a trava de segurança, permitindo-se finalmente relaxar os ombros tensos. Ela deixou a bolsa sobre o aparador da entrada e caminhou até a cozinha para encher um copo de água, tentando acalmar o tremor persistente em suas mãos. No entanto, ao acender a luz da cozinha, seus olhos pararam em um detalhe insignificante na bancada de granito. O seu livro de cabeceira, que ela tinha certeza absoluta de ter deixado fechado sobre a mesa de centro da sala, estava ali, pousado ao lado da cafeteira. E, bem ao lado dele, havia um pequeno ramo de jasmins frescos — a sua flor favorita, cujo perfume sutil começava a preencher o ar do cômodo. Um grito mudo travou na garganta de Sienna. Suas pernas fraquejaram e o copo de vidro escapou de seus dedos, estilhaçando-se no chão da cozinha enquanto a água se espalhava pelas lajotas. Ninguém além dela tinha a chave daquele apartamento. Ninguém deveria ter estado ali. Atrás das telas escuras de seu monitor em um apartamento de luxo do outro lado da rua, Damian Cole assistia a toda a cena através das lentes ocultas. Um sorriso sombrio, quase imperceptível, cruzou seus lábios perfeitamente desenhados ao ver o pavor nos olhos de sua amada. Ele adorava ver como ela era expressiva, como reagia aos pequenos presentes que ele deixava para lembrá-la de sua presença constante. Mal sabia Sienna que o perigo real e mais devastador não estava do lado de fora, nas ruas escuras da cidade. O monstro que ditava seus pesadelos invisíveis não apenas possuía a chave de sua fechadura, mas já comandava cada aspecto de sua vida de dentro de sua própria casa. Ela estava trancada na jaula que ele havia construído com tanto cuidado, e o jogo psicológico estava apenas começando.

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