Capítulo 05

4140 Words
        Para a surpresa geral, Lan QiRen havia sido punido severamente. Lan Zhan também, mas suas atitudes foram consideradas justificadas, afinal seu ômega foi exposto ao perigo, já Wei Wuxian foi absolvido de qualquer culpa e foi considerado vítima da situação, desde a hora que se rendeu aos feromônios do alfa até a hora que foi agredido. Sizhui só faltou surtar ao saber do que tinha acontecido e Xichen teve que cortar um dobrado para conseguir enrolar os líderes.         As semanas se passaram extremamente entediantes para o ômega que em geral era extremamente inquieto, nem dar uma fugidinha pro Jingshi pra ficar com o seu alfa ele conseguia, sentia que estava sendo podado aos poucos, sem falar das regras da seita que ele teve que copiar inúmeras vezes até suas mãos fazerem calos. À noite dois cultivadores sêniores ficavam na porta da sua casa o vigiando para que o impedisse de sair, sentia falta da sua liberdade, de comer comida apimentada, de correr, nem uma simples flauta de bambu ele podia tocar.         As aulas também eram insuportáveis, infelizmente ele não podia mais ser aquele menino irresponsável de antigamente, com toda a preguiça do mundo ele passava horas e horas com a cara enfiada em livros e mais livros de cultivação tentando a todo custo aumentar o seu cultivo, mas aquele corpo tinha ficado muito tempo em estado de inércia, o núcleo dourado demorava de se fortalecer.         – Como está indo? – Soltou um sorriso ao ver a figura elegante de Wangji entrando no quarto e se sentando ao seu lado analisando os papéis em cima da mesa de estudos. – O que é isso?         – “Guquin”. – Traduziu logo fazendo um bico. – Er-gege, não consegue entender minha letra?!         – Não. – Wuxian arregalou os olhos, completamente estupefato pela resposta do amado.         – p***a, assim no seco?! Você podia ser um pouco mais carinhoso comigo às vezes sabia? Eu sou um ômega sensível! – As orelhas dele ficaram vermelhas e o menor não conseguiu segurar a risada.         – Suas orelhas estão vermelhas Lan Zhan, no que você pensou, hum? Me fala. – Perguntou baixo enquanto subia no corpo do mais velho selando levemente os lábios.         – Sem vergonha… – Outra risada.         – Você dá outro teor ao que eu falo e eu que sou o sem vergonha aqui? Que feio Lan Zhan eu sou só um puro e sensível ômega que está sendo covardemente seduzido por um alfa de olhos dourados, sabia disso? – Um beijo foi deixado em seu pescoço o fazendo arfar já mole naquela montanha de músculos.         – Não sabia que Xichen estava te seduzindo… – Decidiu entrar na brincadeira do amado. A voz baixa e rouca do alfa no pé do seu ouvido era o suficiente para que sua lubrificação começasse a descer, ultimamente ele estava muito sensível, qualquer toque de Wangji o deixava completamente entregue.         – Não é Xichen, ele segue a regra: Proibido perversão na seita GusuLan, bem diferente do irmão que fica me instigando com aqueles olhos dourados, tentando a todo custo tirar a minha pureza, você sabe quem é Lan Er-gege? – Um rosnado baixo acompanhado de um aperto na cintura respondeu a pergunta.         – Hum. – Levemente o alfa passou o nariz pelo pescoço do amado sentindo seu cheirinho de lótus. Wei Wuxian estava uma pilha de dengo, rosnava baixinho, se esfregando lentamente contra o corpo forte do mais velho, estava verdadeiramente entregue. – Wei Ying… eu deveria ter imaginado…         – Imaginado o que? – Perguntou com a voz manhosa, manha essa que sumiu no momento que o cultivador o afastou de seu corpo. – O que ouve?         – Seu cheiro está muito forte, seu… hum… está… – Mais uma vez as orelhas ficaram vermelhas, dessa vez ele realmente estava constrangido, tão constrangido que desviou os olhos dos do ômega e até mesmo gaguejou ao dizer algumas palavras.         – Está falando do meu cio? Eu não sei, o corpo de Mo XuanYu é bem diferente do meu, eu não tenho como saber, serei pego de surpresa.         – Seu cheiro está muito forte.         – Como será o meu castigo? – Suas mãos foram pegas e ele foi puxado para um abraço caloroso e confortável.         – Não pense nisso.         – Lan Zhan eu quero saber. – Se afastou obrigando o alfa olhá-lo em seus olhos, mesmo a contragosto ele não podia mentir, sem falar que era um direito do amado.         – Você ficará preso durante todos os dias de seu cio em uma caverna, seus braços e pernas serão amarrados pra impedir que você tenha qualquer tipo de alívio, meu irmão irá transmitir energia espiritual para você para que não precise se alimentar.         – E você?         – Irei a uma caçada noturna, não é seguro nos manter no mesmo lugar, pelo menos enquanto você estiver… indisposto. – Uma risadinha escapou pelos lábios bonitos do ômega que novamente se jogou nos braços do amado.         – Lan Zhan, como pode ser tão fofo? É por isso que estamos tão grudados, você terá que cuidar do seu futuro marido até o dia do cio Er-gege, já disse, eu sou frágil. – Uma pequena curvatura apareceu na boca do alfa, uma sombra de um sorriso.         – Irei cuidar de você pra sempre. – Selou levemente os lábios de Wei Ying o puxando pro seu colo, o cio de Wuxian estava próximo e óbvio que isso influenciava no comportamento de Wangji, mesmo sem marcá-lo seu lobo já havia escolhido o Patriarca como seu ômega, isso o deixava sedento pelos toques do outro.         ­– Hanguang-Jun? – Uma voz foi escutada do lado de fora obrigando os dois amantes a se separarem. – O Zewu-Jun pediu para chamá-lo para a reunião.          ­– Hum. – Com um último beijo ele se despediu e saiu do quarto indo para o Salão da Orquídea deixando um ômega com um olhar apaixonado.         – Mestre Wei, me permite fazer uma pergunta? – Wuxian olhou para o discípulo que parecia estar prestes a ter um ataque cardíaco de tanto medo.         – Já imagino o que seja, mas vamos lá, faça. – Disse com uma risadinha enquanto terminava de escrever o que tinha começado.         – O senhor e o Hanguang-Jun… são mesmo um casal? – Falou baixo e com a voz tremida, o pobre discípulo tinha ouvido tantas histórias horríveis a respeito daquele ômega que temia que com um movimento de mão ele o transformasse em um cadáver feroz e começasse a atacar a própria seita.         – Apaixonadíssimos, só falta a marca. – Disse sem a menor face vendo o mais novo tremer. – Se querem tanto saber sobre minha história com o Lan Zhan era só terem perguntado, eu teria o maior prazer em deixar meu alfa constrangido.         – Se o senhor diz, podem entrar. – Cerca de vinte discípulos entraram no quarto temerosos assustando o pobre ômega que não esperava aquele mar de gente inclusive Sizhui que sentou ao seu lado curioso pela história dos pais, com certeza teria muita coisa pra explicar a Lan Zhan quando ele voltasse, mas por hora apenas se limitou a sorrir e a oferecer chá, estava feliz por ter companhia.         – Então o Hanguang-Jun lhe odiava? – Indagou um dos juniores enquanto bicava um pouco do seu chá.         – Eu troquei o livro dele por um de “cultura erótica” quando eu estudava aqui, ele rasgou e tentou lutar comigo, como pedido de desculpas eu lhe dei dois coelhos, de início não quis aceitar, mas no final ficou. – Os discípulos se entreolharam um tanto surpreso. – O que foi?         – Foi o senhor que deu os coelhos ao Hanguang-Jun? – Wuxian assentiu levemente sem entender o porquê da surpresa dos meninos. – Ele tem uma criação de coelhos aqui, ele sempre os cuidou com muito carinho.         – Quando eu era pequeno ele me enterrou numa pilha deles. – Comentou baixo enquanto se aconchegava nos braços do ômega, havia recuperado algumas das memórias antigas e sentia saudade de todo o carinho que recebia dele.         – Mestre Wei, é verdade que vocês já brigaram?         – A gente brigava o tempo todo. – Disse dando uma gargalhada gostosa. – Quando eu estudava aqui teve uma noite que eu tentei pular os muros com duas garrafas de Sorriso do Imperador, já tinha passado do toque de recolher e de todas as pessoas que poderiam ter me flagrado adivinha quem estava bem debaixo do muro? Lan Zhan. Ele queria que eu voltasse, vê se pode?         – E o que o senhor fez?         – Eu bebi uma das garrafas em cima do muro bem na frente dele… e ele quebrou a outra, aí nós começamos a brigar e nós caímos do outro lado do muro, no final fomos punidos e tivemos que nos curar na Fonte Fria. – Assim como Wei Ying, os discípulos deram gargalhadas imaginando a cena. – Já passou o tempo que eu conseguia irritar Lan Zhan. É uma pena…         – Mestre Wei o senhor não prestava…         – O que está acontecendo aqui?         Óbvio que alguém daria falta de tantos juniores sumidos e ainda por cima por tantas horas, Wei Wuxian não havia aprontado nada a tarde inteira, não havia nem sinal do cheiro dele, ninguém havia saído do Recanto das Nuvens, sem falar que as risadas podiam ser escutadas do lado de fora, não precisavam ser nenhum gênio para juntarem uma coisa com a outra. Não houve surpresa nenhuma ao encontrar todos ali, bebendo chá e escutando as histórias do passado.         Os meninos que tinham entrado se borrando de medo já haviam perdido completamente o medo do mais velho, ele parecia muito mais um júnior qualquer como eles do que a “Reencarnação do m*l e Projeto de Demônio” como QiRen gostava de salientar em todas as suas aulas.         – Zewu-Jun. Hanguang-Jun. – As Duas Jades entraram e Wei Wuxian deu pulo para abraçar o amado, mas estagnou ao sentir o cheiro do alfa, se aproximou desconfiado sob o olhar confuso do maior e puxou o ar fortemente sentindo o sândalo característico, o seu próprio cheiro de lótus, e algo como… Flores?         – Com quem você estava?! – Soltou de uma vez com uma cara nada boa.         – O que?         – Você saiu pra uma reunião com o seu irmão e voltou cheirando a rosas! Com quem você estava?! Isso não é sabonete Lan Zhan! – Gritou sensível logo sendo amparado pelo filho que o abraçou. Já Xichen parecia confuso, aquilo não parecia ser algo que fosse fazer Wei Wuxian chorar, olhou para o irmão pedindo explicações, com um rápido sussurro de Lan Zhan sua expressão relaxou.         – Uma Jovem Dama iria cair, eu só a segurei.         – E tanto lugar pra ela cair ela decidiu cair justamente nos braços fortes do meu homem! – Chorou contra as vestes de Sizhui que lhe afagava as costas, mas assim como todos os discípulos e seu líder, estava ao máximo segurando a risada, era uma cena cômica. – Ela fez de propósito!         – Não foi de propósito.         – A-Yuan olha ele! – Chorou alto assustando Wangji, não queria fazer seu amor chorar, mesmo que fossem sintomas do seu cio. – Ele está já a está defendendo.         – A-Xian. – Tentou tocar na cintura do amado, mas o que levou foi um belo tapa nas mãos deixando os outros discípulos surpresos, nunca, nem uma vez sequer, haviam visto alguém tratar o Segundo Mestre com tanta ousadia com exceção de Lan QiRen e Xichen.         – Vai embora! Você só entra aqui de novo depois que tomar um banho e tirar esse cheiro vagabundo!           – Wei Ying… – Tentou mais uma vez sem sucesso.         – Não! Saí!         – Vou pedir para prepararem meu banho então, com licença. – Falou constrangido, não esperava ter uma discussão dessas com plateia, principalmente se a plateia são seus alunos.         – Wangji. – Chamou vendo o mesmo voltar. – Na próxima vez que ver um ômega cair que não seja eu, ou uma criança ou um idoso, deixe cair, ninguém morre com uma quedinha.         – Estou indo. – Achou melhor não discutir, Wei Ying era maluco e imprevisível, sabe lá qual seria a vingança que ele aprontaria se defendesse a mulher mais uma vez.         Assim que o alfa saiu, Xichen foi o primeiro a rir sendo seguido dos outros, Lan Yuan limpou as lágrimas da mãe e o ajudou a se sentar o envolvendo em seus braços o acalmando. Depois de todos terem se recuperado das risadas, o líder se sentou no chão como todos os outros, o faria bem se divertir um pouco.         – Vocês ainda não me responderam, por que estão todos aqui?         – O mestre Wei estava nos contando do passado dele com o Hanguang-Jun. O senhor sabia que eles brigaram porque o mestre Wei tentou entrar no Recanto das Nuvens com duas garrafas de bebida? – Xichen riu afirmando com a cabeça, nunca iria se esquecer do ódio no olhar do irmão ao se autopunir por causa do outro.         – Nessa época era Lan Zhan que cuidava das punições, minhas costas doem só de lembrar. – Alguns minutos de conversa se passaram até que Wangji entrou de novo e com toda a paciência do mundo esperou Wei Ying terminar de farejá-lo só pra no final poder sentir o corpo do amado sobre sim. – Quem aqui é ômega levanta a mão.         Cinco alunos levantaram as mãos.         – É meu! – Falou com um bico abraçando o alfa mais forte, as orelhas dele ficaram rosadas e se sentou no chão colocando o ômega entre ele e o filho.         – Hanguang-Jun por não conta como vocês derrotaram a Tartaruga do Abate?         – Eu estava muito ferido, Wei Ying pode contar melhor que eu. – Depois de muitos protestos e de um par de olhos pedintes ao seu lado o cultivador se deu por vencido e começou a contar com uma voz baixa e tranquila, vez ou outra olhava para o amado como se o quisesse pra confirmar a história. – … Logo depois eu voltei pra Gusu.         ­­– Acho que eu nunca vi você falar tanto. – Soltou um risinho travesso sendo acompanhado pelos juniores. – Suas orelhas ficaram vermelhas.         – Wei Ying. – Resmungou baixo desviando o olhar claramente constrangido.         – Hanguang-Jun, posso perguntar algo? – Um dos juniores levantou a mão, com um aceno do mestre ele continuou. – Como vocês souberam que estavam apaixonados?         Aquela pegou o casal de surpresa, era uma questão que nunca haviam parado pra pensar, afinal quando foi que eles se apaixonaram? Os dois trocaram um longo e apaixonado olhar tentando achar a resposta, paralelo a isso, as memórias antigas rodavam na cabeça de ambos tentando achar o momento exato, Wei Wuxian se lembrava de quando ajudou o alfa com sua perna na seita Wen, já Wangji estava preso na dor que sentiu quando o ômega morreu, no final a resposta era óbvia.         – Eu não sei. – Falaram juntos ainda presos no próprio mundo.         – Deve ter um momento…         – Na verdade não foi um momento, foi todo um conjunto de acontecimentos pra que eu pudesse ver o quão apaixonado eu estava por esse Lan maldito bebedor de vinagre. – Soltou arrancando várias risadas dos presentes, exceto do alfa em questão que fechou a cara assumindo um tom frio.         – Está perto da hora da janta e você precisa tomar banho.         – Você pode me dar, não é problema nenhum. – Um silêncio se fez, o único barulho que havia era a risada escandalosa do ômega que chorava de rir.         – Mestre Wei você não tem face?! – Jingyi indagou extremamente constrangido pela falta de vergonha do mais velho.         – Eu não sei, Lan Zhan, eu tenho face?! – Perguntou ainda rindo.         – Não.         Foram vários os protestos dos discípulos quando foram expulsos do quarto de Wei Wuxian para que ele se banhasse, eles queriam saber mais da geração passada, das histórias e dos amores. No fim concluíram que o Patriarca Yiling não era uma pessoa tão r**m como Lan QiRen fazia parecer quando dava suas aulas, acreditavam que era uma pessoa agradável, engraçada e talvez um bom professor, genuinamente achavam que ele poderia ensiná-los algo.         Wei Wuxian era o fundador do cultivo demoníaco, o ômega mais bonito da última geração, especialista em fantasmas, controlador da energia ressentida, inventor de instrumentos que são usados até hoje, mestre dos talismãs, o Patriarca Yiling! Como era possível que uma pessoa com esse currículo não tivesse absolutamente nada para agregar aos juniores? Muitos não se conformavam, sem falar que ele tinha a completa confiança do Hanguang-Jun.         