( Uma sala de controle segura, em algum lugar remoto. Uma tela exibe o mapa da Mansão Fogo Encontra o Gelo, agora em chamas. Madrugada.)
A Mente Mestra: Pessoa Que Sabe Mais
«Narrando»
Eu bebo meu café. Está na temperatura perfeita. Observar o caos de longe tem que ser uma experiência de conforto absoluto. A Sicília agora é só fumaça e destroços. O Capo, aquele homem ingênuo, achava que aquele bunker era o seu segredo final. Ele nunca soube que o verdadeiro bunker era a própria mente que o traía todos os dias. Eu não dou risada. O controle exige silêncio. Mas, por dentro, eu estou só no deboche.
A Operetta Tragica na Mansão foi um sucesso.
O rádio na minha mesa chia, e a voz do meu técnico de segurança, o Agente 1, entra fria
"Confirmação, Mente Mestra. O alvo, a Executora, saiu da zona vermelha. Ela está com a Sombra. O veículo de fuga está em movimento. A Mansão está em perda total.Os mercenários estão ocupados com a limpeza."
"E o Cofre?" pergunto, a voz calma, quase entediada.
"A explosão secundária foi eficiente. O bunker tá comprometido, cheio de água e fumaça. Impossível recuperar qualquer papel ou material orgânico. O item físico foi neutralizado, exatamente como planejado."
O item físico. Ele não sabe o que era. E não precisa saber ,O diário era o motor, não o mapa. e ele cumpriu o seu papel de motor ,acendendo o fogo
O Capo, em sua mania de guardar troféus ,Ele nunca entendeu que o Fogo Encontra o Gelo não era uma casa, mas o conceito . E agora, a única prova física da "outra filha" foi apagada. Perfeito.
"E o Isco?"
"Sem sinais do Isco Vivo, Mente Mestra. Ele sumiu do radar desde que deixou a pista em Odessa. Mas a Executora levou o cartão de memória. A isca digital funcionou perfeitamente. Eles estão indo para o próximo ponto."
"Ótimo. Isso aí é o que importa. A gente sabe onde o Isco vai se esconder, e agora, a Executora também sabe. Prepare o terceiro ato. O jogo tá quase no fim," digo, e desligo o rádio, sem pressa.
«A Análise do Isco Vivo»
Sebastian. Ele era a peça mais arriscada, a mais emocional. O Capo o colocou no tabuleiro. Sebastian era o traidor ideal, porque ele era apaixonado demais pela Íris e covarde demais pra aguentar a pressão de ser um Capo.
Eu sabia que, se eu sequestrasse a Alice e incriminasse o Sebastian com o Arsénico, a Íris faria o caminho mais previsível: a caçada. Mas eu também sabia que o Sebastian não ia trair a Íris de verdade. Ele ia dar a ela pistas, migalhas de pão: o Arsénico, a ópera, a Mansão. Ele estava me dando o alvo de graça, ele estava se oferecendo como o mártir que se sacrifica pela honra da família. Um melodrama barato que a Máfia adora e que garante que a atenção do clã se mantenha focada nele, não em mim.
Ele achava que, me forçando a revelar a minha mão na Mansão, ele a salvaria do Trono. Mas ele só a forçou a encontrar a verdade da origem do caos, a verdade sobre o Capo, e isso a quebrou emocionalmente. O diário, o choque da "irmã secreta"... Aquele momento de paralisia da Íris, o meu agente1 captou tudo. Foi perfeito. A Executora não tem medo de balas, mas ela paralisa diante da verdade familiar.
O Sebastian cumpriu o papel dele. Ele garantiu que a Íris chegasse à Mansão, tomasse a decisão de abrir o Cofre e descobrisse o segredo, Ele se tornou uma ferramenta excelente. Ele garantiu que a Executora agora tivesse um motivo de vingança pessoal: o Capo e a Mente Mestra
.
E agora, o cartão de memória vai guiar os dois para a próxima parada. O meu Isco Vivo e a minha Executora vão se encontrar no meu palco.
«A Sombra: A Instabilidade da Peça»
E temos a Serafiny. Ah, a Sombra. Ela é a peça mais cara, a mais difícil de controlar no meu tabuleiro. O Capo a criou, a treinou pra ser a sombra da Íris, o braço que executa sem questionar, o cérebro tático sem coração. A lealdade dela é uma construção, uma regra.
