Instinto

1648 Words
📖 A Doce e o Predador Capítulo 2 — Instinto O silêncio na sala parecia pesado demais. Miranda continuava com a p*****a apontada para Dravan. As lágrimas ainda molhavam seu rosto, mas sua mão permanecia firme. Era estranho. Ela podia estar aterrorizada. Podia estar chorando. Podia querer desesperadamente voltar para casa. Mas, quando a situação exigia uma decisão, alguma coisa dentro dela simplesmente assumia o controle. Correr. Lutar. Ou agir antes que fosse tarde demais. Dravan percebeu isso. Seus olhos continuavam vermelhos. — Você realmente pretende atirar em mim? Miranda engoliu em seco. — Se for necessário. Um dos homens atrás de Dravan deu um passo. Miranda imediatamente virou a a**a na direção dele. — Não se mexe! O homem parou. Dravan ergueu uma mão. — Ninguém se aproxima. Miranda respirou fundo. — Agora abre a porta. Dravan não respondeu. — Eu disse para abrir. — E eu ouvi. — Então abre. — Não. Miranda estreitou os olhos. — Você é sempre irritante assim? Um dos homens quase sorriu. Dravan percebeu. — Estás numa situação perigosa e ainda encontras tempo para me insultar. — É o meu talento. Dravan ficou alguns segundos observando-a. Então começou a andar. Miranda recuou. Um passo. Dois. Três. — Eu mandei você parar. Ele continuou. Miranda apertou a p*****a. — Dravan. Mais um passo. Foi então que ela percebeu uma coisa. Ele não estava preocupado com a a**a. Nem um pouco. Miranda olhou para a p*****a. Depois para ele. — Você acha que eu não vou atirar. — Acho que não queres atirar. — Você não me conhece. — Ainda não. A resposta fez Miranda hesitar. Apenas por um segundo. Foi o suficiente. Dravan desapareceu de sua frente. Miranda arregalou os olhos. No instante seguinte, ele estava ao lado dela. Ela reagiu por puro instinto. Girou o corpo e saltou para longe. A p*****a quase escapou de sua mão. — d***a! Dravan ficou imóvel. Miranda correu. Não pensou. Não calculou. Apenas correu. Passou pela primeira porta que encontrou. Desceu um corredor. Virou à esquerda. Depois à direita. — Peguem-na! — alguém gritou. Miranda acelerou. Se havia uma coisa que ela sabia fazer quando estava realmente assustada, era fugir. E fugir rápido. — EU ODEIO ESTE LUGAR! Dois homens apareceram no corredor. Miranda travou por uma fração de segundo. Depois viu uma janela aberta no fim do corredor. Era alta. Muito alta. Ela não parou. Correu diretamente para ela. — Miranda! — gritou um dos homens. Ela colocou as mãos no parapeito e saltou para o outro lado, aterrissando no terraço inferior. O impacto fez seus joelhos dobrarem. — Ai... Sentiu uma dor leve, mas levantou imediatamente. Não havia tempo. Correu novamente. Atrás dela, ouviu passos. Miranda olhou para trás. Dravan estava no parapeito. Ele poderia simplesmente atravessar aquela distância. E atravessou. Miranda arregalou os olhos. — Isso não é normal! Continuou correndo. O terraço terminava em uma escada externa. Ela desceu quase tropeçando. No primeiro andar, encontrou uma porta. Abriu. Uma cozinha. Miranda entrou. Fechou a porta. Encostou-se nela. Respirou. Uma vez. Duas. Três. Silêncio. — Talvez eu tenha conseguido... — Não conseguiste. Miranda congelou. A voz veio atrás dela. Ela virou lentamente. Dravan estava encostado na bancada. Miranda arregalou os olhos. — Como?! — És rápida. Ele fez uma pausa. — Mas não o suficiente. Miranda olhou para a porta. Depois para ele. Depois para a janela. Dravan acompanhou o olhar. — Nem penses. — Eu não estava pensando em nada. — Estavas. — Não estava. — Estavas. — Talvez. Miranda correu para a janela. Dravan moveu-se. Ela agarrou uma cadeira e empurrou-a contra o caminho dele. Não para machucá-lo. Apenas para ganhar tempo. Funcionou por alguns segundos. Miranda abriu a janela. Havia uma varanda do lado de fora. Ela passou por cima do parapeito. Dravan apareceu atrás dela. — Miranda. Ela olhou para trás. Ele estendeu a mão. — Volta. — Não. — Vais acabar te machucando. — Prefiro tentar escapar. Ela olhou para o espaço à frente. Não era uma distância impossível, mas também não era segura. Mesmo assim, Miranda não hesitou. Quando precisava agir, seu corpo decidia antes da cabeça. Ela se impulsionou para alcançar a estrutura ao lado. Conseguiu agarrar a borda e se puxou para cima. — Consegui! Miranda sorriu por um segundo. Então ouviu: — Impressionante. Ela virou-se. Dravan estava parado na varanda. Miranda fechou os olhos. — Claro... Ele atravessou a distância com facilidade. Miranda recuou. — Fica longe! Dravan parou. Ela olhou para os lados. Sem saída. À esquerda, uma parede. À direita, o fim da varanda. Atrás, Dravan. Miranda segurou a p*****a. — Não chega perto. — Já percebi que gostas dessa frase. — E vou continuar dizendo. Dravan olhou para a a**a. — Não vais conseguir fugir para sempre. — Não preciso fugir para sempre. Ela respirou fundo. — Só preciso encontrar uma saída. Por um instante, Dravan ficou em silêncio. Aquela resposta chamou sua atenção. Miranda não estava pensando em vencer. Não estava tentando provar que era mais forte. Ela simplesmente procurava uma oportunidade. Qualquer uma. Dravan