Capítulo 9 - Hirin

1004 Words
Era sábado, o meu plantão havia acabado na metade da tarde e eu retornava para casa sobre a moto. Existe algo de mágico quando se está sobre duas rodas, a adrenalina, o vento e os vultos ao seu lado criam um universo totalmente paralelo deixando seus pensamentos conturbados atrasados o suficiente para não enxerem a sua paciência. Desde que o corpo na prefeitura não tivemos mais chamados estranhos, não consegui ir ao necrotério já que precisava de uma autorização do Wesley para isso, que no momento estava ocupado com outros casos e não iria me deixar ir sozinha. Besteira. Entrei em casa jogando as chaves sobre a mesinha ao lado da porta e as botas no canto da sala. A jaqueta foi parar em algum lugar que eu não me esforcei para ver e as luvas estavam em seus bolsos. Pelo barulho de água nos canos imaginei que Haviel estivesse ali xeretando alguma coisa para consertar, ao chegar na cozinha ele estava deitado embaixo da pia. — Deu para virar triturador agora? – questionei me debruçando sobre a ilha. — Muito engraçado. – ele fingiu uma risada e colocou a cabeça para fora do armário. – Que milagre chegou cedo, achei que ia morar no DP, como fazia em Miami. — Wesley me enxotou para casa. Ele disse que se eu não saísse da sala iria me arrastar até aqui. – dei de ombros. Não duvido que ele faria isso, aquele lobo maluco. — Bem feito. Separe um tempo para aproveitar a cidade, ninguém consegue pensar direito com a cabeça cheia. – ele fechou a porta do armário e levantou testando a torneira, sorriu ao ver que tinha conseguido o que queria e jogou a ferramenta para o alto, infelizmente ela caiu sobre o seu pé. – Filha da mãe! — Tudo bem? — perguntei logo após gargalhar do ocorrido. Haviel era atrapalhado há um nível especial, tudo com ele tinha setenta por cento de chance de dar errado. — Tudo. – resmungou irritado e se sentou ao meu lado. – Vou para uma boate com uns amigos, se quiser aparecer... fique bem longe de onde estou. Já perdi amigos demais com socos no meio da cara. Ergui as mãos em rendição e fiz uma careta para ele. Ciumento era um apelido que se encaixava muito bem em Haviel. — Vou tentar, seus amigos tendem a ser gostosos. – o encarei com um sorriso safado e ele me olhou com raiva. — Jonathan vai estar lá. – me levantei e segui para o quarto. — Vou ficar longe. Já tinha comentado com Haviel sobre Jonathan, no trabalho era uma coisa mas nas minhas horas de folga... nem morta. Precisava de duas coisas hoje, uma boa f**a e sangue. {▪︎▪︎▪︎} A roupa que eu escolhi não era discreta, pelos deuses quem vai a boate com uma roupa discreta? O vestido justo e coberto de pedras nos locais necessários deixavam meu corpo marcado e sexy, gostava de me sentir assim. Haviel já havia saído há pouco mais de uma hora, e só agora eu decidi que iria para a balada respirar novos ares e me alimentar antes que a abstinência viesse. Na verdade, eu já estava sentindo os efeitos dela em proporções bem fracas mas visíveis. Chamei um Lyft, o carro preto parou a porta alguns minutos depois e me levou ao destino. Eu gostava da discrição que os carros desse aplicativo proporcionam. {▪︎▪︎▪︎} A boate estava lotada, tinha demorado alguns minutos quase intermináveis para entrar, mas a espera valeu a pena. As luzes em rosa, roxo e vermelho piscavam no teto n***o do lugar, assim como o azul e verde piscavam no chão entre as centenas de pares de pés dançantes. O cheiro de suor, drogas, álcool, cigarro e gelo seco pairavam no ar assim como a excitação coletiva. Não precisei ter o trabalho de procurar por meu irmão, ele havia escolhido uma mesa grande na parede oposta onde algumas garotas passavam e rebolaram para os rapazes sentado em volta. Com certeza alguém muito rico tinha bancado isso. Para irritá-lo fui até lá. Haviel estava de olho em uma loira que não parava de encara-lo da pista de dança e sussurrava com Leviatã sobre ela, os dois trocavam olhares e algumas informações. Jonathan não estava, os gêmeos tentavam importunar um rapaz que eu não conhecia, ele tinha olhos azuis e o cabelo castanho e seu rosto me lembrava alguém familiar mas não me recordava quem era. No canto da mesa Wesley espiava por cima do copo de whisky e se engasgou quando me viu. Sorri em resposta. — Olá para você também Capitão. – passei por ele e pelos outros até parar encostada a mesa perto de Haviel. — Não quero ela como cunhada, só avisando. — Mas... que diabos você está fazendo aqui? – aqui na mesa, ele queria dizer. Dei de ombros diante do seu olhar irritado que seguiu para todos da mesa, os mais espertos fingiam que estavam olhando para outra coisa, de repente o copo na mão de Wesley se tornou incrivelmente interessante, mas aquele cara ainda permanecia olhando e eu retribui seu olhar com um sorriso nada ingênuo. — Tire seus malditos olhos da minha irmã, Daniel! – Haviel gritou sobre a música e Daniel deu de ombros como se não se importasse com isso. — Está vendo? Dê o fora. Beijei sua bochecha e coloquei meu celular em seu colo para ele guardar. Enquanto me afastava podia ouvir suas reclamações e xingamentos. Leviatã apenas confirmava com a cabeça como se tivesse prestando atenção, mas não estava de fato. Segui para a pista de dança já pronta para atrair minha presa indefesa quando sinto um peso em minhas costas. Passo as mãos por meus cabelos, prendendo contra o pescoço e lanço um olhar por sobre o ombro. Christiel estava sentado perto de Daniel e me encarava com um olhar penetrante, sorri sensualmente para ele e comecei a dançar.
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