Capítulo 08

3850 Words
        Wei Ying sentia seu corpo todo dolorido, seus pulsos estavam presos acima da cabeça em carne viva de tanto que os puxou tentando se soltar, suas roupas estavam empapadas de suor, o chão estava com uma poça de lubrificante, as pernas afastadas o impediam de dar qualquer tipo de alívio ao seu m****o dolorido e rígido. Na caverna além das respirações pesadas do ômega só era possível escutar as lamúrias que escapavam dos seus lábios.         – Lan Zhan… Lan Zhan… Lan Zhan… – Seu corpo estava quente, fervendo. Cada molécula do seu ser implorava por um mísero toque do seu grande, carinhoso e sexy alfa lúpus em roupas de luto.         Havia perdido completamente a noção do tempo, não sabia se havia passado um ou cinco dias, a dor que sentia em seu corpo e principalmente em seu ventre o fez desmaiar algumas vezes, estava fraco, não havia tido nenhum alívio esse tempo todo, não havia conseguido dormir decentemente, sequer uma semente de lótus havia consumido desde que entrara naquela caverna.         Havia tido outros cios no passado, mas sempre os passava desacordado por causa dos remédios para ômegas ou com alguns brinquedos. Uma última corrente de dor passou pela sua coluna, uma dor extremamente forte dando fim ao cio.         Do lado de fora os seniores puderam sentir a energia espiritual de Wei Wuxian diminuir, havia se passado exatamente uma semana desde o início do cio o revelando como um ômega lúpus assim como ele era no passado, o arranjo havia mantido todas as características da sua essência. Os ômegas lúpus eram mais férteis e resistentes que os outros, talvez o Cio em Cárcere não fragilizasse tanto assim o seu sistema reprodutor como o esperado.         Lan Wangji não conseguiu esconder a sua alegria ao receber a notícia que o cio do seu amado havia acabado e que ele era um lúpus assim como ele, não pensou muito e correu o mais rápido possível até a entrada da caverna, ele pessoalmente iria cuidar do seu sem-vergonha. Esperou pacientemente Xichen desfazer o arranjo e entrou tendo seu coração despedaçado ao ver o estado do amado. Rapidamente quebrou as correntes com a espada e o pegou no colo montando na Bichen e voltando pro Jingshi onde os servos preparavam o seu banho.         – Retirem-se. – O cheiro de Wei Wuxian ainda estava forte o embriagando por completo, mas ele precisava ter autocontrole, não era hora de pensar em outras coisas, seu noivo precisava de si, precisava do seu amor, do seu carinho e principalmente dos seus cuidados.         Esperou os servos saírem para poder despir o menor, já havia visto Wei Ying nu, mas não ele nu, desacordado, descabelado e em sua cama como estava no momento, era tentação demais para a mente do pobre alfa. Fazendo uma contagem regressiva de 10 a 0 Wangji pegou o mais novo no colo novamente o levou até a bacia onde o colocou delicadamente. Com cuidado e com os olhos fechados ensaboou todo o corpo do menor tirando o suor, o sangue… E o lubrificante.         Wangji se sentia o pior dos alfas passando as mãos pelo corpo do ômega, mesmo que fosse apenas para lavá-lo, se sentia como se estivesse se aproveitando do estado fragilizado do outro. Respirou fundo e com uma tolha cobriu o corpo do outro o deitando na cama, com um cuidado maior ainda, passou uma pomada nos pulsos e nos tornozelos machucados do menor os enfaixando em seguida.         Wangji não gostava muito da ideia de Wei Wuxian ser um discípulo de GusuLan, em parte gostava porque assim ele poderia estar seguro e perto de si, mas de outra forma não, sentia um embrulho no estômago ao vê-lo com as roupas brancas e com a fita na testa, seu pequeno sempre foi uma pessoa alegre e extrovertida, sentia seu coração doer ao ver que sua alegria presa por pedaços de pano, foi pensando nisso que ele secretamente mandou o seu alfaiate particular confeccionar não só as próprias roupas brancas, mas também adicionou robes pretos do tecido mais escuro que tivesse, Wei Ying não os poderia usar durante o dia, mas quando estivessem a sós no Jingshi, ou numa caçada noturna, seu menino poderia ser ele mesmo.         Pegou um dos robes que havia encomendado e o vestiu rapidamente, logo em seguida deitando o garoto confortavelmente na cama o cobrindo, lhe deu um leve beijo na testa e se sentou na sua mesa pra analisar os ensaios dos seus alunos. Em poucas horas o alfa percebeu uma movimentação na sua cama, largou suas coisas e se aproximou do ômega que dava indícios de que ia acordar.         