Eu sei que a Sombra é inteligente demais para confiar cegamente em alguém. Ela tá sempre monitorando, sempre desconfiando.
O Capo me contou tudo que eu precisava saber sobre ela, e eu sei um pouco mais . Ele disse que ela é um espelho. Ela só reflete o que o seu líder projeta. Se a Íris projetar força, a Sombra obedece. Se ela projetar fraqueza, a Sombra vira o jogo para quem for mais forte.
"Ela não pode se libertar," eu penso, o meu dedo tamborilando na mesa de aço.
"Se ela tiver qualquer intenção de quebrar o Protocolo Corleone, ela tem que ser eliminada antes do ato final. Ela tem as habilidades pra me derrubar, se ela conseguir ver o quadro completo."
Em Odessa, ela fez o que tinha que ser feito. Manteve a Executora na linha, neutralizou os alvos e garantiu a fuga. Na Mansão, a explosão e a destruição do diário foram o toque de mestre. A Sombra agiu sob pressão e com total controle. Ela empurrou a Íris, garantiu que o diário fosse para a água, e usou a explosão para encobrir a destruição da prova. O mais importante é que ela usou a surpresa da "irmã" para ganhar tempo, enquanto a Íris estava em choque e sem reação. A Sombra é rápida. É eficiente.
Mas o meu plano é manter o suspense vivo para ela também. Eu preciso que a Sombra sinta que eu sou a ameaça dela também. Eu preciso que ela sinta o medo de ser a próxima na lista de eliminação do Leste Europeu.
Eu pego um comunicador criptografado.
"a Sombra e a Executora estão em rota de colisão. Eu quero que você plante um rastro digital bem sujo. Algo que sugira que a Sombra está sendo caçada pelos agentes do Leste, por ordem minha, a Mente Mestra. Que ela é a próxima da lista para ser neutralizada por ter falhado em proteger o Capo e por ter abandonado a Mansão."
"Entendido, Mente Mestra. Um rastro de caça. Pra onde ela pensa que está indo agora?"
"Pra onde o Isco vai se esconder. O Sebastian tem um lugar que ele chama de 'O Limite'. O único lugar que o Capo não podia tocar. Prepare o show. Eu quero que a Sombra sinta o meu calor no pescoço. Assim, ela não vai vacilar em entregar o Arsénico na próxima parada e vai se concentrar em sobreviver, não em pensar," ordeno.
O rastro falso é vital. A Sombra tem que acreditar que ela está em perigo. Que se ela não me entregar a Íris e o Arsénico, eu vou caçá-la. Isso vai garantir que a lealdade tática dela permaneça com a missão de "salvar o clã" ou seja, me entregar o que eu quero. Ela acha que está me enganando, mas eu sou a única
pessoa que sabe de quem ela é de verdade.
«O Terceiro Ato: O Limite»
O Arsénico. O Código. Sebastian achou que, usando o Arsénico, ele me pararia, que desestabilizaria a minha rede. Ingênuo. O Arsénico é só um pedaço de papel. O poder não tá no dinheiro. O poder tá na história. No caos que eu posso gerar.
O verdadeiro objetivo não é o Arsénico. É a Executora no Trono e o Isco Vivo aos pés dela.
Eu preciso que a Íris sinta a perda do pai, a traição do marido, o choque da irmã. Eu preciso que ela esteja emocionalmente destruída, mas taticamente pronta. Só assim ela vai me dar o que eu quero de verdade: o controle completo do status quo da Máfia Corleone. Eu não quero só sentar no Trono; eu quero provar que o Capo era um fraco e que só o meu caos pode governar
O Limite. O lugar que o Sebastian escolheu. É um bunker secreto, construído por ele, fora do alcance do Capo. O Sebastian achou que seria a salvação. Mas eu estou sempre um passo à frente. O Capo me ensinou tudo que ele sabia. E o que ele não sabia, eu descobri sozinh@, usando a própria estrutura do clã contra ele.
O cartão de memória que a Íris levou não é um mapa. É uma armadilha digital que só o Sebastian conseguiria decifrar. E quando ele decifrar, ele vai achar o endereço do Limite. E quando a Íris e a Sombra chegarem lá, elas vão encontrar o Isco. E o Isco vai ter que fazer a escolha final. E essa escolha... essa escolha sou eu.
Eu termino o meu café. O calor subiu. O jogo está perfeito. O Trono Corleone nunca esteve tão vulnerável. E a Mente Mestra está pronta para receber a sua coroa.