Assim que Wei Ying ficou sozinho no quarto tratou logo de tomar seu banho e vestir sua “roupa de luto”, Wangji já o esperava na porta quando terminou o levando ao refeitório. Lan QiRen se recusava a tolerar a presença de Wei Wuxian enquanto Lan Zhan recusava a recusa do tio,  o que resultou em um outro escândalo, não se importava se seria punido, mas ele não iria permitir que seu ômega fosse humilhado, e após uma promessa de que não iria permitir que eles ficassem juntos, a paciência de Lan Wangji se esgotou, com isso em mente ele pegou a mão de Wei Wuxian e foram embora, iriam comer na vila.         – Me espere aqui. – Pediu e entrou no restaurante deixando Wuxian sozinho na porta.         – O que um ômega bonito como você está fazendo aqui sozinho? Onde está seu alfa? – Um bêbado se aproximou do Patriarca, conhecia alfas como ele desde a sua primeira vida, por isso apenas o ignorou na esperança de que ele apenas fosse embora, péssima ideia, o bêbado simplesmente o agarrou pelas costas cheirando o seu pescoço deixando o jovem ômega sem reação. – Você tem um muito cheiro gostoso… eu quero você!         – O que pensa que está fazendo?! Eu tenho alfa! – Gritou tentando se livrar do outro.         – Tenho certeza que ele não vai se importar em te dividir v***a, venha aqui me deixe ver o que tem por baixo dessas roupas. – As pessoas que passavam olhavam a cena e não interviram, muitos achavam que não se passava de uma briga de casal, o bêbado tentava a todo custo retirar as roupas de Wei Wuxian ali na rua mesmo.         – Você enlouqueceu?! Lan Zhan! Lan Zhan! Socorro! – Em um movimento forte o robe branco foi rasgado e o Patriarca prensado na parede, seu peito estava exposto e seu pescoço sendo cheirado por um maníaco. – Lan Zhan!         Repentinamente o homem foi tirado de cima de si e jogado longe, quando abriu os olhos pôde ver as costas largas sendo despidas e o robe sendo posto em seu corpo o cobrindo enquanto o outro estava apenas com as roupas de baixo. O alfa estava nervoso, para os outros ele estava apenas com a mesma expressão gélida de sempre, mas ele pôde perceber o maxilar travado, as pupilas dilatadas, e com a mão pousada no peito do amado ele sentiu as batidas aceleradas do coração.         – Seu cheiro está muito forte, vamos voltar.         Pegaram a comida e montados na Bichen voltaram para o Recanto das Nuvens, Wei Wuxian ainda estava abalado pelo acontecimento anterior, então o que era uma coisa para ser rápida acabou sendo bastante demorada. Se fosse ele estivesse em seu estado normal provavelmente estaria fazendo alguma piada sobre como ele era desejado, mas agora com o cio há poucos dias seu lobo tinha se acuado, não conseguia dar um passo sequer.         – Lan Zhan o que significa isso?! – Quando Lan Zhan conseguiu fazer algum progresso em relação ao lobo do ômega, QiRen deu um grito assustando o menor ainda mais. – Você perdeu a noção?! Onde está a sua face?! Andando por aí com roupas de baixo! Xichen! Ainda acha que tem alguma defesa essa pouca vergonha?!         – O que aconteceu com o irmão Wei? – Perguntou baixo se aproximando de onde Wangji estava.         – Um alfa rasgou suas roupas e tentou se aproveitar dele, seu lobo se acuou. – Explicou tentando chamar atenção do amado, respirou fundo e deixou seu lobo aparecer. ­– Wei Ying fala comigo.         Os olhos ficaram vermelhos e o cheiro de sândalo tomou conta do ambiente enjoando Xichen que também era um alfa lúpus, tentando ajudar, ele pegou sua Liebing e tocou uma música tentando trazer o lobo de seu cunhado de volta. Wangji o chamava fervorosamente tentando fazê-lo retornar à consciência.         – Por que não usa a voz de alfa? – O líder indagou depois de terminar a música.         – Vai machucá-lo.         – Mas ele o reconhece como seu alfa e seu ômega irá entender que precisa dele e retornará.         – E se ele não me reconhecer? Ainda não o marquei.         – É um risco que teremos que correr. – Tentando causar o mínimo de dano no menor ele o envolveu em seus braços apoiando sua cabeça em seu peito, Wei Wuxian parecia um boneco, não se mexia, não falava, não piscava, se alguém quisesse tirar proveito dele conseguiria sem o menor problema, com um afago nos cabelos ele se aproximou do ouvido, mas foi parado quando viu os vinte juniores de mais cedo se aproximarem com seus guquins. – O que significa isso?         – Primeiro Mestre, nós estimamos muito o Patriarca Yiling, por favor, nos permita tocar algo para ajudá-lo acordar. – Um tiro de arco no coração doeria menos em Lan QiRen do que um ferimento em seu ego. Desde que esses pirralhos eram ainda mais pirralhos havia associando tudo de r**m que aconteceu no passado à figura de Wei Wuxian, como é possível que em apenas uma tarde todo o seu trabalho foi por água abaixo?         ­– Por favor, comecem! – Lan Zhan simplesmente atropelou a resposta de Xichen, pouco se importando se havia acabado com a autoridade do irmão ou se estava com as roupas de baixo, que eram quase transparentes, na frente dos seus alunos, ele só queria seu amado elétrico e reclamando das regras de volta.         Os vinte juniores se sentaram em uma formação mais do que perfeitas e começaram a tocar, Sizhui liderava o grupo controlando suas emoções o máximo que conseguia. A canção era longa e complexa, cheia de notas e arranjos difíceis que em um único erro poderia levar todo o trabalho a perder. Após uma nota mais alta vinda de Sizhui ele usou a própria energia espiritual em Wei Wuxian e em seu guquin os ligando, era uma estratégia extremamente arriscada, se ele desmaiasse ou parasse de tocar Wei Ying se iria para sempre.         – O que está fazendo?! Pare imediatamente! – Lan Zhan rosnou para o filho o intimidando, mas ele era teimoso assim como o pai, por isso continuou mesmo sentindo suas energias se esvaindo, ele ainda era um júnior.         – A voz de alfa, o chame agora. – Falou com a voz exausta, mas se obrigou a continuar tocando.         – Wei Ying, acorde! – Chamou no pé do ouvido do ômega que se remexeu em seus braços, mas ainda desacordado. – Wei Ying, acorde!          Dessa vez nem uma reação ele teve.         – Não pare… – Mesmo que o machucasse não tinha outra opção, em um rugido que assustou todos ele o chamou novamente.         – Wei Ying acorde agora! – Um tremor passou pelo corpo do ômega, mas seus olhos continuavam cerrados, por mais que ele odiasse fazer isso, era hora dele se impor como alfa. – Isso é uma ordem, preciso de você! ACORDE!         Os olhos cinza de repente se abriram e o ar foi puxado com força pelos pulmões. Um suspiro aliviado escapou do alfa que o abraçou como se ele fosse sumir a qualquer momento. O cheiro de lótus pôde novamente ser sentido, seu amor estava acordado.         – Sizhui! – Rapidamente ergueu os olhos vendo o filho caído e sangrando pelos qiqaos, deixou Wuxian que estava meio desorientado nos braços de Xichen e correu para socorrer o filho. O deixou sentado para que o sangue escorresse e com um lenço de um discípulo limpou o sangue que descia. Quando parou de sangrar enviou energia espiritual vendo aos poucos a cor voltar para o rosto do garoto, outro suspiro de alívio foi solto ao ver que ele estava estável. Em menos de 1h quase perdeu o noivo e o filho.         – Levem-no a enfermaria, quando ele estiver melhor o levem de volta ao quarto, irei vê-lo depois. – Pediu a Xichen com uma voz mansa e pegou o filho desacordado em seus braços o levando pro Jingshi, iria cuidar dele lá.         Wei Wuxian ainda estava desorientado, tão desorientado que sequer percebeu a hora que Lan Huan o pegou no colo o levando para a enfermaria, provavelmente achava que estava nos braços de Lan Zhan ou talvez nem saiba onde estava.    
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