Em poucos minutos os olhos cinza do Patriarca se abriram tendo como primeira visão os olhos dourados do Segundo Mestre que o olhava com um misto de carinho e preocupação. Lan Zhan não pôde deixar de soltar um suspiro de alívio ao vê-lo acordado e bem.         – Como está se sentindo? – Wuxian tentou se levantar, mas desistiu soltando um gemidinho de dor, olhou sofridamente para o alfa.         – Estou me sentindo dolorido… meu corpo todo dói.         – Eu imagino. – Fez um breve carinho nos cabelos do outro lhe arrancando um sorriso lindo. – Chamarei o médico para lhe ver.         Em poucos minutos o médico da seita Lan apareceu no Jingshi. Wei Ying estava cansado, mas respondia todas as perguntas que lhe eram feitas, queria ficar logo a sós com seu alfa. Com uma ordem clara de repouso, uma lista de remédios e uma rápida sessão de energia espiritual as dores diminuíram e o ômega se sentia melhor.         – Está tudo normal com ele, eu vou pedir pra alguns servos o levarem de volta para os seus aposentos. – Uma carranca horrorosa tomou o rosto de Lan Zhan.         – Ele vai ficar aqui. – A voz grave assustou o médico que engoliu em seco tentando se explicar.         – Eu só quero dizer que a nossa seita… tem regras… e… – À medida que a carranca de Wangji ia se aprofundando a voz do pobre médico ia sumindo até ele se calar.         – Er-gege está assustando o pobre homem. – Falou chamando atenção do cultivador. – Venha aqui, seja um bom alfa e venha cuidar desse ômega frágil que precisa dos seus carinhos.         Lan Wangji acompanhou o médico até a porta e logo voltou se deitando na cama ao lado do amado que não esperou muito para subir no outro o usando como travesseiro. Um silêncio confortável se formou, o único barulho existente era o ronronar de Wei Ying aproveitando os carinhos que o mais velho fazia em seu cabelo.         – Wei Ying, sabia que os nossos filhos serão todos alfas lúpus? – Uma expressão de confusão tomou o rosto do ômega que apenas apertou o corpo do mais velho com preguiça.         – Por quê?         – A família Lan é conhecida por ter genes de “alfa dominantes”, os ômegas da nossa família vieram por casamento ou adoção.         – Nunca tiveram ômegas?         – Hum.         – E por que todos eles seriam lúpus?         – Porque somos um casal de lúpus. – Um sorriso gigante apareceu no rosto do menor que em um movimento rápido subiu no corpo grande do cultivador que ficou apenas o olhando.         –Então se é assim, eu juro que vou te dar os alfas mais lindos que o cultivo já viu, superarão sua beleza Hanguang-Jun. Quantos filhotes você quer?         – Você não estava com dor?         − Ela passou, agora responde! – Falou como se fosse uma criança animada por um brinquedo com um brilho único no olhar.         − Quantos você estiver disposto a me dar. – Uma lágrima escapou de Wei Wuxian o que foi o suficiente pra Wangji se preocupar. – Falei algo de errado?         – Não… – Um sorriso deu lugar ao lugar da cara de choro apesar das lágrimas continuarem escorrendo. – É que… eu não tive pais, fui adotado pela família Jiang, perdi meu tio, a senhora Yu, minha shije, perdi Jiang Cheng, perdi todos que eu considerava amigos, e agora… eu estou aqui construindo minha família… eu… eu não estou mais sozinho sabe?         – Eu estou aqui. – Abraçou o menor. – Nunca lhe deixarei sozinho.         – Eu quero marcar logo a data do nosso casamento.         – Xichen falou que temos que esperar sua punição acabar.         – E a sua marca?         – Na… na Noite de Núpcias. – Falou com um pouco de dificuldade.         – Lan Zhan, você tem algum trauma com sexo? – Perguntou vendo as orelhas esquentarem.         – Ridículo! – Aquela conversa estava melhor do que o outro imaginava.         – Então por que toda vez que eu falo de sexo você fica assim constrangido? É medo de não dar conta do seu homem? – Não segurou a sua típica língua afiada, amava provocar o mais velho. Em um movimento o ômega havia sido jogado na cama com Wangji entre suas pernas o olhando com um misto de raiva e luxúria. – Você é muito esperto Hanguang-Jun, não colocou roupa de baixo em mim… já esperava algo desse tipo?         – Sem-vergonha. – Wei Wuxian se apoiou nos cotovelos deixando seu rosto bem próximo do outro, com seus lábios quase colados.         – Lan Zhan, eu sou um pobre ômega frágil e indefeso, como posso ser sem-vergonha? – Indagou enquanto levava as mãos até as pontas da fita da testa a desamarrando e a deixando ao lado da cama. Passou os braços no pescoço do alfa e enlaçou as pernas na sua cintura. – Te prendi, você não tem como sair!         – Eu não quero que você me solte. – Disse em um sussurro, para em seguida selar os lábios do Patriarca.         O beijo era calmo, como se ambas as línguas quisessem conhecer a boca de cada um novamente. Sete dias longe poderiam parecer pouco pra qualquer pessoa, mas na verdade era muito para dois corações apaixonados. Ambos sentiam a excitação passar por entre seus corpos, o lado de fora nevava, mas o quarto estava quente, muito quente, pegando fogo.         – Esqueça regras, esqueça convenções… eu não posso mais esperar Lan Zhan, eu preciso de você… aqui, agora! – Soltou quando o beijo se findou. – Eu vou ser seu ômega daqui a um ano, que diferença faz?         – Wei Ying…          Lan Wangji se sentou na cama puxando o outro pro seu colo, ele o queria mais que tudo, sentia a pele do outro febril debaixo das roupas, seriam casados em um ano, que diferença faria consumar o ato agora ou depois? O ômega era lindo, sexy, tudo que o alfa poderia pedir aos deuses, só ele conseguia fazer com que sua mente ficasse nublada e que o seu teu famoso autocontrole fosse para o espaço. Wei Ying podia sentir a excitação do amado batendo na sua coxa, finalmente o teria para si, depois de uma semana de sofrimento com as dores do cio finalmente se entregaria de corpo e alma para o cultivador de olhos dourados.         Conhecendo o Lan como conhecia sabia que demoraria pra ele dar o primeiro passo, por isso com as mãos trêmulas de desejo as levou até as amarras das vestes e as tirou expondo seu tronco nu. Wangji não pôde resistir salivar de desejo ao ver a pele branquinha, os ombros rosados e os botõezinhos marrons e eriçados, o que ele mais queria no momento era pintar aquele corpo com suas marcas e mordidas, como se Wei fosse uma tela em branco e ele um simples e apaixonado pintor, mas em vez de um papel a sua tela seria a pele do ômega e em vez de um pincel seu instrumento de trabalho seria sua boca e suas mãos.         – Wei Ying…         – Me toca… – Um arrepio passou pelo corpo pequeno ao sentir sua pele desnuda em contato com a mão quente do alfa. O maior passou os braços pela cintura fina do outro o puxando para mais perto, juntando os corpos e tomando os lábios em um ósculo feroz. Durante o ato os cabelos negros de Wangji foram libertos da joia que sempre pendia na sua cabeça, sem mais aguentar o desejo que lhe consumia, puxou os fios do Patriarca expondo o pescoço branquinho onde iniciou uma série de beijos passando pela clavícula até o ombro onde depositou uma mordida escutando um gemido baixo em troca.         Wuxian foi novamente deitado na cama, seu robe foi retirado por completo ficando completamente exposto aos olhos dourados que o olhava com desejo. Sem pensar muito Wangji se levantou da cama retirando as próprias vestes ficando apenas com a calça deitando logo em seguida se encaixando entre as pernas do ômega e o beijando em seguida.         – Lan Wangji! ­– Um grito indignado se fez presente no ambiente chamando atenção dos dois amantes. – Que pouca vergonha é essa?!         O rosto de Lan QiRen estava indignado e sua raiva era palpável, em um movimento rápido o alfa cobriu o corpo do ômega com o próprio robe impedindo qualquer visão indevida. Pela primeira vez na vida a vergonha havia atingido o Patriarca, e em cheio, nunca imaginou que seria pego em um momento tão íntimo com seu alfa, um momento que deveria ser apenas dos dois. Com pressa vestiu as roupas evitando olhar para o “sogro”.         – Eu sabia que esse garoto seria sua perdição! Olha só pra você! Isso é uma vergonha!         – O senhor não deveria ter entrado em minha casa sem ser apresentado.         – Eu bati na porta duas vezes e lhe chamei, mas pelo visto estava distraído demais no meio das pernas dessa… v***a! – A raiva de Wangji inflou em um minuto ele estava escondendo o corpo de Wuxian e no outro estava de pé com o seu rosto a centímetros do tio com os olhos oscilando.         – Não vou admitir que ofenda o meu noivo.         – Falei alguma mentira por acaso?! Não é isso que vadias fazem?! Seduzem e abrem as pernas logo em seguida para alfas ingênuos como você?! Não se acham peças muito diferentes nos bordéis das vilas! Só os deuses sabem o que ele aprontou na época que era o Patriarca Yiling. – A paciência do alfa havia se esgotado, um rosnado alto havia sido dado, estava pra perder a compostura quando sentiu uma mão pequena tocar em seu braço.         – Hanguang-Jun, por favor, se acalme, eu já estou acostumado. – “Hanguang-Jun”. Era a primeira vez que Wei Ying o chamava pelo título em um tom sério, sempre era com um tom de zombação e ironia, aquilo magoou o alfa. – Lan Zhan, não ofenda o seu tio por minha causa, não quero causar nenhum tipo de discussão familiar…         O Lan mais novo lançou um olhar repreendedor ao ômega que não abaixou a cabeça e lhe lançou um olhar mais duro ainda, apesar de Wangji ser conhecido por seu rosto sem expressão e seu olhar gélido, sempre havia exceções, principalmente quando o Patriarca estava envolvido, inclusive foi ele o vencedor daquela guerra de quem dava o olhar mais feio. Derrotado o alfa não teve outra escolha a não ser soltar um suspiro e dar as costas aos dois procurando um robe já que o seu estava em posse de Wei Wuxian, instantaneamente o ar conseguiu ficar mais pesado do que já estava.         Wei Ying travou no lugar, ele não conseguia sequer se mexer, seus olhos estavam fixos nas costas do outro. Um grito estava entalado na sua garganta, duas lágrimas escorreram pelo rosto bonito ao ver as dezenas de cicatrizes que marcavam o corpo no amado.         – O que…? – Perguntou com a voz falha chamando pra si a atenção dos dois alfas, Wangji se assustou ao ver o ômega tão branco como a neve, parecia que todo o seu sangue havia sido drenado, até os olhos cinzas que ele tanto amava estavam vidrados em si, como se tivesse visto algo horrível, se não estivessem no Jingshi ele poderia afirmar com propriedade que havia algum cachorro por perto. – Wangji…         Uma expressão de confusão tomou conta de QiRen que não estava entendendo absolutamente nada, em passos lento o garoto se aproximou do cultivador o olhando com uma expressão preocupada, delicadamente virou o outro como se tivesse medo de machucar, foi quando o alfa sentiu um gelo na espinha: ele havia visto.         – Xichen não faria isso com você… − Um fio de voz atravessou o quarto. – Ele não faria… só Xichen e seu tio podem te punir… como… eu…         Um sorriso presunçoso surgiu no rosto do velho.         – Essa é uma boa pergunta para uma boa resposta, em breve vocês irão casar… por que não conta a ele como conseguiu essas cicatrizes Lan Zhan?         Se ele fosse um sobrinho ingrato sem o mínimo de conhecimento sobre a Piedade Filial ele já teria pulado há muito tempo em cima do tio, há dias ele vinha fazendo intrigas entre ele e Wuxian, agora essa foi a gota d’água. Era grato por QiRen ter cuidado de si enquanto seu pai não pôde, ele era a sua figura paterna e agradecia por toda a educação que havia recebido, mas isso não dava o direito de se meter na sua vida como estava se metendo. O alfa sentiu seu coração quebrar ao ver o rostinho preocupado do seu menino.         – Lan Er-gege… isso tem alguma coisa a ver comigo? – Perguntou baixo vendo o alfa desviar o olhar.         – Não… – Preferiu mentir, não queria causar mais sofrimento ao seu menino.         – Sim! Tudo o que aconteceu tem a ver com você! E não adianta me olhar assim não Wangji, ou você conta ou eu conto. – QiRen tinha a esperança de que com aquela informação o relacionamento de ambos se findasse, Wei Wuxian perceberia que tudo o que fez foi trazer sofrimento à vida de Wangji e se afastaria. – Depois que você causou o m******e na Cidade Sem Noite você se feriu bastante, Wangji não estava muito diferente, mesmo assim ele usou a pouca energia que tinha e fugiu com você até Yiling! Xichen juntou trinta e três anciãos da nossa seita e procuramos por vocês por dois dias e quando lhes encontramos ele estava cuidando de você, se declarando pra você, agora me responda pra que?! Pra você pegar o pobre coração dele e despedaçá-lo!         – Tio, já chega!         – Não! Ele não quer casar com você?! Ele casa! Mas antes disso ele vai saber exatamente de tudo o que você passou por todos esses anos por sua causa! – Com um movimento aplicou o Feitiço do Silêncio no próprio sobrinho o impedindo que ele o interrompesse. – Você o mandou ir embora sem a menor consideração! Wangji nunca havia me respondido grosseiramente! Nunca! E por sua causa só não me respondeu como feriu todos os anciãos!         