Homens e Dragões

940 Words
Eu estava tentada a dar meia volta quando detectei um movimento rápido em uma das portas abertas no extremo do corredor ao meu lado num relance de olhar. O desconforto que se instalou na sola de meus pés me obrigou á parar, voltando alguns passos atrás no mais resoluto silêncio, observando melhor o interior da sala. E meu queixo caiu, como se uma força gravitacional inexplicável o puxasse de encontro ao chão. Isso, por que havia uma pessoa ali. Com a respiração presa dentro dos pulmões, observei a distribuição do grande salão em forma retangular, com alguns colchonetes azuis espalhados pelo chão. Haviam algumas barras de aço presas ás paredes, fazendo circunferências familiares pelo teto. Haviam também bancadas com armas de pequeno porte espalhadas por toda a extensão das paredes, oferecendo várias opções de lâminas e objetos mortais das mais diversas espécies. Os alvos dispostos no fim da sala pintados em círculos de vermelho vivo continham várias adagas afiadas perfurando seu centro, demonstrando a habilidade de que as havia atirado, e em meio á tudo isso, Eron . Sem camisa. Ainda em silêncio, meus dedos se agarraram ao batente da porta. Ele estava de costas, segurando um conjunto de facas adornadas em uma mão enquanto girava uma adaga prateada entre os dedos da outra. Os cabelos negros como a noite caíam sobre o pouco que eu conseguia ver de seus olhos verdes, e os músculos dourados brilhavam á baixo da iluminação amarelada das lamparinas em forma de bolhas grudadas no teto. Mas não foi em nada disso que minha atenção se fixou. Um Eron sem camisa era um tabu que nunca fui capaz de resolver. Tentar imaginar isso e recriar as todas as consequências da imagem sempre me deixaram ruborizada, pensando que eu nunca seria capaz de imaginar tudo com eficiência. E a cena diante de mim agora só provava que eu estava infinitamente certa. Com o cós da calça escura perigosamente baixa nos quadris estrei tos, os músculos quase morenos se ondulavam de forma atraente ao longo de seu lombar, braços e ombros, e um enorme dragão escuro envolvia grande parte das costas, as asas delimitando-se pelos ombros, as pernas e o r**o enrodilhando as costelas, e as garras acabando nos dois lados do pescoço. A boca aberta e 12 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. escura, na clavícula direita, expelia fogo n***o, criando o tribal que eu sempre achara sexy descendo pelo braço direito. Aquilo era de m***r. Eu sabia que ele era forte, e que tudo por baixo da camisa devia ser tão bom quanto era por fora, mas nunca havia imaginado o quanto. Apesar de saber que uma das Marcas dos Detentores do Fogo era o Dragão, nunca imaginei que pudesse ser a Marca dele. Ou melhor, como a Marca ficaria nele. Os efeitos eram simplesmente devastadores. Nucleares. Bombásticos. Espere ai... como é que se puxa o ar mesmo? Eu só podia estar sonhando. Aquilo tudo não poderia ser meu, poderia? Espere... era meu? Eron tinha o poder de sugar toda a minha atenção para si, como se meu mundo gravitasse ao seu redor e meu Sol se pusesse a sua sombra. Aquele garoto era simplesmente uma bomba nuclear explodindo em meio ao meu espaço sideral. Ele havia conseguido se infiltrar de tal modo em meu escudo protetor, que eu ainda encontrava dificuldades ás vezes em entender como, exatamente, as coisas haviam acontecido em sua forma íntegra. Minha v*****e própria se tornava maleável com ele por perto, o que me fazia temer sua presença mais do que qualquer outra coisa. Haviam motivos para tia Peg nos querer o mais afastados possível, o que a levara á monitorar com certa insistência suas visitas a mansão Pinnbolrg, onde nunca podíamos ficar sozinhos. Ás vezes, em silêncio, eu me pegava observando minha tia de soslaio, me perguntando que tipo de mistérios rondavam seu passado obsoleto, ou o porquê de ela insistir com tanta pertinência que eu ficasse o mais longe possível do garoto á minha frente, o mesmo que tinha o poder de me fazer parar e reconsiderar. Era inevitável. Tia Peg jamais entenderia aquilo. E exatamente por isso, me desvencilhei silenciosamente do batente da porta, tensionado deixar o lugar do mesmo jeito que chegara. Eu havia desistido de tentar afastar Eron, mas no momento, eu tinha outros assuntos em que me focar. 13 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Meus pés deslizaram pelo chão de pedra polida sem emitir nenhum ruído, e me preparei para me afastar quando mais uma adaga se enterrou em meio ao alvo depois de uma investida ágil de braço. — Vê algo que goste? Paralisei onde estava ao som da sua voz musical e melodiosa. Raios. Por acaso ele tinha olhos na nuca e eu ainda não havia reparado? Ainda em estado de choque, não ousei emitir nenhum ruído, como se esperasse para ter certeza de que ele havia realmente falado comigo. E então, ele se virou. Engoli em seco, tentando não dar na cara que meus olhos passavam por seu peito nu da mesma forma minuciosa que o raio laser de um scanner. Se as coisas eram interessantes na parte traseira, eram espetaculares na dianteira. As depressões profundas do abdômen enrijeceram quando ele firmou as pernas de frente para mim, e os músculos em evidência saltando por todas as partes visíveis de seu corpo denotavam a grande quantidade de veias tencionadas. A Marca escura de um enorme sol se estampava na parte central de seu peito, predominando mais da parte esquerda, exatamente em cima do coração. Os raios negros ondulando em circunferências pelo tórax e descendo em direção ao umbigo.
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