Cap. 4 - Olá adolescência

1005 Words
Verão de 1887 Judith chegara cedo na casa de Charlotte naquele dia, as duas haviam acabado de completar quinze anos e de repente a ideia de ter um namorado não lhes parecia muito abominável mais. - Charlotte. Acho prefirível que se sente. - Judith tampou o rosto com um travesseiro na tentativa falha de se esconder da amiga. - Oh céus, diga logo. - Ela se sentou ao lado da amiga como fora instruída. - Sebastian Stuart me beijou e ele quer pedir a minha mão. O queixo de Charlotte foi caindo lentamente, ela engoliu em seco e procurou as palavras certas. - Céus ... E ... d***a Judh, conte-me como foi. - As duas riram enquanto Charlotte se aproximava um pouco mais da amiga. Nunca fora beijada, até mesmo porquê em Sorna m*l existia garotos da sua idade que lhe interessavam e o único que ela poderia pensar em algum dia desejar, era seu melhor amigo o que tornava tudo ainda mais estranho. Judith sempre fora muito próxima de Sebastian, os dois moravam a duas casas de distância e desde quando se entendiam por gente esbarravam-se pelas ruas, não seria de se assustar se os dois de repente firmassem um compromisso. - Bom ... Primeiro ele me puxou, levante-se. - Ela ergueu a amiga e imitou o gesto que Sebastian havia feito. - Bem assim. - Charlotte gargalhou. - Depois ele foi se aproximando e colocou a boca na minha. Judith soltou a amiga e deu alguns passos pelo quarto enquanto massageava os lábios, como se pudesse sentir o toque suave dos lábios de Sebastian novamente. - E foi bom? .- Perguntou Charlotte curiosa enquanto segurava o colar que fora dado por Tom, nunca o tirava e havia se tornado uma espécie de costume ficar rodeando a peça entre os dedos. - Foi ... Foi espetacular. - Respondeu em meio a um suspirou a lançou o corpo na cama. - Precisa experimentar Charlotte, podemos pedir a Tom que te beije. Charlotte sentiu as bochechas queimarem, não podia dizer que nunca tinha pensado nessa hipótese, mas era ridícula demais dita em voz alta, até mesmo porquê Tom também nunca havia beijado ninguém então não tinha nada que ele podia te ensinar. - Que ideia tola Judith, não fale asneiras. A amiga ergueu a mão para o alto em sinal de rendição. - Desculpe, foi só uma suposição. Ah, a propósito, não vou poder ir na noite da cachoeira hoje, vou me encontrar com Sebastian. Charlotte engoliu em seco, nunca fora estranho para ela ficar sozinha com Tom mas depois da sugestão da amiga, algo lhe dizia que seria muito estranho e ainda mais estranho por ter se sentido tentada pela sugestão. - N-não pode faltar a noite da cachoeira .- Falou nervosa. - Fazemos isso a três anos todo último dia do mês. A noite da cachoeira era algo que os três haviam criado, consistia em : tomar banho de cachoeira só com as roupas de baixo, pegar bebida escondido dos pais e fazer fogueira. - Tom irá, oras. Será só essa, se eu não for ao encontro de Sebastian ele pensará que eu o estou evitando, por favor. Eu já avisei a Tom e ele não viu problema algum. Charlotte sentiu as bochechas queimarem, estava agindo feito uma boba e a amiga tinha razão, não existia problema algum nisso. Ficara sozinha com Tom um milhão de vezes antes, já haviam até dormido na mesma barraca em um acampamento que tinham feito e nunca fora estranho, não existia razão alguma para evitar estar sozinha com ele. O motivo não podia ser o físico bem definido que o amigo adquirira nos últimos anos, nem mesmo o sorriso estonteante que tinha, tampouco a beleza inigualável, independente de tudo isso, aquele ainda era Tom, seu fiel e único melhor amigo. - É verdade. - Disse com um sorriso forçado nos lábios. - Que bobeira a minha, vá e garanta que Sebastian peça logo sua mão, estou mesmo precisando de uma festa, mas prometa-me que nossa trio nunca irá acabar, nem mesmo quando todos nós estivermos casados e com filhos, os maridos e as crianças terão que entender que o nosso trio é nosso privilégio. As duas riram e Judith tomou a mão da amiga em um gesto carinhoso. - Nada nunca será mais importante para mim do que o nosso trio, mesmo que você e Tom tenham passado a maior parte dos anos envoltos na bolha como duplas. - Ela revirou os olhos demonstrando ciúme. - Eu nunca deixarei que nada nos afaste. Ela puxou Charlotte para um abraço terno e beijou sua bochechas. - Vocês me ensinaram muito do amor. - Sussurrou Charlotte enquanto sentia a amiga acariciar seu cabelo. Não gostava de falar e tampouco lembrar de tudo o que havia passado, mas infelizmente não era capaz de esquecer todo o horror. - Sabe que posso certamente dizer o mesmo, não é? Quando você chegou com seu sorriso fácil e sem nenhuma timidez fez amizade comigo e meu irmão você nos salvou e salvou também a minha mãe. Nossa perda havia sido dolorosa demais. - Tia Mary costuma dizer que Deus não erra em nada que faz. - Exclamou com um sorriso satisfeito. - Ele certamente não erra e tê-la em minha vida é a prova concreta disso minha amiga. Judith deu um beijo demorado na testa de Charlotte antes de se desvencilhar do abraço e com um pequeno aceno de cabeça elas se despediram. Charlotte precisava conseguir um pouco de bebida do tio Cleves escondida e Judith tinha que encontrar a roupa perfeita para agradar Sebastian. Quando a amiga sumiu de vista, Charlotte deu um salto da cama e correu para o escrório do tio que por sorte estava vazio. Ela foi até o armazenamente secredo de bebidas que ele escondia atrás de uma imponente estante e analisou cada vidro ali, Charlotte decidiu pegar um que já estava pela metade e saiu dali na ponta dos pés tomando todo o cuidado para não ser notada.
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