Wei Ying sentia sua pressão baixar, de repente ele já não sentia suas pernas, pareciam anestesiadas e precisou se sentar na cama para que não caísse duro no chão. Sua visão estava turva por conta das lágrimas, já não se importava em segurar os seus soluços ou as lágrimas, deixou que elas escorressem livremente encharcando o rosto que já estava vermelho e inchado.         – Você pode ter dito que o amava em seu último suspiro, mas o que isso importa?! Por sua causa ele foi punido com trinta e três chicotadas nas costas, uma pra cada ancião! E mesmo ferido, impossibilitado de levantar da cama, quando soube da sua morte, ele se rastejou até Yiling e lhe procurou por dias! Mas a única coisa que achou naquela viagem foi Sizhui! Passaram-se treze anos Wei Wuxian! Treze anos sem a sua presença inconveniente! Wangji pode ter sofrido, mas nada é para sempre! Ele teria seguido em frente, casado com uma Jovem Dama que o merecesse e lhe fosse digna dele! E principalmente, ele teria achado um ômega que pudesse lhe dar filhos, coisa que provavelmente daqui a um ano você não poderá! Então deixe de ser um estorvo pra todos dessa seita, principalmente pra Wangji e vá embora e nunca mais dê as caras, arranjaremos uma desculpa, podemos dizer que morreu e que o enterramos, não é como se alguém verdadeiramente se importasse com você!         Wei Ying ficou calado escutando sentindo cada facada que lhe era proferida. Doía demais saber que seu amado havia sofrido tanto por sua causa, seu corpo parecia que havia sido desligado, ele já não escutava mais nada, não sentia nada, apenas a dor imensurável, afinal em que parte QiRen havia mentido? Ele não era digno de Lan Zhan, hoje estava fértil, mas e no final da sua punição? Ainda poderia dar outro alfa ao Segundo Jade? Poderia dar novamente a alegria de ser pai a Wangji? Ele não sabia, aquele escuro lhe afligia de uma forma que o sufocava, talvez o Senhor estivesse certo, seria melhor se ele sumisse da vida do alfa.         – Está vendo aquela marca no peito dele? – Lentamente o Patriarca se virou para o alfa, que ainda estava sob o efeito do feitiço, observando a cicatriz com o símbolo da seita Wen.         – Sempre achei que ele tinha ganhado quando o Recanto das Nuvens havia pegado fogo. – Falou baixo, quase em um sussurro.         – Quando você morreu Wangji bebeu pela primeira vez, o seu luto foi tão doloroso que ele se marcou no mesmo lugar que você havia sido marcado naquela época.         Wei Wuxian não aguentava mais escutar, ele escorregou da cama até cair no chão, tentou abafar os sons, mas seu choro era sofrido demais, de repente ele não conseguia mais respirar, ele queria morrer, desejou nunca ter tido essa segunda chance de viver. Wangji tentou se aproximar, mas foi interceptado por um feitiço de paralisia.         – Está na hora dele saber o que é sofrimento Wangji!         os olhos turvos de lágrimas Wei Ying se levantou e cambaleando saiu do Jingshi, por onde passava chamava atenção, afinal a cena não era comum, o Patriarca Yiling havia acabado de sair do Jingshi chorando com as roupas do honrado Hanguang-Jun e m*l conseguia andar, não demorou muito para os comentários maldosos sobre o que havia acontecido começarem a surgirem, comentários que não demoraram a chegar aos ouvidos de Xichen.         – Irmão Wei… o que…?! – Ele se cortou ao ver o estado deplorável que o cunhado se encontrava. Xichen havia andado rápido por todo o Recanto das Nuvens acompanhado de dois juniores a procura do Patriarca, realmente esperava que os boatos fossem falsos.         – Xichen… o Lan Zhan… ele… ele… eu… – Os cultivadores arregalaram os olhos, Wei Ying voltou a chorar alto sem se importar com o que acontecia à sua volta, ele não aguentava mais, desviou os olhos para a espada de um discípulo que havia se aproximado numa tentativa de acalmá-lo. – Pode mandar uma mensagem pra Lan Zhan?         – Wei Ying…         – Diga a ele apenas… obrigado… e me desculpe. – Numa velocidade que ele nem sabia que tinha no momento, Wei Wuxian desembainhou a espada do júnior e num golpe preciso apunhalou o próprio peito.         Um grito de horror ecoou por toda a China.  
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