percebeu então que ela não era imprudente. Era instintiva. E havia diferença. Miranda observou o ambiente. Uma porta. Uma escada. Um corredor. Uma janela. Ela memorizava tudo. Então percebeu uma pequena falha. A porta atrás de Dravan estava entreaberta. Miranda olhou para ela. Depois para ele. — Você está distraído. Dravan ergueu uma sobrancelha. — Estou? — Está. Ela lançou a p*****a para o lado. Dravan olhou instintivamente para a a**a. Foi o suficiente. Miranda correu. Passou por ele. Entrou pela porta. Desceu a escada. Dravan ficou parado por um instante. Depois sorriu. — Inteligente. --- Miranda chegou ao andar inferior. Havia uma enorme sala de armazenamento. Ela entrou. Fechou a porta. Dessa vez, não correu. Precisava pensar. Encontrou uma pequena mesa. Sentou-se atrás dela. Tentou controlar a respiração. — Eu preciso sair daqui... Os olhos começaram a encher de lágrimas novamente. — Eu quero minha casa... Miranda levou as mãos ao rosto. Chorou em silêncio durante alguns segundos. Depois respirou fundo. — Não. Levantou a cabeça. — Eu não vou ficar aqui. Ela se levantou. Encontrou uma pequena janela. Estava trancada. Tentou abrir. Nada. Olhou ao redor. Havia uma caixa de ferramentas. Pegou uma pequena ferramenta e tentou forçar o mecanismo. Depois de algumas tentativas, conseguiu. A janela abriu. Miranda sorriu. — Finalmente. Colocou uma perna para fora. Então ouviu passos. Parou. Passos lentos. Calmos. Dravan. Miranda olhou para a janela. Depois para a porta. Não tinha tempo. Ela passou rapidamente pela janela. Do lado de fora havia um pequeno jardim cercado por muros. Miranda correu. A chuva havia começado novamente. Seu cabelo cacheado ficou rapidamente molhado. Ela não se importou. Continuou. Chegou ao muro. Era alto. — Não... Olhou para trás. Dravan apareceu na janela. Miranda não esperou. Agarrou uma estrutura metálica próxima ao muro e começou a subir. Uma mão. Depois outra. Ela conseguiu alcançar o topo. Quando olhou para o outro lado, percebeu que havia uma queda considerável. Miranda respirou fundo. — Não pensa. Seu instinto dizia para continuar. Então ela continuou. Saltou para o outro lado, aterrissando no terreno abaixo. Caiu sentada. — Ai... Ficou alguns segundos parada. Depois levantou. — Estou viva. Começou a rir. Um riso nervoso. — Estou viva! Então ouviu uma voz atrás dela. — Estás comemorando cedo demais. Miranda parou. Virou-se. Dravan estava do outro lado do muro. Ela ficou boquiaberta. — Você é impossível! Ele atravessou o muro com uma facilidade absurda. Miranda começou a correr novamente. Dravan não a perseguiu imediatamente. Apenas caminhou. Sabia que ela acabaria parando. E estava certo. Miranda chegou ao portão. Trancado. — Não... Tentou abrir. Nada. — ABRE! Puxou novamente. Nada. Ela ouviu passos atrás de si. Virou-se. Dravan estava se aproximando. Miranda recuou. Olhou para o portão. Depois para ele. Então fez algo que Dravan não esperava. Em vez de correr para longe, correu diretamente na direção dele. No último instante, desviou para o lado. Passou por uma a******a estreita entre ele e a parede. Dravan virou-se. Miranda já estava correndo novamente. — Não vais escapar. — Eu sei! Ela gritou sem parar de correr: — MAS EU VOU TENTAR! Dravan ficou parado. Depois soltou uma pequena risada. Não havia medo naquela garota. Havia medo, sim. Muito. Mas o medo não a paralisava. Quando uma oportunidade aparecia, Miranda corria. Quando precisava saltar, saltava. Quando precisava lutar, lutava. E quando precisava chorar... Chorava sem vergonha. Dravan começou a caminhar atrás dela. Enquanto isso, Miranda alcançou uma pequena construção no jardim. Entrou. Fechou a porta. Encontrou uma p*****a sobre uma mesa. Pegou-a. Verificou rapidamente. Depois ficou encostada na parede. Esperando. A porta abriu lentamente. Dravan apareceu. Miranda ergueu a a**a. — Agora estamos quites. Dravan olhou para a p*****a. Depois para ela. — Onde encontraste isso? — Não interessa. — Interessante. Miranda respirou fundo. — Eu vou embora. Dravan continuou olhando para ela. — Ainda não. — Então vou continuar tentando. Ele sorriu. — Eu sei. Miranda franziu a testa. — Sabe o quê? — Que vais continuar tentando. Os olhos cinza-escuros dele começaram novamente a adquirir aquele brilho vermelho. — E é exatamente isso que torna tudo mais interessante. Miranda apertou a p*****a. Ela ainda não sabia quem Dravan realmente era. Não sabia por que aqueles homens obedeciam a cada palavra dele. Não sabia por que ele parecia não temer sua a**a. E, acima de tudo, não sabia por que ele parecia cada vez mais interessado nela. Mas uma coisa Miranda já tinha decidido. Ela não ficaria parada esperando o destino decidir por ela. Se aparecesse uma porta, ela correria. Se aparecesse uma janela, ela tentaria. Se precisasse saltar, saltaria. E se tivesse uma única oportunidade de escapar... Miranda não hesitaria. Porque ela podia ser chorona. Podia ser mimada. Podia parecer pequena e frágil. Mas, quando sua sobrevivência estava em jogo... Miranda corria primeiro. E pensava depois.
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