"A sua presença alivia-me momentaneamente, como se tudo fosse mais fácil, mas a verdade ainda lá está, à espera."
Helena.
A primeira coisa que sinto quando abro os olhos é dor intensa entre as pernas; a segunda, um peito quente preso às minhas costas. m*l consigo lembrar, mas a minha mente está em branco. O que aconteceu porque não me lembro de nada? Eu abro meus olhos, mas fecho imediatamente porque a luz é muito intensa.
Minha dor de cabeça também está me matando. Quando me viro, verifico que o homem atrás de mim é Leonardo; seu peito está descoberto e, devido à sensação do lençol na minha pele, também não estou de roupas. O que fiz ontem à noite?
Eu me esforço para que as memórias venham até mim, eu realmente tento; no entanto, nada muda. A última coisa de que me lembro é de sair para jantar com ele, e agora estou aqui, confusa e sem lembranças da minha primeira vez. Não era assim que eu esperava perder minha virgindade.
— Leonardo? — Eu sacudo seu corpo pesado para acordá-lo.
— O quê? — Rosnados.
— Acorde, o que aconteceu ontem à noite?
— Ah? — Pergunto sem deixar a sua letargia.
Eu agito mais forte.
— O que aconteceu ontem à noite?
— Bebemos, dançamos e passamos a noite juntos —explica.
— Não me lembro de nada.
— Bebemos muito álcool, nem consigo pensar.
Ele se vira enquanto eu luto para lembrar o que aconteceu. Como posso, eu saio da cama e pego minhas roupas jogadas no chão enquanto saio do quarto. Estou no que parece ser um apartamento. Eu procuro o banheiro para limpar um pouco antes de sair para o mundo real.
— Mas o que...? — Suspiro quando vejo o meu reflexo.
Meu cabelo está um ninho. Felizmente, ainda tenho a minha liga no pulso, por isso vou buscá-la. A pequena maquiagem que uso é contínua, corrijo-a lavando a cara. No entanto, há algo que eu não posso consertar: as marcas que correm pelo meu pescoço e outras partes do meu corpo. Parece que fui assaltado e, de alguma forma, parece que sim.
Me visto, deixo esse lugar, que, na verdade, acaba por ser um conjunto de apartamentos luxuosos do outro lado da cidade. Eu vasculho um bilhete na minha carteira e paro um táxi.
— Que horas são?
— Sete da manhã.
Eu fecho meus olhos com raiva. Prometi ir para casa para ajudar e falhei no segundo dia. Pior? Eu não vou ser capaz de dizer a verdade sobre isso, não quando é tão embaraçoso como pernoitar com um homem que não é meu parceiro e de quem eu não me lembro.
Cheguei em casa e quase corri para a cama. Posso não ter conseguido ir até minha família, mas se me apressar, chegarei na hora do trabalho. Eu fecho a porta atrás de mim, tomo banho e me visto com roupas mais quentes do que o normal. Felizmente, esta época do ano garante isso. Eu escondo minha aparência abatida com maquiagem, pego minha bolsa novamente e saio, para encontrar meu vizinho de frente.
— Olá! — Saudação.
— Você não chegou em casa ontem à noite.
Sinto o sangue escorrer do meu rosto. Eu poderia jurar que me tornei mais pálido do que já era. Limpo a garganta antes de responder:
— Eu fiquei na casa dos meus pais —Eu minto, e parece r**m.
— Tenha um bom dia, Bruno! — Rosnados.
— Ei, obrigado — eu respondo com dúvida.
Ele vai para o apartamento dele, enquanto eu fico alguns segundos lá, sem saber o que fazer. Eu acordo e volto para o meu caminho. Eu chego à empresa bem a tempo, a melhor coisa que aconteceu na minha manhã. Caroline e eu abrimos em silêncio, e eu assumo que ela sente que algo está errado comigo.
— Helena! — Joyce grita atrás de mim — Você sentiu minha falta.
— Sim! — respondo honestamente.
A mulher exuberante estava em uma viagem de trabalho. Eu sei disso porque ele reclamou sobre o quanto ele sentiria falta dos meus preparativos.
— Diga que tem algo para mim. Até vim uma hora mais cedo para me alimentar.
— Não tenho nada, mas posso fazer alguma coisa.
— Vou sentar e esperar.
E ela faz, se senta em uma das mesas com sua atenção em seu telefone. Com passos mais suaves do que o normal, eu me movo de um lado para o outro na cozinha enquanto começo a assar. E para a próxima hora, é como se nada tivesse acontecido; minha mente está focada na tarefa, esquecendo completamente o desastre da noite passada.
