A viagem e o convite

1220 Words
Victor Kane estacionou seu Porsche Cayenne preto na vaga privativa do subsolo da *Kane Electronics* às 7h50 da manhã. O prédio de vidro e aço reluzia sob o sol forte do Rio. Ele subiu direto para o último andar, o rosto sério e a mandíbula travada. Tinha passado outra noite inquieta, virando-se na cama king size da mansão, o corpo quente e o p*u latejando só de lembrar de Luna saindo da sua casa, deixando-o duro e frustrado. — Chega. Hoje eu enterro essa obsessão no trabalho murmurou enquanto o elevador subia silenciosamente.Entrou na sala presidencial, jogou o paletó sobre o sofá de couro e sentou-se à mesa de mogno maciço. A vista panorâmica da Avenida das Américas e do mar ao fundo era impressionante, mas Victor m*l a notava. Abriu o notebook e mergulhou nos relatórios trimestrais. Passou quase duas horas analisando números de produção na fábrica da China, comparando custos, projetando lucros e respondendo e-mails urgentes de investidores. Cada vez que sua mente traía e trazia a imagem de Luna, pele morena brilhando de suor, quadris rebolando devagar, a calcinha fio-dental desaparecendo entre as nádegas empinadas, Victor apertava os olhos com força e abria outro arquivo. — p***a, concentra, Victor resmungava, passando a mão pelos cabelos escuros com fios grisalhos.Rafael Mendes, seu sócio, entrou na sala por volta das 10h30 sem bater, com duas xícaras de café. — Cara, você tá com cara de quem quer matar alguém. Tá rolando alguma coisa? Desde aquela dançarina que você contratou… — Não quero falar sobre isso cortou Victor, seco. Pegou o café e voltou os olhos para a tela. — Temos problemas maiores que mulher. Rafael ergueu as mãos em rendição e saiu. Victor continuou trabalhando com disciplina militar. Revisou contratos de fornecimento, participou de uma call rápida com a equipe de engenharia e aprovou o orçamento de marketing para o próximo semestre. O trabalho sempre fora seu refúgio. Mas hoje, nem ele conseguia afastar completamente a dançarina que dançava como se o mundo fosse dela. Por volta das 11h40, Helena, sua secretária executiva de confiança, entrou com o tablet na mão e expressão profissional. — Bom dia, Sr. Kane. Desculpe interromper, mas preciso confirmar alguns pontos importantes da agenda. O senhor tem a viagem para Barcelona este final de semana. O voo em primeira classe sai sexta à noite. O senhor havia esquecido completamente da apresentação dos novos equipamentos eletrônicos na sede da *EuroTech*? Victor parou de digitar e ergueu o olhar, surpreso. — Barcelona… Merda. Tinha saído totalmente da minha cabeça. Helena assentiu, paciente. — O evento é no sábado à noite. Black-tie, com investidores europeus, fundos de venture capital e diretores de grandes montadoras. Eles estão muito animados com os novos semicondutores e as baterias de alta densidade que desenvolvemos em parceria. E, como de costume nos eventos deles, pediram que o senhor leve uma acompanhante. O convite menciona explicitamente “+1”. Victor recostou na cadeira de couro ergonômica, girando levemente. Por alguns segundos ficou em silêncio, olhando para o mar distante pela janela. Então, um sorriso lento, predatório e satisfeito se formou em seus lábios. Luna. A imagem dela ao seu lado em um salão luxuoso de Barcelona, usando um vestido longo elegante que marcasse cada curva generosa do corpo, surgiu com força. Ele imaginou os olhares de inveja dos outros homens, a forma como ela caminharia com confiança, o contraste exótico da pele morena contra o vestido sofisticado. Seria perfeita. — Reserve tudo normalmente disse ele, voz firme. — Dois bilhetes. Eu levo acompanhante. Helena anotou, sem fazer perguntas, e saiu da sala. Assim que a porta se fechou, Victor pegou o celular e ligou para Roberto, dono do *Velvet Shadow*. — Roberto, Victor Kane falando. Quero Luna na quarta-feira à noite. Exclusivo. A noite inteira. Quero um jantar privado só nós dois na minha mansão. Pago dez vezes o valor normal do show particular. E avise que ela precisa ir bem vestida: vestido longo, elegante, sofisticado, salto alto. Nada de roupa de palco. Quero vê-la como uma mulher de classe. Roberto hesitou do outro lado da linha. — Sr. Kane… Luna não costuma aceitar jantares particulares. Ela é muito rígida com as regras. — Diga que é apenas um jantar e conversa. Sem pressão para nada além disso. Faça a proposta atraente. O pagamento será feito agora mesmo, transferência imediata. Depois de alguns minutos de negociação, Roberto confirmou que falaria com Luna. Victor não esperou. Abriu o aplicativo do banco e fez uma transferência generosa, um valor alto o suficiente para chamar atenção até de alguém como Luna. Recostou na cadeira novamente, sentindo uma onda de antecipação. Quarta-feira seria o momento ideal. Um ambiente controlado, romântico, só os dois. Ele faria a proposta da viagem para a Espanha pessoalmente, olhando nos olhos dela. Seria muito mais difícil para Luna recusar quando visse o luxo que ele podia oferecer. O almoço foi rápido,salmão grelhado e salada na sala de reuniões privativa. Victor comeu quase sem saborear, a mente alternando entre gráficos de produção e a fantasia de Luna aceitando ir com ele para Barcelona. Às 16h30 em ponto, ele iniciou a reunião remota com a equipe da *EuroTech* na Espanha. A tela grande mostrava os diretores europeus, engenheiros e o CEO da parceira. Victor assumiu o comando com sua habitual autoridade natural. — Senhores, os novos chips de baixa latência estão com desempenho 38% superior ao da concorrência nos testes internos. Quero os relatórios finais de validação até sexta-feira ao meio-dia. A apresentação de sábado precisa ser impecável. Vamos mostrar aos investidores que a Kane Electronics não está apenas competindo, estamos liderando a próxima geração de tecnologia automotiva e de energia. Ele respondeu perguntas técnicas com precisão, debateu prazos, ajustou detalhes da apresentação e reforçou a estratégia de marketing. A reunião durou quase duas horas. Victor foi direto, visionário e implacável quando necessário. Quando terminou, sentiu-se mais centrado. O trabalho ainda era sua maior arma.Helena entrou novamente para os últimos detalhes: — Tudo confirmado, Sr. Kane. Suíte presidencial no Hotel Arts Barcelona com vista para o mar, carro privativo com motorista durante toda a estadia, e os dois bilhetes em primeira classe. — Perfeito. Mantenha tudo reservado. Sozinho na sala ampla, com o sol começando a se pôr no horizonte, Victor permitiu-se relaxar um pouco. Olhou para a foto discreta que tinha salvo de Luna dançando (enviada por um contato) e sorriu. — Quarta-feira, Luna Tavares. Você ainda não sabe, mas vai ser muito difícil dizer não para Barcelona… e para mim. Na cobertura de Ipanema, Luna recebia a ligação de Roberto. Ficou em silêncio por longos segundos ao ouvir sobre o jantar particular na mansão, o valor absurdo e o pedido de roupa elegante. — Só jantar? perguntou ela, desconfiada. — Foi o que ele garantiu. Pagou adiantado, Luna. Uma fortuna. Ela mordeu o lábio, olhando o mar pela varanda. Sabia que estava brincando com fogo. Mas a curiosidade, misturada com o desafio, era grande demais. — Aceito respondeu finalmente. — Mas avise que as regras continuam as mesmas. Victor, na sua sala, já imaginava o vestido que ela usaria, o perfume, a conversa que teriam. A obsessão não havia diminuído. Pelo contrário. Estava apenas ganhando contornos mais sofisticados. E na quarta-feira à noite, ele faria sua jogada mais ousada até agora.
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