O café da manhã

845 Words
O sol da manhã atravessava as enormes janelas da mansão. Tudo estava silencioso. Ailme acordou cedo. Por alguns segundos ela ficou olhando o teto, tentando lembrar onde estava. Então tudo voltou à mente. A tempestade. O carro. A mansão. Brandão. Ela virou o rosto e olhou para o lado. Romã ainda dormia profundamente, abraçado na mantinha. O coração dela apertou de amor. — Bom dia, meu príncipe… sussurrou. Minutos depois, ela o pegou no colo. O menino estava quietinho como sempre. Magro demais para uma criança da idade dele. Pequenino. Três aninhos apenas. Os cabelos loirinhos iguais aos dela. E os olhos verdes grandes e assustados. Ela desceu as escadas devagar com ele no colo. Romã estava agarrado no pescoço da mãe, observando tudo com curiosidade e receio. Era tudo grande. Luxuoso. Diferente de tudo que ele já tinha visto. Quando chegaram na sala, ele cochichou baixinho: — Mamãe… Ela beijou a testa dele. — O que foi, meu amor? Ele olhou ao redor da casa enorme. — Homem… Ela entendeu o que ele queria dizer. — Não, meu amor… está tudo bem. Mas mesmo assim ele continuou agarrado nela. Nesse momento uma mulher elegante apareceu no corredor. Era a governanta da casa. Ela sorriu educadamente. — Bom dia, senhora. Ailme sorriu de volta, um pouco sem graça. — Bom dia… desculpe incomodar. Ela apertou o menino contra o corpo. — Eu só queria saber se poderia me dar um copinho de leite para ele… só para ele beber alguma coisa. Romã estava olhando para o chão. Quietinho. A governanta arregalou levemente os olhos. — Mas claro que pode. Depois sorriu novamente. — Na verdade eu já montei a mesa de café da manhã. Ela apontou para a sala de jantar. — O patrão pediu para que a senhora e o pequeno tomassem café com ele. Ailme piscou surpresa. — Ele pediu? — Pediu sim, senhora. A governanta abriu caminho. — Por aqui. Ela respirou fundo e caminhou até a sala de jantar. Quando entrou, viu Brandão sentado à mesa. Impecável como sempre. A governanta se retirou discretamente. Ele levantou o olhar. — Bom dia. Ailme respondeu educadamente. — Bom dia. Romã apertou o braço da mãe. — Mamãe… medo… Ela acariciou o cabelo dele. — Está tudo bem, meu amor. Ela o colocou sentado na cadeirinha ao lado dela. — Fica aqui pertinho da mamãe. Brandão observava os dois em silêncio. Então tentou quebrar o gelo. — Qual é o seu nome, campeão? Romã olhou para ele com os olhos grandes. Assustado. Demorou alguns segundos para responder. — Romã… disse baixinho. Ailme sorriu sem graça. — Desculpa… ele sempre foi muito tímido e assustado. Ela passou a mão nos cabelos do filho. — Ele se chama Romã. Brandão deu um pequeno sorriso. — Não tem problema. Nesse momento a governanta voltou com um copinho infantil. Colorido. — Aqui está o leite dele. Ela entregou para Ailme. — Muito obrigada. Ela colocou o copinho nas mãos do filho. — Aqui, filho. Romã olhou para o copo. Os olhinhos brilharam um pouco. — Copinho bonito… Ailme sorriu. — Que bom que gostou, meu amor. O menino começou a beber o leite devagar. Quietinho. Enquanto isso, Ailme pegou um pão da mesa. Comeu com calma. Ainda parecia um pouco nervosa. Depois de alguns segundos ela falou: — Senhor… eu não sei como agradecer por tudo isso. Brandão levantou os olhos. — Não precisa agradecer. Mas ela continuou. — Tem alguma coisa que eu possa fazer aqui na casa? Ela parecia sincera. — Eu sei cozinhar… posso ajudar na cozinha… ou limpar alguma coisa. — Não. Ele respondeu imediatamente. Ela ficou surpresa. — Você está aqui como minha convidada. Ele apontou levemente para o menino. — Você e o Romã. Ela ficou em silêncio por um momento. Então ele perguntou: — Qual é o seu nome? — Ailme. Ele ficou pensativo por um segundo. Outra coincidência. Outro detalhe parecido com Aiu. Mas ele disfarçou. Então disse calmamente: — Meu nome é Eusef. Ela arregalou levemente os olhos. Ele continuou: — Mas esse é um segredo. — Ninguém aqui sabe meu nome verdadeiro. Ela sorriu surpresa. — Então só eu sei? Ele assentiu. — Só você. O olhar dele ficou firme. — Porque você é minha convidada. Depois completou: — E porque você não vai embora daqui. Ela soltou um pequeno sorriso tímido. — Está bem… senhor. Ele levantou a sobrancelha. — Não precisa me chamar de senhor. Ela o olhou. — Como devo chamar? — Pode me chamar de Brandão. — Como todo mundo aqui chama. Ele então completou em um tom mais baixo: — Mas quando estivermos só nós dois… O olhar dele encontrou o dela. — Você pode me chamar pelo meu nome. Ailme ficou um pouco sem jeito. Mas sorriu. — Está bem… Ela respirou fundo. — Brandão. Ele apenas assentiu. Enquanto isso, Romã terminou o leite e colocou o copinho na mesa. Depois olhou para Brandão com curiosidade. Ainda tímido. Ainda quieto. Mas pela primeira vez… Sem tanto medo. E Brandão percebeu isso imediatamente.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD