A chuva fina da madrugada ainda caía quando Henrique entrou no apartamento. O relógio marcava quase três da manhã. A gravata estava frouxa no pescoço, e as mangas da camisa dobradas até os cotovelos, cinco horas trabalhando ao lado de Laura tinham deixado sua mente cansada… e inquieta de um jeito que ele não sentia há anos. Fechou a porta atrás de si, esperando encontrar o apartamento silencioso. Mas as luzes da sala estavam acesas. Gabriela estava sentada no sofá. Elegante como sempre, vestido preto impecável, cabelo perfeitamente alinhado, uma taça de vinho na mão, a postura era calma, mas os olhos denunciavam algo muito mais intenso. Raiva. Ela ergueu o olhar lentamente quando ele entrou. — Demorou. Henrique passou a mão pelo rosto, suspirando. — Eu estava trabalhando. — Com