Por que tive que sair com ele? Por que deixei isso acontecer?
— Helena, Helena —Eu acordo com a voz da minha assistente — Eles já começaram a chegar.
Eu ouço as vozes das pessoas do lado de fora, esperando para serem atendidas.
— Eu vou.
Tiro a última bandeja de bolinhos e fico no balcão. Com alegria fingida, cuido deles um a um, embora dentro de mim tudo o que quero é ir para casa, ir para a cama e chorar até não poder mais.
— Esperei que o último saísse para ter alguns segundos para mim —diz Joyce —Dê o meu vício.
— Tome —Tenho dois dos bolinhos sem açúcar que preparei para você — Eu não prometo que eles são ricos, eu os fiz rápido.
— Até a água é deliciosa para você, não se preocupe com isso —piadas, mas eu não rio — Hoje temos uma audiência difícil. O que há de errado? — Pergunta.
— I... — Estou tentado a falar com ele, no entanto, Leonardo entra naquele momento e anda aqui a um ritmo de caminhada, como se nada tivesse acontecido.
“Mas aconteceu, eu não me lembro.”
— Oh, o chefe está chegando. Espero que você esteja bem; eles estão quase de volta para fazer companhia e tirar o amargo.
— O quê?
— Estou saindo, vejo você mais tarde — Joyce diz adeus antes de correr em direção ao elevador.
Meu coração bate cada vez mais rápido enquanto Leonardo encurta a distância entre nós, minhas mãos suam e sinto a necessidade urgente de fugir dele, para colocar o máximo de distância possível. Por que me sinto assim? Embora passássemos a noite juntos, algo de que eu não me lembro, foi minha culpa me deixar levar pelo álcool quando eu sou uma bebida leve completa.
Talvez eu tenha medo do que você possa pensar de mim; afinal, eu simplesmente me entreguei a ele.
— Bom dia, Helena! — cumprimenta com um sorriso deslumbrante.
— Bom dia! — Gagueira.
— Saíste mais cedo, desculpa não te ter levado para casa.
— Ok, eu tive que vir trabalhar.
— Eu perdoo só por isso. Pode me dar um café?
— Claro.
Com as mãos trêmulas e meu coração quase descendo pela garganta, estendo o café com um sorriso falso no rosto. Leonardo se inclina para beijar minha bochecha e eu resisto ao desejo de me afastar. A sério, o que se passa comigo?
— Vejo mais tarde, Helena.
— Me ver?
Sinto que finalmente consigo respirar quando ele se vai embora. Eu colapso em uma das cadeiras próximas, fisicamente e emocionalmente exausto.
— Sentes-te m*l? — Pergunta a Michele.
— Foi uma noite difícil, mas vou ficar bem — Estou mentindo mais uma vez.
Não vou estar bem hoje ou em breve.
Milagrosamente, termino o dia de trabalho, apesar de sentir que estou morrendo; saio com pressa para não ver Leonardo ou Joyce e chegar ao meu prédio. Meu celular toca antes de entrar, eu tiro e vejo o número do meu irmão na tela. Duvido que alguns segundos antes de responder, possa ser uma emergência.
— Um dia, a tua promessa durou, Helena. Um dia para você esquecer de nós novamente. O que os nossos pais fizeram de errado com você?
— Carlos… — Murmurou, olhos cheios de lágrimas que tenho guardado todo o dia — Por favor, eu imploro, eu não sei o que exatamente.
Piedade? Uma pausa? Só quero que a dor pare.
— Por favor, nada! Depois de tudo o que fizemos por você, o que perdemos por sua causa, esperava que ficasses mais grata.
— Irmão…
— Eu não sou nada seu. Não volte mais para casa, você não é bem-vindo —e desligue.
Coloquei minha mão na boca para não fazer barulho. Como tudo isso aconteceu? Eu corro para o prédio antes de entrar em colapso. Quando o elevador para no meu apartamento, eu continuo correndo até chegar à minha porta e chicoteá-lo atrás de mim. Eu ando para o meu quarto, caí na cama e choro. Um grito de partir o coração que reflete apenas parte do que eu realmente sinto.
Eu arruíno tudo o que toco, eu arruíno as pessoas ao meu redor. Deveria ter sido eu, devia ter falecido naquele acidente e não o meu Kevin. Eu quero ir, eu quero ir para a dor parar. Não aguento mais, não sou assim tão forte. Quero que tudo acabe.